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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS UNICAMP FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA E DE COMPUTAÇÃO - FEEC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA BIOMÉDICA EA-097 - Técnicas Experimentais em Engenharia Biomédica (Preparado por: Rafael de Almeida Ricardo e José W. M. Bassani) Aluno(s): 1. Introdução Modelo do Dipolo Elétrico A figura 1 ilustra o processo de ativação elétrica do coração, indicando em cada fase a formação da onda eletrocardiográfica. A despolarização caminha na forma de um anel de despolarização. O tempo de subida do potencial de ação (PA) é de 1ms. Como a velocidade de condução no miocárdio é da ordem de 1 m/s, a largura da onda de despolarização é estimada em 1 mm (figura 2). O processo de repolarização não é contínuo, as células não retornam ao potencial de repouso de forma sincronizada como ocorre na despolarização, onde a próxima célula é ativada por outra célula que sofreu despolarização. Na figura 2 representa-se a situação na repolarização de modo aproximado, onde a área em processo de repolarização é da ordem de 100 mm. Na interface, ou seja, onde está ocorrendo a transição aparecem os dipolos elétricos. Estes são dipolos de corrente em um volume condutor. Podemos mostrar que o potencial gerado por uma carga pontual no vácuo é igual ao potencial gerado por uma fonte de corrente pontual em um volume condutor, se substituirmos por ( é a carga, a constante dielétrica do vácuo, é a fonte de corrente pontual e a condutividade do meio). A uma distância suficiente valerá o princípio da superposição, de modo que um dipolo resultante pode ser obtido pela integral dos dipolos de cada célula. O problema eletrocardiográfico consiste em considerar o coração como uma fonte de corrente e considerar as seguintes premissas: a) Cada fonte individual é pequena comparada às dimensões do coração; b) Não há acúmulo de carga, ou seja, a corrente resultante nas células é nula; c) O primeiro momento das correntes geradas pela célula é que contribui para o campo à distância; d) A contribuição de cada célula pode ser representada por um dipolo de corrente ; e) No volume condutor homogêneo e à distância suficiente vale a superposição,. Este vetor resultante é chamado de vetor do coração.

Redefinição: O problema eletrocardiográfico é um problema quase estático, envolvendo uma variação, no tempo, de correntes de dipolo, em um volume condutor linear, isotrópico e homogêneo. Figura 1. Processo de ativação elétrica do coração. São apresentadas as principais fases de despolarização e repolarização dos átrios e ventrículos (Modificado de Netter, 1976).

Figura 2. Processo de despolarização e repolarização do tecido cardíaco (Modificado de Malmivuo, 1995). 2. Objetivos Estudar as variações temporais e espaciais do vetor cardíaco por meio de um dipolo elétrico. Vamos medir potencial elétrico gerado por este dipolo de modo semelhante ao que se faz quando um eletrocardiograma é registrado na superfície do corpo. 3. Procedimento Experimental a) Placa de Petri com fundo de silicone; b) Solução salina (NaCl 0,9%); c) Cabos, conectores e eletrodos; d) Osciloscópio; e) Bateria de 9 V ou fonte de corrente; f) Padrão gráfico para verificação da montagem experimental e formação do ECG. Antes de iniciar o experimento, faça um planejamento detalhado do mesmo. Por exemplo, pense em como gerar um dipolo elétrico no volume condutor (placa de Petri e solução salina) utilizando o material disponível e como medir adequadamente o campo elétrico gerado por este dipolo.

3.1. Inicialmente iremos fazer o teste da montagem experimental. Importante: efetue as medições intermitentemente, de modo a minimizar a polarização dos eletrodos. A. Coloque na placa de Petri o padrão gráfico para a verificação da montagem experimental. B. Posicione os eletrodos de medição nos locais indicados e preencha a placa de Petri com a solução salina até cobrir uniformemente o papel. C. Gere os dipolos sobre a circunferência (com origem no centro) conforme indicado. Meça o potencial nas três derivações. Observe que você está utilizando as três derivações clássicas (V I, V II e V III ) para a obtenção do ECG. V I V II V III A B C D E F G H 3.2. Verifique que V I - V II + V III = 0 e V I = V dip cos (apenas para a derivação I).

3.3. Substitua o padrão gráfico utilizado pelo padrão de formação do ECG. Neste padrão gráfico encontra-se a variação temporal da orientação do vetor cardíaco durante um ciclo do ECG. Construa um traçado eletrocardiográfico utilizando este padrão. Atente para o curso temporal do ECG (duração e intervalos entre eventos) e planeje como fazer as medições, que devem ser realizadas em pelo menos duas derivações. 3.4. O que aconteceria com o sinal captado se a condutividade do meio fosse aumentada?

3.5. Por que o registro do ECG nos braços e pernas é equivalente ao problema apresentado no experimento? 4. Referências bibliográficas 1. Malmivuo, J; Plonsey, R. Bioelectromagnetism. Oxford University Press, USA, 1995. 2. Netter, F.H. Ilustrações médicas, vol 5. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1976. Padrão gráfico para a verificação da montagem experimental.

Padrão gráfico de formação do ECG