APOSTILA DE ESTUDO ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Marcelo Cauduro de Castro - Mestre mccastro@terra.com.br MINI CURRÍCULO: Marcelo Cauduro de Castro é Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Finanças Empresariais pela Fundação Getulio Vargas com complemento na UCI, Administrador de Empresas e Contador pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Sua experiência profissional inclui 13 anos em bancos estrangeiros como gerente, diretor e consultor de empresas, conveniado da FGV em Blumenau e Itajaí por sete anos e atualmente sócio gerente da PowerSelf Desenvolvimento Pessoal e Power Training Consultoria e Treinamento Empresarial. Atua como docente em diversos cursos na área de finanças e contábil.
4 INSTRUMENTOS DE ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA Introdução Para uma adequada análise econômico-financeira é necessário um bom conhecimento dos índices. Estes são os principais instrumentos para a análise. No capítulo 3 demonstramos que é fundamental o estudo dos índices de atividade, pois estes demonstram uma visão dinâmica da empresa (sempre com continuidade nas operações) através dos prazos médios e giros. No entanto existem inúmeros outros índices estáticos que auxiliam de forma substancial a análise da empresa. Este capítulo objetiva demonstrar a forma de calcular os principais indicadores e buscar a correlação das contas do balanço patrimonial, demonstrativo de resultados e todos os indicadores relacionados a eles. Sendo assim, vamos estudar os Índices de liquidez, de endividamento, de lucratividade e citar (novamente) os de atividade. Antes de iniciarmos a apresentação dos índices cabe algumas recomendações que serão constantemente abordadas quando nos referimos à análise econômicofinanceira: O índice analisado isoladamente é insuficiente para se julgar o desempenho de uma empresa; Os índices analisados devem contemplar o mesmo período de apuração, a fim de evitar os problemas de sazonalidade; É preferível que as demonstrações financeiras sejam auditadas; As demonstrações financeiras não devem ter procedimentos contábeis diferentes de um ano para o outro. Índices Estáticos De acordo com a análise estática, a situação financeira da empresa é examinada num determinado instante com base no balanço patrimonial da empresa. Este é lido pelos analistas como o objetivo de obter indicações e tendências sobre a futura evolução empresarial. O ponto principal da análise do balanço patrimonial, através da construção de indicadores de liquidez e da estrutura patrimonial, é um possível ponto de partida da análise da situação financeira empresarial. Exercício 1 Preencher o quadro abaixo Ano 8 Ano 9 Ano 10 Ano 11 Ativo Total 1.600 2.610 Exigível a Longo Prazo 273 703 228 Ativo Permanente 1.059 899 Total do Passivo e P. Líquido 2.674 Passivo Circulante 720 1.182 1.218 Patrimônio Líquido 765 1.127 Ativo Circulante 1.008 1.662 1.683
ÍNDICES DE LIQUIDEZ Os índices de liquidez servem para medir a capacidade da empresa atender a seus compromissos de curto prazo através da realização de seus ativos circulantes. A determinação dos níveis adequados de ativos circulantes e passivos circulantes, que por sua vez definem o nível do capital de giro, requer a tomada de decisão com relação ao risco e retorno. Para que uma empresa possa pagar as suas dívidas nos prazos previstos é fundamental o recebimento gerado através da rotação dos seus ativos circulantes. Quando uma empresa compra a prazo, ela sabe com antecedência as condições de crédito e as datas de vencimento das obrigações. A dificuldade existe em prever quando ocorrerão as entradas de caixa. Quanto mais imprevisíveis forem às entradas de caixa maior deverá ser o seu CCL - capital circulante líquido, ou seja, sua liquidez. Um financiador da empresa deseja que seus ativos circulantes excedam de forma adequada os passivos circulantes. De certo modo, esta é uma condição para que o reembolso dos passivos circulantes ocorra dentro dos prazos previstos, através da liquidez gerada dentro de um curto período pela venda dos bens estocados e pelos recebimentos dos créditos a clientes. Sendo assim, as principais medidas de liquidez são CCL capital circulante líquido, Índice de Liquidez Corrente, Índice de Liquidez Seca e Índice de Liquidez Imediata. CCL Capital Circulante Líquido embora não seja um índice é utilizado para medir a liquidez global da empresa. CCL = Ativo Circulante Passivo Circulante Liquidez Corrente mede a capacidade da empresa em satisfazer suas obrigações de curto prazo. Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante Ao considerarmos uma empresa que num determinado momento tenha $ 3.000 de ativos circulantes e $ 2.000 de passivos circulantes, o índice de liquidez corrente é igual a 1,5. Isto é, para cada $1,00 de dívidas vencíveis no curto prazo, a empresa dispõe de $ 1,50 de bens e direitos realizáveis a curto prazo. OBS: Deve-se tomar cuidado ao se olhar isoladamente o índice de liquidez corrente, pois este não revela a articulação entre os prazos de vencimentos das dívidas e os prazos de realização dos ativos, além de não revelar a sua qualidade. Dessa forma, a análise financeira correta deve se basear num estudo detalhado de todos os indicadores em conjunto.
Liquidez Seca mede a capacidade de pagamento a curto prazo excluindo os estoques do ativo circulante, por ser geralmente o ativo de menor liquidez. Assim, este índice pressupõe que os compromissos de curto prazo serão atendidos somente pela realização das duplicatas a receber e disponibilidades, considerando que os estoques são itens renováveis e não realizáveis. Liquidez Seca = (Ativo Circulante Estoques) / Passivo Circulante Liquidez Imediata mede a capacidade de pagamento a curto prazo, utilizando somente as disponibilidades (caixa, bancos e títulos de elevada liquidez). Liquidez Imediata = Disponibilidades / Passivo Circulante A administração da liquidez é um problema de grande importância na administração financeira. Voltando ao Capítulo 3 Risco e Lucratividade, verificamos os aspectos relacionados à forma de administrar a empresa no tangente a liquidez, associado a uma escolha entre risco e lucratividade. É necessário um comportamento equilibrado da liquidez e muito atenção para antecipações de situações que possam favorecer uma modificação de seu grau. Por exemplo, numa situação de escassez de crédito e elevadas taxas de juros com um mercado consumidor fraco, a empresa deve elevar seu grau de liquidez imediata, concentrando recursos em ativos financeiros de alta liquidez. No entanto, numa situação com taxas de juros mais baixas e mercado consumidor aquecido, deve-se esperar que a empresa reduza o seu grau de liquidez imediata e concentre recursos em estoques, duplicatas a receber e investimentos em Ativo Permanente, a fim de elevar a lucratividade. Exercício 2 Preencher o quadro abaixo considerando as informações recebidas Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ativo Circulante 8.435 9.988 Ativo Permanente 14.960 Ativo Total 24.025 Passivo Circulante 6.733 7.642 8.000 Exigível a Longo Prazo 5.999 9.207 Patrimônio Líquido 7.850 8.020 Passivo Total e Patrimônio 20.468 25.535 Líquido Ano 7 - Capital Circulante Líquido = 1.724 Ano 8 - Liquidez Corrente = 1,25 Ano 9 - CCL = 1.948
ÍNDICES DE ENDIVIDAMENTO A situação de endividamento de uma empresa indica o montante de recursos de terceiros que está sendo usado, na tentativa de gerar lucros. Há dois tipos gerais de medidas de endividamento: o grau de endividamento e a capacidade para honrar as dívidas. O primeiro tipo de medida de endividamento é o grau de endividamento que mede o montante da dívida em relação a outras grandezas do balanço patrimonial. Os índices mais utilizados são o endividamento geral e o endividamento a curto prazo. Endividamento Geral mede a proporção de ativos totais da empresa financiada pelos credores. Quanto maior for este índice, maior será o montante de capital de terceiros financiando a atividade da empresa para gerar lucros. Endividamento Geral = Exigível Total / Ativo Total Exigível Total = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo Este índice é apresentado em percentual. Quanto maior este índice maior a alavancagem financeira da empresa, pois se amplia o risco e o retorno ocasionados pelo uso de financiamentos a custos fixos, com dívidas e ações preferenciais. Endividamento a Curto Prazo mede a proporção de recursos a curto prazo no financiamento das atividades da empresa. Endividamento a Curto Prazo = Passivo Circulante / Ativo Total Endividamento a Longo Prazo mede a proporção de recursos a longo prazo no financiamento das atividades da empresa. Endividamento a Longo Prazo = Exigível a Longo Prazo / Ativo Total O segundo tipo de medida de endividamento é a capacidade para honrar as dívidas, o qual se refere à capacidade da empresa para efetuar os pagamentos contratuais requeridos, segundo uma dada programação, ao longo da vida da dívida. Com as dívidas vêm as obrigações de pagamentos fixos programados, relativos aos juros e ao principal. A capacidade da empresa em pagar certas obrigações fixas é medida pelos índices de cobertura. No entanto somente o índice de cobertura de juros está relacionado com a dívida. Índice de Cobertura de Juros mede a capacidade da empresa para realizar pagamento de juros contratuais. Quanto maior for este índice, maior será sua capacidade para liquidar as obrigações de juros. Índice de Cobertura de Juros = LAJIR / Despesas com Juros LAJIR = Lucro antes dos juros e do imposto de renda
Exercício 3 Preencher o quadro abaixo considerando as informações recebidas Ano 5 Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ativo Circulante 2.626 3.314 Ativo Permanente 2.628 2.679 Ativo Total 5.185 Passivo Circulante 1.568 2.199 Exigível a Longo Prazo 1.486 1.751 Patrimônio Líquido 1.947 Passivo Total e Patrimônio 5.009 5.993 Líquido Endividamento de Curto Prazo 33,4% Índice de Liquidez Corrente 1,58 1,83 Ano 7 Endividamento Geral = 61,4% Ano 8 Endividamento Geral = 77,8% ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE Existem muitas medidas de lucratividade. Cada uma delas relaciona os retornos da empresa a suas vendas, a seus ativos, ao seu patrimônio líquido, ou ao valor da ação. Uma forma popular para se avaliar a lucratividade em relação às vendas é a composição porcentual dos resultados. Nesta cada item é expresso como uma percentagem das vendas, permitindo uma fácil avaliação de receitas e despesas específicas. Esta visão é muito usada para a comparação entre anos. Exercício 4 - Preencher o quadro abaixo e calcular os percentuais em relação à receita de vendas. Ano 6 % Ano 7 % Receita de Vendas 7.029 100 100 Custos dos Produtos Vendidos 5.394 5.903 Lucro Bruto Despesas de Vendas e 1.322 1.511 Administrativas Despesas Financeiras 25 30 Lucro Operacional Despesas do Imposto de Renda 108 84 Lucro Líquido 136 No exercício acima podemos observar três índices de lucratividade bastante utilizados: margem bruta, margem operacional e margem líquida. A seguir vamos detalhar cada um destes indicadores. Margem Bruta - Representa a porcentagem de cada real de venda que restou após a empresa ter deduzido os custos de suas mercadorias. Um aumento na margem bruta significa ou um aumento das vendas mais do que proporcional ao aumento do custo, ou queda do custo das mercadorias ou produtos vendidos.
Margem Bruta = Lucro Bruto / Receita de Vendas Líquidas As margens sempre são apresentadas em percentagem, assim devem ser multiplicadas por 100 A comparação da margem bruta entre empresas só faz sentido para empresas do mesmo ramo de atividades. Por exemplo, não se compara à margem bruta de um supermercado (bastante pequena) com a de uma joalheria (bastante elevada) ou de uma fábrica de brinquedos (que é também elevada). Ao se analisar a evolução da margem bruta de uma companhia ao longo do tempo, deve-se buscar as causas das variações, quando estas forem significativas. Por exemplo, um crescimento na margem bruta pode ser decorrência de um crescimento dos preços maior do que dos custos. É comum o crescimento da margem bruta devido à diluição dos custos fixos à medida que aumenta a quantidade vendida (custo unitário de produção menor). Uma queda na margem bruta pode ser originada por: o Um controle de preço exercido pelo governo; o Uma política liberal, com redução das tarifas de importação, de modo a pressionar a concorrência; o Redução do volume vendido e, conseqüentemente uma menor diluição dos custos fixos (isto é, a receita de vendas cairá mais do que os custos, pois a parcela de custos fixos independe da quantidade produzida); o Elevação de salários e preços de matérias-primas; o Perda de eficiência na produção; o Mudanças de critérios contábeis da empresa, de modo que este passe a computar como custo de produção itens que eram anteriormente considerados como despesas operacionais. Margem Operacional - Representa a porcentagem de cada real de venda que restou após a empresa ter deduzido os custos de suas mercadorias, suas despesas administrativas, tributárias e de venda e antes do efeito do custo financeiro e do imposto de renda. Margem Operacional = Lucro Operacional / Receita de Vendas Líquidas Lucro Operacional deve ser antes das Despesas Financeiras e I.R. As margens sempre são apresentadas em percentagem, assim devem ser multiplicadas por 100 Margem Líquida - Representa a porcentagem de cada real de venda que restou após a empresa ter deduzido todas as suas despesas, inclusive financeiras e imposto de renda. Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita de Vendas Líquidas As margens sempre são apresentadas em percentagem, assim devem ser multiplicadas por 100 A margem líquida depende do setor. Deste modo, o analista antes de avaliar determinada margem de uma empresa, deve conhecer a média do setor. É importante verificar quanto às despesas e receitas não operacionais afetam o resultado líquido obtido e qual é a origem dos resultados de equivalência patrimonial.
Após analisar os retornos sobre as vendas, é fundamental o confronto do lucro sobre os ativos, o patrimônio líquido (investimento dos proprietários) e sobre o valor da ação. Taxa de Retorno sobre o Ativo Total (ROA) mede a eficiência global da administração quanto à obtenção de lucros com seus ativos disponíveis. Indica a lucratividade que a empresa propicia em relação aos investimentos totais. É usualmente chamada de retorno sobre o investimento da empresa ROA = Lucro Líquido / Ativo Total As margens sempre são apresentadas em percentagem, assim devem ser multiplicadas por 100 Como o ativo total é igual ao passivo total, este índice mede também a rentabilidade de todos os recursos à disposição da empresa, sejam eles pertencentes aos acionistas ou pertencentes s terceiros. Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) mede o retorno obtido sobre o investimento (ações preferenciais e ordinárias) dos proprietários da empresa. ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido As margens sempre são apresentadas em percentagem, assim devem ser multiplicadas por 100 Lucro por ação (LPA) representa o valor auferido sobre cada ação ordinária emitida. Não representa o montante de lucros efetivamente distribuídos aos acionistas. LPA = Lucro disponível aos acionistas ordinários / nr. ações ordinárias emitidas Este índice interessa aos acionistas atuais e potenciais e aos administradores. O público investidor acompanha-o atentamente e considera um importante indicador do sucesso da empresa. Índice preço/lucro (P/L) representa o montante que os investidores estariam dispostos a pagar por unidade de lucro da empresa. P/L=Preço de mercado da ação ordinária / Lucro por ação Não é considerada uma medida de lucratividade, mas é bastante usado para indicar a apreciação dos proprietários sobre o valor da ação. O valor do índice P/L indica o grau de confiança que os investidores têm sobre o futuro desempenho da empresa.
Exercício 5 - Preencher as lacunas vazias com o auxílio das fórmulas e das informações abaixo. Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ativo Circulante 8.450 Ativo Permanente 13.080 Ativo Total Passivo Circulante 7.650 Exigível a Longo Prazo Capital Social 1.000 1.200 1.200 Lucros Acumulados 6.720 7.730 3.900 Passivo Total e Patrimônio Líquido Receita Operacional Líquida CMV 14.940 Lucro Bruto 20.040 Lucro Operacional 2.050 (4.520) Lucro Líquido 5.820 O lucro acumulado em todos os anos não contempla o lucro do exercício. No ano 1: O CMV representa 42,857% da receita operacional líquida Capital de terceiros representa 59,45% do total das aplicações, sendo que deste valor 46,876% é longo prazo. No ano 2: O valor do estoque soma 2.520 e a Liquidez Seca é 0,45. O nível de imobilização é 2,5647 A margem líquida é negativa em 12,6695% e a margem bruta é 50,5788% No ano 3: O ROA é 23,0312% A margem líquida é 13,8209%, margem operacional é 16,077% e a margem bruta é 57,7535% A liquidez corrente é 1,5529 e o endividamento de longo prazo é 25,7222% Exercício 6 - Uma empresa apresentou lucro bruto de $ 35 que representa 25% do faturamento líquido. O ativo permanente é $ 20, o realizável a longo prazo $ 10 e o ativo circulante $ 40. O endividamento de curto prazo é 35% e o de longo prazo 15%. Estoque é $ 15 e o caixa $ 7. Se a margem de lucro líquida é 7,5% calcular: Liquidez Corrente Liquidez Geral Liquidez Seca Liquidez Imediata Nível de Imobilização ROA ROE COMO FOI INÚMERAS VEZES CITADO, NENHUM ÍNDICE POR SI SÓ É ADEQUADO PARA AVALIAR TODOS OS ASPECTOS RELATIVOS A
SITUAÇÃO FINANCEIRA DA EMPRESA. UMA ANÁLISE COMPLETA DOS ÍNDICES PODE SER FEITA ATRAVÉS DO SISTEMA DUPONT. SISTEMA DUPONT O Sistema DuPont (também conhecido como Taxa de Retorno sobre o Ativo Total ROA) é um método bastante utilizado para se analisar o desempenho econômico de uma empresa. Este método foi desenvolvido pelo grupo DuPont para avaliação e controle do desempenho de unidades integrantes de uma mesma empresa, podendo, entretanto, ser aplicado para medir o desempenho global da companhia. A taxa de retorno sobre o ativo total pode ser entendida como o custo financeiro máximo que uma empresa pode incorrer em suas captações de fundos. Caso uma empresa obtenha empréstimos à taxa de juros superiores ao retorno gerado pelos ativos, o resultado produzido pela aplicação desses recursos será naturalmente inferior à remuneração devida ao credor, prejudicando assim a rentabilidade dos proprietários. Os acionistas, devido ao maior risco que assumem nos negócios da empresa, devem ser remunerados a taxas privilegiadas. Caso isso ocorra, haverá um desestímulo ao investimento em capital de risco. Assim, é vantajoso para a empresa à captação de recursos de terceiros toda vez que o seu custo for inferior ao retorno produzido pelos seus ativos. Entretanto, deve-se considerar o fator risco, pois um empréstimo que hoje é favorável poderá não sê-lo amanhã se a taxa de juros subir, ou o retorno sobre o investimento total cair. A taxa de retorno sobre o ativo total se baseia na margem operacional e no giro do ativo total como podemos ver na apresentação abaixo:
SISTEMA DuPONT Vendas - CPV/CMV Desp.Oper. - - Desp.Fin. Lucro Líquido / Vendas Margem Líquida - Imp.Rend. X ROA - Taxa de Retorno do Ativo Total A.Circul. Vendas / Giro do Ativo Tot. + Ativo Total A.Perman. A margem líquida é obtida a partir do cálculo do lucro líquido onde são deduzidas das vendas todos os custos e despesas e dividindo o mesmo pelas próprias vendas. O giro do ativo total é o resultado da divisão de vendas sobre o ativo total. Ele indica quanto à empresa vendeu para cada R$ 1,00 de investimento. O que todo empresário deseja é minimizar a necessidade de ativos no seu negócio, para um determinado nível de vendas, isto é, elevar o giro do ativo. A empresa obterá tanto mais lucros quanto mais reais retornarem ao caixa, no menor tempo possível, para cada real que de lá saiu. Assim, quanto maior a margem de lucro obtido nas vendas e quanto mais acelerado for o giro dos componentes do ativo envolvido nas operações, maior será o lucro.
A partir da decomposição da taxa de retorno sobre o ativo total, uma empresa pode determinar estratégias de administração financeira: Controle dos custos e despesas de forma que os minimize, apurando com isso um lucro líquido maior e, se considerarmos o volume de vendas constante, uma margem líquida maior. Estabelecimento de um nível mínimo de aplicações, isto é, evitar estoques supérfluos, instalações exageradas, ociosidade de equipamentos, duplicatas incobráveis (só vender pára quem não paga), saldos inativos de caixa (a não ser para a obtenção de saldo médio no sistema financeiro), etc. Esses cuidados visam reduzir o Ativo Total sem com isso alterar negativamente no volume de vendas. Ao reduzimos o Ativo Total, estaremos elevando o Giro. A redução dos ativos deve ir até o ponto onde o risco não seja elevado. Um outro ponto importante refere-se ao custo compatível com a taxa de retorno sobre o ativo total. Se tais custos superarem essa taxa cria-se uma situação insustentável no médio e longo prazo, o que provocará uma redução progressiva do capital próprio da empresa, empobrecendo os seus acionistas e aumentando o risco empresarial. Para apuração de uma taxa de retorno maior, uma empresa pode querer sacrificar usa margem (o seu giro) em pró do giro (da margem). Por exemplo, um aumento das despesas de propaganda (menor margem) a fim de elevar suas vendas (maior giro).