Tempo e História A História como disciplina, como campo do saber é, em comparação com outras ciências, uma área muito nova. Foi apenas no século XIX que ganhou o estatuto de conhecimento científico. Porém, o ato de contar histórias é provavelmente um dos hábitos mais antigos da humanidade. Encontramos em desenhos feitos em cavernas, em contos passados de geração para geração, ou mesmo em textos escritos, vestígios dessa arte de narrar praticado, em épocas distintas, por sociedades diferentes. Nós, muitas vezes sem perceber, nos tornamos contadores de história. Afinal, o que fazemos quando chegamos em casa e alguém nos pergunta como foi o dia? É claro que entre o historiador, o escritor de romances, o contador de causos e uma pessoa que está simplesmente relatando os acontecimentos de seu dia há grandes diferenças. Entretanto há um elemento comum, o Tempo. E o que isso significa? Sem nos aprofundarmos muito nessa discussão, podemos definir Tempo como um conceito, uma idéia criada pelos homens para indicar a percepção de mudanças. Os contos infantis, por exemplo, começam na maior parte das vezes com expressões como Era uma vez... ou A muitos e muitos anos atrás... para indicar que o que será narrado passou-se num período anterior a aquele em que está o narrador. Da mesma forma, quando contamos os fatos que marcaram nosso dia ordenamo-nos a partir de indicações temporais para compormos a idéia de mudanças. Exemplo: Acordei de manhã e sai por volta das 6:30. Por causa do transito cheguei atrasado no trabalho, mas por sorte o patrão entrou mais tarde nesse dia. Utilizamos cotidianamente varias expressões e ferramentas para indicarmos a passagem de tempo, mesmo sem perceber. Para estudar a disciplina de História precisamos, porém, ter pleno domínio de algumas dessas expressões e ferramentas ligadas ao conceito de tempo.
Unidades de Contagem O primeiro passo é ter a dimensão de que quando falamos de tempo estamos falando de uma grandeza, ou seja, de algo quantificável. Em outras palavras, ele serve não apenas para indicar a percepção de mudanças, ou ações diferentes, mas também para determinar quando elas aconteceram através de um sistema de contagem. Em geral, ao estudarmos História nos deparamos com um sistema que tem no ano sua unidade básica. São raros os momentos em que chegamos a lidar com datas que apresentam o grau de detalhamento de meses ou dias. É preciso, também, lembrar que esse sistema é formado por múltiplos de 10: Ano Década = 10 anos Século = 100 anos Milênio = 1.000 anos Etc. Essas unidades são importantes e as utilizamos conforme a escala de tempo que estamos lidando. Como assim? Se buscarmos construir a biografia de uma pessoa, ou seja, estudar sua vida, vamos nos utilizar, sobretudo, de unidades como o ano e a década. Isso porque as pessoas raramente ultrapassam a barreira dos 100 anos, e mesmo quando conseguem não duram muito para que possamos lidar com unidades como século. Por outro lado, se estivermos interessados em estudar as transformações ocorridas no planeta Terra desde a sua formação, lidaremos com unidades como o Milhão (1.000.000 de anos) e Bilhão ( 1.000.000.000 anos). Ou seja, utilizamos essa ou aquela unidade conforme o quão antigo é o objeto que estamos estudando, conforme a escala de tempo que lidamos. Os geólogos, por exemplo, tem como preocupação o estudo da Terra e, portanto, lidam com uma escala denominada de Tempo Geológico. Ela trabalha
com grandes quantidades de tempo, contadas, como foi dito, a partir de bilhões e milhões de anos. Nós, que vamos estudar História, por outro lado, temos que trabalhar como uma escala denominada Tempo Histórico que se utiliza, principalmente, de unidades como o ano, a década, o século e o milênio. Calendário e Contagem de Tempo Quando precisamos contar a distância entre um ponto qualquer a outro, utilizamos unidades como o centímetro, o metro ou o quilometro dependendo do caso. Mas só podemos fazer isso porque sabemos como medir, ou seja, dominamos aquilo que chamamos de sistema métrico. A mesma coisa vale para a contagem de tempo. As unidades que estudamos só nos são úteis se soubermos como utilizá-las, se dominarmos o sistema da qual fazem partem. Mas, que sistema é esse? Ora, genericamente chamamos de calendário. Qualquer que seja o calendário e veremos adiante que existem diversos no mundo de hoje apresenta alguns elementos básicos que devemos conhecer. Para medir uma distância tomamos um ponto inicial como referência, para contar o tempo utilizamos o mesmo mecanismo. Essa referencia é denominada de marco inicial de um calendário. É preciso ressaltar que sua escolha não é aleatória, ou seja, ao acaso. Cada sociedade que buscou construir seu próprio calendário tomou como marco inicial algum evento considerado de extrema importância, muitas vezes ligado ao campo religioso. No Brasil, devido a colonização européia, predomina um calendário que toma como marco inicial, ou seja o ano 1, o nascimento de Cristo. Isso não significa que desconsideramos tudo o que aconteceu antes. Mas sim, que utilizamos essa data como referência para contar o tempo. Por isso, dividimos a contagem em dois grandes blocos: antes de Cristo (a.c.) e depois de Cristo (d.c.).
a.c. Nascimento de Cristo Ano 1 d.c. (Contagem Decrescente) (Contagem Crescente) É preciso lembrar que tal divisão propicia duas formas distintas de contagem do tempo. Quando estamos trabalhando com o período a.c. a contagem é decrescente, ou seja, do número maior para o menor, até o ano 1. No período d.c. a contagem é crescente, portanto, do número menor para o maior a partir do ano 1. Isso pode parecer um mero detalhe, mas compreender tal estrutura evita confusões no decorrer do curso de História. Exemplo: ao estudarmos Roma antiga nos deparamos com datas importantes localizadas nos dois períodos. A fundação da cidade é datada de 753 a.c. enquanto que a queda do Império Romano do Ocidente de 476 d.c. Outro ponto que devemos prestar atenção é o fato de que o marco inicial de nosso calendário é o ano 1, e não o ano 0. Este é um detalhe que influência diretamente a contagem dos séculos. Isso quer dizer que todo século inicia-se sempre com digito final 01 e termina com digito 00. Exemplo: o primeiro século iniciou-se no ano 01 e terminou no ano 100; o segundo iniciou-se no ano 101 e terminou no ano 200, seguindo assim por diante. Vale dizer, que quando lidamos com anos utilizamos sempre algarismos hindu-arábicos (ex: O Brasil se tornou independente no ano de 1822), enquanto que para séculos usamos os algarismos romanos (ex: o século XVIII é considerado o século das luzes). Para nossos estudos precisamos ter certa familiaridade com tais sistemas numéricos. No que diz respeito aos algarismos romanos precisamos lidar com os seguintes símbolos: I = 1 V = 5 X = 10
A partir deles podemos construir os números necessários para indicarmos os séculos. Ex: I =1 II =2 III = 3 Note que não há um símbolo específico para o número 4, isso porque nesse sistema não é permitido a repetição do mesmo símbolo mais de três vezes. Portanto combinamos os símbolos I e V para formar o número 4. O mesmo é valido para os números seguintes como o 6, o 7, etc. Assim, temos a seguinte continuação da seqüência numérica: IV = 4 V = 5 VI = 6 Etc. A composição dos números com os algarismos romanos é dado através de somas e subtrações implícitas na formulação dos números. Vejamos alguns exemplos: a) 9 = IX (Isso porque X = 10 e I = 1, portanto IX = (10-1) = 9). b) 12 = XII (Isso porque X = 10 e II = 2, portanto XII = (10+2)=12). c) 19 = XIX (Isso porque X = 10 e IX = 10-1, portanto XIX = [10 + (10 1)] = 19). d) 15 = XV (Isso porque X = 10 e V = 5, portanto XV = (10 +5) = 15). É importante perceber que para lermos os algarismos romanos devemos tomar sempre como referência o símbolo de maior valor. Se os demais símbolos estiverem a esquerda dele isso representa uma subtração, se estiverem a direita uma soma. Tomemos como exemplo os números XV (15) e IV (4). No primeiro caso o símbolo de maior valor é X (equivalente a 10), sendo que o V (equivalente a 5) está a sua direita, portanto há uma soma implícita nesse número, pois XV é igual a 10 +5 = 15. No segundo caso o símbolo de maior valor é V (equivalente a
5), sendo que I (equivalente a 1) está a esquerda, portanto há uma subtração implícita nesse número, pois IV é igual a 5 1 = 4. Uma das dúvidas mais freqüentes nesse assunto está em estabelecer a correlação entre o ano (algarismos hindu-arábicos) e o século (algarismos romanos) em que está inscrito. Uma informação importante é o fato de que o primeiro século corresponde ao século I, posto que no sistema numérico romano não há o conceito de zero. Com esse dado podemos construir uma linha do tempo marcando o início e o fim de cada século. Linha do Tempo a.c. d.c. Séc III Séc. II Séc. I Séc. I Séc. II Séc III 300 200 100 01 100 200 300 Para não termos que construir sempre a linha do tempo, existe uma regra simples para a conversão de anos (algarismos hindu-arábicos) em séculos (algarismos romanos). Ela consiste em somarmos o número 1 aos primeiros números do ano. Feito isso, devemos converter o resultado aos algarismos romanos. Vejamos alguns exemplos: a) 1492 pertence ao século XV. Isso porque 14 +1 = 15, portanto século XV. b) 476 pertence ao século V. Isso porque 4 + 1 = 5, portanto, século V. Nota de advertência: Esta regra só não é valida para anos terminados em dígito 00, pois esses anos correspondem a o ultimo ano de um século anterior. Assim 1500 pertence ao século XV e não ao século XVI.
Periodização e Linha do Tempo Reconstituir a história do homem significa ordenar diversos acontecimentos em tempos e lugares diferentes. Tendo esta questão em mente os historiadores buscaram organizar o conhecimento histórico em períodos com características similares. A este processo damos o nome de periodização, ou, em outras palavras, a separação da história em períodos para melhor estudarmos. Por sua vez, esses períodos foram nomeados segundo suas características e organizados graficamente em uma ferramenta denominada Linha do Tempo. As três frentes de História que estudamos no cursinho Historia Geral, do Brasil e da América possuem suas próprias linhas do tempo. Conhecê-las, dominar sua utilização e estabelecer relação entre elas consiste num passo fundamental para a compreensão da História.
Linha do tempo de História Geral Pré-História Idade Antiga Idade Média Idade Moderna Idade Contemporânea ± 5.000 a.c 476 d.c. 1453 1789 Linha do Tempo de História do República Período Pré-Colonial Colônia Império 1.500 1822 1889 Linha do tempo de História da América Pré -Colombiano América Colonial América Independente 1.492 (1810-1830)