CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA MÓDULO 6

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Transcrição:

CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA MÓDULO 6

Índice 1. Deduções da base de cálculo...3 1.1 Base de cálculo, alíquotas e despesas... 3 1.2 Exemplo numérico com deduções... 3 2. Faturamento bruto/receita bruta regime não-cumulativo...4 2.1 PIS e COFINS nas empresas tributadas pelo lucro real... 4 2.2 Total de receitas... 5 2

1. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO Após considerar todas as receitas tributadas pelo PIS e COFINS, a empresa poderá deduzir da base algumas despesas, especialmente aquelas apresentadas como deduções da receita bruta na demonstração do resultado. São elas: a) vendas canceladas; b) devolução de vendas; c) descontos incondicionais concedidos, incluindo bonificações. 1.1 BASE DE CÁLCULO, ALÍQUOTAS E DESPESAS A base de cálculo do PIS e da COFINS para todas as empresas tributadas pelo lucro presumido ou com seu lucro arbitrado é obtida através da seguinte fórmula: Após encontrar a base de cálculo, são aplicadas as alíquotas de 0,65% para o PIS e de 3% para a COFINS. 1.2 EXEMPLO NUMÉRICO COM DEDUÇÕES Suponha que a Cia. Caiçara seja uma empresa comercial, tributada pelo lucro presumido e que apresentou, em janeiro de 2007, as seguintes contas de resultado: receita com revenda de mercadorias: R$ 500.000; devolução de vendas: R$ 10.000; descontos incondicionais concedidos: R$ 25.000; descontos financeiros concedidos: R$ 5.000; receitas financeiras: R$ 4.000; receita com aluguel de espaço: R$ 1.000; ganho na venda de bens do imobilizado: R$ 6.000; Obs.: 20% das revendas são de produtos com tributação monofásica. As devoluções e os descontos são de produtos tributados normalmente. Veja no quadro a seguir o cálculo do PIS e da COFINS da Cia. Caiçara: 3

2. FATURAMENTO BRUTO/RECEITA BRUTA REGIME NÃO- CUMULATIVO O regime não-cumulativo é utilizado nas empresas tributadas pelo lucro real (este assunto, lucro real, é objeto da disciplina Planejamento Contábil Tributário). 2.1 PIS E COFINS NAS EMPRESAS TRIBUTADAS PELO LUCRO REAL A empresa tributada pelo lucro real será obrigada a utilizar o método nãocumulativo, com um cálculo bem mais complexo em relação às empresas tributadas pelo lucro presumido ou que tenham seu lucro arbitrado. As empresas obrigadas ao cálculo do PIS e COFINS pelo método nãocumulativo pagam as contribuições com alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Mas essas empresas podem deduzir os créditos permitidos expressamente em lei. O sistema de registro de créditos do PIS, inicialmente, parecia guardar similaridade com o modelo adotado para o ICMS e IPI. Entretanto, não foi o que aconteceu na regulamentação feita através das leis que instituíram o método não-cumulativo para PIS e COFINS. O legislador citou expressamente os itens que permitem crédito de PIS (e posteriormente confirmou isso na COFINS), definindo claramente, em alguns casos, os itens que não permitem crédito, como, por exemplo, os gastos com mão-de-obra. A seguir, serão apresentadas as regras de tributação de PIS e COFINS das empresas tributadas pelo lucro real, lembrando que existem empresas que, mesmo no lucro real, devem efetuar o cálculo das contribuições de outra forma; por exemplo: 1. as empresas submetidas ao modelo de tributação monofásica; por exemplo, as refinarias e as indústrias de bebidas; 2. as instituições financeiras e empresas equiparadas; 4

3. as empresas com previsão de tributação de parte de suas receitas pelo método não-cumulativo, como o setor de telecomunicações. 2.2 TOTAL DE RECEITAS O cálculo da COFINS e do PIS nas empresas tributadas pelo lucro real tem a base inicial igual ao cálculo pelo lucro presumido: a totalidade das receitas da empresa. Basta considerar no balancete o grupo receitas e informar seu total. Contudo, existem algumas receitas que não são tributadas pelas contribuições para o PIS e a COFINS. Basicamente, as exclusões permitidas no lucro real são as mesmas permitidas no lucro presumido e que foram apresentadas no item anterior. Todavia, o Decreto nº 5.164/04 diz que as receitas financeiras são excluídas das bases de PIS e COFINS nas empresas que utilizam o método não-cumulativo, a partir de agosto de 2004. A exclusão é permitida mesmo quando a empresa utiliza o método não-cumulativo apenas para parte das receitas. Uma companhia aérea, por exemplo, que tributa as receitas com prestação de serviços de transportes de cargas pelo método não-cumulativo tem direito de excluir as receitas financeiras das bases das contribuições, pois parte de suas receitas foi submetida ao método não-cumulativo. São consideradas receitas financeiras: 1. juros ativos, descontos obtidos e renda com aplicações financeiras (art. 373 do Decreto nº 3.000/99); 2. variação cambial ativa (Lei nº 9.718/98); 3. juros sobre contrato de mútuo (IN SRF nº 7/99); 4. operações de cobertura hedge (IN SRF nº 123/99); 5. juros sobre capital próprio (art. 30 da IN SRF nº 11/96). O Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, revogou o Decreto nº 5.164/04, para incluir entre as receitas financeiras excluídas aquelas decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, inicialmente proibidas no Decreto nº 5.164/04. O normativo define claramente que o valor recebido a título de juros sobre capital próprio integra a base de PIS e COFINS, qualquer que seja o método adotado. Portanto, as receitas financeiras continuam tributadas, a princípio, pelas empresas que adotam o método cumulativo, ou seja, aquelas tributadas pelo lucro presumido ou que tenham seu lucro arbitrado. 5