PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

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Transcrição:

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS Conjunto de normas que norteiam o ordenamento jurídico tributário não ultrapassar o limite do razoável, tendo em vista que a tributação implica na restrição ao direito de propriedade dos contribuintes. Normas a serem seguidas pelo legislador tributário, pela administração tributaria (fisco) e pelos Tribunais, principalmente Judiciais (quanto aos Tribunais Administrativos a polêmica é grande, mas a doutrina majoritária entende que é possível a aplicação, desde que não caracterize declaração de inconstitucionalidade de lei). Considerados como direitos e garantias fundamentais do contribuinte possuem sua base no art. 5º da CF que trata dos direitos e garantias fundamentais do homem. I) PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Fundamento constitucional: art. 145, 1º, da CF Determina que: Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. Ao se instituir o imposto, deve-se ver que o rico pague mais que o pobre. Tem como fundamento a Justiça Fiscal. recolhe mais, quem pode mais. Deve ser levada em conta à capacidade econômica do contribuinte e, até mesmo, se ele tem capacidade de arcar com qualquer tributo. Duas são as principais técnicas: a. Possibilidade de dedução de despesas (IRPJ) despesas médica, odontológicas e de ensino. b. Progressividade de alíquotas ou proporção ao aumento da base de calculo (IPTU, ITCD). Ex: Pessoa com imóvel mais caro, paga mais caro, mediante uma alíquota mais alta. Um imóvel numa zona nobre, tem a alíquota mais cara, um imóvel numa zona mais pobre, alíquota menor. Expressão sempre que possível, não permite ao fisco ou ao legislador tributário aplicar o principio da capacidade contributiva apenas quando desejar. Tem-se entendido que a expressão obriga a graduação dos tributos segundo a capacidade econômica do contribuinte sempre que tecnicamente possível. O art. 145, 1º da CF fala apenas em impostos, o principio vale para os tributos em geral? a. Para o fisco: não; apenas os impostos devem observar o principio (interpretação análoga). b. Para a doutrina: sim, o objetivo do principio é a justiça fiscal, não tem porque não aplicar para todos os tributos (interpretação sistemática). Exemplos da aplicação do principio da capacidade contributiva a outros tributos que não são impostos: - progressividade da taxa judiciária quanto maior a causa, maior o percentual. 1

- -alíquotas diferenciadas para as contribuições para a seguridade social, a cargo do empregador, em razão da atividade ou da utilização intensiva de mão-de-obra (art. 195, 7º, CF). O fisco (administração tributária) deve observar o principio de capacidade contribuinte? Questão controvertida. A doutrina se divide e a jurisprudência entende que não. OBS.: Eu acredito que o fiscal não precisa obedecer, mas o Tribunal Administrativo sim e o Poder Judiciário ainda mais. II) PRINCIPIO DA LEGALIDADE Fundamento constitucional geral: art. 5º, inciso I da CF principio da legalidade em termos gerais (todos os ramos do Direito): Ninguém é obrigado a fazer uma coisa se não em virtude da lei. Fundamento constitucional específico para o Direito Tributário: art. 150, inciso I, da CF Principio da Estrita Legalidade Tributária. Determina que: É vedado (proibido) exigir ou aumentar tributo (todas as espécies) sem que a lei (lei no sentido técnico da palavra) o estabeleça. Principio fundamental para o direito tributário, tendo como base: a. A segurança jurídica. b. A democracia. Vai alem de simples determinação para que o poder legislativo trate da matéria tributaria: significa que na lei devem estar presentes todos os aspectos relevantes para a incidência do tributo: quem deve pagar, quanto, a quem e em decorrência de quais fatos. Ex.: se alguém deve pagar um tributo, todos os elementos dessa cobrança devem estar previstos em lei, não ficando a cargo da vontade do fisco. No Código Tributário Nacional, o Principio da Legalidade está presente no art. 97, que aprofundou ainda mais no seu conteúdo. Muito consideram que o art. 97 do CTN traduz um outro principio derivado da legalidade, o principio da tipicidade tributaria. IMPORTANTE: a lei normalmente exigida pela CF para a criação e aumento de tributos é a LEI ORDINÁRIA, nos casos em que é necessária a LEI COMPLEMENTAR, a CF menciona expressamente. Exemplos: - Imposto de competência residual da União; - Imposto sobre grandes fortunas; - Empréstimos compulsórios; - Contribuições sociais para seguridade social não previstas nos incisos I a IV do art. 195 da CF (novas fontes de custeio da seguridade social). 2

EXCEÇÕES: 1) Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto de Produtos Industrializados, Imposto sobre Operações Financeiras segundo o art. 153, 1º, da CF A União Federal pode aumentar a alíquota desses impostos mediante Decreto baixado pelo Presidente da República. As exceções referem-se à tributos com impostos direto na legislação da economia e relações internacionais. O poder executivo precisa de agilidade Caráter extra-fiscal interferir na economia e nas relações internacionais. Podem os tributos ser reduzidos por normas inferiores às leis? Não, o art. 97 do CTN proíbe, mas ainda que não proibisse uma lei somente pode ser modificada ou revogada por outra lei ou por ato hierarquicamente superior. III) PRINCIPIO DA IGUALDADE OU DA ISONOMIA Fundamento constitucional geral: a igualdade é o principio fundamental do direito, previsto em termos gerais no art. 5º, caput da CF. Fundamento constitucional específico para o Direito Tributário: art. 150, II da CF. É proibido à União Federal, Estados, Municípios e DF conferir tratamento desigual a contribuintes na mesma situação. A Lei deve tratar igualmente os contribuintes que se encontram em situações jurídicas semelhantes e tratar desigualmente aqueles que estão em situação desigual, na medida de suas diferenças. Pode ser analisada sob 2 aspectos: a. Para o aplicador da lei (ente tributário) diante da lei, todos que nela se enquadram devem ficar sujeitos a suas disposições. Não se pode aplicar a lei para uns e esquecê-la para outros. b. Para o legislador (aquele que faz as leis) Não se pode criar leis com tratamentos diversos para contribuintes na mesma situação, mas é recomendável que a lei trate de forma diferente aqueles em situação distinta. Ex: A lei não pode criar alíquotas menores para as empresas que fabricam calçados azuis, mas pode reduzir as alíquotas dos tributos para as micro e pequenas empresas em geral. IV) PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA Proibição de que uma lei editada hoje seja aplicada para fatos ocorridos no passado (antes de sua publicação). 3

Princípio geral do direito que determina que a norma jurídica projeta sua eficácia para o futuro (somente vale posteriormente a sua criação): Decorre principalmente, do principio da segurança jurídica. Fundamento constitucional específico para o Direito Tributário: art. 150, inciso III, a da CF. Determina que é vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes da lei que os instituiu ou aumentou. Ex: Uma lei publicada hoje aumenta a alíquota do IPVA para 10% do valor do veículo. Um dos seus artigos determina que os contribuintes devem recolher a diferença ainda referente ao presente ano. É possível? NÃO! Somente no exercício seguinte da data de hoje, pois uma lei publicada hoje não pode voltar para data em que era devido o IPVA. ATENÇÃO: O lançamento do tributo deve se dar em atenção à lei vigente à época do fato gerador (art. 144 do CTN) não é afronta ao Principio da Irretroatividade, pelo contrário, determina sua obediência. EXCEÇÕES : a) Art. 106, I do CTN - Quando a lei for meramente interpretativa: é possível porque não há inovação. b) Art. 106, II do CTN quando se trata de penalidade mais benéfica ao contribuinte: Principio da Irretroatividade Benéfica ou Benigna OBS.: As disposições do art. 106 do CTN não são verdadeiras exceções ao principio, pois não se trata de instituir ou aumentar TRIBUTOS. V) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Consolidação do chamado Princípio da não-surpresa : o contribuinte não pode ser pego de surpresa no que se refere às alterações tributárias ocorridas ao longo do exercício, o que alteraria seu planejamento financeiro. A Constituição determina duas previsões para a anterioridade: a. Anterioridade propriamente dita ou Anterioridade Anual: art. 150, inciso III, b da CF: é vedado cobrar tributo no mesmo exercício financeiro em que foi publicada a lei que o instituiu ou aumentou os aumento dos tributos ou a instituição (criação) de tributos novos só pode ser exigida do contribuinte no ano seguinte ao da publicação da lei. b. Anterioridade Nonagedimal: O princípio foi ampliado com a Emenda Constitucional nº 42/03, sendo incluída a alínea c no inciso III do art. 150 da CF: Além de somente ser possível cobrar tributos no exercício seguinte ao da lei que o instituiu ou aumentou, há necessidade de um intervalo mínimo de 90 dias entre a lei e a exigência do tributo objetivo: evitar os pacotes tributários no final do ano. 4

Exs: 1) Uma lei que aumenta alíquota do IPTU foi publicada em 27/06/07 ela passará a valer a partir de 01/01/08. 2) Uma lei que amplia a base de calculo do ICMS foi publicada em 30/11/07 ela somente passará a valer em 01/03/08. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SEGURIDADE SOCIAL O Princípio da Anterioridade vale para os tributos em geral, mas as contribuições sociais para a seguridade social têm regras especificas na CF. Art. 195, 6º, CF: não precisam observar a regra do exercício seguinte, apenas deve-se olhar 90 dias da publicação da lei esse ficou sendo chamado de Princípio da Anterioridade para Seguridade Social ou, simplesmente, noventena. PRINCIPAIS EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Fundamento Constitucional: art. 150, 1º da CF. Podem ser divididas em três grupos: a. Tributos que não precisam observar nem a Anterioridade Anual (art. 150, III, b, CF), nem a Anterioridade Nonagesimal (art. 150, III, c, CF) já valem no dia seguinte ao de publicação da lei que os instituiu ou aumentou: 1. Empréstimos compulsórios em decorrência de guerra ou calamidade pública (art. 148, I da CF). 2. Imposto Extraordinário de guerra (art. 154, inciso II, CF). 3. I.I., I.E. e IOF (art. 153, I, II e V). b. Tributo que deve observar apenas a Anterioridade Anual (art. 150, III, b, CF) vale no mesmo exercício, bastando que seja observado o intervalo de 90 dias entre a lei e a cobrança do tributo: 1. IPI (art. 153, inciso IV, CF). c. Tributo que deve observar apenas a Anterioridade Nonagesimal (art. 150, III, c, CF) vale no exercício seguinte, ainda que o intervalo entre a lei e a cobrança seja de menos de 90 dias: 1. IR (art. 153, inciso III, CF). VII) PRINCIPIO DA NÃO LIMITAÇÃO AO TRÁFEGO DE PESSOAS E BENS Fundamento constitucional: art. 150, V, CF. É vedada a utilização de tributos interestaduais e intermunicipais como limitação do tráfego de pessoas e bens, com ressalva a cobrança de pedágio. Fundamentos Liberdade de ir e vir e o Princípio do Federalismo. 5

O princípio do proíbe que um ou mais estados causem dificuldade à entrada ou saída de pessoas ou bens através da criação de tributos. Obs.: O STF já decidiu que o pedágio é tributo Taxa pela prestação de serviço de conservação de estradas. Isso quando cobrado diretamente pelo Poder Público. Quando é repassado a empresas privadas (mediante concessão), acredito que ele tenha a natureza de Tarifa (Preço Público). VIII) PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DE DETERMINADOS IMPOSTOS A) Não-cumulatividade - Princípio específico para o ICMS e o IPI obrigatório nesses casos, pois a própria Constituição exige. - O PIS e a COFINS também podem ser não-cumulativos (não é obrigatório, é a lei ordinária que determina). - Visa evitar o efeito cascata dos tributos (incidência de tributo sobre tributo), tentando minimizar a carga tributária. - Significa descontar, em cada etapa do processo de produção ou comercialização de mercadorias o imposto que foi recolhido nas etapas anteriores. Ex: Preço inicial mercadoria = 1.000,00 Alíquota do ICMS = 10% MERCADORIA = 1200,00 MERCADORIA 1500,00 (INDÚSTRIA) (ATACADISTA) (COMÉRCIO) CONSUMIDOR ICMS = 100,00 CRÉDITO = 100,00 CRÉDITO = 120,00 DÉBITO = 120,00 DÉBITO = 150,00 ICMS = 20,00 ICMS = 30,00 B) Seletividade (em razão da essencialidade) - Obrigatório no IPI. - Facultativo no ICMS (pode ser ou não seletivo, dependendo do legislador). - O ente público deve observar a essencialidade das mercadorias, aplicando uma tributação mais pesada nas mais dispensáveis e mais branda nas mais fundamentais. Ex: O IPI do cigarro é cobrado em alíquota bem maior do que a dos fogões, chuveiros, etc. C) Progressividade - As alíquotas podem aumentar em razão do aumento do valor dos bens. - Visa tributar mais os mais ricos (observar a capacidade contributiva). Ex: 1) IPTU art. 156, 1º, I e II, CF 2) ITR art. 153, 54º, I, CF 6