Rousseau e educação: fundamentos educacionais infantil.



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Transcrição:

Rousseau e educação: fundamentos educacionais infantil. 1 Autora :Rosângela Azevedo- PIBID, UEPB. E-mail: rosangelauepb@gmail.com ²Orientador: Dr. Valmir pereira. UEPB E-mail: provalmir@mail.com Desde muito tempo a educação vem trazendo debates acerca do sistema de ensino, onde ultimamente pode ser notado um baixo nível de qualidade, pois apesar de ter um grande número de crianças na escola, não é notado nas mesmas um interesse de estar ali, um interesse de aprender, e isso pode ser resultado dos métodos de ensino utilizados nas escolas. Onde cada vez mais as crianças deixam de ser consideradas pessoas e passam a ser consideradas números. Desta forma, nos perguntamos como deve ser a educação das crianças, para que elas se tornem pessoas independentes e críticas, para que não tenham apenas uma educação para exercer uma profissão no mercado de trabalho, assim o objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre a concepção educacional de Rousseau, e como o filosofo define a educação ideal para as crianças. Antes de Rousseau não existia concepção de infância, as crianças eram tratadas como adultas, tinham um severo tratamento tanto nas famílias quanto nos colégios, e também trabalhavam e vestiam-se como os adultos. Desta forma, o autor defende que não pode ter uma ideia de liberdade sem levar em conta a educação natural, que é voltada para a primeira infância, como é mostrada na sua obra Emílio ou da Educação (Publicado em 1762). Emílio é um aluno imaginário e Rousseau lhe atribui seus métodos educacionais, a 1 Graduanda do 2º ano do curso de Licenciatura em Filosofia pela Universidade Estadual da Paraíba- UEPB, bolsista PIBID. ² Doutor em Filosofia da Educação, coordenador do curso de Licenciatura em Filosofia e do PIBID de Filosofia da Universidade Estadual da Paraíba- UEPB.

educação natural, sendo orientado por um preceptor onde guiará Emílio para viver em uma sociedade degenerada e sem ser corrompido por ela. A criança é caracterizada para Rousseau como um ser ingênuo, que não tem nem uma noção de sentimento seja para o bem ou para o mal, por isso que ela não pode ser considerada como um adulto em miniatura, trabalhando e se vestindo como eles. Para Rousseau a educação do homem deveria ser, desde criança, baseada na natureza (a educação natural), ou seja, seguir os próprios sentimentos e vontades. Essa é a educação que prepara a criança a ser homem, a ser aquele que não se deixa influenciar por ninguém e nem pelo espaço em que vive. O único hábito que devemos deixar que a criança pegue é o de não contrair nenhum (ROUSSEAU, 1995, p. 47). Segundo o filosofo, o professor não deve ensinar nada a criança, mas apenas ser um norteador dos conhecimentos dos alunos, sem fazer exigência, apenas deixando o aluno fazer tudo o que tem vontade, dando a ela aquilo que necessita, sem interferir em absolutamente nada, deixando-a sentir tudo o que há no meio em que está incluída, sendo livre para ver, cheirar, tocar, sentir diversos sabores e sentir a experiência da dor, para que assim ela possa conhecer não apenas o seu corpo, mas também o mundo na qual está inserida. Rousseau criticava a educação do cidadão (a educação social), que é a educação do Estado, em que ensina a criança desde cedo a obedecer, fazer o que lhe pedem, seguir regras e leis, depender dos outros e não expressar seus pensamentos. Os ensinamentos desse tipo de educação são feitos através dos livros que formam apenas pessoas comuns que só sabem repetir coisas que foram ensinados a elas, não formando assim, um indivíduo livre para que possa viver em sociedade sem tornar-se escravo, sem ser corrompido pela mesma em que vive. E esse tipo de educação, visa apenas preparar pessoas apenas para o mercado de trabalho, não para ser um ser pensante com a capacidade de criticar e questionar o meio que vive. Esse modo de educação que geralmente são ensinadas nas escolas, tornam os alunos seres sem liberdade e reprodutores do sistema vigente em cada época, não se tornando seres com o desenvolvimento racional construído dentro de cada um deles. Pois, diferente da época de Rousseau, onde a criança era vista como um adulto em miniatura, hoje as crianças são vistas

como reprodutoras de sua própria estrutura vigente e extremamente consumista Segundo Rousseau, é necessário, primeiramente, a educação negativa, onde não se deve ensinar conteúdos novos a criança, mas manter e fortalecer os valores morais nascidos com ela. Nessa etapa o professor interfere o mínimo possível, permanecendo assim neutro, auxiliando a criança a se estruturar através de seus próprios princípios e caráter. Segundo aquele filósofo não se deve apresentar ideias complexas a criança, antes de ter sua razão desenvolvida. Assim, é importante cuidar do corpo e do aperfeiçoamento dos sentidos, sem nenhum tipo de punição, pois para Rousseau se aprende com três coisas, com a natureza, com as coisas que estão a sua volta, e só depois quando já está com a sua razão formada é que o educando começa a aprender com as pessoas que as cercam, e nesse momento é que se atribuem ao educando conteúdos e livros mais complexos. Desta forma, Rousseau adotou a natureza como a educação ideal para criança, pois ela é capaz de prepará-la para a vida. E para isso a pessoa que vai guiar essa criança é muito importante, como Rousseau cita as características do preceptor ideal para o Emilio, que deveria ser alguém de boa educação, companheira da criança em todo o momento inclusive nas brincadeiras, que fosse jovem e que seja único, presente na vida do educando desde o nascimento até a fase adulta. Assim o preceptor e o aluno, devem passar os dias juntos, é importante para eles que se façam amar um pelo outro, e por isso mesmo se tornam queridos. (ROUSSEAU, 1995, P.31). Pois, para Rousseau, o preceptor deve estabelecer uma relação de afeto com o seu aprendiz, para que assim a criança tenha uma infância feliz, como também ele deve ser neutro, a fim de auxiliar a criança a se estruturar através de seus próprios princípios e caráter. É preciso que o educador desperte a criança a curiosidade, para que ela possa ter vontade em aprender, e esse anseio em querer conhecer cada vez mais coisas, faz parte da construção do raciocínio em cada criança. Sendo educada para pensar, pois todas criança por natureza, tem suas curiosidades perante o mundo, então a melhor forma não é dar a elas respostas prontas, pois se a nossa intenção é formar seres críticos, temos que considerá-los seres inacabados, que precisam

sempre aprender, formular seu próprio entendimento e de alguém que os auxilie para que haja um aumento de sua curiosidade epistemológica. Em suma, podemos dizer que a educação das crianças deve ser de uma forma natural, onde haja o respeito pela mesma e pelos seus limites, não ensinando coisas que as crianças não estejam prontas para aprender, mas sim, apenas possibilitando que elas experimente coisas diferentes para que os conhecimentos seja adquirindo de acordo com sua fase de vida, com suas experiências e de acordo com suas necessidades. Deste modo, esse tipo de educação ideal, proposta por Rousseau, para as crianças, é capaz de transformar o educando em um ser independente, livre e com senso crítico desenvolvido, ensinando assim a o aluno, muito mais que uma profissão, mas sim a capacidade de ser livre. Portanto, Rousseau é muito importante para a educação infantil, pois ele foi o primeiro filosofo a pensar seriamente na criança e em sua forma de aprendizagem, diferente da pedagogia tradicional que via a criança como um adulto em miniatura. Assim, o filósofo propõe um tipo de educação que leve em consideração a integridade, a autenticidade e a autonomia da criança, valorizando muito mais a aprendizagem do que o ensino, pois a grande meta da educação é formar indivíduos críticos e autônomos, que talvez ainda seja o grande desafio da educação contemporânea, em que as crianças estão tendo uma educação repetitiva e elas só precisam reproduzir da maneira que está ali, como todos tem feito e fazem até hoje.

Referências bibliográficas ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação. Tradução: Roberto Leal Ferreira. 2 Ed., São Paulo: Martins fontes, 1999.