INCLUSÃO DIGITAL NAS ESCOLAS Helder Tavares Alexandrino espinha22@hotmail.com Jonathan Pourroy Alves jon21_fla@hotmail.com Victor Hugo Chagas Pereira victor.chagas.pereira@hotmail.com Victor Rubem do Nascimento Silva victorrubens007@yahoo.com Vinicius Cunha Martins tec.viniciuscunha@gmail.com Discentes da FAETERJ-Paracambi Geovani Nunes Dornelas gndornelas@gmail.com Mestre em Modelagem Matemática e Estatística Aplicada. Coordenador da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro (FAETERJ). Docente do Centro de Ensino Superior de Valença (CESVA/FAA) e da Universidade Geraldo Di Biase (UGB). Marcella Tatagiba Pereira de Siqueira marcellatatagiba@gmail.com Mestre em Educação Matemática. Docente da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro (FAETERJ), do Centro de Ensino Superior de Valença (CESVA/FAA), da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro e da Rede Privada de Ensino Jardim Escola Modelo. RESUMO Apesar dos benefícios que muitas pessoas acreditavam que a tecnologia da informação poderia proporcionar a educação, vemos que não é exatamente isso que ela proporciona. A TI na educação está trazendo cada vez mais desigualdades entre os extremos sociais, pois quem tem melhor poder aquisitivo, terá consequentemente uma educação melhor. Contudo, recomenda-se a leitura deste artigo para compreender que não basta ter um computador com acesso a internet em casa para uma educação melhor, é preciso que saibamos tirar proveito ao máximo dos benefícios e facilidades que a tecnologia nos oferece, a partir da inclusão digital. PALAVRAS-CHAVE: Inclusão Digital, Tecnologia, Software livre, Telecentro e Educação.
1. INTRODUÇÃO Este artigo está voltado a educação e a pessoas que se interessem pelo tema, pois se trata de novos caminhos que podem ser interessantes no campo educacional, ou seja, uma nova maneira para que se faça uma educação cada vez melhor a todos e igualitária. Nosso objetivo com este trabalho é ressaltar a relevância da utilização das tecnologias na educação por meio da inclusão digital. Para o desenvolvimento teórico deste trabalho utilizamos da metodologia de um trabalho de pesquisa desenvolvido por meio de leituras em livros e artigos sobre o tema proposto. No 1º capítulo deste artigo apresentamos os objetivos e a metodologia do mesmo, bem como seu público alvo. Apresentamos uma breve síntese dos capítulos posteriores, das considerações finais e do referencial teórico pesquisado. O 2º capítulo apresenta um contexto histórico da informática no Brasil, seguido de um capítulo falante sobre os diversos ambientes computacionais. A seguir o 4º capítulo complementa os ambientes computacionais utilizando recursos para inclusão digital. Para finalizar no 5º capítulo apresentamos as considerações finais do trabalho, ou seja, mostrarmos o que queremos atingir com o nosso artigo e no 6º capítulo o leitor encontrará todos os livros e artigos utilizados para construção do trabalho. 2. CONTEXTO HISTÓRICO DA INFORMÁTICA NO BRASIL A informática na educação teve ser marco no início dos anos 60 quando nasceu à instrução auxiliada por computador ou o CAI, porém, esse invento não foi implementado diretamente, pois esses sistemas CAIs eram implementados somente em computadores de grande porte, o que restringia o seu uso pelas universidades e dificultava também o seu uso nas escolas. O que mudou esse cenário foi o surgimento dos microcomputadores que permitiu uma grande disseminação do seu uso nas escolas. Valente (1999) nos mostra em seu livro o computador na sociedade do conhecimento, que: (...) existiam no início dos anos 80 diversas iniciativas sobre o uso da informática na educação, no Brasil. Esses esforços, aliados ao que se realizava em outros países e ao interesse do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) na disseminação da informática na sociedade, despertaram o interesse do governo e de pesquisadores das universidades na implantação de programas educacionais baseados no uso da informática. (p.7)
Contudo, no Brasil, igualmente aos Estados Unidos, o uso do computador na educação teve seu início em algumas experiências em universidades. A implementação da informática na educação, como consta no programa brasileiro, exige uma formação vasta dos profissionais educadores. Não basta criar condições do professor apenas dominar o computador sobre como o computador pode ser integrado ao ensino desse conteúdo. Nos dois países analisados, o início da informática nas escolas não resultou na mudança a qual se era esperado. Se por um lado o planejamento idealista não deu certo como previsto, alguns avanços puderam ser observados nesse período, nos dois países podemos ver novos meios de trabalhos interdisciplinares que ocupam um espaço nas práticas da escola. Isso pode ser pontuado a partir das afirmações feitas por Valente (1999): A análise das ações e políticas de informática na educação realizadas no Brasil nos permite afirmar que, inquestionavelmente, temos conhecimento e experiências sobre informática na educação instalada nas diversas instituições do país. (p.7) Embora a mudança pedagógica tenha sido o objetivo de todas as ações dos projetos de informática na educação, os resultados obtidos não foram suficientes para sensibilizar ou alterar o sistema educacional como um todo. (p.8) No entanto, as mudanças pedagógicas mais notáveis são, atualmente, o uso da rede mundial de computadores. Utilizando essa ferramenta os alunos podem acessar e explorar diferentes bases de dados e construir páginas para registrar seus projetos e atividades desenvolvidas. Assim, para Valente (1999): Quando o aluno usa o computador para construir o seu conhecimento, o computador passa a ser uma máquina para ser ensinada, propiciando condições para o aluno descrever a resolução de problemas, usando linguagens de programação, refletir sobre os resultados obtidos e depurar suas ideias por intermédio da buscas de novos conteúdos e novas estratégias. (p.2) Mas, mesmo sabendo da insuficiência dos métodos, sabemos que mudanças pedagógicas aconteceram em espaços limitados, como vimos anteriormente. Aqui no Brasil o êxito só não foi maior por uma série de razões, desde a falta de infraestrutura nas escolas, até, o frágil processo de formação de professores. Porém, o programa Brasileiro de Informática em educação é bastante promissor, tendo a tecnologia como principal ferramenta para auxiliar esse processo de mudança pedagógica. A formação dos professores deve dar condições para que ele consiga construir conhecimentos sobre
as técnicas, e entenda o porquê de como integrar o computador na sua atividade pedagógica e seja capaz de ultrapassar barreiras, pois ainda é o professor quem controla o ensino e transmite a informação ao aluno. (p.3). 3. AMBIENTES COMPUTACIONAIS A tecnologia atualmente está presente em qualquer atividade, para a educação os sistemas computacionais fazem parte da própria história de evolução computacional. A Inteligência Artificial corresponde a sofisticação dos sistemas, ou seja, os sistemas são inteligentes suficientemente para realizar suas tarefas sozinhos. Com a Internet, esses sistemas ganharam uma nova perspectiva, a do aprendizado socialmente distribuído. O ensino quando auxiliado por computadores mostra que a informação é a unidade fundamental na aprendizagem pois, (...) o computador é visto como uma ferramenta poderosa de armazenamento, representação e transmissão da informação. (VALENTE, 1999, p.51) Temos também os ambientes interativos de aprendizagem, cujo aprendizado é feito de maneira individual em atividades de investigação, exploração e descobertas. Esses ambientes são subdivididos em quatro princípios básicos, são eles: construção e não instrução, controle de estudante e não controle do sistema, individualização e feedback rico. A modelagem e simulação consiste em construir um modelo que represente aspectos dos sistemas estudados, experimentação e análise do modelo criado e comparação do modelo com sistemas reais. Ambientes de programação são determinados pela extensão do pensamento do aluno, onde o mesmo, elabora seus pensamentos em linguagem familiar, ou seja, o computador é um ambiente aberto, onde o estudante está ali para propor e tentar assim, resolver qualquer projeto de seu interesse, pois: Sistemas computacionais para modelagem podem constituir ambientes de aprendizado poderosos, por envolver o aprendiz no ciclo básico de expressão, avaliação e reflexão sobre o domínio considerado. (VALENTE, 1999, p.54) No âmbito escolar, esses ambientes são utilizados para que haja ensino/aprendizagem permitindo o aluno trabalhar com informações do mundo externo. E a partir daí, chegamos ao conceito de micromundo onde temos por definição referindo-se ao sujeito que interage com algum objeto de conhecimento. O aprendizado socialmente distribuído são pessoas de diferentes partes do mundo compartilhando informação e formação individual através de computadores interligados por cabos de fibra ótica ou telefônico e para que isso seja possível, basta
conectar-se a um provedor. Em busca de facilitar o processo de construção do conhecimento nos grupos da rede são necessários três processos educacionais, a geração de ideias, a ligação das mesmas e a estruturação delas. Como exemplo temos o sistema WWW, utilizado pela internet como uma forma de estabelecer uma ligação entre as pessoas e informações geradas pela internet, e podem ser acessadas independentemente de sua localização física. 4. UTILIZANDO RECURSOS PARA INCLUSÃO DIGITAL A utilização de ambientes computacionais sem sobra de dúvidas leva ao aluno a uma perfeita aprendizagem, um dos grandes problemas da sociedade atual é a exclusão digital, a denominada sociedade informacional só faz transparecer cada vez mais as desigualdades no planeta. Pegando o Brasil como exemplo de acordo com Silveira e Cassino (2003) ele é um país onde 11,4% das pessoas acima de 10 anos de idade são analfabetos e que 50,7% da população recebe até dois salários mínimos, a pesquisa internet POP mostrou que em maio de 2001 apenas 20% da população estava conectada à internet e que 8% navegavam por internet banda larga (conexão de alta velocidade). Será que com tantas carências até que ponto seria relevante o combate à exclusão digital? A partir dessas pesquisas não dá pra negar que a exclusão digital está diretamente ligada à condição social. Há certa diferença entre o modo que os países desenvolvidos e os países pobres utilizam a internet, enquanto a sociedade rica utiliza com mais intensidade as redes informacionais para se comunicar, para armazenar e processar informações, os países pobres em desenvolvimento tem sua população distante dos benefícios da rede mundial de computadores. Ao contrário do que muitos acreditavam a tecnologia da informação não está trazendo uma sociedade igualitária, mais sim, está causando cada vez mais a desigualdade entre os extremos da sociedade. Por este motivo atualmente existem recursos para que a exclusão passe para uma inclusão digital definitiva. Um desses recursos é a utilização de softwares livres e telecentros, acompanhe: De acordo com Silveira e Cassino (2003), o que podemos denominar como software? Constitui-se em um programa computacional com o código-fonte aberto, que nos possibilita realizar estudos, fazer alterações e adequá-los à nossas necessidades e sem restrições são denominados softwares livres que por sinal são geralmente gratuitos. Dessa forma esses softwares são desenvolvidos por muitos programadores em todo o mundo que se comunicam pela Internet que juntos criaram a comunidade do Software
Livre. A grande maioria dos programadores realizam programações por hobby ou são estudantes de Tecnologia. A produtividade e a criatividade da chamada comunidade do Software Livre é bem maior que muitas empresas multinacionais (como a Microsoft, por exemplo), que possuem mais funcionários no setor de vendas do que no setor de desenvolvimento de produtos. Existe um sistema operacional totalmente livre desenvolvido por essa comunidade, é o GNU/Linux. Segundo Silveira a Microsoft vem demostrando monopólio, pois o seu sistema operacional está instalado em 97% dos (desktops) do planeta e também seu pacote de programas para escritórios, chamado: Microsoft Office está sendo utilizado por 93% de todos os usuários de todo o planeta, demonstrando o poder que essa empresa possui. Com esse forte monopólio a Microsoft foi alvo da Justiça Norte Americana, pois tentaram dividir sua corporação em 1990, porém não obtiveram sucesso. De modo geral muitos usuários foram se aprisionando aos programas desenvolvidos pela Microsoft, foram desenvolvidos alguns outros programas por outras empresas, porém não emplacaram e mais uma vez a Microsoft demonstrou ser preferência dos usuários. Cada vez mais forte, o monopólio juntamente com o aprisionamento de muitos usuários geram muitos motivos para a desistência da criação de soluções proprietárias do Plano de Inclusão Digital. Grande maioria das pessoas, quando chega a um laboratório ou um telecentro, geralmente não sabe como utilizar um computador, nem ao menos liga-lo. É o que denominamos analfabetismo digital. Então o melhor a ser feito é desenvolver medidas para reduzir o índice de exclusão digital. Para tentar amenizar essa situação os telecentros oferecem à população, cursos de informática básica que tem como objetivo a capacitação que permita ao cidadão fazer uso livre dos equipamentos sem necessitar de ajuda de outras pessoas. Os softwares livres possuem uma vantagem vital em relação aos seus proprietários: simplesmente pelo singelo fato de não ter a necessidade de obter licenças, com softwares de uso livre não existe pirataria, e é possível instalar vários programas similares nos computadores, demonstrando as pessoas que o importante é conhecer os conceitos quando o assunto for informática. Já que foi ultrapassada a barreira inicial de superar a exclusão digital, os telecentros são lugares excelentes para exercitar a cidadania. O governo já criou duas oficinas: Criação de Sites e Agência de Notícias Comunitária para exercitar cada vez mais a cidadania. A oficina de Criação de Sites é considerada um tipo de
formação profissional, pois os alunos podem comercializar suas produções, já a Agência de Notícias Comunitária tem como objetivo inserir um canal de ideias para a comunidade local, dando informações sobre o bairro pela internet e pelas redes sociais, a Coordenadoria do Governo eletrônico pretende aumentar essas oficinas, transformar os telecentros em agências de produção de software brasileira, fazendo com que jovens da periferia possam desenvolver softwares livres. O Brasil é um dos países que mais produzem softwares de gestão para jornalistas, médicos, advogados e outros profissionais liberais. É possível também produzir softwares para profissões populares como pedreiros, marceneiros e outras profissões. Cada vez mais no nosso país vem progredindo com os telecentros, pois muitas pessoas vão cada vez mais se interessando por tecnologias e isso ajuda muito nosso país, de certa forma nosso país progride. Os desafios para inclusão digital começa em dezembro de 1998, uma época onde o acesso à rede era para um seleto grupo de pessoas. A partir daquele período, o conceito de cada brasileiro conectado tomara uma nova perspectiva. A comunicação na rede é feita sob medida e, é feita por pessoas que querem se fazer ouvir, publicar e intervir, contrastando com a realidade brasileira de anos antes, momento agora que revela uma estabilidade democrática. Para Silveira e Cassino (2003), a universalização do acesso à Internet é um problema muito grande que deve ser superado com urgência, mas que ainda há solução para que isso aconteça. A Internet na concepção dos autores, oferece uma gama enorme de possibilidades de participação na sociedade, principalmente no lado democrático. Baseando-se numa pesquisa da FAPESP feita em março de 2002, ele questiona como seria possível disponibilizar a Internet a serviço da participação cidadã e construção de uma sociedade mais justa. Na cúpula Mundial da Sociedade da Informação, o cenário não era surpreendente e tampouco animador, pois os governos tratariam por bom aquilo que serviria para o fortalecimento dos mercados e da lógica neoliberal. Duas preocupações principais eram compartilhadas por organizações sociais e redes de diversos países naquela época, acompanhar os processos preparatórios para garantir a participação das organizações da sociedade e incidir sobre a sua pauta. E, estas questões técnicas, determinaram a possibilidade do livre intercâmbio de informações, autonomia e soberania dos países. Contudo a tecnologia computacional está em constante processo de mudança em todas as atividades presentes no nosso dia-a-dia, os sistemas são congruentes com a forma que é praticada nas salas de aula e o principal problema da abordagem desses
sistemas em geral, é a restrição a um método único de ensino e aprendizagem, ou seja, se esse processo fosse feito por tutores humanos poderiam ser abordados um só tema, diversos caminhos que resultariam na mesma solução. Se forem disponibilizadas as ferramentas necessárias, por outro lado, esses sistemas computacionais podem gerar seus próprios desafios. Não é necessário que se repense em aprendizagem, educação, computadores e software, mas é sim necessário saber onde se pretende chegar com esse novo método, pois somente assim esses e quaisquer outros sistemas poderão ter êxitos e melhorar o contexto que eles foram pré-dispostos a melhorar. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo tem por objetivo mostrar que o benefício da educação e da inclusão digital está mais que provado que as profissões de base, aquelas em sua maioria no trabalho braçal, estão desaparecendo num ritmo muito alto, e as profissões ligada à tecnologia, vem crescendo disparadamente em relação às demais profissões. Porém a cada dia as vagas deixam de ser preenchidas por falta de capacitação profissional dos candidatos, ou seja, desemprego não é uma questão de oportunidade, mas, sim de capacitação profissional, e isto só acontece por que a educação não está preparada para os novos avanços tecnológicos. Um lado ficam inúmeras vagas de emprego a serem preenchidas requerendo-se qualificação profissional, e, de outro, uma massa de pessoas necessitadas que não podem se candidatar a tal vaga por não terem a qualificação adequada. A educação é a única forma de crescimento da população, e para uma melhor educação utilizamos o computador, pois é aí que agregamos o uso do software livre (Linux), por ser um sistema operacional livre (grátis) e de fácil acesso a qualquer usuário. Com todas essas melhoras na educação serão criados profissionais pensadores e não trabalhadores braçais. É o que o mercado de trabalho procura atualmente, e somente será possível que isto ocorra com a fácil obtenção da informação para as pessoas. Com o advento da Internet, nunca foi tão fácil obter informação e os dividendos dela. Sem educação atualizada voltada para a evolução da informação e do conhecimento, a sociedade e todo o nosso país param. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MOTTA, Carlos Eduardo Mathias. Novas Tecnologias no Ensino da Matemática. Rio de Janeiro: UFF, 2004/2005.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da (org.); CASSINO, João (org.). Software e Inclusão Digital. São Paulo: Conrad Livros, 2003. VALENTE, José Armando (org.). O Computador Na Sociedade do Conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.