PLATÃO E SOCRÁTES: LEITURAS PARADOXAIS



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Transcrição:

PLATÃO E SOCRÁTES: LEITURAS PARADOXAIS Alan Rafael Valente (G-CCHE-UENP/CJ) Douglas Felipe Bianconi (G-CCHE-UENP/CJ) Gabriel Arcanjo Brianese (G-CCHE-UENP/CJ) Samantha Cristina Macedo Périco (G-CCHE-UENP/CJ) Fábio Antônio Gabriel (Orientador-CCHE-UENP/CJ) Resumo: Este artigo explicita a filosofia de Platão (428 348 a.c) e Sócrates (470-399 a.c) e articula a possibilidade de separação de ambos tentando estabelecer que linhas filosóficas possam ser atribuídas a cada pensador. Sócrates não legou nenhum escrito de modo que o que se conhece a seu respeito é baseado nas obras de seus discípulos, principalmente nos diálogos de Platão que tinha seu mestre como personagem de suas obras. Platão fortemente influenciado pela filosofia de seu mestre elabora um pensamento escrito e sistematizado onde desenvolveu sua principal teoria da diferenciação do mundo das idéias e do mundo sensível. Sendo assim, como é possível a partir da obra de Platão distinguir que pensamento pertence a Sócrates e que pensamento pertence a Platão? Como é possível fazer uma diferenciação e uma compreensão profunda da filosofia socrática e platônica? Este artigo explicitará, fundamentado no livro Textos básicos de Filosofia de Danilo Marcondes 5º Edição, publicado em 2007, e em alguns dos diálogos platônicos e fará a separação, se possível, das filosofias destes pensadores. Serão utilizadas citações da posição de um filosofo contemporâneo, que era grande entendedor dos Gregos Antigos, trata-se de Friedrich Nietzsche (1844-1900). Apesar deste não ter a problemática como tema central, pode-se perceber implicitamente em suas obras uma diferenciação de Platão e Sócrates. Para ilustrar essa percepção Nietzschiana será utilizado trecho aforismo 190 da Obra: Alem do Bem e do Mal. Palavras Chave: Sócrates. Platão. Distinções filosóficas. Introdução Nas obras platônicas: Apologia de Sócrates, Críton e A Republica é possível perceber uma exposição escrita da postura de Sócrates. Sendo assim o que se conhece de Sócrates estará impregnado elementos platônicos como se avaliara mais profundamente adiante. Observando os escritos de outros discípulos do pensador, tais como Xenofonte e Antístenes e comparando-os com as obras platônicas, com objetivo de compreender aquilo que realmente pertencia a Sócrates, pode-se chegar à conclusão que Platão teria atribuído ao seu mestre características nobres e teria tornado o método de reflexão socrático exagerado. 476

A intenção da pesquisa é de avaliar a distinção entre a filosofia socrática e a filosofia platônica. A investigação de inicio foi fundamentada no livro: Textos básicos de Filosofia de Danilo Marcondes 5º Edição, publicado em 2007, e posteriormente nas obras de Platão e trechos das obras de outros discípulos de Sócrates: Antístenes e Xenofonte. Foi observada também a posição de Nietzsche, pois este possuía grande compreensão dos antigos gregos e direcionou, em suas obras, diversas criticas a Platão e Sócrates. Apologia de Sócrates Apologia de Sócrates é o escrito sobre o julgamento e condenação de Sócrates que era acusado de desrespeitar as leis de Atenas e de corromper a juventude. O filosofo se apresenta perante o júri e se defende através de um discurso não tradicional. No lugar de usar sua habilidade argumentativa para escapar da condenação prefere defender sua liberdade de pensamento e a sua filosofia. Sócrates, citado por Marcondes (2007, p.20), afirma que a vida que não se questiona não vale a pena ser vivida. Ele opta pela morte quase que num ato heróico defendendo suas convicções com segurança. Outros discípulos escreveram sobre o julgamento de Sócrates porem a obra platônica é a de maior destaque. Sócrates comete crime e perde sua obra, investigando as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando aos outros. Tal é, mais ou menos, a acusação e isto já vistes, vós mesmos, na comédia de Aristófanes, onde aparece,aqui e ali, um Sócrates que diz caminhar pelos ares e exibe muitas e outras tolices, das quais não entendo nem muito, nem pouco. (PLATÃO, p.47) O discurso de Sócrates, na obra de Platão, é poética e bem elaborada, usa do vocativo Cidadãos Atenienses, no entanto pode se considerar tais elementos próprios de Platão que era nobre e poeta. 477

Cidadãos atenienses, eu vos respeito e amo, mas obedecerei aos deuses em vez de obedecer a vós, e enquanto eu respirar e estiver na posse de minhas faculdades, não deixarei de filosofar e de vos exortar ou de instruir cada um, quem quer que seja que vier a minha presença, dizendo-lhe como é de meu costume:- Ótimo homem, tu que és cidadão de Atenas,da cidade maior e mais famosa pelo saber e pelo poder, não te envergonhas de fazer caso das riquezas, para guardares, quanto mais puderes e da glória e das honraria, e, depois não fazer caso e nada te importares da sabedoria, da verdade e da alma, para te-la cada vez melhor? (PLATÃO, p.67) Ainda que Platão tentasse habilmente criar uma obra fiel, expondo realmente quem era Sócrates e como era sua filosofia, não seria possível, pois a filosofia transmitida pela oralidade perde muito de sua originalidade quando transcrita por outros. Críton Neste dialogo Sócrates já se encontra na prisão. Críton, seu discípulo propõem-lhe fuga e o exílio. O pensador recusa. Através deste dialogo torna-se evidente as concepções morais de Sócrates bem como sua habilidade em defender suas convicções. Ele acredita que não pode pagar a injustiça com injustiça. Agora, porem, partirá injustiçado, se de fato for embora, mas não por nós, as leis, e sim pelos homens, mas se fugir depois de tão vergonhosamente revidar injustiça com injustiça e o mal com o mal, rompendo com os seus pactos e acordos conosco ferindo aqueles que menos deveria - a si mesmo, aos amigos,ao nosso país, e a nós - ficaremos zangadas com você enquanto viver e as nossas irmãs, as leis do Hades, não o receberão cordialmente naquele reino, pois saberão que você tentou, o quanto pôde, nos destruir. Não deixe que Críton o convença a fazer o que ele diz, siga nosso conselho. (MARCONDES, 2007, p.25) Através desta passagem se observa que a moral e a justiça possuíram grande valor na filosofia socratica, no entanto esta característica teria sido evidenciada e enobrecida por Platão ao escrever sobre o filosofo. República 478

Platão formula o conceito, o modelo de cidade justa considerando o sistema político de Atenas corrupto e injusto. Examina o que é justiça e o conhecimento. No Livro VII deste diálogo se encontra A alegoria, Mito da Caverna que se fundamenta no processo pelo qual o individuo deixa de participar do senso comum em busca da sabedoria passando a possuir o dever de retornar à caverna para orientar as outras pessoas pelo mesmo caminho. Nesta alegoria, Platão faz a separação do mundo inteligível, ou seja, um mundo superior e perfeito, mundo das idéias do mundo sensível, onde tudo é replica do primeiro. Nesta obra percebe-se uma filosofia pertencente somente a Platão que influenciado por Sócrates sistematizou seu aprendizado e desenvolveu um pensamento próprio. Na Republica podemos enxergar a separação deste pensador de seu mestre. Platão possuía um pensamento nobre influenciado por sua aristocracia. A própria negação de elementos da natureza do homem em prol de valores elevados baseia-se na nobreza platônica. Já Sócrates, de origem plebéia trazia um pensamento típico desta classe, baseado na oralidade e na moralidade. A distinção entre Sócrates e Platão na filosofia de Nietzsche Para Nietzsche os gregos eram um exemplo de cultura trágica e que afirmava a vida. No entanto, foi na Grécia Antiga que se iniciou o niilismo, movimento decadente que duraria até os tempos modernos. Este que seria uma relação com a força que dirige ao nada. Basicamente, no niilismo não existe afirmação da vida nem transfiguração de valores. Os principais responsáveis pelo surgimento do niilismo foram Sócrates e Platão. A critica realizada pelo filosofo alemão não se direciona à Sócrates e Platão unificandoos num único pensamento e não há intenção de trabalhar esta questão de diferenciação do pensamento Socrático e platônico, no entanto, a maneira como Nietzsche trata destes filósofos em sua obra, separadamente, ora citando um, ora outro, sugere uma diferenciação dos mesmos. Podemos perceber em trechos de sua obra que existe uma separação explicita entre Sócrates e Platão. Aforismo 190 de Alem do Bem e do Mal.: 479

Existe algo na moral de Platão que não pertence realmente a Platão, mas que se acha apenas em sua filosofia; quase se poderia dizer, apesar de Platão: trata-se do socratismo, para o qual ele realmente era nobre demais. A partir deste texto podemos ilustrar que Nietzsche não unifica o pensamento de Sócrates e Platão em um único. Apesar desta separação entre estes dois pensamentos, Nietzsche considera o caráter niilista do mundo das idéias de Platão como sendo influencia de Sócrates. Mas ainda assim existe diferenciação entre ambos. Deste modo a critica de Nietzsche se direciona a duas filosofias: à de Sócrates consistida na formula: razão = virtude = felicidade, que são contrários aos instintos gregos, e a de Platão baseada no idealismo, muitas vezes associado ao cristianismo Podemos afirmar, assim, que para Nietzsche Sócrates e Platão são representantes e precursores de dois tipos diferentes de niilismo, Embora os dois estejam relacionados trata-se, por assim dizer, de duas filosofias diferentes. Conclusão Conclui-se que apesar da forte influencia socrática sobre os textos platônicos, ambos pensadores possuíam filosofias essencialmente diferentes. Ao Sócrates atribui-se um pensamento mais informal, de caráter aberto e oral, que visa o aprimoramento do senso comum através da reflexão, gerando uma doutrina de caráter, sobretudo moral e fortemente marcada pela posição do pensador dentro da sociedade em que vive. Já Platão, além da influência recebida do mestre, teria elaborado uma teoria mais formal e abrangente, caracterizada principalmente pelo idealismo de seu Mundo das Idéias, onde se é possível perceber características do pensamento da nobreza. Platão criou baseando-se em seu mestre Sócrates a teoria de um mundo acima, um local em que se encontram a essência de todas as coisas, já esta realidade não passa de um simples copia imperfeita deste mundo ultra-sensível, os filósofos estariam entre estes dois universos, vivendo em mundo de sombras, e procurando o conhecimento no qual se encontra no mundo ultra-sensível, pois não conhecem a verdade, entretanto mente não esta fadada a este local imperfeito em que a ela se encontra, ou seja, existe um constante caminhar. Percebe-se que a filosofia de Platão influenciou fortemente para a construção da moralidade das gerações posteriores, iniciou uma concepção de diferenciação de bem e mal. 480

Em seus conceitos de mundo inteligível e mundo sensível nota-se características nas quais já se via nascer o cristianismo. Esta separação do mundo perfeito onde estaria o conhecimento e do mundo do sensível onde os homens não enxergam a verdade seria uma extensão do pensamento socrático que afirma que sábio era aquele que admitia nada saber. Platão influenciado pelas observações de Sócrates teria tentado responder o por que os homens são ignorantes apesar de terem a presunção de saber. Apesar da possibilidade de estabelecer a diferenciação entre este dois pensadores que marcaram profundamente a história da filosofia nunca conheceremos Sócrates em sua plenitude, devido sua filosofia ter sido transmitida essencialmente através da oralidade, as obras escritas de seus discípulos nos mostram um Sócrates carregado de características não pertencentes a ele, mas sim aos próprios escritores. Possivelmente as obras platônicas são interpretações idealizadas de seu mestre. Também não conseguiremos estabelecer plenamente até que ponto o desenvolvimento da filosofia platônica está marcada pelo pensamento de seu mestre. Referências MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. MOURA, Maria Lacerda de. Platão, Apologia de Sócrates: Escala, s/d. NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal. Para citar este artigo: VALENTE, Alan Rafael et al. Platão e Sócrates: leituras paradoxais. In: XII CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO Jacarezinho. 2012. Anais...UENP Universidade Estadual do Norte do Paraná Centro de Ciências Humanas e da Educação e Centro de Letras Comunicação e Artes. Jacarezinho, 2012. ISSN 18083579. p. 476 481. 481