Filosofia Prof. Frederico Pieper Pires Filosofia da religião no pensamento de Martin Heidegger (Parte I) Objetivos Abordar os tramas e dramas da relação entre filosofia e religião; Analisar aspectos principais do pensamento de Heidegger. Filosofia e religião Origem do termo religião: 1)Religare; 2)Religens: escrupuloso, que cumpre os deveres de culto aos deuses. (Cícero) Diferença de ênfase: 1)Vínculo entre seres humanos e a divindade; 2) Ético-jurídico.
Relação entre filosofia e religião Antigüidade clássica: caso de Sócrates; Idade Média: monoteísmos e encontro com a filosofia grega -> filosofia serva da teologia. Período moderno: distinção entre fé e razão; filosofia e teologia. Modernidade: questão de Deus é tematizada a partir da mediação do homem e de suas relações com o mundo -> subjetividade; Iluminismo (XVIII) e a crítica à religião; Fenomenologia: descrição da estrutura religiosa -> numinoso: fascínio e horror. Retorno da religião (XXI). Sistematizando Formas de relação: a) Proximidade entre Filosofia e religião (ex. do neoplatonismo e Idade Média); b) Filosofia rejeita completamente a religião (Alguns casos do Iluminismo); c) Diálogo entre filosofia e religião;
d) Filosofia apenas descreve a religião, independentemente de seus conteúdos (Fenomenologia -> sociologia da religião, Ciências da religião). Rudolf Otto (1869-1937) Imagem 1 Ponto em comum: filosofia, arte e religião tem a mesma fonte e são caminhos para a verdade. (Ex.: Octávio Paz); Salvador Dali: Relógio Imagem 2 Religião, arte e filosofia como aquelas que buscam as causas últimas; A filosofia, como a arte e a religião, é afazer humano-além humano de primeira e última importância. Claramente distinta da arte e da religião, embora igualmente valiosas, a filosofia situa-se necessariamente no esplendor da beleza e no limiar do sagrado. (M. Heidegger -1930)
Filosofia da religião -> ganha impulso a partir de Kant. Filosofia da religião e teologia: Na busca da verdade, entre as tristezas da minha vida, está o fato de que nas discussões com teólogos elas sempre se interrompem nos momentos mais cruciais: eles silenciam, proferem proposições incompreensíveis, desconversam, emitem declarações categóricas, passam para conversas amenas sem qualquer relação com o que estava sendo dito em última análise, não estão interessados nisso (JASPERS, Karl. The Perennial Scope of Philosophy. P. 77) Situação atual Situação precária: 1)Simples ataques não reducionistas; 2)Filosofia como serva da teologia não mais se sustenta; 3)Descrição: sociologia faz melhor do que a filosofia.
O que sobrou? Experiência a partir de conceitos prévios -> história. Atividade A partir do que foi dito, escreva rapidamente (pode ser em forma de tópicos) como você concebia a relação entre filosofia e religião. Ela se encaixa em algum dos modelos apresentados? Qual? Quais os limites e os pontos positivos da forma como você concebia a relação entre filosofia e religião? M. Heidegger 1889-1976 Aspectos biográficos Imagem 3
A questão da filosofia Qual é o sentido do ser? - Compreensão tradicional de ser: ente sobre o qual se pode judicar; Ex. de Tomás de Aquino: O ente se diz de dois modos: de um modo que é dividido por dez gêneros; de outro modo, significando a verdade das proposições (Capítulo I, #3). Esquecimento do ser -> confusão entre ser e ente. Necessidade de uma ontologia fundamental. Vídeo Em busca de Heidegger e Sartre. (16:19-18:36)
Ser e tempo (1927). Objetivo: fundamentar a verdade do ser a partir do Dasein, perguntando a este ente pela sua verdade tendo em vista a verdade do ser. Imagem 4 Concepção tradicional: tempo é um ente entre os demais e não o horizonte de possibilidade da experiência. Presente, passado e futuro -> articulados no presente. Ser como presença indefectível, peremptória -> ser como algo dado. Ex. Parmênides: oposição entre ser e não-ser. -> como incluir o nada, se não podemos falar sobre ele?
Atividade Momento para elaboração de questões. Elas poderão ser enviadas e, na medida do possível, serão trabalhadas na próxima aula. Importantes contribuições da obra Conceito de mundo; Finitude -> ser-para-a-morte; Ser é tempo. Kehre (virada) Mudança gradativa no pensamento de Heidegger a partir da década de 30: Muito peso sobre o Dasein -> ênfase no ser; Risco de se cair no subjetivismo moderno -> ênfase no ser.
Conceito de verdade: 1)Sentido tradicional: correspondência do enunciado à coisa; 2)A-lethéia: velamento / desvelamento. Verdade e inverdade compartilham da mesma essência. Pergunta fundamental: Por que o ser e não antes o nada? (1935) 1936: Contribuições à filosofia. - 2º obra mais importante de Heidegger. - Seis junções -> primeiro início da filosofia. Consideração radical da historicidade: Pergunta fundamental: como o ser se essencia?
Filosofia Prof. Frederico Pieper Pires Imagem 1 - Disponível em: <http://de.wikipedia.org/wiki/rudolf_otto> Imagem 2 - Disponível em: < http://startupblog.files.wordpress.com/2007/09/salvador-dali-clock.jpg> Imagem 3 - Imagem 4 - Disponível em: <http://ecx.images-amazon.com/images/i/41tqpf250gl._sl500_aa240_.jpg>