COMUNICAÇÃO APLICADA MÓDULO 3



Documentos relacionados
PARANÁ GOVERNO DO ESTADO

1 Como seu Cérebro Funciona?

LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO PARA ENGENHARIA INTRODUÇÃO À ORGANIZAÇÃO DE COMPUTADORES

A lógica de programação ajuda a facilitar o desenvolvimento dos futuros programas que você desenvolverá.

Desvios de redações efetuadas por alunos do Ensino Médio

O SOM E SEUS PARÂMETROS

COMUNICAÇÃO EDUCAÇÃO - EXPOSIÇÃO: novos saberes, novos sentidos. Título de artigo de SCHEINER, Tereza.

Interface Homem-Computador

Computadores XXI: Busca e execução Final

Oficina de Multimédia B. ESEQ 12º i 2009/2010

Análise e Desenvolvimento de Sistemas ADS Programação Orientada a Obejeto POO 3º Semestre AULA 03 - INTRODUÇÃO À PROGRAMAÇÃO ORIENTADA A OBJETO (POO)

- Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um ser extraterreno, publicadas nos Livros " SO EM DESENCANTO ". UNIVER

Fundamentos em Informática (Sistemas de Numeração e Representação de Dados)

Algoritmos e Programação (Prática) Profa. Andreza Leite andreza.leite@univasf.edu.br

Teoria da comunicação e semiótica * Cláudio Henrique da Silva

AS LEIS DE NEWTON PROFESSOR ANDERSON VIEIRA

GUIA BÁSICO PARA PRODUÇÃO DE UM FILME DIGITAL

DO DESIGN A IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO DO USUÁRIO COM O DESIGN

PROVA BIMESTRAL Língua portuguesa

LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO

Lev Semenovich Vygotsky, nasce em 17 de novembro de 1896, na cidade de Orsha, em Bielarus. Morre em 11 de junho de 1934.

Fonte:

Aula 2 Modelo Simplificado de Computador

SUMÁRIO 1. AULA 6 ENDEREÇAMENTO IP:... 2

Projeção ortográfica de modelos com elementos paralelos e oblíquos

Corpo e Fala EMPRESAS

Aluno(a) Nº. Série: Turma: Ensino Médio Trimestre [ ] Data: / / Disciplina: Professor: Linguagem e língua

AULA COM O SOFTWARE GRAPHMATICA PARA AUXILIAR NO ENSINO E APRENDIZAGEM DOS ALUNOS

Engenharia de Software III

Tutorial de animação

A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS VISUAIS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM DE ALUNOS SURDOS.

3. Arquitetura Básica do Computador

DIFERENÇAS ENTRE HUB, SWITCH E ROOTER

Prof. Daniel Santos Redação RECEITA PARA DISSERTAÇÃO ARGUMENTAÇÃO ESCRITA - ENEM. E agora José?

Comunicação Empresarial e Processo Decisório. Prof. Ana Claudia Araujo Coelho

NO ABRIR DA MINHA BOCA (EFÉSIOS 6:19) USO DO POWERPOINT

CONTROL+EU. Marcelo Ferrari. 1 f i c i n a. 1ª edição - 1 de agosto de w w w. 1 f i c i n a. c o m. b r

Prof. JUBRAN. Aula 1 - Conceitos Básicos de Sistemas de Informação

Unidade IV Ser Humano e Saúde Aula 13 Conteúdo: Grupos Sanguíneos. Aplicando o sistema ABO.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ PRÓ REITORIA DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA TREINAMENTO EM INFORMÁTICA MÓDULO V

I OS GRANDES SISTEMAS METAFÍSICOS

MATÉRIA DE CONTEÚDO (semioticamente amorfa) SUBSTÂNCIA DE CONTEÚDO (semioticamente formada) FORMA DE CONTEÚDO FORMA DE EXPRESSÃO

Arquitetura de Rede de Computadores

PROJETO DE LEITURA E ESCRITA LEITURA NA PONTA DA LÍNGUA E ESCRITA NA PONTA DO LÁPIS

como a arte pode mudar a vida?

ESTADO DE GOIÁS PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA BÁRBARA DE GOIÁS SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO SANTA BÁRBARA DE GOIÁS. O Mascote da Turma

A Batalha Contra a Carne. Aula - 05

Informática. Prof. Macêdo Firmino. Macêdo Firmino (IFRN) Informática Setembro de / 16

Orientação a Objetos

Ensinar a ler em História, Ciências, Matemática, Geografia

APOSTILA DE EXEMPLO. (Esta é só uma reprodução parcial do conteúdo)

Programação Orientada a Objetos com PHP & MySQL Cookies e Sessões. Prof. MSc. Hugo Souza

Disciplina: Unidade III: Prof.: Período:

Operador de Computador. Informática Básica

MATERIALIZAÇÃO E VIRTUALIZAÇÃO. Apresentação do texto de Milton Sogabe

ALGORITMOS PARTE 01. Fabricio de Sousa Pinto

Curso: Técnico de Informática Disciplina: Redes de Computadores. 1- Apresentação Binária

2. Representação Numérica

SISTEMA DE ARQUIVOS. Instrutor: Mawro Klinger

TEORIAS SÓCIO-HISTÓRICAS MODELO HISTÓRICO CULTURAL DE LEV VYGOTSKY

ARQUITETURA DE COMPUTADORES - CONCEITUAL

Pedagogia. Comunicação matemática e resolução de problemas. PCNs, RCNEI e a resolução de problemas. Comunicação matemática

Problemas insolúveis. Um exemplo simples e concreto

Apresentação. Práticas Pedagógicas Língua Portuguesa. Situação 4 HQ. Recomendada para 7a/8a ou EM. Tempo previsto: 4 aulas

PROJETO DE REDES

Seguindo Instruções Linguagens de Programação

Resolução de problemas e desenvolvimento de algoritmos

Os desafios do Bradesco nas redes sociais

o hemofílico. Meu filho também será?

Ebook Gratuito. 3 Ferramentas para Descobrir seu Verdadeiro Potencial

A Sociologia de Weber

Dadas a base e a altura de um triangulo, determinar sua área.

PESSOAS ORGANIZACIONAL

A origem dos filósofos e suas filosofias

Introdução ao Aplicativo de Programação LEGO MINDSTORMS Education EV3

"O valor emocional das marcas."

O Transformador. Outro tipo de transformador encontrado em alguns circuitos é o Toroidal, conforme imagem.

Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais

Unidade 3: A Teoria da Ação Social de Max Weber. Professor Igor Assaf Mendes Sociologia Geral - Psicologia

FILHOS UMA NECESSIDADE? PROTESTO!

Sumário. Prefácio... xi. Prólogo A Física tira você do sério? Lei da Ação e Reação... 13

Teoria para IHC: Engenharia Semiótica

John Locke ( ) Colégio Anglo de Sete Lagoas - Professor: Ronaldo - (31)

TIPOS DE RELACIONAMENTOS

INTRODUÇÃO: 1 - Conectando na sua conta

Conceitos de Identidade Relação "eu" e "outro" Para Vygotsky

INTERATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. Aula 1.2 Conteúdo:

TUTORIAL COMO CRIAR E EDITAR UM VÍDEO NO WINDOWS MOVIE MAKER*

RELAÇÃO ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA. Miguél Eugenio Almeida UEMS Unidade Universitária de Jardim. 0. Considerações iniciais

Curso: Desenvolvendo Jogos 2d Com C# E Microsoft XNA. Mostrar como funciona a programação orientada a objetos

PROGRAMAÇÃO EM LINGUAGEM LADDER LINGUAGEM DE RELÉS

CAPÍTULO 3 - TIPOS DE DADOS E IDENTIFICADORES

Curso: Diagnóstico Comunitário Participativo.

LINGUAGEM, LÍNGUA, LINGÜÍSTICA MARGARIDA PETTER

Aula-passeio: como fomentar o trabalho docente em Artes Visuais

Lição 3. Instrução Programada

O QUE É MAKEMONEYROBOT?

Documento Arquivístico Eletrônico. Produção de Documentos Eletrônicos

Gerenciamento de Clientes

Transcrição:

COMUNICAÇÃO APLICADA MÓDULO 3

Índice 1. Semiótica...3 1.1. Conceito... 3 1.2. Objetivos da Semiótica... 4 1.3. Conceitos Básicos... 4 1.3.1. Signo... 4 1.3.2. Índices... 4 1.3.3. Símbolo... 4 1.4. Conceito... 4 1.5. Como um Signo Significa?... 5 1.6. Significado... 5 1.6.1. Significações diferentes... 6 1.7. Categorias do Pensamento e da Natureza/ Pierce... 6 1.7.1. Ícone (quali-signo)... 6 1.7.2. Índice (sin-signo)... 7 1.7.3. Símbolo (legi-signo)... 7 1.8. Códigos Analógicos... 7 1.9. Códigos Digitais... 7 2

1. SEMIÓTICA 1.1. CONCEITO Semiótica é a ciência que estuda os signos. Há diversas vertentes que estudam essa disciplina. É interdisciplinar, portanto, utilizada para explicar os processos de significação em várias áreas do conhecimento, desde a linguística até a linguagem binária dos computadores ou do DNA. O que significa significar? Em primeiro lugar: a comunicação seria impossível sem a significação, isto é, a produção social de sentido. Sabemos que signo é todo objeto perceptível que, de alguma maneira, remete a outro objeto. Existem objetos que foram especificamente criados para pensarmos em outros objetos. Exemplos: os sinais de trânsito, as notas musicais e as palavras da língua portuguesa. Significar: representar ideias. Semiótica e cultura Todo fenômeno de cultura só funciona culturalmente porque é também um fenômeno de comunicação. Esses fenômenos só comunicam porque se estruturam como linguagem. Conclui-se que todo e qualquer fato cultural e toda e qualquer atividade ou prática social constituem-se como práticas significantes, isto é, são práticas de produção de linguagem e de sentido. Semiótica e o homem A inquieta indagação para a compreensão dos fenômenos desvela significações. É no homem e pelo homem que se opera o processo de alteração dos sinais (qualquer estímulo emitido pelos objetos do mundo) em signos ou linguagens (produtos da consciência). A linguagem não precisa ser necessariamente humana, pode ser inumana. Exemplo: as linguagens binárias que as máquinas utilizam para comunicarem-se entre si e com o homem. Vida e linguagem Os dois ingredientes fundamentais da vida são: energia (possibilita os processos dinâmicos); informação (comanda, controla, coordena, reproduz, modifica e adapta o uso da energia). Não apenas a vida é uma espécie de linguagem, mas também todos os sistemas e formas de linguagens tendem a se comportar como sistemas 3

vivos, ou seja, eles reproduzem, readaptam-se, transformam-se e se regeneram como as coisas vivas. 1.2. OBJETIVOS DA SEMIÓTICA A semiótica tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção de significação e sentido. Sem informação, não há mensagem, não há planejamento, não há reprodução, não há processo e mecanismo de controle e comando. Exemplo: o DNA (substância universal portadora do código genético) ou mesmo os códigos binários utilizados na computação números que representam outras coisas, e é por meio deles que são construídos os programas e sistemas. 1.3. CONCEITOS BÁSICOS 1.3.1. Signo Algo que representa alguma coisa para alguém. Outros objetos têm função de signo em virtude de seu uso na sociedade. Exemplos: automóvel velocidade; caminhão transporte; giz sala de aula. 1.3.2. Índices São os sinais, indícios que possibilitam conhecer, reconhecer, adivinhar ou prever alguma coisa. Exemplo: sinais ortográficos, os desenhos para representar regras de trânsito, uma pegada humana, bem como a fuga dos animais sinaliza a iminência de algum desastre etc. 1.3.3. Símbolo A palavra tem origem no grego súmbolon; significa um elemento representativo que está (realidade visível) no lugar de algo (realidade invisível), que tanto pode ser um objeto como um conceito ou uma ideia. O símbolo é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo cotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Exemplos: bandeira, o hino nacional, a cruz, a mulher cega segurando a balança, as alianças do casal etc. 1.4. CONCEITO A capacidade de abstração de qualidades comuns e de colocar um nome à qualidade geral deu origem ao conceito. 4

O conceito viria, então, a ser a imagem formada na mente do homem após perceber muitas coisas semelhantes entre si. 1.5. COMO UM SIGNO SIGNIFICA? Temos o objeto representado, chamado objeto referente ou simplesmente o referente; o signo se refere a ele. Temos o significado do signo, seu conceito, a imagem formada na mente acerca do referente. Temos o significa nte, que viria a ser a representação física do signo: os sons pe-dras, a palavra escrita p-e-d-r-a- s, o desenho de pedras ou sua fotografia. Dependendo do contexto, o significado do significante pode mudar. Portanto, existe um significante e vários significados. 1.6. SIGNIFICADO Não é uma propriedade do signo, mas um conjunto de relações pelas quais o signo é formado. O significado dos signos não está nos próprios signos, nem nos objetos, mas nos conceitos ou nas imagens na mente das pessoas. Portanto, não é um conceito simples, visto que envolve coisas tangíveis e visíveis e também relações abstratas. Exemplos: Deus sereias etc. 5

1.6.1. Significações diferentes Exemplos O seu pai é um cavalo. Ao dizer isso, literalmente, estamos falando que você é filho de um equino, mas, logicamente, que seu pai é mal-educado. Que bonito, hein? Essa expressão pode significar que você acha algo bonito ou que acha feio, dependendo da situação e da interação. As palavras são baldes vazios, nelas se coloca qualquer ideia. 1.7. CATEGORIAS DO PENSAMENTO E DA NATUREZA/ PIERCE Charles Sanders Pierce (1839-1914) é considerado o fundador da semiótica moderna; ele acreditava que todo pensamento dava-se em signos, na continuidade de signos. Dividia os signos e o pensamento em três categorias naturais, que ele chamava de: 1. Primeiridade / Qualidade / Ícone / Quali-signo; 2. Secundidade / Reação / Índice / Sin-signo; 3. Terceiridade / Representação / Símbolo / Legi-signo. 1.7.1. Ícone (quali-signo) Mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o signo, a representação do objeto e o objeto dinâmico em si. É importante falar que um ícone pode não exercer apenas essa função. Vejamos o caso do desenho de um boneco de homem e um de mulher à porta dos banheiros, indicando se é masculino ou feminino. A priori, é ícone, mas também é simbolo, porque, quando olhamos para ele, reconhecemos que ali há um banheiro e que é do gênero que o boneco representa, isso porque foi convencionado que assim seria, então ele é ícone e símbolo. Diz respeito à pura qualidade. 6

Apresenta e não representa : não representa efetivamente nada, senão formas e sentimentos; isso permite que ele tenha um alto poder de sugestão; produz em nossas mentes uma gama enorme de relações de comparação; é uma possibilidade; imagem (hipoícone). Exemplo: azul. 1.7.2. Índice (sin-signo) Tem a ligação física com seu objeto, como, por exemplo, uma pegada é um indício de quem passou. É anteriormente adquirido pela experiência subjetiva ou pela herança cultural. Por um indício (causa), tiramos conclusões. É um signo que indica outra coisa com a qual ele está factualmente ligado. Há, entre ambos, uma conexão de fato. Enfim, o índice como real, concreto, singular é sempre um ponto que irradia para múltiplas direções. Exemplo: Onde há fumaça, há fogo. O azul do céu. 1.7.3. Símbolo (legi-signo) É uma lei; em relação ao seu objeto e signo, é um símbolo, uma convenção social. Extrai seu poder de representação porque, por convenção ou pacto coletivo, determina que aquele signo represente seu objeto. Não é individual, mas geral. Desse modo, o objeto de uma palavra não é alguma coisa existente, mas uma ideia abstrata, lei armazenada na propagação linguística de nossos cérebros. Exemplo: O azul do céu é bonito. 1.8. CÓDIGOS ANALÓGICOS São aqueles signos cujos significantes se parecem com os objetos referentes. Entre eles, os signos icônicos (de ikome = imagem, em grego) reproduzem mais fielmente as características do objeto referente. Signos icônicos são as fotografias, os desenhos, as palavras onomatopeicas etc. 1.9. CÓDIGOS DIGITAIS 7

A palavra digital vem de dígito, que são os números de 0 a 9. São os signos que não guardam semelhança alguma com seus referentes; não empregam somente números ou dígitos, mas também letras. O código binário pode ser utilizado para transmitir fantásticas quantidades de informação a velocidades elevadíssimas. Exemplos: códigos binários, aqueles que transmitem informação pela alternância de apenas dois estados; código Morse: ponto e traço; semáforos (ligados ou desligados); calculadoras ou computadores que passam ou não os impulsos elétricos. 8