AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.102.739 - GO (2008/0223016-9) RELATOR AGRAVANTE PROCURADOR AGRAVADO ADVOGADO : MINISTRO OG FERNANDES : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS : ILDETE DOS SANTOS PINTO E OUTRO(S) : IRENE BARBOSA DE SOUZA : JOÃO ANTÔNIO FRANCISCO E OUTRO(S) EMENTA PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO PELA INCAPACIDADE PARCIAL DO SEGURADO. POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ, UTILIZANDO-SE OUTROS MEIOS. 1. Ainda que o sistema previdenciário seja contributivo, não há como desvinculá-lo da realidade social, econômica e cultural do país, onde as dificuldades sociais alargam, em muito, a fria letra da lei. 2. No Direito Previdenciário, com maior razão, o magistrado não está adstrito apenas à prova pericial, devendo considerar fatores outros para averiguar a possibilidade de concessão do benefício pretendido pelo segurado. 3. Com relação à concessão de aposentadoria por invalidez, este Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido da desnecessidade da vinculação do magistrado à prova pericial, se existentes outros elementos nos autos aptos à formação do seu convencimento, podendo, inclusive, concluir pela incapacidade permanente do segurado em exercer qualquer atividade laborativa, não obstante a perícia conclua pela incapacidade parcial. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ/SP), Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ/CE), Nilson Naves e Maria Thereza de Assis Moura votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Nilson Naves. Brasília (DF), 20 de outubro de 2009(data do julgamento). MINISTRO OG FERNANDES Relator Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 1 de 6
AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.102.739 - GO (2008/0223016-9) RELATÓRIO O SR. MINISTRO OG FERNANDES: Agravo regimental interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, contra decisão proferida às fls. 195/198, na qual conheci do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, determinando que o termo inicial do benefício aposentadoria por invalidez fosse da juntada do laudo pericial em juízo, conforme ampla jurisprudência desta Corte, mantendo, no mais, o acórdão estadual, o qual entendeu estarem presentes os requisitos ensejadores do benefício aposentadoria por invalidez. O instituto agravante alega que "com relação à concessão da aposentadoria, em razão da incapacidade apenas parcial, concluiu que o entendimento do STJ é no sentido da desnecessidade da vinculação do magistrado à prova pericial, se existentes outros elementos nos autos aptos à formação do seu convencimento, podendo, inclusive, concluir pela incapacidade permanente do segurado em exercer qualquer atividade laborativa, não obstante a perícia conclua pela incapacidade, parcial, citando jurisprudência do STJ. No entanto, a entendimento da eg. Quinta Turma no sentido da impossibilidade de concessão da aposentadoria por invalidez quando o segurado está incapacitado apenas parcialmente para o trabalho."( fl. 202) Pretende a reconsideração da decisão. É o relatório. Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 2 de 6
AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.102.739 - GO (2008/0223016-9) VOTO O SR. MINISTRO OG FERNANDES (Relator): Não merece prosperar a presente irresignação. Conforme decidido em decisão unipessoal por mim proferida, no caso dos autos, o Tribunal local entendeu que, ainda que parcial a incapacidade laboral, a autora encontra-se efetivamente incapacitada para o trabalho devendo ser deferida a aposentadoria. Mesmo o sistema previdenciário sendo contributivo, não há como desvinculá-lo da realidade social, econômica e cultural do país, onde as dificuldades sociais alargam em muito a fria letra da lei. No âmbito do Direito Previdenciário, com maior razão, o magistrado não está adstrito apenas à prova pericial, devendo considerar fatores outros para averiguar a possibilidade de concessão do benefício pretendido pelo segurado. Com relação à concessão de aposentadoria em razão de incapacidade apenas parcial, este Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido da desnecessidade da vinculação do magistrado à prova pericial, se existentes outros elementos nos autos aptos à formação do seu convencimento, podendo, inclusive, concluir pela incapacidade permanente do segurado em exercer qualquer atividade laborativa, não obstante a perícia conclua pela incapacidade parcial. A propósito: PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA INADMISSÃO DE RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO PELA INCAPACIDADE PARCIAL DO SEGURADO. NÃO VINCULAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA SÓCIO-ECONÔMICA, PROFISSIONAL E CULTURAL FAVORÁVEL À CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. 1. Os pleitos previdenciários possuem relevante valor social de proteção ao Trabalhador Rural Segurado da Previdência Social, devendo ser, portanto, julgados sob tal orientação exegética. 2. Para a concessão de aposentadoria por invalidez devem ser Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 3 de 6
considerados outros aspectos relevantes, além dos elencados no art. 42 da Lei 8.213/91, tais como, a condição sócio-econômica, profissional e cultural do segurado. 3. Embora tenha o laudo pericial concluído pela incapacidade parcial do segurado, o Magistrado não fica vinculado à prova pericial, podendo decidir contrário a ela quando houver nos autos outros elementos que assim o convençam, como no presente caso. 4. Em face das limitações impostas pela avançada idade, bem como pelo baixo grau de escolaridade, seria utopia defender a inserção do segurado no concorrido mercado de trabalho, para iniciar uma nova atividade profissional, motivo pelo faz jus à concessão de aposentadoria por invalidez. 5. Agravo Regimental do INSS desprovido. (AgRg no Ag 1011387/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJ 25/05/2009) No mesmo sentido: Ag 1.099.063/DF, Rel. Min. Félix Fischer, DJ 7/8/09; Ag 1.112.478/PR, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJ 4/8/09; Ag 1.133.353/PE, Rel. Min. Laurita Vaz, DJ 8/5/09; Ag 1.101.826/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, DJ 9/12/08; REsp 748.313/SP, Rel. Min. Paulo Medina, DJ 29/6/06. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 4 de 6
CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEXTA TURMA AgRg no Número Registro: 2008/0223016-9 Ag 1102739 / GO Números Origem: 200504003997 200601990478387 200801000378022 EM MESA JULGADO: 20/10/2009 Relator Exmo. Sr. Ministro OG FERNANDES Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro NILSON NAVES Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. ALCIDES MARTINS Secretário Bel. ELISEU AUGUSTO NUNES DE SANTANA AGRAVANTE PROCURADOR AGRAVADO ADVOGADO AUTUAÇÃO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS : ILDETE DOS SANTOS PINTO E OUTRO(S) : IRENE BARBOSA DE SOUZA : JOÃO ANTÔNIO FRANCISCO E OUTRO(S) ASSUNTO: DIREITO PREVIDENCIÁRIO - Benefícios em Espécie - Aposentadoria por Invalidez AGRAVANTE PROCURADOR AGRAVADO ADVOGADO AGRAVO REGIMENTAL : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS : ILDETE DOS SANTOS PINTO E OUTRO(S) : IRENE BARBOSA DE SOUZA : JOÃO ANTÔNIO FRANCISCO E OUTRO(S) CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEXTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ/SP), Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ/CE), Nilson Naves e Maria Thereza de Assis Moura votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Nilson Naves. Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 5 de 6
Brasília, 20 de outubro de 2009 ELISEU AUGUSTO NUNES DE SANTANA Secretário Documento: 922997 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 09/11/2009 Página 6 de 6