Fundamentos e Práticas de Braille II Aula 13 Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho
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Aula 13: A alfabetização da criança cega: o primeiro contato com o Sistema Braille Objetivos: Conhecer as especificidades da alfabetização da criança cega, assim como suas formas de perceber o mundo. A criança cega possui interpretações distintas de percepção do mundo que está ao seu redor. Desta forma, a sua inserção no contexto educacional baseia-se em diversos fatores, entre eles, o seu desenvolvimento cognitivo e perceptivo através da percepção tátil e cinestésica. A criança com perda visual severa pode apresentar ainda atraso no desenvolvimento global. Isto se deve em grande parte à dificuldade de interação, apreensão, exploração e domínio do meio físico. Essas experiências significativas são responsáveis pela decodificação e interpretação do mundo pelas vias sensoriais remanescentes (táteis, auditivas, olfativas, gustativas). A falta dessas experiências pode prejudicar a compreensão das relações espaciais, temporais e aquisição de conceitos necessários ao processo de alfabetização. O sucesso escolar da criança vai depender de uma série de fatores, independentemente da idade em que comece a frequentar a escola e do tipo de programa no qual esteja matriculada. É papel do professor, auxiliar a criança com deficiência visual a construir significados e desenvolver-se educacionalmente. Para isso, o trabalho pedagógico em sala de aula juntamente às crianças videntes é de essencial importância, pois a partir da vivência com experiências sensório-motoras, a criança com deficiência visual vai se constituindo como sujeito pensante e ativo na sociedade. A estimulação dos órgãos sensoriais no processo de ensino-aprendizagem é de extrema importância, pois é pelo tato esse aluno aprenderá o sistema de leitura e escrita Braille. A leitura mediante o tato é realizada letra a letra, e não por meio do reconhecimento das palavras completas, como acontece com a leitura a tinta. Trata-se, portanto, de uma tarefa lenta, a princípio, que requer grande concentração, difícil de atingir em idades precoces.
Conseguir maior velocidade não é apenas questão de esforço, mas também de técnica e prática. (PIÑERO, 2003, p. 234). O processo de alfabetização da criança cega deve se basear em experiências físicas diretas com objetos que a rodeia. O punção, a reglete, a máquina de escrever em Braille, textos em relevo, ábacos são símbolos da escrita em formas táteis indispensáveis neste processo. A escola deverá levar ao aluno opções diversas de materiais didático- -pedagógicos para que ele possa ter oportunidade avançar em seu desenvolvimento educacional. Essas técnicas específicas deverão se basear nas atividades de vida diária, orientação e mobilidade, aprendizagem do sistema Braille, soboran, entre outros. Para dar início à construção da alfabetização é preciso que o alfabetizando cego desenvolva tarefas cognitivas e sensoriais, tais como: tomar consciência de seus diferentes sentidos, preparação para formas, discriminação e reconhecimento de diferentes relevos,memória e organização visual. A criança cega, em processo de alfabetização necessita experiências físicas diretas com objetos que a rodeia, principalmente com os objetos de escrita em branco : o punção, a reglete, máquina de escrever, textos em relevo, ábacos, símbolos da escrita em formas táteis. A escola deverá levar ao aluno opções diversas de materiais didáticos-pedagógicos. A aprendizagem das técnicas de leitura e escrita do sistema Braille depende do desenvolvimento simbólico, conceitual, psicomotor e emocional da criança. Essa evolução satisfatória nem sempre se dá de forma espontânea para a criança cega. Daí a necessidade de prestar especial atenção às habilidades e necessidades do aluno cego antes de decidir o momento de ensinar a simbologia. Para isso, alguns fatores devem ser levados em consideração nesse momento; entre eles, podemos citar: organização espaço temporal; interiorização do esquema corporal; independência funcional dos membros superiores; destreza manual; coordenação bimanual; desenvolvimento da sensibilidade tátil; vocabulário adequado à idade; pronúncia correta (diferenciação de fonemas similares); compreensão verbal; descriminação auditiva; motivação ante a aprendizagem; nível geral de maturação.
O aprendizado do sistema Braille requer memorização, concentração e abstração por parte da criança em fase de alfabetização, o que torna mais difícil se a criança apresentar outras dificuldades associadas à cegueira. O uso da informática na alfabetização da criança cega é uma ferramenta importante que pode contribuir para seu desenvolvimento e possibilitar um contato mais prazeroso com o mundo da escrita e da leitura. Por intermédio de determinados programas a criança passa a interagir com a leitura e a escrita e o próprio uso do sistema Braille se desenvolve de forma divertida e prazerosa. Chegamos ao final desta aula. Agora, acesse o AVA e faça os exercícios propostos. Se ficar com dúvidas, não deixe de esclarecê-las com o seu professor. Vale a pena conferir Deficiência e Inclusão Social. Esse blog tem como objetivo propagar a audiodescrição de histórias em quadrinhos para pessoas com deficiência visual. Disponível em: <http://deficienciavisualsp.blogspot.com.br>. Acesso em: 26 dez. 2012. REFERÊNCIAS COBO, A. D.; RODRIGUEZ, M. G.; BUENO, S. T. In: MARTÍN, M.; BUENO, S. T. (Orgs.). Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Santos, 2003, p. 97-113. OCHAITA, E.; ROSA, A. Percepção, ação e conhecimento nas crianças cegas. In: C. COOL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. (Orgs.). Desenvolvimento Psicológico e Educação. Vol. 3. Necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
OLIVEIRA, F. Processo de inclusão de alunos deficientes visuais na rede regular de ensino: confecção e utilização de recursos didáticos adaptados. Marília, SP: Unesp, 2002. PIÑERO, D. M. C.; QUERO, F. O.; DIAZ, F. R. O sistema Braille. In: MARTIN, M. B.; BUENO, S. T. (Orgs). Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Santos, 2003, p. 227-46..