DESTAQUES DO RELATÓRIO: Carteira Recomendada A nossa carteira para este mês de Outubro continua estruturada considerando a expectativa de aumento da taxa de juros a partir do próximo ano. Acreditamos que o cenário atual de queda nos juros será alterado diante da perspectiva de uma inflação mais pressionada diante da eminente recuperação da atividade econômica neste e nos próximos trimestres em resposta as medidas fiscais adotadas pelo Governo e ao afrouxamento monetário em curso. A estratégia de proteção contra o possível recrudescimento da inflação no próximo ano justifica o aumento da posição em NTN-Bs para 60% da carteira para este mês (anteriormente 50%) no vencimento ago/2020, a redução da posição de LFTs (mar/2017) em carteira de 25% para 20%, e a redução da posição em LTNs (jan/2016) para 20%, anteriormente 25%. Cenário Macroeconômico Nos Estados Unidos, a injeção de R$ 40bi por mês na economia americana por tempo indeterminado, deve ajudar a sustentar os mercados financeiros. Ademais, os dados econômicos melhoraram neste mês e apontam que continuaremos a ver alguma estabilidade na economia, incluindo a capacidade de alcançar um crescimento próximo a 2% no ano de 2012. O anúncio feito no mês passado pelo Banco Central Europeu de que ia agir nos mercados comprando dívidas dos países da periferia da zona do Euro surtiu o efeito esperado. Porém, fundamentalmente nada está resolvido: a recessão se aprofunda na Europa e o endividamento dos governos continua insustentável. Na China, os últimos dados continuam apontando uma atividade fraca, fadiga na concessão de empréstimos bem como exportações e importações mornas. Continuamos a acreditar numa queda mais forte da atividade nos próximos meses. No Brasil, a forte expansão da produção industrial de agosto indica que a recuperação econômica está ganhando força. Isso nos leva a crer que o ciclo de corte de juros já acabou e que a Selic deve ficar estável até o meio do ano que vem. No entanto, há possibilidade de que outro afrouxamento seja anunciado nessa semana. O ano de 2013 deverá se mostrar melhor em termos de desempenho econômico, assim como trará uma maior pressão na inflação, o que faz com que apostemos numa pequena elevação nos juros. 2
CARTEIRA RECOMENDADA A nossa carteira para este mês de Outubro continua estruturada considerando a expectativa de aumento da taxa de juros a partir do próximo ano. Acreditamos que o cenário atual de queda nos juros será alterado diante da perspectiva de uma inflação mais pressionada diante da eminente recuperação da atividade econômica nos próximos trimestres em resposta as medidas fiscais adotadas pelo Governo e ao afrouxamento monetário em curso. Em setembro, a economia mundial ainda não mostrou melhora nos fundamentos apesar das intervenções realizadas pelos Bancos Centrais (BC) ao redor do mundo. O BC americano, assim como o europeu e o japonês instituíram medidas monetárias para tentar reanimar a economia, porém a atividade econômica ainda não reagiu conforme o esperado, principalmente na Europa, que continua com uma elevada taxa de desemprego. A política fiscal restritiva em curso na Europa visando equilibrar as contas públicas continuará limitando a recuperação econômica no curto e no médio prazo. No mercado doméstico, O IPCA de +0,57% do mês de Setembro avançou em relação aos +0,41% no mês de Agosto mantendo a inflação elevada, acumulando +5,28% nos últimos doze meses (+5,24% no mês de Agosto). O COPOM decidiu pela redução da taxa básica de juros em 50 pontos base, para 7,50% na última reunião, apesar da expectativa de inflação ainda pressionada até o próximo ano. Neste contexto, acreditamos na manutenção da taxa em 7,50% até o final deste ano aumentando para 8,5% até o final de 2013. Os agentes do mercado financeiro doméstico continuaram ajustando as estimativas para os juros futuros no mês de Setembro, levando a queda da curva (principalmente nos vencimentos mais longos) em relação ao mês de agosto, conforme gráficos ao longo deste relatório. Entendemos, no entanto, que a busca por proteção contra o possível recrudescimento da inflação no próximo ano justifica o aumento da posição em NTN-Bs para 60% da carteira para este mês (anteriormente 50%) no vencimento ago/2020, a redução da posição de LFTs (mar/2017) em carteira de 25% para 20%, e a redução da posição em LTNs (jan/2016) para 20%, anteriormente 25%. MACRO-OVERVIEW No inicio do mês passado o Federal Reserve dos EUA decidiu iniciar uma nova rodada de afrouxamento monetário, ou seja, emitir dinheiro novo para comprar títulos hipotecários. Essa medida, que vai injetar R$ 40bi por mês na economia por tempo indeterminado, deve ajudar a sustentar os mercados financeiros. Ademais, os dados econômicos melhoraram neste mês e apontam que continuaremos a ver alguma estabilidade na economia, incluindo a capacidade de alcançar um crescimento próximo a 2% no ano de 2012. Nesse contexto, é muito baixa a chance de haver uma crise financeira nos EUA. Porém, a eleição de novembro por lá e as incertezas sobre um possível importante aperto fiscal no início do ano que vem podem causar alguma volatilidade no mercado nos próximos meses. Adicionalmente, o anúncio feito no mês passado pelo Banco Central Europeu de que ia agir nos mercados comprando dívidas dos países da periferia da zona do Euro surtiu o efeito esperado. Apesar de as compras ainda não terem começado, os custos de empréstimos desses países já diminuíram e o Portugal conseguiu emitir divida no mercado pela primeira vez em mais de um ano. Ganha-se tempo para que os países europeus tentem resolver a crise. Todavia, repetimos que fundamentalmente nada está resolvido: a recessão se aprofunda na Europa e o endividamento dos governos continua insustentável. Na China, os últimos dados continuam apontando uma atividade fraca, fadiga na concessão de empréstimos bem como exportações e importações mornas. Continuamos a acreditar numa queda mais forte da atividade nos próximos meses. No Brasil, o IPCA de setembro foi de 0,57% e, em 12 meses, a inflação aumentou alcançando 5,28% permanecendo acima da meta do Banco Central. A forte expansão da produção industrial de agosto indica que a recuperação econômica está ganhando força. Isso nos leva a crer que o ciclo de corte de juros já acabou e que a Selic deve ficar estável até o meio do ano que vem. No entanto, há possibilidade de que outro afrouxamento seja anunciado nessa semana. O ano de 2013 deverá se mostrar melhor em termos de desempenho econômico, assim como trará uma maior pressão na inflação, o que faz com que apostemos numa pequena elevação nos juros. 3
Renda Fixa Títulos Públicos No mês de agosto (último mês com relatório publicado pelo Tesouro Nacional), o montante financeiro vendido por meio do Tesouro Direto somou R$ 372,2 milhões, valor 64,8% superior ao total realizado no mês de julho de 2012. No mês de agosto o destaque foi a elevada demanda por títulos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal), cuja participação nas vendas atingiu 74,4%. Os títulos prefixados (LTN e NTN-F) ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos, com participação de 21,5%. Os títulos indexados à taxa Selic (LFT) apresentaram participação de 4,2% nas vendas no mês. Títulos públicos disponíveis para compra Posição em Título Indexados ao IPCA Vencimento Taxa(a.a.) Compra NTNB Principal 150515 15/05/2015 2,30% NTNB 150820 15/08/2020 3,37% NTNB Principal 150824 15/08/2024 3,85% NTNB 150535 15/05/2035 4,06% NTNB Principal 150535 15/05/2035 4,25% NTNB 150850 15/08/2050 4,23% Prefixados LTN 010115 01/01/2015 8,04% LTN 010116 01/01/2016 8,54% NTNF 010123 01/01/2023 9,67% Indexados à Taxa Selic LFT 070317 07/03/2017-0,01% Atualizado em: 09-10-2012 9:02:27 Fonte: Tesouro Nacional 4
Evolução dos Principais Indicadores do Mês de Setembro/2012 A curva de juros no mês de setembro apresentou nova queda, principalmente na parte mais longa (conforme gráfico ao lado), em razão do cenário externo ainda desfavorável diante da expectativa de continuidade do arrefecimento do crescimento global e os seus possíveis reflexos na economia doméstica. No mercado local, o COPOM decidiu por mais uma queda da taxa básica de juros, reduzida para 7,5% na última reunião, dado o fraco crescimento da economia brasileira, mesmo com os estímulos monetários e fiscais adotados desde o segundo semestre 2011. Curva DI Futuro (em %) BM&F 8,50 8,00 7,50 7,00 out-12 dez-12 fev-13 abr-13 jun-13 ago-13 out-13 dez-13 fev-14 abr-14 jun-14 ago-14 out-14 Fonte: Bloomberg 28/09/2012 30/08/2012 31/07/2012 Entre os destaques no quadro de ativos ao lado, nota-se a manutenção do elevado volume de títulos prefixados e indexados a inflação (principalmente LTNs, com R$ 20,9 bilhões e NTN-Bs, com R$9,2 bilhões) leiloados no mês de setembro pelo Tesouro Nacional. Entre os ativos Cetipados, o destaque foi a queda de R$ 28,6 bilhões no estoque de cotas de fundos. A poupança por sua vez apresentou entrada líquida R$ 4,3 bilhões no mês de Setembro, atingindo o expressivo volume de R$24,6 bilhões desde o início de ano. A poupança consolidou a tendência de aumento do volume captado (R$ 20,4 bilhões) desde a mudança da sistemática de remuneração no início do mês de maio. Ativos Financeiros R$ Milhões Ago. Set. Var. Títulos Públicos * Leilão Tradicional 24.384 31.203 LTN 16.997 20.876 LFT - 86 NTN-F 6.128 1.032 NTN-B 1.259 9.209 Ativos CETIP Estoque 2.975.526 2.932.878-42.648 CDB 632.114 628.755-3.359 CDI 629.878 604.945-24.934 Cotas de Fundos 1.092.866 1.064.217-28.649 Debêntures 460.909 470.988 10.079 Letra Financeira 159.758 163.973 4.215 Poupança SBPE Captação Líquida 2.111 4.268 Jul. 12 Ago. 12 BM&F Vol. Negociado # 3.185.744 3.653.633 467.890 DI Futuro 2.071.729 2.611.739 540.010 FRA 306.214 291.618-14.596 Câmbio Futuro 702.768 622.388-80.380 Ibovespa Futuro 105.032 127.888 22.856 # Principais Ativos * Dados dos Leilões Diários (Relatório Final não Divulgado) 5
Taxas O IPCA do mês de Setembro, divulgado a última sextafeira, atingiu +0,57% avançando em relação aos +0,41% no mês de Agosto. A inflação reportada ficou dentro da mediana de +0,56% projetada pelo mercado. O acumulado nos últimos doze meses soma +5,28% e se manteve próximo aos +5,24% do mês anterior. O IPCA do mês refletiu nos preços dos alimentos o impacto do aumento dos preços dos grãos no mercado internacional, principalmente causado pela seca nos Estados Unidos. Outros itens que mais contribuíram para a alta do indicador foram os maiores gastos com habitação e vestuário. Proj. 2012 (1) Nacional Set. Ano Ano SELIC 0,54% 6,66% 7,50% Inflação IGP-M 0,97% 7,09% 8,40% Inflação IPCA 0,57% 3,77% 5,30% BRL/USD (BACEN) -0,14% 8,25% R$ 2,00 CDB - Custo Captação % R$ Milhões 180 dias 180 dias 360 dias Pequenos 10 103,0 a 106,0 - - Médios 50-105,0 a 110,0 - Grandes c/ liquidez 50 - - 97,0 a 100,0 Grandes s/ liquidez 50 - - 102,0 a 104,5 Outros 31/08/2012 28/09/2012 Var. Bovespa (pontos) 57.061 59.175 3,7% Poupança (Retorno Acumulado) 4,45% 4,99% 54 bps SWAP PRE x DI 7,47% 7,47% - ¹ Projeção Bradesco Corretora Research - Final do Ano Fonte: STN, Bloomberg, BACEN, BM&F, Cetip O rendimento aceito pelos investidores em LTNs, no mês de setembro, recuou nos vencimentos mais longos, acompanhando o ajuste da curva de juros ao longo do mês e se adequando ao último corte da taxa Selic. A queda da curva ocorreu nos vencimentos a partir do final de 2013 (média de 8 pontos base nos vencimentos de abril/2014 e julho/2014) e de forma menos intensa no vencimento outubro/2013 (queda de 2 pontos base). Na primeira quinzena de setembro ocorreu alta média ao longo da curva de 6 pontos base. Mercado Secundário Taxas Indicativas LTN (em %) 8,5 8,0 7,5 7,0 out-12 fev-13 jun-13 out-13 fev-14 jun-14 out-14 03/09/2012 17/09/2012 28/09/2012 6
A curva de juros das NTN-Bs no mês de setembro manteve a tendência de fechamento em todos os vencimentos ao longo da curva. A queda média atingiu 29 pontos base nos vencimentos até dez anos. Nos vencimentos acima de dez anos a curva fechou 2 pontos base, em média. A curva em geral apresentou tendência de queda ao longo do mês de setembro diante da maior demanda dos investidores por títulos indexados a inflação. 4,5 4,0 3,5 3,0 2,5 2,0 NTN-B (em %) 1,5 1,0 ago-12 ago-14 ago-16 ago-18 ago-20 ago-22 ago-24 03/09/2012 17/09/2012 28/09/2012 O comportamento dos juros das NTN-Fs durante o mês de setembro, diferente das LTNs, foi de abertura da curva nos prazos mais longos. Nos vencimentos jan/18, jan/21 e jan/23, a alta foi de 12, 22 e 20 pontos base, respectivamente (ver gráfico ao lado) diante das incertezas no mercado doméstico em relação ao comportamento da inflação que não deve ceder no curto e no médio prazo. 10,0 9,5 9,0 8,5 8,0 NTN-F (em %) 7,5 7,0 jan-13 jan-14 jan-15 jan-16 jan-17 jan-18 jan-19 jan-20 jan-21 jan-22 jan-23 03/09/2012 17/09/2012 28/09/2012 Fonte: Andima 7
Rentabilidade dos Títulos Públicos Posição em Títulos Vencimento Rentabilidade Bruta Últ. 30 dias Mês Anterior No Ano 12 Meses Prefixados LTN 01/01/2013 0,63% 0,53% 8,40% 11,18% LTN 01/01/2014 1,06% 0,64% 11,99% 15,15% LTN 01/01/2015 1,47% 0,72% 0,148 0,1844 LTN 01/01/2016 1,46% 0,49% - - NTN-F 01/01/2013 0,62% 0,52% 8,34% 11,10% NTN-F 01/01/2014 1,04% 0,65% 11,55% 14,45% NTN-F 01/01/2017 1,20% 0,39% 16,24% 20,36% NTN-F 01/01/2021 0,44% -0,57% 18,46% 22,56% NTN-F 01/01/2023 0,17% -0,91% - - Indexados à Taxa Selic LFT 07/03/2013 0,59% 0,53% 6,84% 9,45% LFT 07/03/2014 0,55% 0,49% 6,82% 9,44% LFT 07/03/2015 0,50% 0,44% 6,79% 9,40% LFT 07/03/2017 0,37% 0,32% 6,70% 9,31% Indexados ao IGP-M NTN-C 01/07/2017 3,38% 2,26% 22,70% 24,30% NTN-C 01/04/2021 3,75% 2,14% 27,45% 30,43% NTN-C 01/01/2031 2,69% 0,93% 29,72% 33,23% Indexados ao IPCA NTN-B 15/05/2013 0,96% 0,87% 9,54% 11,46% NTN-B 15/05/2015 2,62% 1,67% 15,32% 17,03% NTN-B 15/05/2017 2,99% 1,80% 18,60% 20,84% NTN-B 15/08/2020 3,50% 1,83% 22,97% 26,33% NTN-B 15/08/2024 2,77% 0,94% 24,64% 29,75% NTN-B 15/05/2035 2,06% -0,26% 29,13% 34,18% NTN-B 15/05/2045 2,81% -1,24% 31,14% 36,23% NTN-B 15/08/2050 3,14% -1,56% - - NTN-B Principal 15/05/2015 0,0277 0,0178 0,1623 0,1811 NTN-B Principal 15/08/2024 2,82% 0,54% 30,22% 37,70% NTN-B Principal 15/05/2035 1,75% -2,21% 42,53% 51,87% Fonte: Tesouro Nacional 8
DISCLAIMER Este relatório foi preparado pela equipe de análise de investimentos da Bradesco S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários ( Bradesco Corretora ), que é uma sociedade controlada pelo Banco Bradesco BBI S.A. ( BBI ), mesmo controlador da Ágora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. ( Ágora ). O presente relatório se destina ao uso exclusivo do destinatário, não podendo ser, no todo ou em parte, copiado, fotocopiado, reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Ágora ou da Bradesco Corretora. Este relatório é distribuído somente com o objetivo de prover informações e não representa uma oferta de compra e venda ou solicitação de compra e venda de qualquer instrumento financeiro. As informações contidas neste relatório são consideradas confiáveis na data em que este relatório foi publicado. Entretanto, as informações aqui contidas não representam por parte da Ágora ou da Bradesco Corretora garantia de exatidão dos dados factuais utilizados. As opiniões, estimativas, projeções e premissas relevantes contidas neste relatório são baseadas em julgamento do(s) analista(s) de investimento, envolvido(s) na elaboração deste relatório ( analistas de investimento ) e são, portanto, sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado. O(s) analista(s) de investimento declara(m) que as opiniões contidas neste relatório refletem exclusivamente suas opiniões pessoais sobre os títulos públicos e seus emissores e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Ágora, à Bradesco Corretora, ao BBI e demais empresas do Grupo Bradesco. A remuneração do(s) analista(s) de investimento está, direta ou indiretamente, influenciada pelo resultado proveniente dos negócios e operações financeiras realizadas pela Ágora, Bradesco Corretora e BBI. Analistas Renda Fixa Altair Maurílio Pereira Caio Lombardi Economista Chefe Dalton Gardimam Economista Sênior Denis Blum Economista Roman Goossens 9