Proposta para Criação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Recicláveis Descartados pelos Órgãos e Entidades da Prefeitura de Belo Horizonte

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Transcrição:

Proposta para Criação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Recicláveis Descartados pelos Órgãos e Entidades da Prefeitura de Belo Horizonte BELO HORIZONTE 2013

1 Proposta para Criação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Recicláveis Descartados pelos Órgãos e Entidades da PBH Relatório técnico-científico apresentado para concorrer ao I Prêmio Inovar BH, conforme Edital SMARH nº 01/2013, na categoria Estagiário. BELO HORIZONTE 2013

2 RESUMO Os resíduos tornaram-se nos últimos anos num dos mais importantes problemas ambientais da sociedade contemporânea. A taxa crescente da produção de resíduos e as novas exigências da legislação juntamente com a evolução das soluções técnicas de valorização e eliminação têm originado uma demanda por um Plano de Gerenciamento de Resíduos, em todas as instâncias geradoras, que englobe a sua destinação ecológica. A Política Nacional de Resíduos Sólidos Lei 12.305 de 2010 exige que o município passe a se preocupar com a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos de forma ambientalmente adequada. A coleta seletiva é o principal caminho para se atender as diretrizes apontadas pela lei. Para se avaliar o potencial para a coleta seletiva bem como avaliar a melhor forma de implantação é imprescindível se conhecer as características do resíduo produzido. O objetivo do trabalho é propor diretrizes facilmente aplicáveis para que os resíduos descartados pelos órgãos e entidades da Prefeitura de Belo Horizonte cumpram a legislação municipal estadual e a federal. É possível afirmar que através da elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que inclua a educação socioambiental dos servidores públicos é simples, possível e viável, proporcionar destinação adequada aos resíduos recicláveis oferecendo insumos às cooperativas de catadores de Belo Horizonte. Palavras-chave: Gerenciamento de resíduos sólidos. Coleta seletiva. Educação socioambiental. Política nacional.

3 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas GRSU - Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos PBH - Prefeitura de Belo Horizonte PEV - Ponto de entrega voluntária PGRS - Plano Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos REEE - Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos SLU - Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte

4 SUMÁRIO I INTRODUÇÃO... 5 II CONTEXTO...6 III PROPOSIÇÃO... 8 IV BENEFÍCIOS ESPERADOS... 13 V VIABILIDADE DE APRESENTAÇÃO...14 VI CONCLUSÃO...15 VII REFERÊNCIAS......16 ANEXO A...17

5 I INTRODUÇÃO O desenvolvimento econômico, a urbanização e o aumento dos padrões de consumo apontam para crescimento na quantidade e complexidade dos RSU como subprodutos inevitáveis da atividade humana, favorecendo graves problemas sanitários, principalmente nos países em desenvolvimento. Diante da atual realidade, onde o consumo diário das pessoas é crescente e consequentemente a sua produção de lixo, há uma preocupação com a destinação ambientalmente adequada destes resíduos sólidos gerados. Uma vez que, a vida útil dos aterros tem diminuído e a existência de locais adequados para construção de novos aterros, que respeitem todas as normas operacionais de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos, se torna cada vez mais difícil. (BRASIL, 2010). Com a responsabilidade compartilhada, diretriz fundamental da Política Nacional de Resíduos Sólidos, todos os cidadãos e cidadãs, assim como as indústrias, o comércio, o setor de serviços e ainda as instâncias do poder público terão cada qual uma parte da responsabilidade pelos resíduos sólidos gerados. ABRELPE (2010). Com taxa crescente da produção de resíduos per capita, as exigências da lei federal 12.305/2010 a estadual 18.031/2009 e a municipal 2186/2012. A proposta visa ajudar a implementação da separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades do Poder Público Municipal. Pela lei 2186/2012 foi definido que os resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades do Poder Público Municipal seriam recolhidos por associações e cooperativas habilitadas. Existe, porém, uma grande dificuldade de implantar a coleta seletiva nos prédios da Prefeitura pela ausência de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos adaptado para a realidade individual de cada gerência da PBH. Existe, ainda, uma forte demanda por uma melhoria generalizada em todo o serviço de coleta de lixo no Brasil. Essas melhoras são necessárias não somente na parte do tratamento dos resíduos, mas também nos sistemas de coletas e também na destinação final dos resíduos coletados. As formas atuais de acondicionamento de lixo usadas no país, ou seja, os sacos plásticos, recipientes com tampa, lixeiras públicas, instrumental dos garis ou mesmo as caçambas estacionárias estão à espera de melhorias substanciais e de uma melhor padronização a ser adotada em Belo Horizonte, se possível, em uma escala nacional.

6 II CONTEXTO Os serviços públicos estão situados num ambiente bastante dinâmico, exigindo de seus gestores uma boa percepção dos fatores internos e externos que determinam a realidade dos sistemas. A gestão de resíduos sólidos urbanos na cidade de Belo Horizonte e nos prédios da PBH está num universo que também sofre influência dos padrões de produção e consumo da sociedade e inadequações ambientais. Segundo a ABNT: Resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade, de origem: industrial, doméstica, de serviços de saúde, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideramse também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d'água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. (ABNT, 1987) O PNRS estabelece que os titulares do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, em sua área de abrangência, definirão os procedimentos para o acondicionamento adequado e disponibilização dos resíduos sólidos que são objeto da coleta seletiva. Portanto, o sistema de coleta seletiva se mostra dependente das definições e procedimentos demandados pelo Poder Público. Para que os resultados na tarefa coletiva sejam positivos, e a responsabilidades seja realmente compartilhada por todos. O poder público deverá assumir papel orientador e provocador desse diálogo com a sociedade, por intermédio de reuniões e conferências públicas que deverão ser preparadas. O manejo inadequado de resíduos sólidos de qualquer origem gera desperdícios, contribui de forma importante à manutenção das desigualdades sociais, constitui ameaça constante à saúde pública e agrava a degradação ambiental, comprometendo a qualidade de vida das populações, especialmente nos centros urbanos de grande porte com Belo Horizonte. Um dos princípios básicos da educação ambiental sobre os resíduos é o conceito dos três "Rs" reduzir, reutilizar e reciclar: Reduzir: estimular o cidadão a reduzir a quantidade de resíduos que gera, através do reordenamento dos materiais usados no seu cotidiano, combatendo o desperdício que resulta em ônus para o poder público, e

7 consequentemente, para o contribuinte, a par de favorecer a preservação dos recursos naturais; Reutilizar: reaproveitar os mesmos objetos, escrever na frente e verso da folha de papel, usar embalagens retornáveis e reaproveitar embalagens descartáveis para outros fins são algumas práticas recomendadas para os programas de educação ambiental; Reciclar: contribuir com os programas de coleta seletiva, separando e entregando os materiais recicláveis, quando não for possível reduzi-los ou reutilizá-los.

8 III PROPOSIÇÃO A demanda por solução dos dejetos gerados pela PBH deve ser encarada a partir do conhecimento qualitativo dos seus constituintes. Há um grande consumo de papel devido às atividades administrativas. Propõe-se a criação de um Plano de gerenciamento resíduo adaptado a cada prédio público da Prefeitura de Belo Horizonte. Um método fácil e que pode ser aplicado mesmo na ausência de um profissional específico. O estudo da composição do resíduo sólido municipal é essencial para se propor a gestão adequada e implantação de estratégias eficazes que atinjam as metas pretendidas e isto requer informações confiáveis sobre a composição do resíduo sólido. Através da análise pode-se estimar o potencial de recuperação destes materiais, e assim identificar fontes de geração do componente, facilitar a escolha do equipamento de processamento, avaliar a adesão da população a campanhas já implantadas, identificar o volume de determinado material e as possibilidades sua destinação. (BARROS, 2012). Os produtos usados, provenientes de várias fontes, poderiam ser levados para as cooperativas, coma finalidade de valorização. A inspeção ou a triagem ilustram a necessidade da habilidade na manipulação dos materiais. Essas atividades podem ser realizadas tanto no local e no momento da coleta quanto num momento posterior, no próprio ponto de coleta ou nas instalações da remanufatura. (FERRER e WHYBARK, 2000). No intuito de lograr sucesso na gestão de resíduos é necessário o conhecimento qualitativo do lixo produzido. É proposta a aplicação do método de gravimetria descrito na norma ABNT 10.007 que propõe uma série de procedimentos para amostragem que poderiam ser adotados para uma analise individual em cada prédio ou órgão da PBH. A composição dos resíduos sólidos de uma localidade varia de comunidade para comunidade, de acordo com os hábitos de sua população, do número de habitantes do local, do poder aquisitivo, das variações sazonais, clima, desenvolvimento, nível educacional, entre outros fatores. (FIRMEZA, 2005) O processo de construção dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos deverá levar a mudanças de hábitos e processos administrativos. Nesse sentido, o diálogo terá papel fundamental. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente:

9 O plano de gerenciamento é um documento que apresenta a situação atual do sistema de limpeza urbana, com a pré-seleção das alternativas mais viáveis, com o estabelecimento de ações integradas e diretrizes sob os aspectos ambientais, econômicos, financeiros, administrativos, técnicos, sociais, e legais para todas as fases de gestão dos Resíduos Sólidos, desde a sua geração até a destinação final. Considerando esta definição o plano de gerenciamento deve conter um diagnóstico da situação atual que apresente os aspectos institucionais, legais, administrativos, financeiros, sociais, educacionais, operacionais. As informações relativas ao município abrangem coleta de dados quanto aos aspectos geográficos, sócio-econômicos, de infra-estrutura urbana, população atual, flutuante e prevista. Dessa maneira, entende-se por Modelo de Gestão de Resíduos Sólidos como um conjunto de referências político-estratégicas, institucionais, legais e financeiras capaz de orientar a organização do setor. São elementos indispensáveis na composição de um modelo de gestão: Características quantitativas e qualitativas dos resíduos; Principio da descarga zero; Identificação e análise das disposições legais existentes, incluindo contratos de execução de serviços por terceiros; Identificação e descrição da estrutura administrativa (organização, alocação de recursos humanos); Identificação, levantamento e caracterização da estrutura operacional dos serviços prestados (infra-estrutura física, procedimentos e rotinas de trabalho); Identificação dos aspectos sociais (presença de catadores na disposição final, coleta informal, existência de cooperativas ou associações); Identificação, levantamento e caracterização da estrutura financeira do serviço de limpeza (remuneração e custeio; investimentos; controle de custos); Identificação e caracterização de ações ou programas de Educação Ambiental. Em outros países, a progressiva conscientização da sociedade a respeito das questões ambientais exigirá fatalmente uma atuação mais incisiva dos administradores

10 públicos. O compromisso com a gestão dos resíduos é um dever de todos, envolvendo setores públicos, iniciativa privada, segmentos organizados da sociedade civil, e cabendo também ao Governo Municipal o papel de definir para o setor uma política eficiente e compatível com a nossa realidade. A educação ambiental desponta como o caminho mais promissor na construção de uma realidade mais sustentável e de respeito para com o meio ambiente. Ela deve ser cuidadosa e clara com os Funcionários e estagiários da PBH. Se o processo de planejamento estimular a participação pública, haverá provavelmente terá uma identificação com o programa de reciclagem proposto, bem antes que ele se inicie de fato. A educação ambiental tem se mostrado a chave fundamental para o sucesso dos programas de reciclagem, pois propicia a aprendizagem do cidadão sobre o seu papel como gerador de resíduos, atingindo escolas, repartições públicas, residências. Associado aos investimentos feitos para sensibilização e conscientização da população e também à confiabilidade do serviço oferecido pelas prefeituras. Normalmente, quanto maior a participação voluntária em programas de coleta seletiva, menor é seu custo de administração. Não se pode esquecer também a existência do mercado para absorver o lixo recolhido no sistema de coleta seletiva. Dessa forma, é muito importante que haja benefícios tais como isenções fiscais e linhas de crédito específicas oferecidos pelo governo que possam fomentar a criação de novas empresas de reciclagem. A formação de cooperativas de reciclagem em diversas regiões tem sido objeto de investigação de pesquisas que mostram a importância dessa atividade para mitigar o impacto ambiental dos resíduos sólidos urbanos, por meio do trabalho de coleta seletiva de lixo. Por outro lado, estudos mostram as dificuldades desses profissionais que começam a se organizar em cooperativas, com o apoio, ainda precário, dos setores público e privado e da sociedade civil. O processo de recuperação inicia-se com a coleta, no qual os tipos dos produtos são localizados, selecionados, coletados e transportados para as instalações de remanufatura. Um elemento importante do total dos resíduos gerados pela PBH é o plástico, que é destinado frequentemente sem segregação para o despejo. Propõe-se que o material seja depositado em recipiente identificado. Podendo ser estocados para envio a associações de catadores com infraestrutura para realizar a destinação correta dos resíduos. O modelo também propõe a implantação de PEV s (Pontos de Entrega Voluntária) para a coleta de resíduos perigosos como pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e REEE (Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos).

11 As principais atividades do sistema são: Geração: A geração per capita é a quantidade de resíduos produzida por cada indivíduo em um determinado período (dia, mês, ano). Normalmente o que é determinado é a quantidade coletada (soma dos pesos dos caminhões de coleta menos a tara dos mesmos) dividida pela população que gerou aquela quantidade de resíduos. A composição gravimétrica nos indica a correspondência entre diferentes componentes do lixo e a quantidade total de resíduos (valores geralmente analisados em termos de peso, em base úmida). Esta é talvez a mais importante característica a ser levantada na etapa de Estudos Preliminares. É a partir desses resultados que se tomará a decisão pelo tipo de aterro sustentável. Comunidades que geram grandes quantidades de restos de alimentos deveriam prever um sistema de Compostagem. Assim, se produziria composto orgânico, útil para áreas verdes públicas, por exemplo, e ainda diminuir-se-ia o volume a ser descartado nas trincheiras de disposição final. Coleta/Transporte: O tipo de veículo utilizado neste serviço influencia as etapas posteriores de gerenciamento. Por exemplo, um caminhão compactador não é o mais adequado para uma coleta seletiva, ou mesmo uma coleta regular seguida de triagem. O material previamente separado pelos servidores (ou não) poderá ser misturado dentro do equipamento, chegando à Usina de Triagem em condições de receber um valor na venda inferior àquele coletado por veículos que acondicionam os materiais separadamente. Nesta etapa do questionário obtém-se as informações sobre a quantidade (ou volume) gerado por frequência de coleta. Tratamento: É considerado tratamento aquelas alternativas que geram subprodutos nos processos destinados a reduzir a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos. No caso dos inertes (papel, metais, plásticos, vidros) a reciclagem, embora realizada na indústria e não na Usina de Triagem, é um exemplo de tratamento. Para a parcela de restos de alimentos e também os resíduos das atividades de podas de árvores e cortes de grama recebem o tratamento denominado: Compostagem. Trata-se de um processo controlado de transformação desses materiais em húmus, sendo realizada pela ação de microrganismos aeróbios presentes no próprio material. Diz-se que é um processo controlado porque são os microrganismos que efetuam a degradação dos resíduos, mas propiciar as melhores condições a eles é tarefa de quem opera as

12 leiras ou pilhas. Faz-se isto monitorando: tamanho das partículas, temperatura, umidade, ph e nutrientes. Destino Final: Finalmente deve ser levantada as características do sistema atual empregado no município para a etapa de destino final dos resíduos sólidos. Interessa conhecer-se, neste momento, o tipo de processo empregado (aterro sanitário) localização do sistema e a área total ocupada. Além disto, deverá ser feita a caracterização da área e entorno para, já nesta etapa, conhecer-se a situação ambiental local. Inicialmente é preciso relacionar a área com o Plano Diretor Municipal e outras leis de Uso e Ocupação do Solo, verificando-se se a área não corresponde a uma Unidade de Conservação Ambiental ou área sob proteção especial, como parques, estações ecológicas, áreas de proteção ambiental, áreas tombadas pelo patrimônio histórico.

13 IV BENEFÍCIOS ESPERADOS Os benefícios da iniciativa proposta vão além do econômico. O cumprimento da legislação vigente, a educação socioambiental dos funcionários diretos da prefeitura, o encaminhamento dos resíduos já segregados as associações de catadores de Belo Horizonte facilitando sua reciclagem. Aumento da vida útil do aterro sanitário de Sabará e economia com o transporte dos resíduos. Elencando os principais benefícios: Destinação adequada dos materiais recicláveis; Menor quantidade de resíduo destinado ao aterro; Redução de gastos com disposição; Benefícios sociais e inclusão de pessoas a cadeia produtiva. A SLU apresenta os seguintes benefícios: Diminuição da exploração de recursos naturais renováveis e não-renováveis; Economia de energia; Melhoria da limpeza da cidade e da qualidade de vida da população; Aumento da conscientização ambiental; Aumento da vida útil dos aterros sanitários; Diminuição da poluição do solo, da água e do ar; Diminuição da proliferação de doenças e da contaminação dos alimentos; Diminuição de custos de produção pelas indústrias que reaproveitam o material reciclável; Diminuição dos gastos com limpeza urbana; Melhoria da qualidade dos compostos produzidos a partir da matéria orgânica; Inclusão social, com geração de emprego e renda para famílias carentes; Fortalecimento das organizações comunitárias. Reciclando, aproveitamos o material de um objeto, transformando-o em outro, diminuindo a extração de matéria-prima da natureza e também a quantidade de lixo destinado aos aterros sanitários. A reciclagem preserva os recursos naturais como árvores, areia, petróleo e o ferro. Reciclar contribui para a redução da poluição do solo, da água e do ar, melhora qualidade de vida da população e contribui para manter a cidade limpa, gera empregos, entre outras vantagens.

14 V VIABILIDADE DE APRESENTAÇÃO Segundo o CEMPRE (1993), é importante observar que a análise custobenefício não é o único indicador de viabilidade, já que não leva em conta os benefícios sociais e ambientais decorrentes da reciclagem. Segundo a SLU existe um plano na cidade de Belo Horizonte desde 1993 para minimizar os efeitos ambientais negativos decorrentes da geração dos resíduos e maximizar os benefícios sociais e econômicos para o município. Fatores que tornam a reciclagem economicamente viável: Custo da separação, coleta, transporte, armazenamento e preparação do resíduo antes do processamento; Quantidade de material disponível e condições de limpeza; Proximidade da fonte geradora com o local onde será reciclado o material; Custo do processamento do produto; Características e aplicações do produto resultante; Demanda do mercado para o material reciclado. A viabilidade do modelo proposto consiste também no fato que já existe um PGRS, mas que precisa ser adaptado e aplicado nas repartições da PBH. Para continuidade do processo é fundamental que hajam servidores incumbidos da responsabilidade de fiscalizar e orientar a logística do plano. Para elaboração dessa proposta foi efetuada uma pesquisa com os funcionários responsáveis pela limpeza em um Prédio da Prefeitura foi constatado que a separação do resíduo não estava sendo feita. No entanto, por iniciativa própria os funcionários da limpeza já separam o lixo biocontaminante (lixo de banheiro) do lixo comum. Ações simples e que podem ser aplicadas mesmo na ausência de um profissional específico. Para os estudos preliminares é importante ainda um diagnóstico do gerenciamento de resíduos sólidos em andamento em Belo Horizonte. Todas as etapas, da geração ao destino final devem ser levantadas. O levantamento de dados qualitativo e quantitativo sobre as atividades de gestão em voga é fundamental para um adequado planejamento de melhorias no sistema. São fundamentais informações da composição gravimétrica desses e sobre os serviços de limpeza pública executados. (KRIKKE, VAN HARTEN,SCHUUR, 1998)

15 VI CONCLUSÃO Tendo em mente os diversos aspectos ambientais no qual estamos inseridos. A proposta pode ser aplicada com pouco investimento diversos benefícios. A cidade de Belo Horizonte deve continuar na vanguarda nacional e dar um bom exemplo de gestão adequada dos resíduos. O gerenciamento de resíduos sólidos urbanos e institucionais deve ser integrado, ou seja, deve englobar etapas articuladas entre si, desde a não geração até a disposição final, com atividades compatíveis com as dos demais sistemas do saneamento ambiental, sendo essencial a participação ativa e cooperativa do primeiro, segundo e terceiro setor. Finalmente, com a elaboração do PGRS adaptado a prefeitura poderá promover a adequação perante a legislação vigente com da implantação de ações e práticas que proporcionem solucionar as questões relacionadas ao manejo dos resíduos, visando, sempre quando possível, a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem dos mesmos.

16 VII REFERÊNCIAS ABRELPE (2010). Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. São Paulo. BARROS, Raphael Tobias de Vasconcelos (2012). Elementos de Gestão de Resíduos Sólidos. Editora Tessitura: Belo Horizonte. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.004: Resíduos sólidos classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. BRASIL. Lei nº. 12.305, de 02 de agosto de 2010 Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 2 de ago. de 2010. FERRER, G; WHYBARK, D. C. From garbage to goods: successful remanufacturing systems and skills. Business Horizons, v. 43, n. 6, p. 55-64, 2000. FIRMEZA, Sérgio de Miranda. A caracterização física dos resíduos sólidos domiciliares de Fortaleza como fator determinante do seu potencial reciclável. 2005. 118 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Marinhas Tropicais) - Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2005. IPT/CEMPRE - Lixo Municipal, Manual de Gerenciamento Integrado São Paulo 2º edição, 2000 KRIKKE, H. R; VAN HARTEN, A; SCHUUR, P. C. On a medium term product recovery and disposal strategy for durable assembly products. International Journal of Production Research, v. 36, n. 1, p. 111-139, 1998. MINAS GERAIS (ARMBH). Proposições para a gestão dos resíduos da construção civil e resíduos volumosos dos municípios. Belo Horizonte: ARMBH, 2010.

17 ANEXO A - ASSOCIAÇÕES/COOPERATIVAS DE CATADORES Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável) R. Ituiutaba, 460, Prado CEP: 30410-660 e-mail: asmarereciclo@gmail.com Associrecicle (Associação dos Recicladores de Belo Horizonte) R. Araguari,12, Barro Preto CEP: 30190-290/Regional Centro - Tel: 3271-3202 e-mail: reciclagemassocireciclebh@yahoo.com.br - Coomarp-Pampulha (Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha LTDA.) Unidade I: Av. Presidente Antônio Carlos, 4070, São Francisco - CEP.: 31270-000 Tel: 3495-2613 Unidade II: Rua Caldas da Rainha, 2083, São Francisco - Tel: 3447-2055 e-mail: comarpampulha@yahoo.com.br -Unidade III Rua Santa Vitória, nº 136, Bairro Jardim Leblon. CEP: 31540-110. Tel: 3277-1811 e-mail: coopersolvendanova@yahoo.com.br Coopemar - Oeste (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Região Oeste de BH) Av. Solferina Ricci Pace, 1250 Vale do Jatobá. CEP: 30664-000 - Tel: 3385-6015 e-mail: coopemarsede@yahoo.com.br Coopesol LESTE (Coopérativa Solidária detrabalhadores e Grupos Produtivos da Região Leste) Rua São Vicente, nº 151, Bairro Granja de Freitas - CEP: 30285-690 - Tel: 3277-7626 - e-mail: coopersolleste@yahoo.com.br Coopersoli Barreiro (Cooperativa Solidaria Dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região) R. Lacyr Máffia, 115, Jatobá IV CEP.: 31270-700 Tel: 3387-3311/ 9817-7196 / e-mail: coopersoli@yahoo.com.br