Introdução Conceitos básicos de software educacional e informática na educação O software musical como auxílio aos professores de música Software para acompanhamento Software para edição de partituras Software para gravação de áudio Software para sequenciamento musical Software para síntese sonora Considerações quanto ao uso de software educativo-musical 2
Introdução Esta Unidade de Estudos está baseada no artigo Software musical e sugestões de aplicação em aulas de música, escrito por Eloi Fernando Fritsch, Luciano Vargas Flores, Evandro Manara Miletto, Rosa Maria Vicari e Marcelo Soares Pimenta. O propósito, tanto do artigo quanto da Unidade, é resumir alguns fundamentos para a utilização de software na prática do ensino e aprendizagem de música. Serão apresentados os tipos de programas existentes, seus usos típicos e sugestões para usos específicos em atividades educativo-musicais. É importante frisar a convicção de que o uso de computadores não possa e não deva substituir o educador musical. Muitos professores se manifestam, a priori, contrários à adoção desse tipo de tecnologia, mas uma maior divulgação dos fundamentos e das ferramentas computacionais disponíveis para músicos e professores de música pode auxiliá-los a expandir seus conhecimentos, vencer seus receios e preconceitos e torná-los pessoas interessadas em partilhar experiências sobre a aplicação de tecnologia à música. Esta é, possivelmente, o maior objetivo desta Interdisciplina. Os programas de computador devem ser vistos como mais uma ferramenta para auxiliar o professor na prática do ensino, assim como o são o quadro-negro, o retroprojetor, o aparelho de som e os instrumentos musicais. 3
Conceitos básicos de software educacional e informática na educação O uso de programas educacionais implica uma série de decisões que vão do aspecto técnico ao aspecto pedagógico. Todo programa pode ser considerado um programa educacional, desde que utilize uma metodologia que o contextualize no processo de ensino e aprendizagem. Além disso, permite que uma série de programas desenvolvidos para outras aplicações sejam utilizados como programas educacionais. Todo projeto de software educacional deve começar pela definição do conjunto das crenças do projetista e sua equipe sobre o que é aprender e quais as implicações disso no ensinar. As características, interface, organização dos conteúdos, enfim, todos os componentes que farão parte do ambiente serão consequência dessas decisões pedagógicas. Desta forma, estabelece-se uma ligação desde já entre esta Interdisciplina e aquelas que compõe o eixo Tópicos em Educação, em particular, Didática da Música, Educação Inclusiva e Psicologia da Educação. 4
O software musical como auxílio aos professores de música Embora o professor de música possa utilizar qualquer software de uso geral (editores de texto, editores de imagens, reprodutores de áudio e vídeo, planilhas, editores de apresentação) como ferramenta educativa, nesta Interdisciplina nos concentraremos no software musical, bastante utilizados pelos músicos, embora não especificamente com propósitos educacionais. Como escolher um software musical diante da imensa quantidade e variedade disponível? Quais os tipos que o professor deve escolher? É desejável que o professor, antes de decidir quais recursos irá utilizar, conheça as características e possibilidades que os produtos oferecem. Para tanto, seguem descrições destes programas musicais classificados de acordo com suas funcionalidades: Software para acompanhamento Software para edição de partituras Software para gravação de áudio Software para sequenciamento musical Software para síntese sonora 5
Software para acompanhamento Características: os programas de acompanhamento agem de forma semelhante aos teclados de acompanhamento automático, produzindo auto-acompanhamento e ritmos em tempo real com notas executadas em um instrumento MIDI. É importante lembrar que MIDI não transmite som, mas as informações correspondentes às ações do músico sobre o instrumento musical. Tempo real é um termo técnico de informática que designa que os resultados do programa são visíveis praticamente de forma simultânea com sua execução. O acrônimo MIDI - Musical Instruments Digital Interface - refere se ao padrão físico de comunicação entre sistemas musicais digitais (portas, cabos e protocolos de comunicação). Possibilidades: permite realizar composições, arranjos e auto-acompanhamento. Podemos incluir nessa categoria os programas arranjadores, nos quais, além de arranjos, é possível criar uma composição completa com certa rapidez e eficiência. Para isso, devemos fornecer informações básicas da música (andamento, harmonia, número de compassos, instrumentos para cada parte do arranjo), deixando que o programa se encarregue do restante, gerando e executando a música via MIDI. 6
Software para edição de partituras Características: serve para editar e imprimir partituras, permitindo a inserção de notas tanto com o mouse como pela execução diretamente em instrumento MIDI (normalmente, algum tipo de teclado). A gravação e execução em tempo real da música por meio de instrumento MIDI são também características interessantes. Além disso, permite importar arquivos-padrão do formato MIDI gerados por outros programas. Geralmente possui bastante flexibilidade, sendo possível escolher tipos de pautas (normal, tablatura, ritmo), símbolos musicais, múltiplas vozes por pauta, dentre outras configurações e recursos. Há também facilidades para se acessar e extrair partes da partitura e a impressão, que em geral pode ser dimensionada e configurada pelo usuário. Possibilidades: auxilia na realização de composições e pré-produção. Alguns possuem recursos de OCR (Optical Character Recognition), ou seja, pode-se digitalizar (ou "escanear") partituras em papel. O programa, então, reconhece os símbolos e os transfere, editáveis, para a partitura digitai. Com isso pode-se recuperar ou reescrever partituras em papel e convertê-las para o formato MIDI. A Unidade de Estudos 3 tratará em maior detalhe este tipo de software, e as Unidades subsequentes darão conta do programa Finale Notepad, instrumentalizando-o para trabalhar com este tipo de software. 7
Software para gravação de áudio Características: permite gravar múltiplas e simultâneas trilhas de áudio digitalizado. Estes programas facilitam bastante as atividades de composição, já que pennitem procedimentos como o overdub, isto é, a gravação de um instrumento com base em uma trilha (canal) e em seguida os demais em outras trilhas, ouvindo o instrumento-base já gravado. Com os dados sonoros na memória do computador, lemos inúmeras possibilidades de manipular o som digitalmente para obter resultados desejados, como a edição de algumas caracteristicas do som, equalização, afinação, compressão de tempo. É desejável que o computador tenha bom desempenho (velocidade da CPU, grande quantidade de memória RAM e espaço em disco rigido) para que mais trilhas possam ser gravadas e executadas simultaneamente, e para que o programa funcione sem problemas. Possibilidades: próprios para a gravação multicanal de instrumentos, produção e edição de áudio, produção musical, acústica e engenharia de áudio. Na segunda parte do semestre, o programa Audacity será explorado em maior profundidade, providenciando os rudimentos necessários para o controle destes programas. 8
Software para sequenciamento musical Características: permite gravação, execução e edição de músicas no formato MlDI. A música instrumental é gravada usando um teclado ou outro tipo de instrumento controlador MIDI e armazenada pelo software, podendo, então, ser editada. Como não são sons que estão armazenados, e sim as informações de execução das notas, é possível escolher diferentes instrumentos para tocar a mesma música. Podemos, em alguns desses programas, gravar trilhas de áudio digital junto com a música MIDI e, assim, operá-los como o gravador de áudio. Dessa forma, eles integram as duas tarefas (sequenciamenlo MIDI e gravação de áudio) e tornam a operação mais fácil para o usuário. A música criada no sequenciador pode ser exportada para outros programas MIDI (por exemplo, o editor de partituras) usando o formato padrão Standard MIDI File. Também é possível importar músicas de outro software para editá-las. Possibilidades: programas próprios para produção de música, composição musical e préprodução. 9
Software para síntese sonora Características: geram timbres com base em amostras sonoras armazenadas ou por algum processo de síntese digital (processo de criação e alteração do som baseado em manipulações matemáticas de números binários). Alguns programas sintetizadores podem tocar os sons em tempo real, a partir de comandos de notas MIDI executados por um sequenciador ou por uma pessoa tocando um instrumento MIDI. Atualmente, os ambientes para síntese (sintetizadores virtuais) caracterizam-se pela facilidade de uso da sua interface gráfica, na qual os controles dos parâmetros de síntese são exibidos como botões e sliders, faciiitando a interação e simulando o funcionamento dos sintetizadores reais. Dentro dessa categoria existem os editores de timbres. Pela interface MIDI que conecta o computador ao teclado sintetizador, o usuário pode carregar os dados da memória deste para a memória do computador, editá los, armazená-los, realizar cópias de segurança e enviá los de volta à memória do instrumento. Possibilidades: criação e alteração de sons, armazenamento de bibliotecas de timbres, pesquisa de timbres e novas sonoridades. 10
Considerações quanto ao uso de software educativo-musical Na escolha de um software educativo-musical, deve se considerar inicialmente de que tipo de ferramenta se precisa para complementar as aulas. Nesta categoria de software também podem ser identificados alguns subgrupos. de acordo com a funcionalidade principal dos programas (Yavelow, 1992:190-193): Treinamento auditivo: programas para treinar afinação, percepção de intervalos/acordes/escalas; Teoria e análise: ensino de teoria musical, análise harmônica, dicionários de harmonia; Teoria e prática de instrumento: teoria, ensino de posições/digitações, prática de improvisação, análise de execução; e História e apreciação: biografia de compositores, estilos, análise de obras, enciclopédias de música em CD ROM. Com base nos subgrupos acima, o professor já pode ter uma primeira idéia quanto ao tipo de programas que poderão satisfazer suas necessidades de enriquecimento das aulas. Além disso, é bom lembrar que esses programas podem ser utilizados de duas maneiras: com ou sem a presença do professor. 11