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A palavra crônica é derivada do latim Chronica e do grego Khrónos (tempo), e significado principal que acompanha esse tipo de texto é exatamente o conceito de tempo. A crônica é o relato de um ou mais acontecimentos em um determinado tempo. A quantidade de personagens é reduzida, podendo inclusive não haver personagens. É a narração de um fato do cotidiano das pessoas, algo que naturalmente acontece com muitas pessoas. Esse fato é incrementado com um tom de ironia e bom humor, fazendo com que as pessoas vejam por outra ótica aquilo que parece óbvio demais para ser observado. Um dos segredos de uma boa crônica é a ótica com que se observam os detalhes, é através disso que vários cronistas podem fazer um texto falando do mesmo fato ou assunto, mas de forma individual e original, pois cada um observa de um ângulo diferente e destaca aspectos diferentes. Quando a crônica surgiu era um relato de acontecimentos históricos, que eram registrados por ordem cronológica. Podia usar uma visão mais geral ou mais particular, assim como podia destacar fatos mais relevantes ou secundários. A partir de Fernão Lopes, no século XVI, é que a crônica começou a tomar uma perspectiva individual ou interpretativa. A crônica de teor crítico surgiu junto com a imprensa periódica (folhetins e jornais), no século XIX. Começou com um pequeno texto de abertura que falava de maneira bem geral dos acontecimentos do dia. Depois passou a assumir uma coluna nos folhetins (coluna da primeira página do periódico) e por fim adentrou de vez ao Jornalismo e à Literatura. A característica mais relevante de uma crônica é o objetivo com que ela é escrita. Seu eixo temático é sempre em torno de uma realidade social, política ou cultural. Essa mesma realidade é avaliada pelo autor da crônica e uma opinião é gerada, quase sempre com um tom de protesto ou de argumentação. Esse tipo de crônica pode ser simplesmente argumentativa, e dispensar o uso da narração. É possível que percam-se assim, elementos típicos do gênero como personagens, tempo, espaço. Sendo assim podemos identificar duas maneiras de se produzir uma crônica: a primeira é a narrativa, que como já foi dito, conta um fato do cotidiano, utilizando-se de personagens, enredo, espaço, tempo, etc. A outra maneira é a crônica dos textos jornalísticos, é uma forma mais moderna do gênero, e ao contrário da outra não narra e sim disserta, defende ou mostra um ponto de vista diferente do que a maioria enxerga. As semelhanças entre as duas são justamente o caráter social crítico, abordando sempre uma maneira de enxergar a realidade, e o tom humorístico, irônico ou até mesmo sarcástico. Podem se utilizar, para esse objetivo, de personagens tipo, da sociedade que criticam. Não se pode confundir a crônica com outros gêneros como o conto ou a fábula, estes têm características individuais que os diferenciam daquela.

A crônica conta um fato comum do dia a dia, relatam o cotidiano da vida real das pessoas, enquanto o conto e a fábula contam fatos inusitados ou até fantásticos. Ou seja, distantes da realidade. Entre crônicas As crônicas literárias nascem para os livros, diferente das crônicas de jornais. Ambas versam fatos do cotidiano e sua linguagem sempre dever ser adaptada aos públicos aos quais se dirigem. Um cronista em uma coluna de jornal de economia e negócios não terá a mesma forma de narração de um cronista do caderno de cultura, podendo este último abusar dos recursos literários e lúdicos do qual sua criatividade oferece. O que é comum em qualquer crônica são o uso do bom humor, sarcasmo ou ironia em sua linguagem, dando sempre ao leitor um texto humorístico ou politizado sobre uma idéia do autor e sua visão sobre a realidade. Entre outros nomes, um dos maiores cronistas brasileiros são: Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, Machado de Assis, José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade, Arnaldo Jabor, Lya Luft, Ivan Lessa e Fernando Sabino. 1) CRÔNICA ENGRAÇADA Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar: Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas. Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP. Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo! ela disse. Então, sugeri a cozinha. Nós sempre andamos de mãos dadas Se eu soltar, ela vai às compras! Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar. Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica. Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a senhora certa. Só não sabia que o primeiro nome dela era sempre. Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: O que tem na TV? E eu disse: Poeira.

2) EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma). E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!

Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher na sua cama. Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio. Agora tenho que ir. É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal Tchau! Viva a vida com bom humor!!! 3) BRINCADEIRA Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse: Eu sei de tudo. Depois de um silêncio, o outro disse: Como é que você soube? Não interessa. Sei de tudo. Me faz um favor. Não espalha. Vou pensar. Por amor de Deus. Está bem. Mas olhe lá, hein? Descobriu que tinha poder sobre as pessoas. Sei de tudo. Co- como? Sei de tudo. Tudo o quê? Você sabe. Mas é impossível. Como é que você descobriu? A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida: Alguém mais sabe? Outras se tornavam agressivas: Está bem, você sabe. E daí? Daí nada. Só queria que você soubesse que eu sei. Se você contar para alguém, eu Depende de você. De mim, como? Se você andar na linha, eu não conto. Certo. Uma vez, parecia ter encontrado um inocente. Eu sei de tudo. Tudo o quê? Você sabe. Não sei. O que é que você sabe?

Não se faz de inocente. Mas eu realmente não sei. Vem com essa. Você não sabe de nada. Ah, quer dizer que existe alguma coisa pra saber, mas eu é que não sei o que é? Não existe nada. Olha que eu vou espalhar Pode espalhar que é mentira. Como é que você sabe o que eu vou espalhar? Qualquer coisa que você espalhar será mentira. Está bem. Vou espalhar. Mas dali a pouco veio um telefonema. Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre nada daquilo. Aquilo o quê? Você sabe. Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava: Você contou para alguém? Ainda não. Puxa. Obrigado. Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme. Por que eu? quis saber. A posição é de muita responsabilidade disse o amigo. Recomendei você. Por quê? Pela sua descrição. Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém. Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse: Sei de tudo. Co- como? Sei de tudo. Tudo o quê? Você sabe. Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino. Investigara. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que a voz que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que mais se ouvia era a dele, gritando: Era brincadeira! Era brincadeira!

Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo. Sabia demais. NOSSOS NETOS NÃO VÃO COMER PASTÉIS! Pode ser ignorância nossa, mas não sabíamos que o novo vilão do planeta é o óleo de cozinha! Sim, aquele usado pra fritar pastel, bife à milanesa e batata frita! Sabíamos que jogar óleo usado na pia podia causar um grande entupimento. E que uma das opções era jogá-lo na privada. Mas, como não somos cozinheiras de mão cheia e sabemos que frituras fazem a maior sujeira, nunca pensamos muito sobre o assunto óleo. Até agora começaram a pipocar notas sobre o descarte do óleo. Ou seja: como jogar aquele óleo usado fora!? Segundo os cientistas, o óleo dos pastéis pode ser o responsável por enchentes, morte dos fitoplânctons e até pelo aquecimento global! E não pense que isso não tem a ver com você para quem cozinha é ovo na manteiga. Porque, agora, comer uma coxinha é quase um crime contra o planeta, se você pensar bem. Deve ser por isso que algumas cozinheiras guardam o óleo velho e usado numa lata sinistra, geralmente embaixo da pia. Elas deixam lá até pensarem numa maneira melhor de jogar o tal óleo assassino de fitoplânctons. Devem ir acumulando latas e latas de óleo, em silêncio, por anos. E, depois, sem saber o que fazer, colocam tudo aquilo numa Kombi, desaparecem pelo mundo e passam a viver na clandestinidade, cheias de culpa. Os ecologistas recomendam que você entregue o óleo para ONGs que fazem reciclagem ou façam sabão caseiro. Sim, um sabão caseiro com o óleo velho! Que nem naquele filme Clube da luta, em que os sabonetes das madames eram feitos com a gordura da lipoaspiração. Eca! Só de pensar nisso já desistimos de comer qualquer coisa frita para sempre! Ou de usar sabonete. Uma coisa nos deixou tristes: o fato de que talvez nossos netos (se tivermos algum) nunca conhecerão o sabor de um delicioso bife à milanesa ou de um pastel de queijo. Pense nas feiras sem barraca do pastel. Certamente, ir à feira vai ficar mais triste. Porque, se a gente tiver que levar latas de óleos velhos para reciclagem ou usar sabão com odor de fritura, vamos adotar só alimentos cozidos. No vapor. A vida fica cada dia mais triste no planeta Terra. E, por enquanto, vamos nos entupir de pastel para esquecer disso. Momento de histeria

Estamos fritas! (Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso. Nossos netos não vão comer pastel! Folhateen, suplemento do jornal Folha de S. Paulo, 17 set. 2007.) 1) Por que, segundo a crônica, "nossos netos não vão comer pastel"? 2) Que aspecto da vida cotidiana foi usado pelas autoras para comentar as mudanças inevitáveis de nossos hábitos? 3) Por que as autoras não haviam pensado ainda sobre o assunto? Releia: "Até que agora começaram a pipocar notas sobre o 'descarte do óleo'." 4) Qual é o sentido do verbo pipocar nessa frase? 5) Substitua esse verbo por uma expressão sinônima. Releia: "Segundo os cientistas, o óleo dos pastéis pode ser o responsável por enchentes, morte dos fitoplânctons e até pelo aquecimento global!" 6) É possível que algum cientista tenha feito essa afirmação? 7) Qual pode ter sido o objetivo das autoras ao dar essa informação? 8) Cite outros trechos em que se percebe o mesmo objetivo. 9) Como as autoras se sentem em relação à necessidade de adotar esse novo procedimento? Copie um trecho que confirme sua resposta. 10) Embora haja no texto explicações de cientistas para os fatos apresentados, ele não pode ser chamado de artigo de divulgação científica. O que há nele que o diferencia dos artigos de divulgação científica? Gabarito: 1) De acordo com a crônica, porque pastéis são frituras, e hoje em dia o óleo usado para fritar alimentos é considerado perigoso para o meio ambiente. 2) O que devemos fazer para descartar o óleo de cozinha que utilizamos. 3) Por não serem boas cozinheiras, elas ainda haviam se interessado pelo descarte do óleo. 4) Aparecer com muita frequência. 5) Até que agora começaram a aparecer repentinamente notas sobre o 'descarte do óleo'. 6) É possível, mas não provável que um cientista tenha feito essa afirmação.

7) Criar um efeito humorístico por meio do exagero. 8) "[...] não sabíamos que o novo vilão do planeta é o óleo da cozinha!', "Porque agora comer uma coxinha é quase um crime contra o planeta, se você pensar bem.", todo o terceiro parágrafo, "[...] o fato de que talvez nossos netos [...] nunca conhecerão o sabor de um delicioso bife à milanesa ou de um pastel de queijo", etc. 9) As autoras parecem sentir-se prejudicadas e tristes pela necessidade de adotar um novo comportamento em relação ao óleo usado em frituras. "Certamente, ir à feira vai ficar mais triste"; "A vida fica cada dia mais triste no planeta Terra.". 10) Ele apresenta cenas do cotidiano com o uso da linguagem informal.