Unic Sorriso Economia



Documentos relacionados
Módulo 6 A Evolução da Ciência Econômica Os Socialistas

Aula 1 Contextualização

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO II

Economia. Prof. Esp. Lucas Cruz

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A

2. Condições de Equilíbrio do Modelo No modelo keynesiano simples, a economia estará em equilíbrio se:

DELIBERAÇÃO Nº 060, DE 11 DE MAIO DE 2011

I. ASPECTOS METODOLÓGICOS E CONCEITUAIS SOBRE A MOEDA E O SISTEMA MONETÁRIO

FUNDAMENTOS DA ECONOMIA

ECONOMIA MÓDULO 1 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Teoria do comércio Internacional

COLEGIADO DO CURSO DE DIREITO Autorizado pela Portaria no 378 de 27/05/15-DOU de 28/05/15 Componente Curricular: ECONOMIA PLANO DE CURSO

Instrumentalização. Economia e Mercado. Aula 4 Contextualização. Demanda Agregada. Determinantes DA. Prof. Me. Ciro Burgos

Aula anterior... Revisão Geral de Conteúdo

Microeconomia. Prof.: Antonio Carlos Assumpção

Política Cambial. Política Cambial e. Balanço de Pagamentos 26/03/2013. Mecanismos de intervenção na Economia. O que é Balanço de Pagamentos?

Origem e objeto da Ciência Econômica


CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS Autorizado pela Portaria no de 04/07/01 DOU de 09/07/01. Código: CTB CH Total: 60 Pré-requisito:

VANTAGENS ABSOLUTAS e RELATIVAS ( aParte)

1. Função Financeira 2. Modelo Sistêmico da Função Financeira 3. Principais Atribuições do Administrador Financeiro

Austeridade História de uma ideia perigosa

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS LISTA DE EXERCÍCIOS

PLANO DE CURSO. Código: DIR00 Carga Horária: 60 horas Créditos: 03 Pré-requisito(s): - Período: 1º Ano:

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ÓRGÃOS PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO PROGRAMA DE DISCIPLINA

Aplicações da FPA em Insourcing e Fábrica de Software

Depressões e crises CAPÍTULO 22. Olivier Blanchard Pearson Education Pearson Education Macroeconomia, 4/e Olivier Blanchard

Karl Marx e o materialismo histórico e dialético ( )

Princípios de Finanças. Prof. José Roberto Frega, Dr.

Sumário. Conceitos básicos 63 Estrutura do balanço de pagamentos 64 Poupança externa 68

Administração 19/02/2014. Economia - Administração 1. Economia. Questões Introdutórias. Introdução a Economia - I. 1. Precursores da Teoria Econômica

ESTUDO DE CASO MÓDULO XI. Sistema Monetário Internacional. Padrão Ouro

A crítica à razão especulativa

PADRÃO DE RESPOSTA DAS QUESTÕES DISCURSIVAS ECONOMIA

INTRODUÇÃO À ECONOMIA UDI ZABOT DEPARTAMENTO DE ECONOMIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

Unidade II. Mercado Financeiro e de. Prof. Maurício Felippe Manzalli

O Comportamento da Taxa de Juros. Introdução. Economia Monetária I (Turma A) - UFRGS/FCE 6/10/2005. Prof. Giácomo Balbinotto Neto 1

Como Investir em Ações Eduardo Alves da Costa

3.1 Da c onta t bil i i l d i ade nacio i nal para r a t e t ori r a i ma m cro r econômi m c i a Det e er e mi m n i a n ç a ã ç o ã o da d

Douglas Filenga TGA I. Tópicos do módulo: a)campo de atuação profissional; b)perspectivas organizacionais;

Conceitos Relevantes Tomando Decisões (Cap. 7) 2º SEMESTRE 2011

PLANEJAMENTO OPERACIONAL: RECURSOS HUMANOS E FINANÇAS MÓDULO 16

Aula 2 Contextualização

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS - FAN CEUNSP SALTO /SP CURSO DE TECNOLOGIA EM MARKETING TRABALHO INTERDISCIPLINAR

Análise do Ambiente estudo aprofundado

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS: POLÍTICA ECONÔMICA & MERCADO FINANCEIRO

UNIJUI Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS ECONOMIA II PROFESSOR AGENOR CASTOLDI APONTAMENTOS DE MACROECONOMIA

Introdução. 1.1 Histórico

Estrutura Produtiva BOLETIM. Ribeirão Preto/SP. Prof. Dr. Luciano Nakabashi Rafael Lima

Vantagens Competitivas (de Michael Porter)

ESTUDO DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇO PARA EMPREENDIMENTOS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA. Palavras-Chave: Custos, Formação de Preço, Economia Solidária

AGRUPAMENTO de ESCOLAS de SANTIAGO do CACÉM Ano Letivo 2015/2016 PLANIFICAÇÃO ANUAL

O EFEITO COLATERAL (em economia)

Teoria Geral da Administração II

Cadernos ASLEGIS. ISSN /

Claudio Cesar Chaiben Emanuela dos Reis Porto Patrícia Granemann

CRISE DE 29. Colapso do sistema financeiro americano

Nome do Aluno: nº 2013 Turma: 3 série Ensino Médio Data:

Planificação Anual. Escola Secundária de Pombal - (400634) Referência ANO LECTIVO / 2011 COMPETÊNCIAS GERAIS

Oito em cada dez brasileiros não sabem como controlar as próprias despesas, mostra estudo do SPC Brasil

Empreendedorismo. Prof. Dr. Alexandre H. de Quadros

A curva de Phillips demonstrada na equação abaixo é ampliada e com expectativas racionais (versão contemporânea da curva de Phillips):

15 A definição de competência está baseada nos conhecimentos, habilidades, competências técnicas,

Capítulo 1: Introdução à Economia

PLANIFICAÇÕES ATIVIDADES E ESTRATÉGIAS. Diálogo orientado;

Elaboração de Projetos. Aula 2. Organização da Aula. Como Surgem os Projetos. Contextualização. Instrumentalização. Como surgem os projetos

ECONOMIA. Questão nº 1. Padrão de Resposta Esperado:

Faculdade de Direito da Universidade de Macau Ano Lectivo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Relatório Perfil Curricular

Prova de Macroeconomia

PLANO DE CURSO 5. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

Seminário de formação para cooperação e gestão de projetos. João Guilherme da Silva Passos.

ECONOMIA INTERNACIONAL II Professor: André M. Cunha

PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES. Análise de Informação Económica para a Economia Portuguesa

Lógica de Programação

Química Economia, Organização e Normas da Qualidade Industrial

Sistemas de Informação

Legislação aplicada às comunicações

Aspectos Sociais de Informática. Simulação Industrial - SIND

INVESTIMENTO A LONGO PRAZO 1. Princípios de Fluxo de Caixa para Orçamento de Capital

American Way Of Life

CAPITULO 7. Poupança e Investimento

CEAV Macroeconomia. Introdução. Prof.: Antonio Carlos Assumpção

KARL MARX ( )

O SEBRAE E O QUE ELE PODE FAZER PELO SEU NEGÓCIO

APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO NO COMÉRCIO

Economia e Mercados Globalizados

Avaliação de Conhecimentos. Macroeconomia

complexidade da ciência econômica. De fato, são muito diversas as definições já propostas para a economia. De modo geral, porém, podese afirmar que a

INTRODUÇÃO. Fui o organizador desse livro, que contém 9 capítulos além de uma introdução que foi escrita por mim.

ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA DIGITAL

Após a década de 1990, várias pessoas em todo o mundo mantêm hábito de consumo semelhantes.

A Teoria da Endogeneidade da Moeda:Horizontalistas X Estruturalistas

Módulo 1 Questões Básicas da Economia Conceito de Economia

ANEXO 01. CURSO: Ciências Contábeis - UFRJ SELEÇÃO DE DOCENTES

Transcrição:

Professor FÁBIO TAVARES LOBATO Economista(UFRGS) MBA Gestão em Agribusiness(FGV) MBA Gestão Empresarial(UFRJ) MBA Finanças Empresariais (UNIC) MBA Liderança e Coaching (UNIC) 3. Evolução do Pensamento Econômico Questões Fundamentais Qual a origem da riqueza? Qual a origem do lucro? O que determina o valor das coisas? O que é e quais as funções do dinheiro? É justa uma sociedade onde a riqueza não é distribuída de forma eqüitativa? Por que algumas economias crescem mais que outras? etc... 1. Primórdios: a) Gregos: Xenofontes: econômico (oikos=casa; nomos=lei) - princípios de gestão dos bens. Aristóteles: Cremanística - aspectos práticos das transações comerciais (preços, moeda, etc.) b) Romanos: preocupações limitadas com o tema. c) Idade Média: comércio mediterrâneo; preço justo, etc. c.1) Mercantilismo(1450 1750) preceitos de administração pública para aumentar a riqueza do príncipe. reflete as transformações de uma sociedade onde o comércio passa a ter um papel cada vez mais importante políticas coloniais mercantilistas Referências: Colbert, Cantillion, Petty Prof. Esp. Fabio T. Lobato 1

2. Criação Científica da (1750 1870) Marcos iniciais, Quadro Econômico (1758), de Quesnay, e a Riqueza das Nações (1776) de Adam Smith Fisiocracia: ordem natural, distribuição, vínculos entre riqueza e trabalho. Escola Clássica: A. Smith, David Ricardo, Malthus, Stuart Mill, Say valor ; origem da riqueza, distribuição da riqueza Marx: tradição clássica revista, criando uma tradição de pensamento crítico 3. Reação Neoclássica (1870-1929) Revolução marginalista: recursos escassos x usos alternativos ; valor utilidade. O neoclassicismo ou marginalismo desloca a temática da discussão do valor e distribuição da tradição clássica ( valor-trabalho ) para a visão do valor utilidade e dos custos de produção. Destaques: escola austríaca e o marginalismo (Menger, Jevons, Böhm-Bawerk, etc.); escola de Viena (León Walras e o equilíbrio geral ); Marshall (1842-1924) e a escola de Cambridge ( equilíbrio parcial ); neoclássicos suecos (Wickssel) Em oposição aos neoclássicos, desenvolveram-se escolas como as institucionalista (Veblen), a escola histórica alemã (List), além da tradição marxista. 4. A revolução Keynesiana Keynes (1888 1946) torna-se um marco na moderna economia, onde a ênfase na gestão macroeconômica passa a ser central. Síntese neoclássica (Hicks, Samuelson, etc.) anos 1950 e 1960 Monetarismo (Friedman) oposição os keynesianos Novo-classicismo (Lucas) década de 1970 Novos Keynesianos década de 1980 Heterodoxos pós-keynesianos, marxianos, institucionalistas, etc. Três Grandes Economistas Ao longo da história recente os economistas procuraram explicar como surgiu e como funciona um tipo de sociedade unida pelo mercado em vez da tradição e pelo comando, e movida por uma incontrolável tecnologia em vez da inércia. Suas idéias estão ainda hoje presentes no debate político e acadêmico. Prof. Esp. Fabio T. Lobato 2

Publica em 1776 a obra A Riqueza das Nações : o primeiro esforço sistemático de decifrar o enigma da sociedade de mercado Pergunta central: como uma sociedade de indivíduos livres e egoístas (buscam seu próprio interesse) pode funcionar? Ou: Como pode uma organização socialmente funcional surgir de uma motivação tão perigosamente não-social como a melhoria de si mesmo? Resposta: a concorrência, através de preços livremente formados nos mercados gera a eficiência social Mercado: ( Mão Invisível ) no capitalismo, não é a tradição ou o poder que define os rumos da sociedade. Além disso, o Mercado de Smith possui um sistema auto-regulador, baseado na flexibilidade de preços. É o laissez-faire. Outros insights geniais de Adam Smith: A divisão do trabalho aumenta a produtividade (ex.: fábrica de alfinetes). O comércio internacional é importante fonte de crescimento O capitalismo é uma máquina de produzir riqueza. Limitações de suas idéias: Nem sempre o mercado funciona como ele previu. O capitalismo transformou-se muito desde o seu tempo Assim: Cada pessoa, em busca de melhorar a si mesma, sem pensar nas demais, depara-se com uma legião de outras pessoas com motivações semelhantes. Como resultado, cada agente do mercado, ao comprar e vender, é forçado a equiparar seus preços aos oferecidos pela concorrência No mundo da livre concorrência de Adam Smith, um vendedor que tiver um preço acima do mercado não conseguirá vender seu produto; um trabalhador que pedir um salário muito alto não conseguirá trabalhar! O mercado tem duas funções centrais: 1. Disciplina a concorrência 2. Garante a melhor alocação de fatores : ou seja, os fatores de produção serão direcionados para a produção somente daquilo que a sociedade quer comprar. Marx descreveu o capitalismo dos grandes cartéis e dos crescentes conflitos entre capital e trabalho. Smith viu a ordem e o progresso do capitalismo; Marx a desigualdade e instabilidade da máquina de produzir riqueza. Em Marx o crescimento no capitalismo é cheio de armadilhas (sem os mecanismos de auto-correção de Smith) Prof. Esp. Fabio T. Lobato 3

Marx olha o sistema de uma ótica semelhante ao capitalista: D - M - D O capitalista parte de uma quantidade inicial de capital (D) que é utilizado para contratar mão de obra e comprar insumos de modo a produzir uma mercadoria (M). Esta não é o objetivo final. O objetivo é vender a mercadoria para se obter mais capital (D ). As crises econômicas seriam recorrentes e gerariam: A concentração/centralização de capitais: as empresas menores e mais frágeis seriam eliminadas a cada crise, sobrevivendo somente as maiores; Os conflitos capital x trabalho se agravariam com a crescente proletarização. Porém, ao produzir M, não se garante sua venda e, portanto, o D. Contribuições centrais: Percepção da tendência à mecanização; Tecnologia como motor da concorrência (e, para Marx, a fonte da expropriação, do trabalho não-pago, a mais-valia); Leitura histórica do capitalismo Polêmicas: Socialismo; Leis de tendência e a derrocada final do capitalismo Foi o economista mais influente do século XX. Responsável por uma revolução teórica, com o clássico A Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda Defendeu a intervenção governamental como forma de evitar as crises (especialmente as depressões) Assistiu a um período de grande turbulência nos entre-guerras (1914-1945): Problemas monetários (hiperinflações e deflações); Desemprego em massa; Ascensão do nazismo e duas guerras que quase acabaram com a Europa. John John Maynard M. Keynes (1883-1946) Os economistas convencionais (liberais) acreditavam na Mão Invisível de Adam Smith (ou seja: nos princípios autocorretivos do mercado). Não sabiam como enfrentar as crises. Keynes demonstrou que os mercados não possuíam forças naturais auto-corretivas. As variações na renda (riqueza) dependem das decisões privadas de gasto (demanda efetiva), especialmente do investimento. Prof. Esp. Fabio T. Lobato 4

John John Maynard M. Keynes (1883-1946) Estas decisões envolvem tempo e são tomadas em um ambiente de incerteza; Logo: a instabilidade é intrínseca ao sistema. Somente as intervenções governamentais podem evitar a ocorrência de equilíbrios ruins : ou seja, o desemprego. Problema: como enfrentar o ciclo vicioso da depressão? consumidores com menos renda reduzem os gastos -> as empresas vendem menos -> as empresas demitem funcionários -> a renda cai e, assim, o consumo cai -> as empresas voltam a produzir e investir menos -> e assim por diante... Solução: intervenção governamental (políticas fiscal e monetária), Políticas fiscal: gasto público e impostos. Política monetária: taxa de juros e volume de crédito. Prof. Esp. Fabio T. Lobato 5