MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO Secretaria de Gestão Pública Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal Coordenação-Geral de Extintos Territórios, Empregados Públicos e Militares NOTA TÉCNICA Nº31/2015/CGEXT/DENOP/SEGEP/MP Assunto: Contagem do tempo de serviço e contribuição de servidor. SUMÁRIO EXECUTIVO 1. Trata-se de demanda da Coordenação-Geral de Recursos Humanos do Ministério da Previdência Social CGRH/MPS a respeito da possibilidade de reconhecimento da contagem de tempo de serviço do período entre a data de demissão e efetivo retorno da servidora pública anistiada pela Lei nº 8.878/94, Srª. XXXXXXXXXXXXXXXXX, matrícula nº XXXXXX, ocupante do cargo de Agente Administrativo, Classe S, Padrão III, integrante da Carreira da Previdência, da Saúde e do Trabalho, lotada na Coordenação-Geral de Auditoria, Atuaria, Contabilidade e Investimentos da Secretaria de Políticas de Previdência Social, do Quadro de Pessoal do Ministério da Previdência Social. 2. A ora servidora foi dispensada conforme Portaria PT/GM/MAS nº 144, de 15/06/1990, publicada no DOU de 18/06/1990 (fl. 8), sendo anistiada e retornando, mediante Portaria PT/MBES nº 845, de 27/12/1994 publicada no DOU de 29/12/1994 (fl. 9). 3. Esta consulta apresenta objetivamente dois questionamentos na fl. 13 V. Primeiro: sobre a possibilidade do período de afastamento ser computado na contagem do tempo de serviço. Segundo: Sendo possível a referida contagem, se este cômputo pode ser contabilizado para fins de aposentadoria, licença-prêmio, férias, dentre outros reflexos. 4. Não é possível contabilizar o tempo de afastamento (lapso temporal entre a demissão e o retorno com fundamento na anistia pela Lei nº 8.878/94) no intuito de computar tempo de serviço para fins de promoções, vantagens e benefícios previdenciários, entre outros
reflexos, conforme o art. 6º da Lei nº 8.878/94 e art. 8º da Orientação Normativa MPOG/RH nº 4, de 9 de julho de 2008. 5. Pelo encaminhamento dos autos à CGRH/MPS. ANÁLISE 6. A Coordenação-Geral de Recursos Humanos do Ministério da Previdência Social CGRH/MPS ao explanar seu entendimento sobre a aplicação da norma ao caso concreto, primeiramente, registrou que as normas referentes aos servidores anistiados pela Lei nº 8.878/94, vedam efeitos financeiros retroativos, porém não dispõem de forma objetiva sobre a contagem de tempo de afastamento, entre a dispensa e o retorno com espeque na anistia, para fins de aposentadoria. 7. A CGRH/MPS, por meio do Despacho: 44.023003.11-DILAP/COLAP/CGRH/ SOAD, em 27/11/2014, item 16 entende, que pelo fato da Administração Pública conceder a anistia não poderia agora restringi-la e não computar o tempo de afastamento para fins de contagem para a aposentadoria e todos os efeitos que não importem em encargos financeiros. 8. Nesta senda, expressou as seguintes dúvidas a serem dirimidas por este órgão central (fl. 13 v.): 18) Feitas tais considerações, e persistindo a dúvida quanto a possibilidade de contagem de tempo de serviço do servidor anistiado entre a data de dispensa e a de readmissão pela anistia, passam-se as dúvidas suscitadas: a)tendo em vista que as normas que versam sobre a anistia não dispõem de forma objetiva sobre a contagem do tempo de afastamento, pode o período de afastamento ser computado na contagem do tempo de serviço? b) Em sendo possível, em quais vantagens essa contagem terá reflexo? Pode a contagem do tempo de afastamento computado para fins de aposentadoria, licença prêmio, férias, dentre outras? 9. A resposta da pergunta a : Não é possível contabilizar o tempo de afastamento (lapso temporal entre a dispensa e o retorno com base na anistia pela Lei nº 8.878/94) no intuito de contabilizar o tempo de serviço para fins de promoções, vantagens e benefícios previdênciários. 2
10. A fundamentação da resposta em questão encontra suporte jurídico contido no art. 6º da Lei nº 8.878/94 e no art. 8º da Orientação Normativa MPOG/RH nº 4, de 9 de julho de 2008. Aliás, nesse passo, vale mencionar a jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho TST e Orientação Jurisprudencial Transitória 56/SDI-I do TST, a seguir: 11. Primeiramente, vejamos a literalidade e o sentido do art. 6º, da Lei nº 8.878/94, in verbis: Art. 6 A anistia a que se refere esta Lei só gerará efeitos financeiros a partir do efetivo retorno à atividade, vedada a remuneração de qualquer espécie em caráter retroativo. 12. Em que pese o supracitado artigo não vedar expressamente a contagem do tempo de serviço (entre a dispensa e o retorno do anistiado nos termos da lei supra), a jurisprudência consolidada, mais adiante, salienta expressamente que a referida vedação retroativa de qualquer espécie remuneratória, também deve ser configurada para as vantagens financeiras originadas de maneira reflexa ou por desdobramento, como por exemplo as vantagens, promoções e aposentadorias vindicadas utilizando o lapso temporal em questão. 13. A título de reforço do aqui argumentado, vale colacionar o que preceitua a Orientação Jurisprudencial Transitória 56/SDI-I do TST, in verbis: 56. ANISTIA. LEI Nº 8.878/94. EFEITOS FINANCEIROS DEVIDOS A PARTIR DO EFETIVO RETORNO À ATIVIDADE (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 221 da SBDI-1)-DJ:20.04.2005. Os efeitos financeiros da anistia concedida pela Lei nº 8.878/94 somente serão devidos a partir do efetivo retorno à atividade, vedada a remuneração em caráter retroativo. (ex-oj nº 221 da SDI-1 - inserida em 20.06.01) 14. Nesta senda, observa-se o contextualização do art. 8º, da Orientação Normativa MPOG/RH nº 4, de 9 de julho de 2008: Art. 8º O retorno ao serviço dos servidores e empregados somente produzirá efeitos financeiros a partir do efetivo exercício do cargo ou emprego, vedados a reintegração de que trata o art. 28 da Lei nº 8.112, de 1990, e o pagamento de qualquer parcela remuneratória em caráter retroativo, sob pena de responsabilidade administrativa. 3
15. Denota-se que a supracitada Orientação Normativa é bem clara ao dispor que a anistia não deve ter os mesmos efeitos da reintegração, instituto este que invalida a dispensa por ordem administrativa ou judicial e salvaguarda todas as vantagens durante o período de afastamento, inclusive o tempo de serviço. Portanto a intenção desta norma foi exatamente diferenciar a anistia da reintegração. 16. Na mesma linha de entendimento segue a jurisprudência consolidada do TST, que trás importantes explicações sobre a impossibilidade da contagem de tempo de serviço durante o período de afastamento, a seguir: RECURSO DE REVISTA. ANISTIA. LEI 8.878/94. READIMISSÃO. EFEITOS. VANTAGENS ANTERIORMENTE INCORPORADAS AO SALÁRIO. Nos termos da Orientação Jurisprudencial Transitória nº 56 da SBDI-1, -os efeitos financeiros da anistia concedida pela Lei nº 8.878/94 somente serão devidos a partir do efetivo retorno à atividade, vedada a remuneração em caráter retroativo -. Significa dizer que a jurisprudência deste Tribunal consolidou-se no sentido de que a vedação prevista no art. 6º da Lei nº 8.878/94 diz respeito ao pagamento de remuneração retroativa ao período de afastamento do empregado, bem como à contagem do tempo de afastamento para a concessão de benefícios. No entendimento desta Corte, não viola o art. 6º da Lei nº 8.878/94, por dispor sobre hipótese diversa, a decisão que confere, a partir da readmissão do empregado, vantagens pessoais já incorporadas ao contrato de trabalho anteriormente à dispensa, por força de direito adquirido, além daquelas que passou a fazer jus o empregado após a readmissão, como é o caso dos presentes autos. Precedentes. Recurso de revista conhecido e desprovido. (TST - RR: 2054003720095070014 205400-37.2009.5.07.0014, Relator: Emmanoel Pereira, Data de Julgamento: 14/12/2011, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/12/2011) 17. Para desenlace da consulta, segue a resposta da pergunta b : Pelo fato de não ser possível a contagem do tempo de serviço, entre a dispensa e o retorno com base na anistia concedida pela Lei nº 8.878/94, portanto, não é possível o reflexo deste período de afastamento para efeitos de aposentadoria, licença-prêmio, férias, promoções, benefícios, vantagens, dentre outros direitos. CONCLUSÃO 18. Não é possível contabilizar o tempo de afastamento (lapso temporal entre a dispensa e o retorno com base na anistia conferida na Lei nº 8.878/94) no intuito de totalizar o tempo de serviço para fins de promoções, vantagens e benefícios previdenciários, dentre outros 4
reflexos, conforme o art. 6º da Lei nº 8.878/94 e art. 8º da Orientação Normativa MPOG/RH nº 4, de 9 de julho de 2008. Às considerações superiores. FELIPE SANTIAGO RIBEIRO FARIAS Matrícula SIAPE nº 2082634 EMERÍUDA B. BORGES DE LIMA Chefe da Divisão de Empregados Públicos- Substituta De acordo, À Consideração do Senhor Diretor. PAULO ROBERTO PEREIRA DAS NEVES BORGES Coordenador-Geral de Extintos Territórios, Empregados Públicos e Militares De acordo. Ao Senhor Secretário de Gestão Pública para aprovação. ROGÉRIO XAVIER ROCHA Diretor do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal Aprovo, Encaminhem os autos à CGRH/MPS, na forma proposta. Brasília, 04 de março de 2015. GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO Secretário de Gestão Pública 5