TÍTULO:AVALIAÇÃO DA DESRATIZAÇÃO E DESINSETIZAÇÃO EM UM HOSPITAL GERAL DA REDE PÚBLICA NOS ANOS DE 2000 E 2002 Autores: Ana Claudia Santos Amaral ( anacsamaral@globo.com ) 1 Aline do Nascimento Macedo ( linmacedo@ig.com.br ) 1 Roberta Rodrigues Teixeira de Castro ( robycastro@ig.com.br ) 1 Lia Cristina Galvão dos Santos ( lia_galvao@uol.com.br ) 2 Marisa Zenaide Ribeiro Gomes ( marisargomes@alternex.com.br ) 3 Maurício Andrade Perez ( map@domain.com.br ) 4 Área temática escolhida: Saúde. Introdução Existe uma grande preocupação em relação a presença de vetores e de mecanismos de controle de infestação em nível hospitalar, constituindo grave problema de saúde pública. Determinados artrópodes, roedores, aves e até mamíferos em unidades de saúde, podem estar diretamente relacionados às infecções hospitalares, muito embora não sejam claras as estatísticas dessa relação, já que outras variáveis, como espécies presentes, tipo e manutenção de instalações, condução do funcionamento e orientação aos pacientes e profissionais, apresentem influência significativa desses quadros. Alguns fatores acabam por favorecer sua rápida multiplicação, que nesse contexto passam a constituir-se em pragas, causando prejuízos à saúde ou de ordem econômica. São eles: deposição inadequada de resíduos, armazenamento impróprio de gêneros alimentícios, manutenção indevida de estruturas, dentre outras. As unidades de saúde devem combater a presença de pragas, uma vez que estas podem agir como vetores biológicos ou mecânicos, colaborando direta ou indiretamente na transmissão de agentes patogênicos tanto para os pacientes quanto para o profissional de saúde. 1 Residentes do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (NESC/UFRJ). 2 Enfermeira da CCIH do Hospital Geral de Bonsucesso. Doutora em Enfermagem. 3 Médica Infectologista, presidente da CCIH do Hospital Geral de Bonsucesso. Doutora em Medicina. 4 Médico epidemiologista da CCIH do Hospital Geral de Bonsucesso. Mestre em Epidemiologia.
Objetivo Avaliar a presença de vetores e os mecanismos de desinfestação realizados neste hospital, nos anos de 2000 e 2002. Material e Métodos Este trabalho foi realizado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), em conjunto com as residentes do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (NESC/UFRJ), que desenvolvem atividade atualmente neste hospital, sobre a avaliação da infestação presente em todos os setores. Foram distribuídos protocolos para 56 setores no ano de 2000 e 64 no ano de 2002, sendo respondidos e devolvidos num período de dois meses, aproximadamente. As variáveis estudadas foram: presença de vetores, tipo de vetores, áreas afetadas e mecanismos de desinfestação. Os dados foram analisados no programa EpiInfo, versão 6.04. Resultados No ano de 2000 foram enviados 56 protocolos, correspondendo o total de setores do hospital nesta época, sendo que destes apenas 38 (68%) foram respondidos e devolvidos à CCIH, para posterior análise. Em 2002, apesar do número de protocolos enviados ter aumentado para 64, pela criação de novos setores no hospital, o total de respostas foi praticamente o mesmo, equivalendo a 67% (43). Os principais vetores avaliados neste estudo foram rato, barata, formiga, cupim, broca, mosquito, pombo e gato. Ao comparamos os dois anos, foi verificado que não houve diferença significativa em relação ao percentual de vetores encontrados nos setores, o que representou aproximadamente 90% de infestação. Os vetores que obtiveram uma maior distribuição percentual de acordo com a ano de estudo foram, barata (68,4%/2000 e 55,8%/2002) e mosquito (63,2%/2000 e 74,4%/2002), enquanto broca e pombo obtiveram
os menores valores (0%/2000 e 4,7%/2002; 7,9%/2000 e 16,3%/2002, respectivamente), como pode ser verificado no gráfico abaixo. Gráfico1. Distribuição percentual da presença de vetores nos setores do hospital, nos anos de 2000 e 2002 Presença de vetores (%) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 barata broca mosquito pombo Vetores 2000 2002 Fonte: HOSPITAL GERAL DE BONSUCESSO/ CCIH Foi relatada a presença de outros animais, além dos referidos neste protocolo, sendo que em 2000 apenas 6 setores os descreveram, são eles: cachorro na Engenharia e Farmácia, lacraia no Ambulatório Geral, marimbondo na Cardiologia e mosca na Hemoterapia. Em 2002 foram referidos 5 setores com a seguinte distribuição: cachorro na Farmácia, marimbondo na Urologia e Cardiologia e ratazana/camundongo na Cozinha e Refeitório. As áreas mais afetadas foram os banheiros, com aproximadamente 42% de infestação, nos dois anos analisados e, em seguida os vestiários, com distribuição de 28,9% em 2000 e 34,9% em 2002.
Além das áreas mencionadas abaixo, outras foram citadas no protocolo, porém não apresentaram valores significativos. Tabela1. Distribuição percentual da presença de vetores nas principais áreas dos diversos setores do hospital, nos anos de 2000 e 2002 Presença de vetores 2000 2002 Áreas Posto de Enfermagem 10 26,3 9 20,9 Repouso Médico 3 7,9 5 11,6 Repouso de Enfermagem 5 13,2 9 20,9 Enfermarias 10 26,3 8 18,6 Unidade de Paciente 6 15,8 9 20,9 Banheiros 16 42,1 19 42,2 Vestiários 11 28,9 15 34,9 Apoio Diagnóstico 6 15,8 2 4,7 Fonte: HOSPITAL GERAL DE BONSUCESSO/ CCIH Em relação ao quantitativo de vetores observado no mês em que o protocolo foi respondido, foi relatada uma redução nos valores percentuais de, 47,4% no ano de 2000 e apenas 7% em 2002, enquanto que 2,6% dos setores relataram aumento do número de vetores em 2000 e 27,9% em 2002. Grande parte dos setores não apresentou alteração neste quantitativo, correspondendo a 42,1% em 2000 e 55,8% em 2002. Quanto à realização de mecanismos de desinfestação, tais como: dedetização, desratização e descupinização, foi visto principalmente em relação a dedetização uma queda de 73,7% em 2000 para 16,3% em 2002. Tabela2. Distribuição percentual dos principais mecanismos de desinsetização e desratização, nos anos de 2000 e 2002
Realização dos mecanismos de desinsetização e desratização Mecanismos 2000 (N= 38) 2002 (N=43) Dedetização 28 73,7 7 16,3 Desratização 6 15,8 3 7 Descupinização 3 7,9 3 7 Fonte: HOSPITAL GERAL DE BONSUCESSO/ CCIH Quanto aos procedimentos acima, pode ser verificado que apenas 4 setores solicitaram desratização em 2000 e 2002 o que representa 10,5% e 9,3%, respectivamente, e para a desinsetização, 4 setores (10,5%) solicitaram, em 2000 e 9 setores (20,9%) em 2002. Quando questionados quanto ao atendimento da solicitação dos procedimentos de desinfestação, nos anos de 2000 e 2002, foram encontrados os seguintes valores, respectivamente: foi atendida em 2 e 4 setores, não foi atendida em 27 e 12 setores e 9 e 26 setores ignoravam esta informação. Conclusão Diante dos dados apresentados, verificou-se o despreparo tanto dos setores que não solicitavam os serviços, quanto da ausência de uma rotina que efetive a periodicidade dos procedimentos de desinfestação. Referência Bibliográfica GRAZIANO, K. U.; et al. Limpeza, Desinfecção, Esterilização de Artigos de Anti-Sepsia. In: FERNANDES, A. T. ; FERNANDES, M. O. V. ; RIBEIRO FILHO, N. Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área de Saúde. São Paulo: Ed. Atheneu, 2000. MAYHALL, C.G.; Hospital Epidemiology and Infection Control. Philadelphia: Ed. Lippincott Williams & Wilkins, 1999.
APIC Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology, Inc. CD ROM Infection Control and Applied Epidemiology: Principles and Pratice. Ed. Mosby, 1999.