1304 Difração de elétrons

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Transcrição:

1 Roteiro elaborado com base na documentação que acompanha o conjunto por: Máximo F. da Silveira Instituto de Física UFRJ Tópicos Relacionados Reflexão de Bragg, método Debye-Scherrer, planos de rede, estrutura do grafite, ondas de matéria, equação de de Broglie. Princípios e objetivos Elétrons acelerados a alta velocidade são difratados por um fino aglomerado de grafite policristalino, produzindo anéis de interferência que podem ser visualisados em uma tela fluorescente. As distâncias interplanares do grafite são determinadas a partir dos diâmetros dos anéis e do potencial acelerador. Equipamentos 127 V 220 V Tubo de difração de elétrons 06721.00 06721.00 1 Resistor de alto valor, 10 MOhm 07160.00 07160.00 1 Encaixe com pino 07260.00 07260.00 1 Plug conector, 2 pçs. 07278.05 07278.05 1 Cabo de conexão, 250 mm, vermelho 07360.01 07360.01 1 Cabo de conexão, 250 mm, azul 07360.04 07360.04 3 Cabo de conexão 750 mm, vermelho 07362.01 07362.01 2 Cabo de conexão, 750 mm, amarelo 07362.02 07362.02 2 Cabo de conexão, 750 mm, azul 07362.04 07362.04 3 Unidade de alimentação de alta tensão,0-10kv e 13670.98 13670.93 1 Fonte de alimentação, 0...600 VDC e 13672.98 13672.93 1 Problemas 1. Medir o diâmetro dos dois anéis de difração mais internos para diferentes tensões do anodo. 2. Calcular os comprimentos de onda dos elétrons a partir das tensões no anodo. 3. Determinar os espaçamentos interplanares do grafite a partir da relação entre os raios dos anéis de difração e o comprimento de onda. Montagem e procedimentos Proceda a montagem do experimento conforme a Fig. 1. Conecte os terminais do tubo de difração de elétrons da fonte de tensão conforme o esquema da Fig. 2. Conecte a alta tensão ao anodo G3 através da ponta resistiva de proteção de 10 MΩ.

2 Fig. 1: Montagem experimental para difração de elétrons.

3 Fig. 2: Montagem e fonte de alimentação para o tubo de difração de eletrons. Ajuste as tensões das grades G1 e G4 e a alta tensão G3 de forma a obter anéis de difração estreitos e bem definidos. Registre a tensão do anodo no mostrador da fonte de alta tensão. Para determinar o diâmetro dos anéis de difração meça os limites interno e externo dos anéis com o paquímetro (em uma sala escurecida) e tome o valor médio. Note a presença de um outro fraco anel atrás do segundo. Teoria e análise Para explicar o fenômeno de interferência, um comprimento de onda λ, que depende do momento, é atribuido aos elétrons de acordo com a equação de de Broglie: λ = h/p (1) onde h = 6,625 10 34 Js, é a constante de Planck. O momento pode ser calculado a partir da velocidade v que os elétrons adquirem devido ao potencial acelerador U A : m v 2 /2 = p 2 /2m = e U A (2) O comprimento de onda é portanto λ = h/(2meu A ) 1/2 (3)

4 onde e = 1,602 10 19 As (a carga do elétron) e m = 9,109 10 31 kg (a massa de repouso do elétron). Para as tensões U A aplicadas, a massa de repouso do elétron pode substituir a massa relativística com um erro de apenas 0,5%. O feixe de elétrons atinge um filme policristalino de grafite depositado sobre uma tela de cobre e é refletido conforme a condição estabelecida pela equação de Bragg: 2dsenθ = nλ (n = 1, 2, 3 ) (4) Fig. 3: Rede Cristalina do grafite. Onde d é o espaçamento entre planos adjacentes de átomos de carbono e θ o ângulo de Bragg (ângulo entre o feixe incidente e os planos da rede). No grafite policristalino a ligação entre as camadas individuais (Fig. 3) são rompidas de forma que sua orientação é randômica. O feixe de elétrons é portanto espalhado na forma de um cone, produzindo anéis de interferência na tela fluorescente.

5 O ângulo de Bragg θ pode ser calculado a partir do raio r do anel de interferência, mas deve-se perceber que o ângulo de desvio α (Fig. 2) é o dobro: Pela Fig. 2 temos que: α = 2θ sen2α = r/r (5) onde R = 65 mm, é o raio do bulbo de vidro. Fig. 4 : Planos do grafite para os dois primeiors anéis de interferência. Para pequenos ângulos (p.e. cos 10 o = 0,985), pode-se escrever sen 2α = 2sen α cos α 2 sen α (6) assim para pequenos ângulos θ temos: sen α = sen 2θ 2 sen θ (6a) Com esta aproximação obtemos r = 2R nλ/d (7) Os dois anéis de interferência mais internos ocorrem devido às reflexões de primeira ordem (n = 1) pelos planos da rede do grafite com espaçamentos d 1 e d 2 (Fig. 4).

6 O comprimento de onda é calculado a partir da tensão no anodo de acordo com (3): U A (KV) λ (pm) 4,00 19,4 4,50 18,3 5,00 17,3 5,50 16,5 6,50 15,2 7,00 14,7 7,40 14,3 Aplicando um ajuste por regressão linear Y = AX + B aos valores medidos dos raios para os dois anéis da Fig. 5, obtemos Fig. 5: Raios dos dois primeiros anéis de interferência em função dos comprimentos de onda dos elétrons.

7 A1 = 0,62 (2) 10-9 A2 = 1,03 (2) 10-9 E as contantes de rede d 1 = 211 pm d 2 = 126 pm de acordo com (7), A i = 2R/d i e d i = 2R/A i. Notas - A intensidade dos anéis de interferência de maior ordem são bem menores que os de primeira ordem. Assim, por exemplo, o anel de segunda ordem para d 1 é dificil de indentificar e o anel de quarta ordem simplesmente não pode ser visto. O anel de terceira ordem para d 1 é relativamente fácil de se observar por que o grafite possui dois planos de rede juntos, espaçados por uma distância d 1 /3 (Fig. 6). Na sexta linha, ocorre claramente uma coincidência entre o anel de primeira ordem para d 4 e o de segunda ordem para d 2. Raios (mm) calculados de acordo com (4) para os anéis de interferência esperados, correspondentes ao comprimento de onda definido para U A = 7 KV: n = 1 n = 2 n = 3 n = 4 d 1 8,9 17,7 26,1 34,1 d 2 15,4 29,9 d 3 23,2 d 4 31,0 d 5 38,5

8 Fig. 6: Espaçamento interplanar no grafite. d1 = 213 pm d2 = 123 pm d3 = 80.5 pm d4 = 59.1 pm d5 = 46.5 pm. A visibilidade dos anéis de maior ordem depende da intensidade de luz no laboratório e do contrate do sistema de anéis que pode ser influenciado pelas tensões aplicadas a G1 e G4. O foco brilhante no centro da tela pode danificar a camada fluorescente do bulbo. Para evitar este problema, reduza a intensidade luminosa após cada leitura o mais rápido possível. Ajustes sendo efetuados para obter a figura de interferência de elétrons UFES-Vitória.

9 Anéis de interferência obtidos na montagem da UFES-Vitória.