gestão empresarial - Gerenciamento de Ferramentas Planejamento logístico, ótimo caminho para a redução de custos AB Sandvik Coromant Fundamental para a redução dos custos de estoque e de produção, processo ajuda a evitar o desperdício de ferramentas Dando sequência à série de artigos relacionados ao Gerenciamento de Ferramentas, esta edição aborda o planejamento logístico das ferramentas de corte. Conforme visto anteriormente, o Gerenciamento de Ferramentas está dividido em três grandes áreas: planejamento tecnológico (tratado na edição anterior), planejamento logístico e planejamento estratégico. O planejamento logístico está relacionado com a disponibilidade das ferramentas, no lugar, na quantidade e no momento certo. Ele trata de todo o controle do fluxo de ferramentas, desde o momento de seu recebimento como novas, passando por diferentes áreas no chão de fábrica, até o momento em que elas são descartadas. A grande diversidade de ferramentas existentes no mercado impacta diretamente na quantidade de itens encontrados em um 12
Fotos: Fernando Favoretto Além de controlar informações técnicas, sistemas gerenciadores permitem também o controle total das ferramentas de corte almoxarifado. Essa diversidade, aliada às peculiaridades normalmente encontradas no fluxo de controle de uma ferramenta de corte como recondicionamento, presetting, setup de máquina confere uma diferenciação no controle logístico destes itens em uma indústria, se comparados a outros itens como, por exemplo, canetas. Controles paralelos Atualmente, a maioria das empresas do setor metal-mecânico apresenta em seus sistemas de gestão o controle logístico de todo o seu mobilizado, inclusive das ferramentas de corte. O problema em questão é que estes sistemas apresentam limitações importantes se levarmos em consideração a forma de gestão que uma ferramenta de corte necessita, gerando diversos controles paralelos, principalmente por meio das famigeradas planilhas eletrônicas. A principal consequência desses controles paralelos é que cada setor apresenta diferentes formas de administrar um mesmo item. O almoxarifado de ferramentas apresenta uma planilha para a gestão de itens usados que não podem ser inseridos no sistema de gestão; o setor de presetting tem outra planilha para a administração das preparações de ferramentas; e, por último, o setor de recondicionamento ou a pessoa que controla o recondicionamento no terceiro também apresenta uma planilha para a gestão deste serviço. Uma vez que não há uma comunicação adequada entre os setores em função desses controles paralelos, a falta de rastreabilidade e de monitoramento das ferramentas causa um aumento nos custos de produção e, consequentemente, uma queda na produtividade e na competitividade das empresas. Outro problema recorrente na indústria está relacionado ao controle do circulante de ferramentas no chão de fábrica. Estudos Ferramenta certa no lugar e momento certo: agilidade nas operações 13
gestão empresarial Fernando Favoretto Organização e limpeza são essenciais para o planejamento logístico apontam que 54% das empresas não apresentam controle das ferramentas que estão dispersas no chão de fábrica, limitando-se à administração de itens novos no estoque. A falta de gestão do circulante tem como principal consequência um elevado número de compras desnecessárias, uma vez que certas ferramentas poderiam ser reutilizadas várias vezes em diferentes aplicações. Duas soluções Sem levarmos em consideração a limpeza e a organização física e visual itens básicos para o planejamento logístico que envolvem armários e gaveteiros preparados para armazenar ferramentas, existem hoje no mercado dois grandes grupos de soluções para o controle logístico das ferramentas, que visam eliminar os problemas citados anteriormente: os sistemas gerenciadores de ferramentas e as vending machines. Além do controle das informações técnicas, os sistemas gerenciadores de ferramentas permitem o controle total da logística das ferramentas de corte. Por meio de um único código, eles possibilitam visualizar a quantidade de itens novos e usados distribuídos no estoque, nas máquinas e até mesmo no prestador de serviços de recondicionamento de ferramentas. Já as vending machines têm como principal objetivo a restrição da retirada de ferramentas e, consequentemente, o controle do consumo principalmente dos itens perecíveis. Estes equipamentos apresentam diferentes configurações em função do nível de segurança exigido para a retirada da ferramenta. Uma vending machine pode trabalhar integrada ao sistema gerenciador de ferramentas. Assim, todas as movimentações realizadas nela são lançadas no sistema gerenciador de ferramentas que, por sua vez, pode se integrar ao sistema de gestão da empresa, evitando qualquer duplicidade de trabalho no controle logístico. 14
Fernando Favoretto gestão empresarial Monitoramento e resultados Localizada em Caxias do Sul, a AGRALE apresenta um caso de sucesso na aplicação de sistemas gerenciadores de ferramentas para o controle logístico. A necessidade de mudança na forma de controle partiu da identificação de um volume de estoque elevado, com obsolescência de ferramentas e problemas no processo de reposição de estoque. Segundo Gabriel Scotti, atualmente no cargo de Planejador de Ferramentas e um dos responsáveis pela implantação do sistema em 2006, eram comuns os pedidos de compra emergenciais que levavam ao aumento do custo operacional. Além disso, a situação elevava também os custos de produção, pois a máquina permanecia parada devido à falta de ferramentas. Gabriel afirma que, após a adoção de um sistema gerenciador de ferramentas para o controle logístico, foi possível perceber uma melhora significativa na reposição e na otimização do volume de estoque. Adicionalmente, foi
Sua produtividade é nosso negócio! Experimente nossos fluidos para usinagem integrais e miscíveis em água à base sintética, mineral ou vegetal! gestão empresarial possível combater a obsolescência de estoque e também realizar um mapeamento diário e semanal dos custos por máquina e por centro de custo. Com o monitoramento diário foi possível identificar na produção anomalias que anteriormente não conseguíamos enxergar com facilidade, comenta Gabriel. Agora, podemos tomar ações rapidamente, evitando que o problema persista e alcançando uma redução nos custos de produção, conclui. Como resultado, em 2008 a AGRALE obteve uma redução de aproximadamente 3% no valor de estoque de ferramentas de corte com relação a 2007, ao mesmo tempo em que a produção da empresa cresceu 43%. Além disso, a empresa obteve uma redução de 35% no custo dos itens obsoletos em estoque. No que se refere ao gerenciamento, Gabriel revela que o próximo passo é a realização de uma interface entre o sistema gerenciador de ferramentas e o sistema ERP da empresa. A Agrale pretende também realizar em breve o planejamento técnico das ferramentas de corte com o objetivo de mapear o processo, permitindo fazer previsões de consumo de ferramentas de acordo com as peças e tamanhos de lote definidos. Em tempos de crise, a criatividade e a iniciativa da mudança de hábitos e costumes são peças-chave para a sobrevivência das empresas no mercado. Essa regra também se aplica diretamente à forma de administrar as ferramentas de corte. E sua empresa? O que ela está fazendo para melhorar o uso e a gestão das ferramentas de corte? M. Eng. Adir Zonta Junior Analista de negócios da Adept Systems Fernando Favoretto Quer saber mais? Consulte-nos: Tel. 11 5049-2611 brasil@blaser.com www.blaser.com.br Você sabia? Por meio de uma pesquisa realizada em 2007, foi possível observar alguns fatores relevantes sobre o planejamento logístico do gerenciamento de ferramentas, dentro de uma amostragem de empresas do setor metalmecânico no Brasil. Confira os principais resultados: 54% das empresas não apresentam um controle do estoque circulante; 64% não apresentam rastreabilidade das ferramentas no chão de fábrica; 56% afirmam apresentar elevada obsolescência em estoque; 46% não monitoram a vida útil das ferramentas de corte. Fonte: UFSC 18