LITERATURA, ESTILOS E ÉPOCAS

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Transcrição:

LITERATURA, ESTILOS E ÉPOCAS

Não é significativo que o que é considerado como o início da literatura brasileira é uma carta escrita por um português?

Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas;e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. (Pero Vaz, Sexta, 1 de Maio, 1500)

A carta de Pero Vaz Caminha é muito simbólica, pois o motivo pelo qual ela foi escrita é, basicamente, o grande motivador de toda literatura vinda do Brasil durante grande parte desse primeiro século dos portugueses aqui nas terras do Novo Mundo: Informar os portugueses que a exploração dessas terras seria um bom investimento.

Durante todo esse primeiro século dos portugueses aqui no Brasil (XVI) temos a predominância do estilo literário Quinhentismo, as vezes também denominado como Literatura Informativa. Características marcantes do Quinhentismo/Literatura de Informação: Muitos dos textos são crônicas informativas que procuram exaltar as terras novas, numa tentativa de atrair a atenção de Portugal. (Levantamento de dados) Uso de muitos adjetivos e superlativos. Aqui era a terra exótica, com belezas ímpares. Havia alguma poesia por parte dos Jesuítas (especialmente Anchieta) mas sempre religiosa ou voltada para a conversão dos nativos. ( Oh cordeirinho... ) Exatamente pela questão da conversão é que nota-se um forte cunho de doutrinamento na literatura. Existe também uma forte ideia de pedagogia por trás desses textos jesuítas, pois eles também falavam bastante sobre pressupostos e ensinamentos da Companhia de Jesus (A ordem dos jesuítas, fundada por Inácio de Loyola). Por fim, a literatura Quinhentista fala bastante sobre como estava acontecendo a conquista do Brasil, informando a coroa para onde seus recursos estavam indo.

O próximo estilo literário que emerge no Brasil é o Barroco. O início do Barroco no Brasil é marcado pela publicação da Prosopopeia em 1601 por Bento Teixeira. Ele vai até + ou 1768, com a publicação de Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa. Duas tendências muito presentes dentro da literatura Barroca são: O Cultismo: É o chamado jogo de palavras. Nele está presente o formalismo e o vocabulário rebuscado, bem como o emprego frequente das figuras de linguagem. O Conceptismo: É o chamado jogo de ideias. Nele está presente o raciocínio e o pensamento lógico. As principais características do Barroco são: Uma linguagem muito rebuscada, dramática e exagerada. Existe uma enorme valorização dos detalhes. Há uma conexão entre o profano e o religioso. Há muita dualidade na literatura Barroca, em função da brevidade da vida e, por extensão, o conflito eterno entre a vida e a morte, o corpo e a alma. (carpe diem)

Alguns exemplos de figuras de linguagem muito comuns na literatura Barroca são: Antítese: Onde há presença de opostos/contrastes. Ex: Vista por fora é pouco apetecida / Porque aos olhos por feia é parecida; / Porém, dentro habitada / É muito bela, muito desejada. (Manuel Botelho de Oliveira) Paradoxo: Uso de expressões contraditórias, absurdas e bizarras. Ex: Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado. (Gregório de Matos) Hipérbole: Uso de expressões exageradas. Ex: Romperam-se enfim as cataratas do céu (Padre Antônio Vieira) Metáfora: A comparação de palavras em que um termo substitui outro. Ex: Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada (Gregório de Matos) Anacoluto: Ruptura na ordem normal das palavras. Ex: As Délficas irmãs chamar não quero, (Bento Teixeira) É importante lembrar que durante o período do Barroco no Brasil, a colônia vivia sua era de ouro, Minas Gerais forneciam muito ouro para a coroa e a capital mudou-se de Salvador para o Rio.

O Fim do Barroco é marcado pela publicação de Obras Poéticas de Cláudio Manoel da Costa (1768), como também pela fundação da Arcádia Ultramarina (1769?) em Vila Rica (Ouro Preto). Ao contrário do Barroco, o Arcadismo não procura trabalhar com oposições, preferindo o equilíbrio clássico. Os escritores do Arcadismo buscam ser mais objetivos que os escritores do Barroco, usam um vocabulário mais simples. Ao invés de usarem muitas figuras de linguagem, os escritores do Arcadismo preferem o sentido denotativo das palavras. Há um crescente interesse pelo retorno aos clássicos (a cultura greco-romana).

Um tema muito presente na linguagem Barroca é o bucolismo, ou seja, a vida pastoral, no campo, longe das cidades. Há também um grande interesse por parte dos escritores da vida cotidiana. O Arcadismo tem forte influência da revolução industrial e do Iluminismo, ou seja, o progresso tecnológico e científico tem forte reflexo na linguagem do Arcadismo. Há na literatura Arcadista uma constante busca pela perfeição. A mulher é muito idealizada na linguagem Arcadista, e existe também uma preferência pela pureza e ingenuidade humana. É muito comum o uso de figuras mitológicas. As cidades são consideradas como lugares indesejados e o campo se torna um refúgio.

Há na literatura Arcadista uma grande crítica à vida nos centros urbanos, sendo preferível viver em lugares mais amenos e bucólicos; a famosa busca pelo nobre selvagem de Rousseau. Indo na direção contrária ao Barroco, há no Arcadismo uma busca por cortar o desnecessário, para ficar apenas com o simples. Como o Arcadismo é muito influenciado também pela Revolução Francesa, podemos observar uma crítica à nobreza e ao clero, um pensamento caracteristicamente burguês da época. Essa mistura de influências, Revolução Francesa e Iluminismo, faz emergir três Temas/pilares que se repetem muito no Arcadismo: Natureza, razão, verdade.

O Romantismo no Brasil começa com a publicação de Suspiros poéticos e Saudades (1836) de Domingos José Gonçalves de Magalhães. O Romantismo Europeu é muito influenciado pela publicação do romance Werther (1774) de Goethe, uma história contada em forma de diário e que relata o sofrimento de um jovem em decorrência de um amor não correspondido, um amor platônico. Com o advento do folhetim no Brasil, a publicação de textos atinge uma fatia muito maior da população, tornando assim a literatura mais acessível. Por influência de Werther, como também dos escritos do inglês Byron, o Romantismo no Brasil tem um forte cunho individualista/subjetivista.

Por começar logo após a independência do Brasil (1822) a primeira fase do Romantismo no Brasil também é conhecida como Nacionalista ou Indianista. Nessa primeira fase (1836 a1852) podemos ver muitas referências aos nativos e a temas que remetem às belezas do Brasil. Há também muito sentimentalismo e uma grande religiosidade presente. Na segunda fase (1853 a 1869) podemos perceber um crescente pessimismo e culto à morte, razão pela qual ela é conhecida como Mal do Século. Há também temas como a fuga da realidade, egocentrismo e o saudosismo. Já a terceira geração (1870 a 1880) é conhecida como Condoreira, em referência ao condor. Esta terceira geração representa uma enorme ruptura na literatura nacional.

Há, nos escritores da terceira geração, uma crescente preocupação social. Dessa maneira, o Romantismo Condoreiro revela escritores como Castro Alves, que começam a fazer duras críticas à sociedade, à política e aos costumes vigentes. Muitos dos escritos dessa terceira geração começam a falar sobre o abolicionismo, sobre o erotismo, o pecado e a identidade negra. Podemos observar no Romantismo no Brasil, de forma geral, que o indivíduo passa a ser um foco central, existe a necessidade de se criar heróis nacionais, de se idolatrar a pátria (ufanismo) e de criar uma identidade nacional, não há mais a necessidade de se reproduzir uma identidade Europeia. Podemos observar também um crescente interesse pelo universo folclórico e os hábitos e costumes regionais.