O SER HUMANO PARA OS SOFISTAS E SÓCRATES OS SOFISTAS E A VIDA EM SOCIEDADE
A ARTE DO CONVENCIMENTO Nenhum escrito completo restou dos autores sofistas, apenas poucos fragmentos A maior parte dos textos que fazem referência a eles foi produzida pelo filósofo Platão. Platão que condenava as ideias e as atividades desses pensadores. Durante muito tempo, os sofistas foram considerados aproveitadores ou oportunistas. ParaPlatão,ossofistasdavamaulaseusavamahabilidade de falar bem para ganhar dinheiro, não se importando em mentir ou mudar de posição para atingir os objetivos desejados. Os sofistas deram grandes contribuições para o desenvolvimento do pensamento racional.
Professores na arte de falar bem Os sofistas foram professores profissionais que saíram de diversas cidades gregas para ensinar em Atenas, noséculo V a.c., acompanhando o desenvolvimento econômico, político, militar e cultural dessa cidade. Eram pagos pelas famílias com mais posses para ensinar aos jovens os conhecimentos necessários para seguir a carreira pública ou para se especializar em algum ofício. Emgeral,ossofistasensinavamahabilidadedefalarbem. Em Atenas, nesse período, expressar-se bem em público era muito importante, porque as principais decisões para a cidade e para os cidadãos atenienses, como a participação ou não em uma guerra, eram tomadas em assembleias, por meio de votação.
A retórica grega Um cidadão da Grécia antiga que falasse bem e tivesse a capacidade de argumentar e de convencer outras pessoas poderia interferir nas grandes decisões da cidade. Seria um cidadão poderoso Amaioriadossofistasdavaauladeretórica. Retórica é a arte de bem utilizar a palavra para persuadir ou convencer os ouvintes. Muitos sofistas ficaram conhecidos por esses ensinamentos e cobravam caro por eles.
As reflexões sobre o ser humano Os sofistas realizaram uma espécie de revolução no pensamento ao refletirem sobre os problemas humanos. Os primeiros filósofos investigaram a natureza e buscaram explicá-la. Eles procuravam desvendar o princípio mas geral das coisas e dos fenômenos da natureza. Os sofistas tinham outro interesse: refletir sobre os seres humanos, suas vidas, suas criações, o tipo de sociedade emquevivemetc. Assuntos que interessavam aos sofistas: política, arte, retórica, religião, educação e linguagem.
Os valores não são os mesmos para todas as sociedades Os sofistas viajavam de cidade em cidade, ensinado por toda Grécia. Eles perceberam que cada cidade ou agrupamento social tinha suas normas, crenças, tradições, valores eleis. Os cidadãos de Esparta, não tinham a mesma conduta dos cidadãos de Atenas.
Ao perceberam isso, os sofistas concluíram que a sociedade funciona de maneira diferente da natureza. A phýsistem leis e regras que não mudam, elas são fixas e iguais em qualquer lugar. Por exemplo, a lei da gravidade vale em qualquer parte do mundo.assim acontece com todas as leis da natureza.
As convenções humanas são mutáveis A sociedade humana, diferentemente da natureza, funciona com regras, leis ou normas criadas por acordo ou convenções. As leis sociais e os valores mudam com o tempo, de sociedade para sociedade, e até mesmo no interior de uma mesma sociedade. Por exemplo houve época em que as mulheres no Brasil não podiam votar e que elas só conquistaram esse direito em 1932.
Os sofistas perceberam essas características das sociedades humanas, compreenderam que cada uma delas funcionava de acordo com certa convenções. Essas convenções foram criadas pelos indivíduos e poderiam ser modificadas por eles. É diferente do que ocorre com as leis da natureza, que são eternas e imutáveis. Para esses pensadores, a tradição e as normas estabelecidas poderiam ser alteradas e questionadas pelousodarazão.
Os sofistas mais conhecidos Protágoras e a relatividade das coisas humanas Ohomeméamedidadetodasascoisas O ser humano decide sobre o que é certo ou errado, bom ou ruim, verdadeiro ou falso, útil ou inútil, e assim por diante. Para Protágoras, não haveria verdade absoluta, única. Isso é, a verdade dependeria do que cada pessoa pensa.
Na existência humana. Tudo seria relativo. Seguindo essa ideia, o que verdadeiro, justo e bom para um indivíduo ou uma sociedade poderia não ser verdadeiro, justo e bem para outro indivíduo ou outra sociedade. Sócrates e Platão combateram esse pensamento, pois acreditavam na existência de verdades que valeriam para todas as situações e todas as sociedades.
Górgias e a força da palavra O sofistas Górgias era famoso por sua capacidade retórica, isto é, pela capacidade de convencer as pessoas por meio do discurso ou da palavra. Górgias defendia a ideia de que as pessoas, em nenhuma situação, poderiam alcançar uma verdade absoluta ou única. Górgias pensava também que os filósofos anteriores a ele não conseguiram chegar a uma definição clara doseredascoisasqueexistem.
Para Górgias, mesmo que o Ser existisse, como afirmava Parmênides, ele não poderia ser conhecido pela razão humana. Então, caberia ao indivíduo analisar cada situação e determinaroquedeveriaounãoserfeito. Além disso, por não existir nada de absolutamente verdadeiro, a palavra e o discurso não estariam presos a nada, não estariam voltados para uma verdade a ser revelada. A palavra, então, valeria somente por sua capacidade de persuadir.
Seguindo esse pensamento, os argumentos seriam momentâneos, quer dizer, eles mudariam de acordo com a situação e a necessidade. O bom retórico seria aquele capaz de convencer as pessoas em diferentes situações. A retórica, para Górgias, é a arte de persuadir independentemente se o que está sendo dito é ou não verdade.