1 FILOSOFIA Comentário Geral: A prova apresentou algumas mudanças em relação à dos anos anteriores. Isso tanto na utilização de textos que levaram os candidatos a ultrapassar a leitura e interpretação dos mesmos e partir para uma reflexão filosófica acerca dos filósofos e conteúdos abordados, quanto à escrita dos enunciados, que em algumas questões, propuseram um caráter de contextualização - característica bastante restrita em relação a outras provas de filosofia. Em relação aos filósofos indicados, a prova se ateve ao centro das discussões dos autores em suas obras e ofereceu maior facilidade para justificar/argumentar as respostas. Equipe de Professores de Filosofia Colégio Bom Jesus QUESTÕES Platão apresenta o sujeito caracterizando-o com a alma dividida em duas de suas três partes: no texto aparece uma que fica presa aos sentidos e outra que busca, através do cálculo, um caráter de verdade para o objeto. O sujeito estará mais próximo à verdade sobre o objeto observado se utilizar dessa última parte da alma e de suas ações.
2 Para Platão, a parte racional da alma, que mede e calcula se apresenta como a melhor para obtenção da verdade e do conhecimento, pois para o autor, essa parte imprime, a partir do texto, um processo de investigação, ao contrário da parte que apenas vê perturbadamente o objeto, pois ao se utilizar apenas da capacidade visual, o indivíduo pode ser levado a uma ilusão ótica revelando assim a fraqueza de nossa natureza, que seria crer no ilusionismo do pintor como sendo a verdade, por exemplo. COMENTÁRIO: QUESTÕES 01 E 02 Texto e enunciados são claros e levam o candidato a identificar as características da Teoria do Conhecimento platônica. Se lido com atenção, o texto proposto fornece as informações necessárias para que se responda com correção o solicitado nos enunciados. No texto, Platão deixa claro que os sentidos, exemplificado pela visão e suas perturbações, são inferiores ou insuficientes para levar o homem ao cominho correto da busca da verdade. O caminho correto para Platão é aquele trilhado pela investigação racional, exemplificado no texto pelo cálculo, que nada mais é que uma comprovação racional. Maquiavel aponta que o homem precisa estar aberto às interferências e às mudanças que as circunstâncias e a época possam trazer ao que o indivíduo apresenta como características de sua natureza. Enquanto sua natureza lhe proporcionar resultado vitorioso ela é válida, porém, se as circunstâncias apresentar dificuldades na busca de um resultado positivo, é preferível que este indivíduo mude as características de sua natureza conforme as solicitações que as circunstâncias lhe fizer e assim, este alcance o sucesso em sua tomada de decisão. COMENTÁRIO: Ao apontar a importância das circunstâncias para que o governante defina sua postura ou sua ação, o autor está explicando porque o nome de sua teoria política é Realismo Político. A resposta ao enunciado da questão está presente no texto quando este afirma que ao bom governante é necessário estar atento às ações que deva tomar para se chegar a resultados vitoriosos, mesmo que essas ações não façam parte, em um primeiro momento, da natureza daquele governante.
3 A disputa deveria levar os indivíduos a ter acesso à verdade, porém, para o autor, as disputas avaliadas por ele estão presas, demasiadamente, a justificar apenas o verossimilhante, deixando de lado a verdade. Descartes compara a discussão acadêmica com o diálogo do direito, uma como disputas de conceitos ou pesquisas e outra como disputa de argumentações. Para o autor, ambas se apresentam como formas errôneas da busca do conhecimento, pois as duas exercitam-se bem mais em fazer valer a verossimilhança, ou seja, não busca saber a verdade, mas apenas o que ela aparenta ser. A partir do texto, Descartes afirma que o fato de o indivíduo ser considerado um bom advogado durante muito tempo é baseado apenas em sua aptidão para justificar a aparência dos fatos através de seus argumentos. Como não houve, nesse período, a busca e a compreensão da verdade em si, o tempo não seria critério que daria ao advogado condições de ser um bom juiz, pois não teria pressupostos para exercer tal função. COMENTÁRIO: QUESTÕES 04, 05 E 06 Analisando a história das provas de filosofia da UFPR, essas três questões diferem ao apresentar a possibilidade de o candidato contextualizar seus conhecimentos com os abordados no texto. O tema central das questões é identificar as diferenças entre atingir o verossimilhante e a verdade em si, o que para Descartes, apenas o método racional dá condições para que o indivíduo tenha acesso à essência do que se busca, ou seja, à verdade.
4 Platão enfatiza que a arte que visa o uso é a que cabe a primazia no julgamento dos objetos, pois esta, ao contrário da que visa fabricação, que vai se utilizar das informações passadas pela primeira para fabricar o utensílio e ao contrário da que visa a imitação, que não terá nem ciência, nem opinião correta sobre o utensílio, é a que visa o uso que vai açambarcar qual é a finalidade do utensílio, ou seja, esta saberá qual é a sua essência. COMENTÁRIO: QUESTÃO 07 Em mais uma prova pergunta-se sobre as características da Epistemologia platônica. A dicotomia entre razão e sentidos, essência e aparência, está explicitada através da utilização dos três tipos de artes no texto: a que visa o uso, a fabricação e a imitação. Nessa questão, o enunciado abre para que o candidato ao ler e interpretar o texto apresente com mais autonomia e clareza uma reflexão filosófica acerca de seus conhecimentos em relação ao autor e sua teoria.
5 Ambos os textos apresentam a necessidade do governante manter seu governo através da Virtú. O indivíduo governante vai ser considerado bom, a partir da teoria política maquiaveliana, o quanto mais antever suas ações no intuito de nunca ser pego de surpresa e fazer com que seus resultados sejam apenas fruto de suas escolhas e não de algo inesperado, a fortuna. COMENTÁRIO: Atendendo às expectativas em relação às questões sobre o pensamento e obra de Maquiavel, nessa questão, os textos evidenciam as características da Virtù e da Fortuna maquiavelianas, conceitos amplamente abordados na obra O Príncipe. Como existencialista que é, Ponty critica o racionalismo clássico que elenca o normal e o anormal, definindo o normal como coerente, na sequência ele propõe, baseado na liberdade e na natureza do homem, uma coerência que é fruto de um processo de construção do homem. Se a coerência clássica é finita e limitadora para Ponty, a coerência deve levar em consideração que o mundo do homem é inacabado. Ao partir do princípio que o pensamento do adulto, seja considerado único pensamento válido, Ponty aponta que, ao deixar de lado as dimensões que fazem parte da existência do homem (criança, primitivo e doente), chegar-se-á à situação de não abordagem ou análise do homem na sua totalidade e de apenas uma de suas partes. COMENTÁRIO: QUESTÕES 09 E 10 Apesar de serem indicados pela universidade, outros capítulos da obra de Merleau Ponty, o tema central acerca desse autor continuou sendo a constituição do homem. Devemos levar em consideração os conceitos de liberdade e totalidade do existencialismo para tal constituição.