Avaliação do Risco Cardiovascular

Documentos relacionados
IMPLICAÇÕES DA CLASSE DE ÍNDICE DE MASSA CORPORAL E OBESIDADE ABDOMINAL NO RISCO E GRAVIDADE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL EM PORTUGAL

XXXV Congresso Português de Cardiologia Abril ú ç

Coração Outono/Inverno

Registro Brasileiros Cardiovasculares. REgistro do pacientes de Alto risco Cardiovascular na prática clínica

Síndromas Coronários rios Agudos: Factores de Bom e Mau Prognóstico na Diabetes Mellitus

A Pessoa com alterações nos valores da Tensão Arterial

Utilização de diretrizes clínicas e resultados na atenção básica b

COMO CONTROLAR HIPERTENSÃO ARTERIAL?

Atitudes associadas à Decisão Terapêutica no Idoso com Hipertensão: Uma Avaliação em Cuidados de Saúde Primários

SÍNDROME METABÓLICA E ADOLESCÊNCIA

TÍTULO: HIPERTRIGLICERIDEMIA PÓS-PRANDIAL EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 2 E O RISCO CARDIOVASCULAR

DIMINUA O RISCO DE ATAQUE CARDÍACO E ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL CONTROLE A SUA TENSÃO ARTERIAL D I A M U N D I A L DA S AÚ D E 2013

DÚVIDAS DO DIA A DIA EM CASOS DO MUNDO REAL

ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR ENTRE HIPERTENSOS E DIABÉTICOS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE NO MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA.

SÍNDROME DE INSULINO-RESISTÊNCIA, SÍNDROME METABÓLICA: DEFINIÇÕES

41 ANOS DE EXISTÊNCIA. 942 Médicos Cooperados 71 mil clientes. 1ª Sede Praça Carlos de Campos

Estudo de prevalência da hipertensão arterial, excesso de peso e obesidade no concelho de Vizela em

Isabel Cardoso, Filipa Guerra, Ana Pinto, Violeta Alarcão, Milene Fernandes, Sofia Guiomar, Paulo Nicola, Evangelista Rocha

PREVALÊNCIA DE SÍNDROME METABÓLICA EM PACIENTES HOSPITALIZADOS

Hipertensão Diabetes Dislipidemias

ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS. Doença Cardiovascular Parte 1. Profª. Tatiane da Silva Campos

doenças coronárias Factores de Risco

CASOS CLÍNICOS. Dia de Apresentação - 17 DE JANEIRO H00 A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL. Marta Matias Costa 1 ; Ana Manuela Rocha 1

OBESIDADE E ATIVIDADE FÍSICA

Diagnóstico de Saúde Lourinhã. Lourinhã 15 de Maio de 2017

O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE DOENÇA METABÓLICA

Estratégias para o tratamento da Hipertensão Arterial

COLESTEROL ALTO. Por isso que, mesmo pessoas que se alimentam bem, podem ter colesterol alto.

Adesão a um Programa de Reabilitação Cardíaca: quais os benefícios e impacto no prognóstico?

Os portugueses e o Colesterol Fundação Portuguesa de Cardiologia

Anexo III Resumo das características do medicamento, rotulagem e folheto informativo

PERFIL CLÍNICO E BIOQUÍMICO DOS HIPERTENSOS DE MACEIÓ (AL) de Nutrição em Cardiologia (Ufal/Fanut/NUTRICARDIO )

1. As derivações DI, DII e DIII representam que parede do coração? a) Inferior b) Lateral c) Infero-basal d) Anterior

CPL Tiago Joaquim Rodrigues Bernardes. Professora Doutora Patrícia Coelho. Mestre Alexandre Pereira

Avaliação/Fluxo Inicial Doença Cardiovascular e Diabetes na Atenção Básica

Síndrome Metabólica. Curso de Reciclagem SBC-SC Artur Haddad Herdy

Introdução. Objectivos. Metodologia

ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR

PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES

ESTUDO DO PERFIL LIPÍDICO DE INDIVÍDUOS DO MUNICÍPIO DE MIRANDOPOLIS/SP

HAVERÁ DIFERENÇAS NO TIPO DE ALIMENTOS RICOS EM SÓDIO

Nefropatia Diabética. Caso clínico com estudo dirigido. Coordenadores: Márcio Dantas e Gustavo Frezza RESPOSTAS DAS QUESTÕES:

Curso de Formação Avançada em Diabetes

História Clínica. Fatores de Risco e Fisiopatologia Parte 1. Dislipidemia e Hipertensão. Annie Bello PhD

Manejo do Diabetes Mellitus na Atenção Básica

Intervenção nutricional em indivíduos com sobrepeso e obesidade

Velhas doenças, terapêuticas atuais

FATORES DE RISCO PARA O DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME METABÓLICA EM ADOLESCENTES SOBREPESOS, OBESOS E SUPEROBESOS

HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA

Síndrome Metabólica e seus componentes. Prevalências e Preocupações. Viviane Cunha Cardoso, Marco Antonio Barbieri, Heloísa

A Doença Cardiovascular e a Evidência da Consulta de Enfermagem

DIABETES MELLITUS. Jejum mínimo. de 8h. Tolerância à glicose diminuída 100 a a 199 -

Constituição do grupo

19/04/2016. Profª. Drª. Andréa Fontes Garcia E -mail:

Síndrome Metabólica e Risco Cardiovascular

Click to edit Master title style

Transcrição:

NUNO CORTEZ-DIAS, SUSANA MARTINS, ADRIANA BELO, MANUELA FIUZA 20 Abril 2009

Objectivos Avaliação do Risco Cardiovascular Padrões de Tratamento Impacto Clínico Síndrome Metabólica HTA Diabetes Mellitus Padrões de Tratamento Controlo HbA1C Controlo de factores de risco - Pressão arterial - Perfil lipídico Doença coronária Acidente Vascular Cerebral Obesidade abdominal Dislipidémia Obesidade

Metodologia Estudo epidemiológico transversal 719 Médicos de Família Distribuição estratificada e proporcional por distrito e região, representativa de cada uma das regiões de Portugal continental e ilhas Critérios de Inclusão 1. Utente adulto dos Centros de Saúde independentemente de apresentar qualquer sinal de Síndrome Metabólica 2. Determinações de C-HDL, triglicéridos e glicémia em jejum no último ano Critérios de Exclusão 1. Situação clínica que influencie o diagnóstico de SM (ex: disfunção tiroideia) 2. Doente incapaz de fornecer informações fidedignas

Metodologia Colheita dos Dados Selecção dos primeiros 2 doentes de cada dia de consulta, em dias consecutivos Inquérito Sexo, idade, distrito de residência, peso, altura, perímetro abdominal Pressão arterial: Perfil lipídico: Perfil glicídico: Outros marcadores: Doenças associadas: terapêutica antihipertensora colesterol total, LDL, HDL, triglicéridos diagnóstico de DM, terapêutica, glicémia (jejum), HbA1C PCR, creatininémia, proteinúria doença coronária, acidente vascular cerebral Inquérito alimentar, sedentarismo, consumo sal, álcool, café e tabaco Medição da pressão arterial (2 medições, sentado) Medição do perímetro da cintura, peso e altura

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia Diabetes Mellitus - Prevalência -Tratamento - Controlo Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Diabetes Mellitus e Dislipidémia Diabetes, Doença a Coronária ria e AVC

Resultados Caracterização da População 16 856 indivíduos; 58±15 anos (18-96 anos) Prevalência de Diabetes Mellitus (glicémia 126mg/dL ou abaixo desse limiar sob terapêutica) 14,89% 13,05%

Diabetes Mellitus Tratamento da Diabetes Mellitus 3 215 diabéticos 90,2% sob tratamento hipoglicemiante 9,8% dos diabéticos seguidos nos CSP não estão medicados

Diabetes Mellitus Controlo da Diabetes Mellitus (HbA1C) (N=2.673) Diabetes controlada (<7%): 51,7% Diabetes não controlada ( 7%): 48,3% (H:46,8%; M:50%)

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia Diabetes Mellitus - Prevalência -Tratamento - Controlo Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Diabetes Mellitus e Dislipidémia Diabetes, Doença a Coronária ria e AVC

Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial 78,3% são hipertensos (H:74,7%; M:82,2%) ( 140/90mmHg ou terapêutica) 91% têm PA elevada (H:90,3%; M:91,8%) ( 130/80mmHg ou terapêutica) Risco de HTA foi 4,48 vezes superior (IC95% 4,04-4,96; p<0,001) Maior risco de HTA nas mulheres diabéticas (OR: H:3,5 vs M:5,43; p<0,001) 100% 90% 80% 70% Prevalência 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 18-29 H 18-29 M 30-39 H 30-39 M 40-49 H 40-49 M 50-59 H 50-59 M 60-69 H 60-69 M 70-79 H 70-79 M 80 H 80 M 18-29 30-39 40-49 50-59 Idade (anos) 60-69 70-79 80 Idade PA 140/90mmHg ou sob terapêutica 140/90 (H: M: ) 130/80 PA 130-139/80-89mmHg (H: M: )

Tratamento da HTA na População Diabética 78,4% dos diabéticos com PA elevada estão medicados aht (H: 74%; M: 83,2%) 62,4% estão medicados com 1 bloqueador do SRAA (H: 59,1%; M: 66,2%) 70% 3 aht 16,8% 4 aht 4,8% 1 aht 41,9% Frequência 60% 50% 40% 30% Diurético 50% Bloqueador IECA betaadrenérgico 46,2% Antagonista ARA dos 43,8% canais de cálcio 2 aht 36,5% 20% 10% IECA Antagonista Cálcio dos 22,9% canais de cálcio Bloqueador beta betaadrenérgico 13,6% ARA 2 aht: 58,1% 0% 18-29 40-49 50-59 60-69 70-79 80 Grupos Etários

Controlo da HTA na População Diabética Diabéticos hipertensos ( 130/80mmHg ou terapêutica; N=2712) 9,3% apresentam PA controlada (H: 9,5%; M: 9,1%) 50% 100% 5,6% 5,5% 40% 40,1% 80% 16,0% 16,8% Proporção 30% 20% 28,6% 16,4% 60% 40% 39,1% 41,1% 180/110 160-179/100-109 140-159/90-99 130-139/89-89 <130/80 10% 9,3% 5,5% 20% 29,7% 27,5% 0% <130/80 130-139/89-89 140-159/90-99 160-179/100-109 180/ 110 <130/80 130-139 80-89 140-149 90-99 150-159 100-109 180/110 0% 9,5% 9,1% Homens Mulheres Pressão arterial medida (mmhg)

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia Diabetes Mellitus - Prevalência -Tratamento - Controlo Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Diabetes Mellitus e Dislipidémia Diabetes, Doença a Coronária ria e AVC

Diabetes Mellitus e Dislipidémia 59% dos diabéticos estão medicados com estatinas (H:55,7%; M:62,8%) Colesterol Total Colesterol-LDL 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 53,2% 30,1% 16,7% <200 200-239 240 Homens: 196±43 Mulheres: 205±42 *p<0,001 40% 30% 20% 10% 0% 34,6% 29,6% 22,4% 9,1% 4,3% <100 100-129 130-139 160-189 190 Homens: 117±36 Mulheres: 123±38 *p<0,001 Colesterol-HDL Triglicéridos 70% 60% 50% 40% 30% 20% 59,2% 24,9% 15,9% 48,0% 28,5% 23,5% Homens: 49±17 Mulheres: 53±18 60% 50% 40% 30% 20% 55,3% 20,7% 21,5% Homens: 163±115 Mulheres: 158±89 10% 0% <40 40-59 60 <50 50-59 60 Homens Mulheres *p<0,001 10% 0% 2,5% <150 150-199 200-499 500 *NS

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia Diabetes Mellitus - Prevalência -Tratamento - Controlo Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Diabetes Mellitus e Dislipidémia Diabetes, Doença a Coronária ria e AVC

Diabetes Mellitus e Doença Coronária População Geral 5,1% População Diabética 10,8% OR: 2,23 IC 1,97-2,53; p<0,001 Homens: OR: 1,68; IC95% 1,4-2,01 Mulheres: OR: 2,73; IC95% 2,28-3,26 p<0,001

Diabetes Mellitus e Acidente Vascular Cerebral População Geral 2,1% População Diabética 5,0% OR: 2,58 IC 2,14-3,12; p<0,001 Homens: OR: 2,01; IC95% 1,54-2,63 Mulheres: OR: 3,06; IC95% 2,34-4,02 p<0,001

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia CONCLUSÕES Mesmo entre indivíduos seguidos nos CSP 9,8% dos diabéticos não estão medicados 48,3% têm diabetes não controlada Controlo da DM é pior nas mulheres (H: 53%; M:50%) 91% dos diabéticos têm elevação tensional ( 130/80mmHg) e desses, apenas 9,3% dos têm PA controlada Controlo da PA é pior nas mulheres diabéticas (H:9,5%; M:9,1%) Apesar de 59% dos diabéticos estarem medicados com estatinas, o controlo da dislipidémia é insuficiente

Hipertensão Arterial e Dislipidémia na População Diabética XXX Congresso Português de Cardiologia O impacto clínico da DM é enorme, mais do que duplicando o risco de doença coronária e de AVC, especialmente nas mulheres. É urgente a implementação de estratégias preventivas nacionais, para melhorar o controlo do risco cardiovascular na População Diabética em Portugal.