Superior Tribunal de Justiça
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- Airton Melgaço Fraga
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1 RECURSO ESPECIAL Nº RS (2007/ ) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADOR : AYRES LOURENÇO DE ALMEIDA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : ELIDIA MARI SGARIONI DE ALMEIDA ADVOGADO : CIBELE MORO RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSS, com base na alínea c do art. 105, III da CF, objetivando a reforma do Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, que julgou procedente o pedido de revisão da Renda Mensal Inicial do benefício previdenciário, nos seguintes termos: APELAÇÃO CÍVEL. REEXAME NECESSÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CORREÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IRSM DE FEVEREIRO/94. (...). 3. Para a apuração da renda mensal inicial de benefício previdenciário, em se tratando de correção monetária de salários-de-contribuição, aplica-se o IRSM integral do mês de fevereiro de 1994, na ordem de 39,67%, antes da conversão em URV, a teor do artigo 21, 1o. da Lei 8.880/94. (...). 2. Sustenta o INSS que tendo sido a aposentadoria por invalidez derivada de auxílio-doença, concedido em , não há possibilidade de correção dos salários-de-contribuição com a aplicação do índice de 39,67% relativo ao IRSM de fevereiro de 1994, por se tratar de benefício anterior a este ano. Alega, ainda, que o acórdão recorrido incidiu em reformatio in pejus ao majorar os juros moratórios fixados na sentença, sem recurso da parte. 3. Sem contra-razões e admitido o recurso pelo egrégio Tribunal de origem, subiram os autos a esta colenda Corte. 4. É o relatório. Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 1 de 6
2 RECURSO ESPECIAL Nº RS (2007/ ) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADOR : AYRES LOURENÇO DE ALMEIDA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : ELIDIA MARI SGARIONI DE ALMEIDA ADVOGADO : CIBELE MORO VOTO PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DO VALOR DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA. RENDA MENSAL INICIAL. CORREÇÃO DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IRSM DE FEVEREIRO DE ÍNDICE DE 39,67%. SEGURADO BENEFICIÁRIO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ, ORIGINADA DE AUXÍLIO-DOENÇA E A ELE IMEDIATAMENTE SUBSEQÜENTE. 1. De acordo com a redação original do art. 29 da Lei 8.213/91, vigente na data da concessão do benefício, o salário-de-benefício do auxílio-doença será calculado utilizando-se a média aritmética simples dos últimos salários-de-contribuição anteriores ao afastamento da atividade ou da data da entrada do requerimento. 2. Na hipótese dos autos, o afastamento da atividade pelo segurado ocorreu quando da concessão do auxílio-doença, motivo pelo qual a Renda Mensal Inicial da aposentadoria por invalidez será calculada com base no salário-de-benefício do auxílio-doença, que, por sua vez, é calculado utilizando-se os salários-de-contribuição anteriores ao seu recebimento. 3. Incide, nesse caso, o art. 36, 7º do Decreto 3.048/99, que determina que o salário-de-benefício da aposentadoria por invalidez será de 100% do valor do salário-de-benefício do auxílio-doença anteriormente recebido, reajustado pelos índices de correção dos benefícios previdenciários. 4. Cumpre esclarecer que, nos termos do art. 55, II da Lei 8.213/91, somente se admite a contagem do tempo de gozo de benefício por incapacidade quando intercalado com período de atividade e, portanto, contributivo. Assim, nessa situação, haveria possibilidade de se efetuar novo cálculo para o benefício de aposentadoria por invalidez, incidindo o disposto no art. 29, 5º da Lei 8.213/91, que determina que os salários-de-benefícios pagos a título de auxílio-doença sejam considerados como salário-de-contribuição, para definir o valor da Renda Mensal Inicial da aposentadoria. 5. A jurisprudência do STJ já pacificou o entendimento de que Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 2 de 6
3 na atualização dos salários-de-contribuição dos benefícios em manutenção é aplicável a variação integral do IRSM nos meses de janeiro e fevereiro de 1994, no percentual de 39,67% (art. 21, 1º da Lei 8.880/94) (EREsp /SC, 3S, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJU ). 6. No caso, tendo o auxílio-doença sido concedido em , foram utilizados para o cálculo do salário-de-benefício os salários-de-contribuição anteriores a essa data, o que, por óbvio, não abrangeu a competência de fevereiro de 1994 no período básico do cálculo, motivo pelo qual o segurado não faz jus à pleiteada revisão prevista na MP 201/ Dessa forma, merece reforma o acórdão recorrido que, considerando que a aposentadoria por invalidez acidentária foi concedida em , determinou a correção monetária do salário-de-contribuição do mês de fevereiro de 1994 pelo IRSM integral, no percentual de 39,67%. 8. Recurso Especial do INSS provido. 1. Cinge-se a questão em determinar a possibilidade de aplicação da variação do IRSM para a correção do salário-de-contribuição de fevereiro de 1994, correspondente a 39,67%, no cálculo do salário-de-benefício da aposentadoria por invalidez. 2. Conforme se depreende das informações trazidas pelo acórdão do Tribunal de origem, o recorrido é beneficiário de aposentadoria por invalidez, concedida em , originada de auxílio-doença, concedido em , não tendo o segurado retornado à atividade entre os períodos de recebimento desses benefícios. 3. De acordo com a redação original do art. 29 da Lei 8.213/91, vigente na data da concessão dos benefícios, o salário de benefício consiste na média aritmética simples de todos os últimos salários de contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não superior a 48 (quarenta e oito) meses. Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 3 de 6
4 4. Assim, o salário-de-benefício era calculado com base na média aritmética simples dos últimos salários de contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade. 5. Na hipótese sob análise, o afastamento da atividade pelo segurado ocorreu quando passou a receber auxílio-doença, já que ele não retornou ao seu ofício após o recebimento desse benefício, motivo pelo qual a renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez será calculada com base nos salários-de-benefícios anteriores ao auxílio-doença. 6. Nesse caso, incide o art. 36, 7º do Decreto 3.048/99, que disciplina o cálculo da salário-de-benefício de aposentadoria precedida imediatamente de benefício por incapacidade nos seguintes termos: Art No cálculo do valor da renda mensal do benefício serão computados: (...). 7º - A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por transformação de auxílio-doença será de cem por cento do salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal inicial do auxílio doença, reajustado pelos mesmos índices de correção dos benefícios em geral. 7. Da leitura do citado dispositivo constata-se que a Renda Mensal Inicial da aposentadoria por invalidez será de 100% do valor do salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da Renda Mensal Inicial do auxílio doença, reajustado pelos índices de correção dos benefícios previdenciários. 8. Cumpre esclarecer que, nos termos do art. 55, II da Lei 8.213/91, somente se admite a contagem do tempo de gozo de benefício por incapacidade quando intercalado com período de atividade e, portanto, contributivo. Assim, nesse caso, haveria possibilidade de se efetuar novo cálculo para o benefício de aposentadoria Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 4 de 6
5 por invalidez, incidindo o disposto no art. 29, 5º da Lei 8.213/91, que determina que os salários-de-benefícios pagos a título de auxílio-doença sejam considerados como salário-de-contribuição, para definir o valor da Renda Mensal Inicial da aposentadoria. 9. Por sua vez, a utilização da variação do IRSM para a correção do salário-de-contribuição de fevereiro de 1994 encontra respaldo na Lei 8.880/94 e na MP 201/2004, posteriormente convertida na Lei /04, que assim dispõem, respectivamente: Art Nos benefícios concedidos com base na Lei 8.213, de 1991, com data de início a partir de 1º de março de 1994, o salário-de-benefício será calculado nos termos do art. 29 da referida Lei, tomando-se os salários-de-contribuição expressos em URV. 1º - Para os fins do disposto neste artigo, os salários-decontribuição referentes às competências anteriores a março de 1994 serão corrigidos, monetariamente, até o mês de fevereiro de 1994, pelos índices previstos no art. 31 da Lei 8.213, de 1991, com as alterações da Lei 8.542, de 1992, e convertidos em URV, pelo valor em cruzeiros reais do equivalente em URV do dia 28 de fevereiro de ² ² ² Art. 1º - Fica autorizada, nos termos desta Medida Provisória, a revisão dos benefícios previdenciários concedidos, com data de início posterior a fevereiro de 1994, recalculando-se o salário de benefício original, mediante a aplicação, sobre os salários de contribuição anteriores a março de 1994, do percentual de 39,67%, referente ao Índice de Reajuste do Salário Mínimo IRSM do mês de fevereiro de Acerca dessa questão, a jurisprudência do STJ já pacificou o entendimento de que na atualização dos salários-de-contribuição dos benefícios em manutenção é aplicável a variação integral do IRSM nos meses de janeiro e fevereiro de 1994, no percentual de 39,67% (art. 21, 1º da Lei 8.880/94). (EREsp /SC, 3S, Rel. Min.HAMILTON CARVALHIDO, DJU ). 11. Com base nessas considerações, de se concluir que, tendo sido Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 5 de 6
6 o auxílio-doença, posteriormente transformado em aposentadoria por invalidez, concedido em , foram utilizados para o cálculo do salário-de-benefício os salários-de-contribuição anteriores a esta data, o que, por óbvio, não abrangeu a competência de fevereiro de 1994 no período básico do cálculo, motivo pelo qual o segurado não faz jus à pleiteada revisão prevista na citada MP 201/ Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Especial do INSS para julgar improcedente o pedido inicial e afastar a condenação da Autarquia à aplicação do IRSM de fevereiro de 1994 para a correção dos salários-de-contribuição utilizados para o cálculo da aposentadoria por invalidez concedida ao recorrido. 13. Arcará a parte autora, ora recorrida, com as custas processuais, bem como os honorários advocatícios que fixo em R$ 200,00 (duzentos reais), observando-se o art. 12 da Lei 1.060/50, ante a concessão, na origem, do benefício da gratuidade de justiça. 14. É como voto. Documento: RELATÓRIO E VOTO - Site certificado Página 6 de 6
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