www.fisem.org/web/union http://www.revistaunion.org ISSN: 1815-0640 Número 48. Diciembre 2016 Página 232-237 Reseña de los libros: Desafios da Educação Inclusiva: formação de professores e práticas Armando Traldi Júnior MANRIQUE, Ana Lúcia; MARANHÃO, Maria Cristina Souza de Albuquerque, MOREIRA, Geraldo Eustáquio (organizadores). Desafios da educação matemática inclusiva: formação de professores, volume I. São Paulo, Editora Livraria da Física, 2016. 193 pp. Número 48 Diciembre 2016 Página 232
MANRIQUE, Ana Lúcia; MARANHÃO, Maria Cristina Souza de Albuquerque, MOREIRA, Geraldo Eustáquio (organizadores). Desafios da educação matemática inclusiva: práticas, volume II. São Paulo, Editora Livraria da Física, 2016. 187 pp. Número 48 Diciembre 2016 Página 233
Desafios da Educação Inclusiva: formação de professores e práticas Armando Traldi Júnior 1 É notório que a partir da segunda metade do século XX, uma das pautas em destaque no cenário mundial é o enfrentamento da exclusão social, que priva determinados indivíduos ou grupos sociais de diferentes âmbitos da estrutura da sociedade. Assim, os grupos, que são excluídos socialmente, ficam impedidos de exercerem livremente seus direitos de cidadãos, seja por questões étnicas-raciais, de gênero, cultura, e condições físicas e mentais. Um dos espaços que mereceu uma atenção especial desse enfrentamento foi o espaço escolar, que até então, muitas vezes reforça a exclusão, por ser pautado em um modelo homogêneo de processos de ensino e aprendizagem, não considerando as diferenças individuais dos estudantes. Um marco relevante na busca da inclusão social e educacional foi a Conferência Mundial de Educação para Todos, Jomtien/1990, na qual foi apresentado os altos índices de crianças, adolescentes e jovens sem escolarização, e anunciado, nesta conferência a importância de se promover as transformações nos sistemas de ensino para assegurar o acesso e a permanência de todos na escola. Na expectativa de alcançar as metas propostas de assegurar o acesso e a permanência na escola, foi realizada, em 1994, a Conferência Mundial de Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade, realizada pela UNESCO em 1994, que propõe ampliar as discussões, problematizando os aspectos acerca da escola não acessível a todos os estudantes, que resulta na publicação do documento Declaração de Salamanca e Linhas de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais. Neste documento é afirmado que as escolas comuns representam o meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias e que o principio fundamental dessa Linha de Ação é de que todas as crianças são potenciais estudantes, independente de suas condições sociais, culturais, físicas e 1 Doutor em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do departamento de Matemática do Instituto Federal de São Paulo. Linha de pesquisa: formação do professor de matemática e a Educação Inclusiva: estudantes surdos. Email: traldijr@gmail.com Número 48 Diciembre 2016 Página 234
intelectuais e sendo assim devem ser acolhidas pelos agentes das escolas. Frente a essa proposta inclusiva, passa a ser necessária a busca de conhecimentos que possibilitem efetivar essas mudanças na prática escolar. Pesquisadores, no mundo, passam a constituir grupos de pesquisas com o objetivo de compreender as possibilidades de uma educação inclusiva. É neste movimento que o grupo de pesquisa Professor de Matemática: formação, profissão, saberes e trabalho docente, constituído no Programa de Estudo Pós-Graduados em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, desenvolveu o projeto de pesquisa Desafios para a Educação Inclusiva: pensando na formação de professores sobre os processos de domínio da Matemática nos anos iniciais da Educação Básica, coordenado pela professora Dra. Ana Lúcia Manrique, e aprovado no Programa Observatório da Educação (Obeduc) da Capes, no período de 2010 a 2015. Como resultado das reflexões a partir de pesquisas realizadas pelos integrantes do grupo, foi organizado pelos pesquisadores Ana Lúcia Manrique, Maria Cristina Souza de Albuquerque Maranhão e Geraldo Eustáquio Moreira, da área da Educação Matemática, a presente obra intitulada Desafios da Educação Matemática Inclusiva, composta em dois volumes, com artigos escritos pelos integrantes do grupo. No volume I Desafios da Educação Matemática Inclusiva: formação de professores, organizado em doze capítulos, são apresentados diferentes estudos, oriundos principalmente de trabalhos de conclusão de mestrados e doutorados. Entre os desafios relacionados a análise teórica da Educação Inclusiva, com o foco na disciplina de Matemática, é a necessidade da aproximação de teorias gerais da Educação, com enfoque na formação do professor, para analisar a formação do professor que ensina Matemática, que atua com estudantes pertencentes ao grupo da Educação Inclusiva. Na obra, este desafio foi enfrentado fazendo articulações teóricas com diferentes estudos propostos por pesquisadores do cenário nacional e internacional da área da Educação, com enfoque na formação de professores, como Candau, Imbernón, Shulman, Roldão, Zeichener, Cochran-Smith e Lytle, e Mizukami, com as análises realizadas a partir das investigações focando aspectos da teoria e prática da formação do professor que ensina Número 48 Diciembre 2016 Página 235
Matemática, na Educação Inclusiva. Foi possível confirmar hipóteses elaboradas a partir de teorias da formação de professores, problematizadas com o enfoque da disciplina de Matemática na Educação Inclusiva, tais como...nossas investigações foram práticas que produziram conhecimentos ressignificados de outras práticas. Dessa forma, defendemos, amparadas em Cochran-Smith e Lytle (2002), que investigações realizadas por professores da Educação Básica é uma forma de mudança social... (p. 35). Assim como ampliar reflexões teóricas relacionadas a formação de professores, focando a Educação Inclusiva,...o professor deve adequar-se às necessidades da criança, cabendo à escola preparar sua estrutura e propiciar formação aos professores para que possam integrar todos os alunos com sucesso. O correto é mudar o sistema, não a criança... (p. 51). Em relação a metodologia para o desenvolvimento das pesquisas, a grande contribuição desta obra está relacionada com a elaboração e validação da Escala Multidimensional de Inclusão de Alunos com NEE em aula de Matemática, que foi um instrumento elaborado por um grupo de pesquisadores brasileiros, portugueses e holandeses. Além de ser apresentado na obra, um capítulo com reflexões acerca da elaboração e utilização deste instrumento, é posto, em anexo do capítulo, o instrumento utilizado para coleta dos dados. Outro aspecto relevante que é discutido neste volume é a experiência da formação de professores, que também dialoga com diferentes autores que defendem, principalmente, o modelo de formação em grupos colaborativos e/ou comunidades de práticas. É feita uma análise descritivo-analítica de diferentes experiências, envolvendo professores da Educação Básica e Infantil, de instituições públicas e privadas, que oferecem ensino especifico para Educação Especial e ensino regular. Ainda vale destacar que diferentes tipos de deficiências são tratados ao longo da obra e, neste volume, em particular, apresenta um estudo que foi desenvolvido com estudantes com o Transtorno do Espectro Autista, na perspectiva da teoria da atividade, que traz significativas contribuições para reflexões iniciais, visto que é uma das deficiências raramente abordada em estudos da Educação Inclusiva com o foco no ensino de Matemática. O volume II, que também compõe a obra, e é intitulado como Número 48 Diciembre 2016 Página 236
Desafios da Matemática Inclusiva: prática, é dividido em doze capítulos, sendo que os primeiros seis capítulos se referem às práticas de formação e os seis últimos capítulos às práticas de sala de aula. Destacam-se nos seis capítulos iniciais a descrição analítica feita de diferentes cenários de formação envolvendo professores que atuam com a Educação Especial, mostrando a possibilidade de fortalecimento do diálogo entre a academia e os diversos atores dos processos educacionais, o envolvimento com a produção de material por parte dos professores da Educação Inclusiva, considerando as possibilidades de aprendizagem dos estudantes com deficiência, as possibilidades de criação de dispositivos assistivos, envolvendo em um mesmo projeto de pesquisa e desenvolvimento, estudantes da engenharia, do programa de pós graduação em Educação Matemática, professores da rede pública e particular, e pesquisadores. Outro aspecto a ser destacado é a forma detalhada que estão descritas as experiências de formação, pois possibilita a sua reprodução enriquecida de reflexões e adaptações para diferentes grupos de formação. Vale ressaltar o estudo realizado com adolescentes superdotados, que, ainda é um grupo pouco estudado nas pesquisas em Educação Matemática. A obra apresenta um cuidado merecido com a temática Educação Especial, propondo estudos fundamentados em literaturas atuais e com a sensibilidade necessária para tratar do tema, com a utilização dos termos técnicos recomendado por especialistas da área da Educação Especial. Sendo assim, a obra traz contribuições significativas e relevantes à comunidade cientifica, mas destaca-se pelas contribuições relacionadas a formação dos professores que atuam na Educação Especial. Referência BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Orientações para implementação da política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Secretaria de Educação Especial - MEC/SEESP, 2015. Número 48 Diciembre 2016 Página 237