PROGRAMA DE ATIVIDADES MOTORAS AQUÁTICAS

Documentos relacionados
PROMOÇÃO DA SAÚDE FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM FATIMA DO PIAUÍ.

05/04/2017. Avaliação inicial (screening do estado de saúde) EFB Medidas e Avaliação da Atividade Motora. Objetivos da aula: Por onde começar?

Os Benefícios da Atividade Física no Tratamento do Transtorno no Uso de Drogas

Recomendações de Atividade Física para crianças e adolescentes

Benefícios Fisiológicos

Atividade Física e Cardiopatia

ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DOS FATORES DE RISCO PARA DOENÇA CORONARIANA DOS SERVIDORES DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

RELAÇÃO ENTRE NÍVEIS DE IMC E DESEMPENHO MOTOR DE ADOLESCENTES DE UMA ESCOLA DE MARINGÁ

E APÓS UM INFARTO DO CORAÇÃO, O QUE FAZER? Reabilitação Cardiovascular

41 ANOS DE EXISTÊNCIA. 942 Médicos Cooperados 71 mil clientes. 1ª Sede Praça Carlos de Campos

ESTUDO DO PERFIL LIPÍDICO DE INDIVÍDUOS DO MUNICÍPIO DE MIRANDOPOLIS/SP

6º Simposio de Ensino de Graduação

ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS DE PARTICIPANTES DO PROJETO DE EXTENSÃO NO PIQUE DA PUCC

AVALIAÇÃO DE DISLIPIDEMIA EM ADULTOS DE UMA COMUNIDADE SITUADA NA PERIFERIA DE CAMPINA GRANDE-PB.

Os Benefícios da Atividade Física no Tratamento da Dependência Química. Benefícios Fisiológicos

PROGRAMA INTERDISCIPLINAR DE ATENÇÃO E PROMOÇÃO À SAÚDE DE CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS DE GUARAPUAVA

CADERNO DE EXERCÍCIOS 1

INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE

INFLUÊNCIA DA CAMINHADA ORIENTADA EM PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS 1

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA

Aproximadamente metade das crianças com dislipidemia carregará essa. Quando Devemos Pesquisar Dislipidemia em Crianças?

ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR

ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS. Doença Cardiovascular Parte 1. Profª. Tatiane da Silva Campos

Prof. Me Alexandre Rocha

OBESIDADE E ATIVIDADE FÍSICA

INFLUÊNCIA DE UM PROGRAMA PERSONALIZADO DE EXERCÍCIOS RESISTIDOS SOBRE A COMPOSIÇÃO DE INDIVÍDUOS ADULTOS.

ÍNDICE. CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO Introdução Pertinência do trabalho Objectivos e Hipóteses de Estudo...

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular EXERCÍCIO E SAÚDE Ano Lectivo 2010/2011

APRESENTAÇÃO DE POSTERS DIA 16/10/2015 (10:15-10:30h)

Avaliação Pré Teste. Anamnese Estratificação de Risco Cardíaco Questionário PAR-Q e Triagem autoorientada. Medidas de repouso: FC e PA

Movimentação Física e Prática de Esportes: Eu quero mas não consigo e se consigo, quero mais

Indicadores Estratégicos

PERFIL DOS PACIENTES HIPERTENSOS EM UMA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA

PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Paradigmas Quanto à Associação Atividade Física, Aptidão Física e Saúde Dartagnan Pinto Guedes Universidade Estadual de Londrina - Brasil

Como evitar os riscos e aumentar os benefícios??

Sistema muculoesquelético. Prof. Dra. Bruna Oneda

REDUÇÃO & REEDUCAÇÃO PROGRAMA DE EMAGRECIMENTO

Saúde do Homem. Medidas de prevenção que devem fazer parte da rotina.

DESEMPENHO MOTOR DE ADOLESCENTES OBESOS E NÃO OBESOS: O EFEITO DO EXERCÍCIO FÍSICO REGULAR

Introdução. avalon 04/02/2016. José Pereira De Mattos Filho

COLESTEROL ALTO. Por isso que, mesmo pessoas que se alimentam bem, podem ter colesterol alto.

O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE ATIVIDADE FÍSICA

Programa Mais Saúde. Endereço: Av. Araxá, nº 156, Lagomar, Macaé RJ. CEP

CRITÉRIOS E EXAMES COMPLEMENTARES PARA REALIZAÇÃO DE ANESTESIA PARA EXAMES DIAGNÓSTICOS

DIETOTERAPIA INFANTIL DOENÇAS CRÔNICAS NA INFÂNCIA OBESIDADE

PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO AERÓBICO NO CARDIOPATA

LINHA DE CUIDADO EM CARDIOLOGIA PNEUMOLOGIA E DOENÇAS METABÓLICAS

NUT-154 NUTRIÇÃO NORMAL III. Thiago Onofre Freire

Projeto de Extensão: Clínica Escola: atendimento ambulatorial de nutrição à comunidade

Cardiologia. Prof. Claudia Witzel

DÚVIDAS FREQUENTES NO EXAME CARDIOLÓGICO NO EXAME DE APTIDÃO FÍSICA E MENTAL

PERFIL NUTRICIONAL E PREVALÊNCIA DE DOENÇAS EM PACIENTES ATENDIDOS NO LABORATÓRIO DE NUTRIÇÃO CLÍNICA DA UNIFRA 1

10º Congreso Argentino y 5º Latinoamericano de Educación Física y Ciencias

AULA: 5 - Assíncrona TEMA: Cultura- A pluralidade na expressão humana.

FATORES DE RISCOS CARDIOVASCULARES EM PACIENTES HIPERTENSOS E DIABETICOS ATENDIDOS EM UM CENTRO DE TRATAMENTO EM RIO VERDE/GO.

Como Avaliar o Teste Ergométrico Para a Prática de Exercício. Profa. Dra. Cláudia L. M. Forjaz Escola de Educação Física e Esporte

PNS Pesquisa Nacional de Saúde 2013 Ciclos de vida, Brasil e grandes regiões Volume 3

ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR ENTRE HIPERTENSOS E DIABÉTICOS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE NO MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA.

QUESTÃO 32. A) movimentação ativa de extremidades. COMENTÁRO: LETRA A

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: RELAÇÃO ENTRE INATIVIDADE FÍSICA E ÍNDICE DE MASSA CORPORAL EM CRIANÇAS DA REDE MUNICIPAL DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO PE.

FATORES ASSOCIADOS À DESISTÊNCIA DE PROGRAMAS MULTIPROFISSIONAIS DE TRATAMENTO DA OBESIDADE EM ADOLESCENTES

EDUCAÇÃO FÍSICA FUNDAMENTAL PROF.ª FRANCISCA AGUIAR 7 ANO PROF.ª JUCIMARA BRITO

AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA NO IDOSO

EMENTAS DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM FARMÁCIA CLÍNICA E ATENÇÃO FARMACÊUTICA EAD

PALAVRAS-CHAVE Desenvolvimento motor. Flexibilidade. Resistência abdominal.

Síndrome Metabólica. Wilson Marques da Rosa Filho. (Tratamento pela Acupuntura e Homeopatia)

Incorporação das novas curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde na Vigilância Nutricional

A APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRA DE PRATICANTES DE AULAS DE JUMP E RITMOS DE UM MUNICÍPIO DO LITORAL DO RS

1. Benefícios da atividade física

PROCESSO SELETIVO PÚBLICO PARA RESIDENTES EDITAL Nº 04/2018 RETIFICAÇÃO

Avaliação pré participação em exercícios. Prof. Dra. Bruna Oneda

CADERNO DE EXERCÍCIOS

RELAÇÃO DE PONTOS PARA A PROVA ESCRITA E AULA PÚBLICA

UTILIZAÇÃO DE AVALIAÇÕES FÍSICAS PARA DIAGNÓSTICO DE SAÚDE DOS SERVIDORES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ

CREF13/BA MANUAL DE PROCEDIMENTOS PARA AVALIAÇÃO PRÉ-PARTICIPAÇÃO EM PROGRAMAS DE ATIVIDADES FÍSICAS

EFEITOS DE DOIS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO FÍSICO SOBRE O PESO CORPORAL E A COMPOSIÇÃO CORPORAL DE MULHERES OBESAS

Puericultura para crianças de 1 a 4 anos de idade

19/04/2016. Profª. Drª. Andréa Fontes Garcia E -mail:

RESUMO INTRODUÇÃO: Pessoas com sintomas de ansiedade apresentam maiores níveis de pressão arterial. A presença de ansiedade está associada com as

DIABETES MELLITUS E HIPERTENSÃO ARTERIAL EM POPULAÇÃO ATENDIDA DURANTE ESTÁGIO EM NUTRIÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA DA UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO

CNC-CENTRO DE NEFROLOGIA DE CANINDÉ

Hipertensão Arterial. Educação em saúde. Profa Telma L. Souza

PERFIL CLÍNICO E BIOQUÍMICO DOS HIPERTENSOS DE MACEIÓ (AL) de Nutrição em Cardiologia (Ufal/Fanut/NUTRICARDIO )

PROGRAMA INTEGRADO PARA A TERCEIRA IDADE (PITI) DA UNIJUÍ: EXERCÍCIO FÍSICO E QUALIDADE DE VIDA 1. Susana Da Silva De Freitas 2.

Transcrição:

AVALIAÇÃO DA SAÚDE, ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO E PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE PARTICIPANTES EM UM PROGRAMA DE ATIVIDADES MOTORAS AQUÁTICAS COELHO, Vitor Antonio Cerignoni; BARION, Roberto Antonio de Campos; BORBA, Barbara Detoni; TOLOCKA, Rute Estanislava e CESAR; Marcelo de Castro. NUPEM/UNIMEP - SP Resumo A procura por serviços de extensão universitárias, incluindo prática de atividades motoras tem aumentado nos últimos anos, especialmente em relação à atividades realizadas em meio líquido. Tais atividades têm efeitos reconhecidos sobre diferentes aspectos do comportamento humano, porém também implicam em riscos, se não forem adequadamente prescritas e realizadas. Apresenta-se aqui um estudo de caso, com voluntários participantes em programas de atividades aquáticas, no qual analisaram condições de saúde, dados antropométricos e estratificação de risco de dois grupos de 16 pessoas, sendo o primeiro de crianças entre 07 e 11 anos de idade e o segundo de adultos acima de 25 anos. Dentre os adultos com problemas de saúde encaminhados para exame clínico, observou-se que apenas um estava normal em relação a seu estado nutricional (IMC) sendo atestado que a pessoa estava com depressão, outras duas pessoas estavam com sobrepeso, sendo diagnosticado hipertensão arterial em ambas e três pessoas se encontravam com obesidade grau 1 (um), averiguando-se uma hipertensão arterial, uma isquemia e broncoespasmo e a última pessoa clinicamente normal apesar da obesidade. Uma das crianças apresentou colesterol elevado e hipertensão leve, sendo classificada como de Risco aumentado. Os resultados obtidos indicam a importância da avaliação da saúde e estratificação de risco dos participantes de programas de atividades motoras, pois alguns indivíduos podem apresentar descompensação da doença durante a participação no programa, necessitando de um monitoramento contínuo para a prática de atividades motoras. Unitermos: Crescimento físico, saúde, natação, atividades motoras aquáticas, avaliação

Introdução Muitas pessoas procuram serviços de extensão universitária que oferecem atividades motoras supervisionadas, principalmente atividades realizadas no meio líquido, tais como hidroginástica ou natação. Estas atividades, bem como outras atividades físicas, são importantes para diferentes aspectos do desenvolvimento humano e possibilitam o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, (GALLAHUE e OZMUN, 2003, HAYWOOD e GETCHELL, 2004) e a adequação do crescimento físico. Para o Americam College Of Sports Medicine (1998), um programa de atividade física para manutenção e desenvolvimento da aptidão cardiorrespiratória e muscular e da flexibilidade influenciam na composição corporal, reduzindo a gordura corporal e aumentando a massa magra. Pollock et al. (2000) citam que o treinamento físico leva ao aumento da densidade óssea; aumento da massa muscular magra e a diminuição da gordura corporal; aumento da força; mudanças no metabolismo da glicose; a alteração dos níveis de lipídeos séricos com aumento do HDL (lipídeos de alta densidade) e diminuição do LDL (lipídeos de baixa densidade); diminuição da freqüência cardíaca (repouso); controle da pressão arterial; aumento no metabolismo basal. De outro lado, o sedentarismo e a inatividade física são fatores de risco para doenças cardiovasculares (AMERICAM COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2000) e a prática regular de atividade física é indicada também para pessoas com doenças conhecidas tais como insuficiência coronária (PIEGAS et al., 2004), hipertensão arterial (MION JR. et al., 2004), dislipidemia (SANTOS et al., 2001), diabetes (CANCELLIÉRI, 1999), obesidade (CHACRA, 1999) e doença pulmonar obstrutiva crônica (OLIVEIRA et al., 2000). O treinamento físico é considerado uma forma segura de intervenção, pois a morte súbita é rara em indivíduos aparentemente sadios, mesmo em exercícios intensos. Entretanto, existem indivíduos que apresentam contra-indicações ao exercício, como arritmias cardíacas graves, cardiomegalia acentuada, anemias, distúrbios metabólicos não compensados, insuficiência respiratória etc, sendo necessária compensação clínica para que o indivíduo possa participar de programas de atividade física (GODOY et al., 1997). Assim, a avaliação da saúde de praticantes de atividades motoras é necessária para permitir o desenvolvimento de uma prescrição de exercício bem fundamentada e eficaz, tanto em indivíduos aparentemente saudáveis quanto portadores de doenças crônicas (AMERICAM COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2000).

Considerada dentro dos aspectos de saúde está a avaliação do estado nutricional, feita através da comparação de dados referentes às medidas de peso e estatura em determinada região, com normas pré-estabelecidas pelo Centro Nacional de Estatística em Saúde (National Center for Health Statistics - NCHS), considerado como padrão internacional. Esta avaliação se revela como um instrumento importante de aplicação e comparação entre populações, tendo em vista que foi realizada nos Estados Unidos com mais de 5000 pessoas de diferentes idades, raças, regiões e nacionalidades, além de ter sido validada pela Organização Mundial da Saúde (SANTOS, 1998). Objetivos Este estudo teve como objetivo avaliar condições de saúde e estratificar o risco de participação em um programa de atividades motoras aquáticas, identificando pessoas com necessidade de se submeter a exame clínico e que apresentam contra-indicações clínicas para esta prática, encaminhandoos a serviços de saúde especializado. Analisou também o perfil antropométrico destas pessoas, indicando medidas preventivas para casos onde os valores diferiam significativamente da média populacional. Metodologia Participantes do Centro de Qualidade de Vida (CQV) da UNIMEP voluntariamente se inscreveram no estudo. Foram formados dois grupos: o primeiro composto por 26 crianças, de ambos os sexos, sendo 14 meninas e 12 meninos, entre oito e 11 anos de idade e o segundo com 16 pessoas, sendo uma do sexo masculino, entre 26 e 61 anos de idade. Todos os participantes trouxeram um atestado médico para participação em atividades na piscina. A triagem para realização de exame clínico foi feita a partir de uma ficha inicial, com dados pessoais e informações sobre situação clínica (uso de medicação, antecedentes pessoais, descrição de alterações físicas ou psicológicas, estar ou não em tratamento médico) Avaliação da saúde e a estratificação de risco, foi feita de acordo com as recomendações do American College of Sports Medicine (2000). Os voluntários foram classificados em: aparentemente saudável (indivíduos sem sintomas e aparentemente saudáveis sem mais do que um fator de risco de doença coronariana); Risco aumentado (indivíduos que tenham sinais ou sintomas sugestivos de possível doença cardiovascular ou metabólica e/ou dois ou mais fatores de risco de doença coronariana) e Doença conhecida (indivíduos com doença cardíaca, pulmonar ou metabólica já conhecida).

Os voluntários aparentemente saudáveis mais jovens (homens com 40 anos ou menos e mulheres com 50 anos ou menos) foram liberados para a prática de atividades motoras. Os voluntários com risco aumentado ou doença conhecida, ou homens com mais de 40 anos e mulheres com mais de 50 anos, foram submetidos a avaliação clínica por médico especialista em Medicina do Esporte. Esta avaliação incluiu: anamnese, exame físico, espirometria (teste de função pulmonar) e teste ergométrico (eletrocardiograma no esforço). Após a avaliação clínica os voluntários receberam orientação individualizada de acordo com os resultados. Os dados antropométricos dos indivíduos referiram-se às medidas de peso, estatura, perímetro encefálico, perímetro tricipital e dobras cutâneas para crianças e peso e estatura (índice de massa) para adultos, com utilização da técnica propostas por Lopes (2002) e Marcondes (2002). Resultados Em relação às crianças, cinco disseram estar em tratamento médico e 18 não, apenas uma criança referiu uso de medicação (uso de fórmula para colesterol); e três referiram alterações: obesidade infantil, problemas de coluna e pneumonia, colesterol elevado e hipertensão leve. Em relação ao grupo de adultos, na ficha inicial, oito pessoas disseram estar em tratamento médico e oito pessoas não; sete responderam que fazem uso de medicamentos, dentre eles antihipertensivos, anticonvulsivantes, anorexígenos, analgésicos e anti-inflamatórios, os outros nove participantes não faziam uso de medicamentos; oito pessoas relataram alterações físicas e/ou mentais, dentre elas, deficiência mental, hipertensão, membrana timpânica perfurada, alterações na tireóide, depressão, tendinite nos braços e hipoglicemia. Todas as pessoas que referiram estar em tratamento médico, uso de medicamento ou alterações físicas ou mentais foram encaminhadas para análise de estratificação de risco. Em relação às medidas antropométricas, nos valores de peso foram encontradas nove meninas acima e cinco dentro do esperado; em estatura, 11 meninas acima e três dentro do esperado; no IMC, 11 meninas estavam dentro e três acima do esperado; no perímetro cefálico, 13 meninas dentro do esperado e uma acima do esperado; e no perímetro tricipital, 11 meninas dentro do esperado e três acima. No grupo masculino foram encontrados oito meninos com peso acima e quatro dentro do esperado; na estatura, cinco meninos acima e sete dentro do previsto; no IMC nove meninos dentro três acima do previsto; no perímetro cefálico, sete meninos dentro, quatro acima e um abaixo do esperado; no perímetro tricipital, 10 meninos dentro e dois acima do previsto.

Entre o grupo de adultos o IMC revelou seis adultos com estado nutricional em obesidade grau 1; cinco adultos em estado nutricional normal e cinco adultos em estado nutricional de sobrepeso, segundo a Organização Mundial da Saúde (ABESO, 2005). Estes dados estão ilustrados no gráfico 2. Gráfico 1: Valores antropométricos infantis No. crianças 15 10 5 0 IMC-F PC-F PT-F IMC-M PC-M PT-M Acima previsto Dentro do previsto Abaixo do previsto Gráfico 2 - Índice de Massa Corporal - Adultos estado nutricional normal obesidade grau 1 sobrepeso IMC-F = Índice de Massa Corporal Feminino PC-F = Perímetro Cefálico Feminino PT-F = Perímetro Tricipital Feminino IMC-M = Índice de Massa Corporal Masculino PC-M = Perímetro Cefálico Masculino PT-M = Perímetro Tricipital Masculino

Apenas uma criança foi indicada para realização de avaliação clínica, devido a referência do colesterol elevado e hipertensão leve, esta foi classificada como Risco aumentado sendo suas atividades motoras monitoradas (medidas de freqüência cardíaca e pressão arterial antes e depois da realização das atividades). Entre 16 adultos, nove foram indicados para a avaliação clínica, sendo que seis compareceram e os outros desistiram do programa. As doenças identificadas foram: hipertensão arterial, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma brônquica e diabettes melittus. Destas, três pessoas foram liberadas para continuar no programa, porém com monitoramento, e duas foram encaminhadas para serviços especializados, que voltaram ao programa após tratamento clínico (asma brônquica e doença pulmonar obstrutiva crônica). Discussão e considerações finais Os valores de IMC mostram a tendência de várias pessoas à obesidade, sendo indicado o acompanhamento por um período de tempo e uma nova avaliação, na qual, se os valores se mantiverem acima do esperado, será necessário exame clínico e encaminhamentos para serviços de nutrição. Dentre os nove adultos com problemas de saúde encaminhados para exame clínico citados a pouco, sabendo-se assim que apenas seis realizaram o exame, observou-se que apenas um estava normal em relação a seu estado nutricional (IMC) sendo atestado que a pessoa estava com depressão, duas pessoas estavam sobrepeso, sendo diagnosticado hipertensão arterial em ambas e três pessoas se encontravam com obesidade grau 1 (um), averiguando-se uma hipertensão arterial, uma isquemia e broncoespasmo e a última pessoa clinicamente normal apesar da obesidade. Estes resultados mostram o quanto é importante se fazer uma estratificação de risco para se adequar as atividades motoras as necessidades dos praticantes, além de possibilitar medidas preventivas tais como monitoração das atividades e encaminhamento a serviços médicos especializados. A prática de atividades físicas é importante para a promoção da saúde, mas é necessário que o praticante esteja apto ela, caso contrário existe risco de complicações clínicas e agravos à saúde, sendo fundamental a avaliação da saúde e estratificação de risco de seus participantes. Medidas de prevenção podem ser tomadas frente às alterações significativas nas medidas antropométricas e favorecem a prática de atividades motoras.

Os resultados obtidos indicam a importância da avaliação da saúde e estratificação de risco dos participantes de programas de atividades motoras, pois alguns indivíduos podem apresentar descompensação da doença durante a participação no programa, necessitando de um monitoramento contínuo para a prática de atividades motoras. Referências bibliográficas AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 6 th Edition, 2000.. The recommended quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness and flexibility, in health adults. Med Sci Sports Exerc, 1998. HAYWOOD, K.M. GETCHELL, N. Desenvolvimento Motor ao longo da vida. Porto Alegre, Artmed: 2004. LOPEZ, F. A; et al. Fundamentos da Terapia Nutricional em Pediatria. São Paulo: Sarvier, 2002. PIEGAS L.S., et al. III Diretriz sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio. Arq Bras Cardiol, 83 (Suppl IV), 56-69, 2004. SANTOS, L, M, P. Avaliação antropométrica da criança e do adolescente. In Avaliação e cuidados primários da criança e do adolescente. Porto Alegre: Artmed,1998.