Avaliação Urodinâmica

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Transcrição:

Avaliação Urodinâmica Redigido por Dra. Miriam Dambros Objetivo: Possibilitar ao aluno o aprendizado dos conhecimentos básicos do estudo urodinâmico, dando condições ao mesmo de compreender e interpretar os principais traçados encontrados durante o estudo, em mulheres com queixas de incontinência urinária. Introdução e fundamentação teórica: O exame urodinâmico ocupa lugar de destaque entre os métodos diagnósticos solicitados e realizados pelo urologista, tanto pela qualidade de informações obtidas como pelo número crescente de exames realizados. O estudo urodinâmico está indicado nos pacientes que apresentam incontinência urinária, obstrução infravesical e disfunção vesical de origem neurogênica primária ou adquirida, sendo utilizado como exame diagnóstico e de seguimento. Contudo, é um exame invasivo, não isento de complicações, de longa duração e dividido em diversas etapas, cada qual com seu grau de exposição física e de desgaste emocional ao paciente. Os distúrbios miccionais na mulher estão relacionados com alterações funcionais da bexiga (detrusor) e/ou da uretra (esfíncteres), levando a um quadro de incontinência urinária. As causas mais freqüentes de incontinência urinária na mulher são instabilidade do detrusor e incontinência urinária de esforço (IUE). Outras causas menos freqüentes são a incontinência por transbordamento e a baixa complacência vesical. A incontinência por transbordamento é a perda de urina na capacidade vesical acima do normal. Está associada com esvaziamento vesical incompleto devido à diminuição da contratilidade do detrusor ou à obstrução infravesical. A baixa complacência vesical é a diminuição da relação volume/pressão durante a fase de enchimento vesical. Importante salientar que a bexiga é uma testemunha não confiável! Em pacientes com sintomas de incontinência urinária de esforço, na avaliação urodinâmica demonstrou-se instabilidade do detrusor em 16% dos casos. Enquanto, em pacientes com sintomas de instabilidade do detrusor, 22% apresentaram no estudo urodinâmico incontinência urinária de esforço, portanto, se considerarmos apenas os aspectos clínicos para classificar a incontinência urinária na mulher corre-se um risco de 38% de erro no diagnóstico do tipo da incontinência urinária. No estudo urodinâmico, para se pesquisar o diagnóstico da incontinência urinária, são importantes à fase de enchimento vesical, manobras de esforço que constitui o teste de esforço (TE) e a pressão de perda sob esforço (PPE) e a fase de micção.

A fase de enchimento vesical pode-se observar contrações involuntárias do detrusor, que caracteriza o diagnóstico de instabilidade do detrusor. Nos casos em que ocorre aumento progressivo da pressão vesical com o aumento do volume infundido indica baixa complacência do detrusor. As manobras de esforço geralmente são realizadas com a paciente em posição de pé e com a bexiga cheia. O teste de esforço consiste em orientar a paciente a realizar manobra de tosse e assim verifica-se se ocorre perda de urina. Esse teste auxilia somente a diagnosticar IUE. A pesquisa da pressão de perda sob esforço (PPE) registra a menor pressão vesical ou abdominal que causa perda urinária na ausência de contração do detrusor. Com isso pode-se classificar o tipo de incontinência urinária de esforço (hipermobilidade uretral ou insuficiência intrínseca do esfíncter). Entretanto, as últimas publicações têm sido controversas acerca do emprego e das vantagens da PPE no diagnóstico do tipo da IUE. A fase miccional é importante para avaliar a contratilidade do detrusor. Quando a pressão do detrusor é baixa e a paciente não consegue esvaziar completamente a bexiga considera-se hipocontratilidade do detrusor. Entretanto, pode contribuir para o diagnóstico de instabilidade do detrusor quando é demonstra contração involuntária pós miccional e sintomática do detrusor. A fase de esvaziamento vesical é importante para determinar se existe fator obstrutivo infravesical, que na mulher, muitas vezes é de difícil caracterização. Considera-se suspeita de obstrução infravesical na mulher, quando a fluxometria máxima (Qmax) for menor que 12 ml/s e a pressão do detrusor, durante o fluxo urinário máxima, for superior a 20 cm.h 20, tendo como sensibilidade e especificidade no diagnóstico de obstrução de 74,3% e 91,1%, respectivamente. Groutz e Blaivas construíram nomograma de obstrução infravesical na mulher, utilizando parte dos princípios já citados, porém considerando a fluxometria livre e a pressão do detrusor máxima durante o esvaziamento vesical. Consideramos que a avaliação urodinâmica deva ser realizada nos casos de dúvida da etiologia da incontinência urinária e nas pacientes que realizaram tratamento cirúrgico para IUE sem sucesso. É importante lembrar que muitas pacientes apresentam mais de uma causa de incontinência urinária ou incontinência urinária mista. Principais definições e conceitos Princípios do estudo urodinâmico: equipamento seguro local privativo e confortável controle de infecção capacidade técnica do investigador conhecer a reprodutividade de seus exames

A avaliação urodinâmica consiste de vários componentes, nos quais se incluem: a. fluxometria b. cistometria c. estudos miccionais de fluxo e pressão d. estudos de pressão uretral e. eletromiografia do esfíncter uretral externo f. videourodinâmica Preparo necessário para o estudo urodinâmico - Explicar o procedimento ao paciente. História e exame físico - A obtenção de um diário miccional é aconselhável - Excluir infecção do trato urinário - Evitar realizar o estudo imediatamente após instrumentação urológica - Antiobioticoprofilaxia deve ser realizada em pacientes com risco de endocardite bacteriana. Fluxometria O fluxo urinário é uma das variáveis do ato miccional que pode ser avaliada tanto pela simples observação visual do jato urinário, como por registro gráfico. A uro-fluxometria é a medida do fluxo urinário (volume de urina que passa pela uretra em uma unidade de tempo) e que é expressa em ml/s. Pode ser registrada em gráficos em que o eixo das coordenadas representa o tempo e o das ordenadas, os fluxos instantâneos, possibilitando a construção de gráficos que retratam o ato miccional de determinado paciente. Representa, em última análise, a resultante final da integração de fatores relativos à função vesical e uretral como a contratilidade vesical, o relaxamento uretral adequado sem presença de obstrução mecânica infravesical e a participação de mecanismos auxiliares, como prensa abdominal. O ato de micção integra fatores mecânicos, neurológicos e psicossociais que podem interferir na realização e interpretação da fluxometria. Importante: Deve-se orientar o paciente para que obtenha o enchimento vesical por diurese espontânea e realize a micção quando sentir desejo normal para urinar. Os fluxos mais representativos e reproduzíveis são aqueles com volumes entre 200 e 400 ml.

Parâmetros da fluxometria Fluxo ml/s Fluxo máximo Volume urinado Tempo para Qmáx Volume urinado: é calculado pela área sobre a curva no gráfico Tempo de fluxo: tempo total desde o início até a conclusão da micção Fluxo máximo: fluxo urinário máximo observado na curva Tempo para fluxo máximo: tempo que transcorre do início do fluxo até o fluxo máximo Resíduo miccional pós miccional Volume vesical total: volume urinado + resíduo pós-miccional Interpretação da fluxometria - tempo de espera antes da micção - tempo para o fluxo máximo - fluxo máximo - padrão da curva - volume - tempo de fluxo e tempo de micção Sexo Feminino Idade < 50 anos > 50 anos Fluxo máximo > 25ml/s > 18ml/s As curvas alteradas podem exibir vários padrões, exemplos serão vistos no módulo prático.

Cistometria Relaciona a pressão-volume durante o enchimento vesical. Fornece informações sobre: - acomodação vesical durante o enchimento vesical - controle nervoso central do detrusor - controle sensorial Mensurações realizadas durante o enchimento: - pressão intravesical medida continuamente anestesia local para cateterização, introdução e fixação dos cateteres - pressão intra-abdominal estimada a partir da pressão retal ou vaginal - pressão detrusora oriunda das forças passivas e ativas da parede vesical - fluxo urinário para detectar perdas Cuidados técnicos na realização da cistometria - meio para enchimento vesical: solução salina fisiológica - cistometria com gás: subestima a CCM em 20%, irritante da mucosa, não é fisiológica, não é possível análise da micção. - temperatura da solução e da sala de procedimento - posição do paciente - velocidade de enchimento velocidade lenta: < 10ml/s velocidade mediana: 10 a 100ml/s (ideal 30-50 ml/min; > 75ml/min teste provocativo para avaliar bexiga instabilidade detrusora. velocidade rápida: > 100ml/s (avaliar arreflexia) - tipos de cateteres: conectados a transdutores de pressão externos; cateteres com microtransdutores na ponta. A cistometria oferece informações a respeito dos seguintes parâmetros: 1. Sensibilidade vesical:

- aumentada diminuída ausente normal 2. Atividade detrusora - presença de contrações involuntárias/ instabilidade vesical 3. Complacência vesical - observada nos gráficos de pressão e volume e dada pela fómula DV/DP. Baixa complacência Complacência normal Complacência elevada < 30 ml/cm H2O 30 55 ml/cmh20 > 55cm/cmH20 4. Capacidade cistométrica máxima: é o volume no qual o paciente tem um forte desejo de urinar 5. Função uretral durante o enchimento 6. Fechamento uretral normal ou incompetente Estudos miccionais de fluxo e pressão Estudos de fluxo-pressão são essenciais para uma classificação funcional completa das desordens do TUI. Durante a micção, pressão intravesical e fluxo urinário são mensurados continuamente. P premic P aber P Qmáx P abd máx P Abd P Ves P Detr Pves máx Pdet máx Fluxo Qmáx T abertura Definição dos parâmetros

1. Tempo de abertura: tempo entre a elevação da pressão do detrusor e o início do fluxo. Tempos prolongados ocorrem em obstruções das vias de esvaziamento do trato urinário inferior. 2. Pressões pré-miccionais: pressão imediatamente anterior ao início da contração da micção 3. Pressões de abertura: pressão registrada no início da micção. 4. Pressões de fluxo máximo: é a pressão que ocorre durante o fluxo máximo. 5. Pressão vesical máxima: pressão máxima de micção independentemente do fluxo. 6. Pressão de contração no fluxo máximo: Pves no fluxo máximo Pves pré-miccional. Possíveis diagnósticos de acordo com Qmáx e Pdet Fluxo Pressão Diagnóstico Normal Normal/baixo Não obstruído Normal Alto Obstruído Baixo Alto Obstruído Baixo Normal Equivocada Baixo Baixo Não obstruído Estudos de pressão uretral O perfil de pressão uretral avalia a pressão ao longo da uretra e avalia a pressão de fechamento uretral ao longo do trajeto compreendido entre o colo vesical e o meato uretral externo. Indicações: - avaliação da IUE - durante terapia com biofeedback para refletir a atividade esfincteriana como uma alternativa à EMG - avaliar obstrução infra-vesical - pesquisa

Perfil uretral em mulheres Pressão uretral máxima Pressão uretral máxima de fechamento Comprimento funcional Comprimento total Classificação da função uretral durante o esvaziamento vesical 1. mecanismo de fechamento uretral normal 2. mecanismo de fechamento uretral incompetente Artefatos 1. deslocamento do cateter durante manobras 2. cateteres rígidos Eletromiografia - resposta aos potenciais elétricos gerados pela despolarização dos músculos estriados envolvidos no mecanismo de continência - avaliação do esfíncter uretral estriado, o esfíncter anal ou os músculos do assoalho pélvico ou todos simultaneamente. Tipos de eletrodos que podem ser empregados: - eletrodos de agulha: avalia os sinais eletromiográficos de uma denervação aguda ou crônica da musculatura

- eletrodos de superfície: avalia os parâmetros eletromigráficos simples e refletindo a atividade total dos esfíncteres estriados Interpretação depende: - habilidade do paciente de contrair e relaxar o esfíncter - presença ou ausência do reflexo de relaxamento do esfíncter durante a contração detrusora - relaxamento esfincteriano involuntário durante a fase de continência Padrões encontrados: - perda do controle voluntário - dissinergia esfíncter-detrusora ou incoordenação detrusor-esfíncter - relaxamento esfincteriano não inibido - artefatos Videourodinâmica - reservada para casos onde há chances de anormalidade anatômica coexistindo com disfunção uretral e vesical - obtém-se imagens do trato urinário no repouso e no esforço, durante o enchimento e micção Indicações em mulheres: - suspeita de obstrução infravesical - disfunção vesico-uretral neuropática Referências bibliográficas: 1. D Ancona CAL. Diagnóstico da incontinência urinária na mulher. In: D Ancona CAL, Rodrigues Netto N Jr. Editores. Aplicações clíncas da uordinamica 3ª edição. São Paulo, Editora Atheneu 2001, 139-43. 2. Blaivas JG. The bladder is na unreliable witness. Neurorol Urodyn, 15: 443-5,1996. 3. Jacson S. Female urinary incontinence symptom evaluation and diagnosis. Eur Urol, 32 (suppl2): 20-24, 1997. 4. McGuire EJ, Fitzpatrick CC, Wan J et al. Clinical assessment of urethral sphincter function. J Urol, 150: 1452-4, 1993. 5. Nitti VW, Combs AJ. Correlation of Valsalva leak point pressure with subjective degree of stress urinary incontinence in women. J Urol, 155: 281-5, 1996.

6. De Lucia H, D Ancona CAL. Contrações involuntárias pós-miccionais do detrusor: fato ou artefato. Urodinâmica, 2: 59-62, 1999. 7. Nitti VW, Tu LM, Gitlin J. Diagnosing bladder outlet obstruction in women. J Urol, 161: 1535-1540, 1999. 8. Blaivas JG, Groutz A. Bladder outlet obstruction nomogram for women with lower urinary tract symptomatology. Neurourol Urodynam, 19: 553-564, 2000.