Sistema digestório de ruminantes Prof. Raul Franzolin Neto Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos Universidade de São Paulo Campus de Pirassununga E_mail: rfranzol@usp.br 12/03/2015 1
Importância da Nutrição de Ruminantes 12/03/2015 2
A celulose é o polissacarídeo mais abundante na Terra!! 12/03/2015 3
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Sistema digestório de ruminantes Rúmen Lado esquerdo cavidade abdominal 65-70% total estômago 140 a 240 L (bovinos) Papilas mucosa (aumentam superfície de absorção) Absorção (ativa de Na e Cl; passiva de AGCC, água e outros como uréia) Intensa atividade microbiana Ambiente ruminal 12/03/2015 8
Sistema digestório de ruminantes Retículo Primeiro compartimento Até 10 L capacidade Rumen-retículo (unidos) Mucosa (favo de mel) Não há absorção produtos finais do metabolismo 12/03/2015 9
Ecossistema Ruminal Ambiente ruminal Ausência de luz ph estável (5,5-7,0) Temperatura estável (38 40 0 C) Teor de matéria seca (10 20%) Anaerobiose Potencial redox (-250 a 450 mv) Pressão osmótica Fluxo de água e saliva Presença de moderada concentração dos produtos da fermentação 12/03/2015 10
Sistema digestório de ruminantes Omaso Estrutura contendo folhas de tecidos Absorção de água (30-60%), AGCC (40-69%), minerais e nitrogênio filtro bomba material filtrado entre as folhas 15 L capacidade (variável entre espécies de ruminantes) 12/03/2015 11
Sistema digestório de ruminantes Abomaso Quarto compartimento Estômago verdadeiro Digestão química Ácido (ph=2) secreção de HCl Secreção de enzimas Digestão microbiana 20 L capacidade 12/03/2015 12
Sistema digestório de ruminantes Intestino delgado 60 L capacidade 45 m comprimento Ceco 9,5 L capacidade e 1 m comprimento Intestino grosso 28,5 L capacidade e 10 m comprimento 12/03/2015 13
Selecionadores de concentrados apresentam maior trato digestivo inferior e um maior intestino grosso 12/03/2015 14
AVALIAÇÃO DE ALIMENTOS PARA RUMINANTES Ingestão alimentar a quantidade de forragem ingerida é o principal fator limitante de produção de ruminantes Digestibilidade a digestibilidade da energia na forragem é usualmente medida como digestibilidade da matéria seca (DMS) que está estritamente relacionada com outros parâmetros energéticos: DMO, NDT, ED e EM. 12/03/2015 15
Mastigação Língua importância maior em bovinos e caprinos; apreensão e deglutição Uso dos lábios em ovinos para selecionar alimentação Dentes incisivos inferior (mais usado em ovinos) Ruminantes > 12 h consumindo e ruminando Mastigação de 30.000 a 50.000 vezes/dia 10% da energia com mastigação com alimentos de boa qualidade e 25% com volumosos de baixa qualidade 12/03/2015 16
RUMINAÇÃO 1. Teoria predatória 2. Adição de oxigênio à ingesta 3. Aumento da taxa de passagem de conteúdo do rúmen-retículo aumentando a taxa de motilidade do estômago 4. Diminuição no tamanho de partículas da digesta 5. A ruminação aumenta a digestibilidade? 6. Interação das atividades 3 e 4 acima juntamente com a conservação de energia 12/03/2015 17
RUMINAÇÃO Eventos Regurgitação regurgitação do ingesta retículo-rúmen deglutição dos líquidos regurgitados remastigação dos sólidos reinsalivação redeglutição do bolo 1. Contrações do retículo 2. Abertura do esfíncter do cárdia 3. Contração do diafragma 4. Diminuição da pressão no esôfago 5. Digesta entra no esôfago 6. Fechamento do esfíncter do cárdia 7. O bolo é transferido para a boca via movimentos antiperistálticos 12/03/2015 18
RUMINAÇÃO Remastigação - mais forte que a mastigação inicial Bovinos 40-60/min Ovinos 80-100/min - adição salivar glândula parótida aumenta turnover suprimento do nitrogênio promove efeito tampão hidrata os alimentos facilitando a deglutição 12/03/2015 19
Mastigação Eficiência de mastigação e ruminação depende: - do tipo animal grandes ruminantes são mais eficientes que pequenos ruminantes - Composição da forragem baixa qualidade > mastigação - nível de alimentação alta ingestão < mastigação e ruminação 12/03/2015 20
ERUTAÇÃO Bovinos = 30-50 l/h Gases CO 2, CH 4 Ovinos = 5 l/h Associada às contrações secundárias Seqüência: 1. Contração do pilar retículo-ruminal 2. Contração do saco caudal 3. Força os gases para região do cárdia 4. Abertura do esfíncter do cárdia 5. Os gases passam para o esôfago 6. Fechamento do esfíncter do cárdia 7. Abertura do esfíncter faríngo-esofágico 8. Abertura da glotis 89% dos gases passam para os pulmões exaurido pelas narinas e boca 12/03/2015 21
ERUTAÇÃO Animais domésticos de produção representam a mais importante fonte antropogênica de emissão de metano pela fermentação entérica Brasil: 1994 9,4 milhões de ton 96% emissão agrícola e 72% emissão total Acima de 80% é de origem de bovinos Austrália 63% da emissão agrícola e no mínimo 12% de dióxido de carbono Nova Zelândia 99% da emissão agrícola Metano cerca de 23 vezes mais potente como potencial poluente para o efeito estufa (greenhouse gases) Produção mundial é estimada em cerca de 85,6 milhões de ton de origem entérica dos animais cerca de 28% da emissão total Perdas de energia na forma de metano é cerca de 2 a 15% da energia bruta ingerida 12/03/2015 22
Ruminantes e seleção de alimentos 1. Selecionadores de concentrados Girafas, veados, ovinos usam lábios e língua mais sensíveis 2. Consumidores de forragens e volumosos grosseiros Bovinos, búfalos língua para apreensão de alimentos 12/03/2015 23