FLORINHA E A FOTOSSÍNTESE

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FLORINHA E A FOTOSSÍNTESE Samuel Murgel Branco ILUSTRAÇÕES: CECÍLIA IWASHITA SUGESTÕES PEDAGÓGICAS E DE ATIVIDADES Maria Lúcia de Arruda Aranha Marisa Rodrigues de Freitas

2 Samuel Murgel Branco Florinha e a fotossíntese U O AUTOR Biólogo e naturalista, é professor titular de Saneamento e Ecologia Aplicada da Universidade de São Paulo. Como consultor internacional da OMS (Organização Mundial da Saúde), ministrou cursos em muitos países da América Latina. É autor, pela Editora Moderna, de obras de divulgação científica voltadas ao Ensino Fundamental e Ensino Médio. A OBRA Um dia, ao regar o jardim de sua casa, Florinha percebeu que uma folhinha de primavera estremecia toda vez que o esguicho de água a atingia. Imagine sua surpresa quando a folha disse estar sentindo cócegas e que aquele banho refrescante estava abrindo seu apetite! Passado o susto, Florinha foi ficando cada vez mais curiosa, afinal nunca havia conversado com uma planta. E estranhou quando ela disse que estava com fome. A folhinha lhe explicou, então, que as plantas têm um jeito diferente de comer: produzem seu próprio alimento e para isso fazem fotossíntese. Explicou passo a passo esse processo, deixando a menina cada vez mais interessada. A folhinha falou também do papel fundamental do Sol como fonte de energia e da importância das plantas para os seres vivos, para a saúde e para o embelezamento das cidades, além de muitas outras finalidades. No final, depois de aprender tantas coisas, Florinha percebeu que a folhinha queria descansar. Ao se despedir, a menina estava feliz porque sentia que estava se iniciando uma grande amizade. Esta é, enfim, uma fábula para quem gosta da natureza e quer conhecê-la cada vez melhor. TEMAS ABORDADOS Fotossíntese Seres vivos Fabricação da matéria orgânica Clorofila Cadeia alimentar Os ciclos do carbono e do oxigênio Utilização das plantas

3 SUGESTÕES PEDAGÓGICAS Formando o leitor E Enquanto nos livros de ficção conta-se uma história, as obras de não-ficção ou expositivas visam oferecer informação. Mesmo quando o autor se utiliza de uma pequena história como neste livro, ela é sempre pretexto para facilitar a compreensão do assunto de determinada área do conhecimento. No entanto, o texto expositivo não se restringe à transmissão de informações. Isso porque, no mundo atual, ocorreu uma incrível mudança com a crescente ampliação do campo do saber e o avanço da tecnologia, sobretudo no setor das comunicações, o que tornou a informação bastante acessível. Por isso mesmo, o leitor precisa ter condições de selecionar essas informações e de lançar sobre elas um olhar crítico, o que só é possível pelo desenvolvimento da autonomia do pensar e do agir. A formação do leitor autônomo supõe que a informação seja contextualizada: que parta do que é familiar ao aluno e, ao final, retorne à realidade vivida, para que não se reduza a abstrações, mas adquira sentido vital. Assim, o conhecimento deixa de ser uma aventura apenas intelectual, porque se encontra enriquecido por contornos afetivos e valorativos. Mais ainda, conhecer é um procedimento que vai além do esforço solitário da reflexão, porque se faz também pelo diálogo, pelo confronto de opiniões, que mobiliza cada um na busca de outras explicações possíveis ou na elaboração de novas indagações. Daí a importância de acrescentar às atividades individuais os trabalhos em equipe, os projetos coletivos, as discussões em classe, as assembléias. Preparando para a cidadania O O conhecimento contextualizado, inserido nas situações vividas, deixa de ser passivo, como acontece com o saber acabado e recebido de fora. De fato, quando o aluno consegue identificar os problemas e conflitos da realidade, tudo o que aprende adquire sentido novo para sua vida e para a comunidade. O saber incorporado ao

4 vivido é condição importante para a formação integral do aluno porque estimula a atitude crítica e responsável, preparando-o para se tornar um cidadão ativo na sociedade, membro integrante da comunidade e possível agente transformador. Longe, porém, de imaginarmos uma aula especial para ensinar valores aos alunos, estamos propondo que em cada disciplina sejam discutidos os laços indissolúveis entre o conteúdo estudado e os valores humanos. Isso significa que os temas éticos, políticos e estéticos devem ser realçados no processo de apropriação do saber como temas transversais, isto é, como temas que atravessam os diferentes campos do conhecimento. É o que veremos a seguir, a propósito deste livro. Explorando o texto Florinha e a fotossíntese N Nas plantas encontramos o movimento cíclico de toda a existência: nascimento, maturação, morte e transformação. O caráter simbólico dessa representação aparece na linguagem diária, quando perguntamos a alguém mais jovem quantas primaveras está fazendo, ou quando comentamos que alguém de mais idade está no outono da vida; quando denominamos semente para algo que será realizado; quando dizemos que nossas origens são raízes e tudo que produzimos são frutos; ou quando denominamos cultura tudo que produzimos por meio de idéias e ações. Como podemos ver, o laço que nos prende ao mundo vegetal é profundo porque, como aprendemos neste livro, a vida das plantas é indissociável da vida de qualquer ser que habita nosso planeta, porque é das plantas que recebemos o alimento para nossa sobrevivência e saúde, e ela faz parte do equilíbrio da natureza. No entanto, por que motivo temos nos afastado tanto dessas nossas companheiras? Basta ver como nas casas as pessoas costumam cimentar a frente e o quintal (talvez para não terem trabalho de limpar o barro quando chove) e como as ruas têm suas árvores cortadas para ampliar a via por onde corre um número cada vez maior de carros. Com saudades do verde, muitos compram plantas de plástico, como se a importância das verdadeiras fosse apenas nos alegrar a vista... Alguns governantes se esquecem de que jardins e parques enfeitam os bairros e nos trazem todas as vantagens de que o livro fala. E mais: nas cidades

5 cimentadas, a água da chuva não tem por onde escorrer, daí o risco maior de enchentes. Na zona rural a situação não é melhor, devido ao desmatamento impiedoso para construção de cidades, loteamentos clandestinos, pastos para gado, corte de madeiras nobres. Por isso foram criadas leis de proteção ao meio ambiente, que passou a ser considerado patrimônio público, por se destinar ao nosso uso coletivo e ao das próximas gerações. A criação de reservas florestais tem sido importante, mas bem sabemos que melhor seria se não precisássemos cuidar desse bem apenas em áreas restritas, e sim que todo ambiente se mantivesse equilibrado pelo desenvolvimento sustentável, como conseqüência da conscientização das pessoas a respeito do valor inestimável da flora. SUGESTÕES DE ATIVIDADES Lembramos que você não precisa, necessariamente, seguir todas as sugestões apresentadas, podendo selecionar as que são mais adequadas ao tempo disponível e ao interesse dos alunos. Algumas vezes, elas podem funcionar como inspiração para outras propostas, a partir de acontecimentos circunstanciais vividos na comunidade. Na última página deste suplemento, oferecemos breves pistas para algumas das perguntas formuladas. A seguir, apresentamos três momentos ou fases em que as atividades se dividem: estimular a classe para a leitura do livro; acompanhar os alunos durante a leitura, dando-lhes subsídios; verificar a compreensão dos conteúdos e sua fixação. ANTES DA LEITURA Essa fase tem por função sensibilizar o aluno para a leitura, levando-o a antecipar o conteúdo do texto por meio de hipóteses e a expressar o que já sabe a respeito do tema. É recomendável estimular o manuseio do livro: folheá-lo, observar as ilustrações, consultar o sumário, ler a 4 a capa, indagar sobre o significado do título, identificar a editora e o autor.

6 1. O nome Florinha lembra alguma coisa a vocês? O quê? 2. Será que as plantas se alimentam? O que vocês acham? 3. Vocês já ouviram falar em fotossíntese? Isso tem a ver com o quê? 4. Será que toda folha é verde? Vocês já viram folhas de outras cores? DURANTE A LEITURA Visando ao envolvimento do aluno, são apresentadas algumas questões e oferecidos subsídios para facilitar a leitura e contornar dificuldades, ajudando-o, por exemplo, a identificar a estrutura do texto ou esclarecendo alguma dúvida de vocabulário. Pode-se sugerir que sejam feitos os seguintes sinais a lápis nas margens do livro: (!) se alguma informação constitui novidade; (?) se outra não foi bem compreendida; ou (#) se o aluno não concorda com o autor em algum trecho. 1. A história desse livro é um diálogo entre dois personagens. Quem são eles e sobre o que conversam? (p. 3) 2. A folhinha explicou à Florinha a origem da palavra fotossíntese. Vocês se lembram da explicação? (p. 6) 3. Vocês sabem de que maneira conseguimos obter energia para o nosso corpo? (p. 9, 10) 4. Vocês acham importante termos o dia da árvore e o do meio ambiente? Por quê? 5. Vocês poderiam citar algumas utilidades das plantas para os seres humanos? APÓS A LEITURA Nessa fase, verifica-se inicialmente, por meio das questões sugeridas, o que o aluno aprendeu, se é capaz de contar o que leu, seja oralmente ou por escrito. Em seguida, a fim de finalizar a contextualização, retoma-se o entrelaçamento entre o assunto estudado e os problemas da vida cotidiana, provocando novas indagações que, muitas vezes, podem extrapolar a abordagem feita no livro.

7 Nesse momento, poderá ser revisto o item Explorando o texto Florinha e a fotossíntese. 1. Qual a principal substância de que somos feitos? (p. 10) 2. O que vocês entenderam sobre substâncias orgânicas? (p. 9) 3. A folhinha disse à Florinha que tudo na natureza se repete de forma equilibrada. O que ela quis dizer com isso? (p. 28) 4. O que vocês entenderam sobre clorofila? (p. 15) 5. As folhas que não são verdes também possuem clorofila? Por quê? (p. 31) 6. Por que os animais são muito úteis às plantas? (p. 28) 7. As plantas são feitas de toda a matéria orgânica construída pelas folhas. De que ingredientes é feita essa matéria? (p. 12 a 15) 8. Por que as plantas são importantes para todos os seres vivos na natureza? (p. 16, 17) 9. Sem a luz do Sol as plantas não produzem oxigênio, mas continuam respirando. É perigoso ter uma planta à noite no quarto? (p. 24) 10. Para pesquisar: a) Descubram algumas plantas que são utilizadas como remédio, como tempero e como base para xampus e perfumes. b) As leis de proteção ao meio ambiente. Atividades interdisciplinares Português: Imaginem que Florinha tenha recebido como presente dois vasos com plantas. Ela regou diariamente as plantinhas, porém um vaso ela colocou no claro e o outro, no escuro. Façam uma redação contando o que aconteceu com as plantinhas depois de algum tempo. Arte: Observem os desenhos das páginas 16 e 17. Expliquem o que vocês entenderam. Em seguida, criem desenhos que passem a mesma idéia, mas com outra planta e outros animais.

8 RESPOSTAS PARA ALGUMAS QUESTÕES As questões sem resposta são as que dependem de posicionamento pessoal do aluno. Durante a leitura 1. As personagens são Florinha e uma folha de primavera. Elas falam sobre o processo da fotossíntese e sobre a importância das plantas. 2. Fotossíntese, palavra que vem do grego, quer dizer fabricação usando luz. 3. Por meio dos alimentos que consumimos. Após a leitura 1. A principal substância de que somos feitos é o carbono, presente em todos os seres vivos. 2. As substâncias orgânicas são aquelas que fazem parte dos seres vivos, isto é, dos organismos: são a matéria de que somos feitos. 3. Ela quis dizer que tudo na natureza segue uma certa ordem e que um ser depende do outro. Assim como as plantas são úteis aos animais, os animais também são muito úteis às plantas. 4. É o pigmento verde que as plantas possuem, capaz de combinar água, carbono e energia solar para produzir a matéria orgânica de que são feitos os vegetais. 5. Sim. A clorofila dessas folhas está escondida por pigmentos de outras cores, que são mais fortes. 6. Os animais, depois de comer as plantas, produzem esterco, que serve de adubo para o solo, fazendo com que as plantas cresçam mais fortes. E há insetos, pássaros e outros animais que polinizam as flores, o que é indispensável para que sejam produzidos frutos e as sementes que vão gerar novas plantas. 7. Carbono, água, sais minerais (sais de cálcio, fósforo, nitrogênio...), a luz do Sol e a clorofila. 8. Porque elas são alimento para os herbívoros e estes são alimento para os carnívoros. A energia e o carbono que existiam na planta são passados para os herbívoros e destes para os carnívoros, como se fosse uma corrente (cadeia alimentar), que é uma forma de a natureza manter o seu equilíbrio.