Governança de tecnologia da informação para micro e pequenas empresas: um estudo de caso na cidade de Fortaleza



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Transcrição:

Governança de tecnologia da informação para micro e pequenas empresas: um estudo de caso na cidade de Fortaleza Péricles Alves Ferreira de Arruda (UNIFOR) periclesf@correios.com.br José Bezerra da Silva Filho (UNIFOR) bezerra@unifor.br Resumo Este trabalho destina-se a identificar as práticas de governança de Tecnologia da Informação no segmento das micros e pequenas empresas. No referencial conceitual foi realizado uma avaliação dos processos de governança de TI enfocando duas metodologias, COBIT e ITIL. O estudo de caso deu-se com a aplicação de um questionário em uma amostra de 10 micro e pequenas empresas avaliando vários aspectos que impactam e são impactados quando da adoção da governança de TI. De acordo com os dados levantados através das pesquisas o tema governança de TI ainda é desconhecido por quase toda totalidade das organizações pesquisadas embora considerem que os seus negócios dependam da TI para se tornarem competitivas. Palavras-chave: Governança de Tecnologia da Informação, Sistemas de Informação, Micro e pequenas empresas 1. Introdução Em Kaplan e Norotn (1997) consideram que a competição da era industrial transformou-se na competição da era da informação. Até meados de 1975, o sucesso das organizações era determinado pela maneira como aproveitavam dos benefícios das economias de escala e do escopo. A tecnologia era importante, porém as organizações bem sucedidas eram sempre aquelas que incorporavam as novas tecnologias aos ativos físicos que permitiam a produção em massa eficiente de produtos padronizados. As aplicações práticas dos recursos de tecnologia da informação (TI) no ambiente empresarial foram repletos de inovações. Essas mudanças não afetaram apenas a tecnologia, mas também o próprio ambiente empresarial, chegando em algumas situações até definir o próprio modelo de negócios. A existência de oferta de produtos e serviços inovadores, com flexibilidade, eficácia e alta qualidade, que possam ser individualizados de acordo com os segmentos de clientes-alvo (KAPLAN e NORTON, 1997). Os conceitos de qualidade, produtividade e eficácia vêm sendo cada vez mais difundidos entre as organizações como uma necessidade frente ao acirramento da concorrência. Nesse processo a informação disponível, atual e confiável, torna-se um recurso que deve merecer atenção crescente das organizações, pois é a base sobre a qual se tomam decisões (VIDAL et al, 1995). A tecnologia deve, fundamentalmente, mudar o modo de operação a fim de agregar valor aos negócios. Caso venha a falhar em efetuar essa mudança, estará correndo o risco de ser considerada como estrategicamente irrelevante. As organizações devem construir uma infra-estrutura tecnológica, investindo em TI para alavancar o negócio e em função das necessidades futuras (LOBATO, 2000). Para melhorar o processo de análise de riscos e tomada de decisão é necessário um processo estruturado para gerenciar e controlar as iniciativas de TI nas organizações, para garantir o retorno de investimentos e a adição de melhorias nos processos empresariais, esse processo gerenciado é denominado de Governança de TI (FAGUNDES, 2003). A gestão da informação engloba a sinergia entre a TI, comunicação e os recursos/conteúdos informativos, visando o desenvolvimento de estratégias e a estruturação de atividades organizacionais. Portanto, a gestão da informação implica mapear as informações necessárias, fazer sua coleta, avaliar sua qualidade, proceder ao seu armazenamento e à sua distribuição e acompanhar os resultados de seu uso (MORAES apud MARCHIORI, 2002). 1

Em Graeml (1999) as organizações ao investirem em TI o fazem com o intuito de melhorar o desempenho com relação aos seguintes aspectos: obtenção de vantagem competitiva e aumento da participação no mercado; obtenção de informações precisas e na hora certa para facilitar a tomada de decisão; redução dos custos de realização do negócio por meio da substituição do trabalho; obtenção de economias de escopo que ampliem a flexibilidade de modo que a organização possa atender a uma gama abrangente de necessidades dos clientes sem aumento dos custos. O objetivo principal deste artigo é avaliar o nível de governança de Tecnologia da Informação das micro e pequenas empresas em relação as práticas gerenciais e as formas existentes de disseminação e transmissão da governança de TI. 2. Revisão da Literatura 2.1 Governança de Tecnologia da Informação A TI tem sido considerada como um dos componentes mais importantes do ambiente empresarial atual, este nível de utilização oferece grandes oportunidades para as organizações que têm sucesso no aproveitamento dos benefícios oferecidos por este uso. Ao mesmo tempo, ele também oferece desafios para a administração deste recurso do qual as organizações passam a ter grande dependência e que apresenta particularidades de gerenciamento. Segundo Terrazan (2004), o desafio é, portanto, manter o parque instalado em operação, governar a área de TI para agregar valor e atender a evolução dos negócios, com um orçamento restrito, buscando novas soluções e, ainda, proporcionar retorno sobre o investimento. Através da governança de TI, que consiste nas melhores práticas, internacionalmente consagradas, que melhor estruturam processos operacionais e de gestão de TI, bem como de relacionamento da área com toda a organização. Neste, as áreas de TI são muito requisitadas para auxiliar na implantação e na viabilização de ações que tornem possível a realização dos objetivos da organização. Porém, para a tomada de decisão, os gestores confrontam-se diariamente com questões do tipo: como sincronizar as estratégias de negócio e de TI? Como gerar resultados à organização através de investimentos em TI? Como lidar com a crescente dependência do negócio para com a TI? Como mensurar e monitorar o desempenho de TI? Como controlar os processos de TI? Como melhorar o processo de análise e risco e tomadas de decisão? (McGEE e PRUSAK, 1994). Para responder os aspectos relacionados acima é necessário um processo estruturado para gerenciar e controlar as iniciativas de TI nas organizações, para garantir o retorno de investimentos e adição de melhorias nos processos empresariais. O termo Governança em TI é definido como uma estrutura de relações e processos que dirige e controla uma organização a fim de atingir seu objetivo de adicionar valor ao negócio através do gerenciamento balanceado do risco com o retorno do investimento de TI. Segundo Parreiras (2005), criar estruturas de governança significa definir uma dinâmica de papéis e interações entre membros da organização, de tal maneira a desenvolver a participação e o engajamento dos membros no processo decisório estratégico, valorizando estruturas descentralizadas. A governança de TI, como forma de obter controle e conhecimento em TI, é o modelo que assegura mais transparência na gestão estratégica (KOSHINO, 2004). Em Weill e Ross (2006) definem governança de TI como uma especificação dos direitos decisórios e do framework de responsabilidades para estimular comportamentos desejáveis na utilização da TI. Com adoção de um modelo de Governança de TI espera-se que as estruturas e processos venham a garantir que a TI suporte e maximize os objetivos e estratégias da organização permitindo controlar a medição, auditagem, execução e a qualidade dos serviços. Permite ainda viabilizar o acompanhamento de contratos internos e externos definindo as condições para o exercício eficaz da gestão com base em conceitos consolidados de qualidade. Em Weill e Ross (2006) afirmam que o desempenho da governança avalia a eficácia da governança de TI em cumprir quatro objetivos ordenados de acordo com a sua importância para a organização: uso da TI com boa relação custo/benefício; uso eficaz da TI para a utilização de ativos; uso eficaz da TI para o crescimento; uso eficaz da TI para flexibilidade dos negócios. Em Weill e Woodhamc (2002) sugerem que a efetividade da governança de TI requer uma análise cuidadosa de quem toma as decisões e como as decisões são tomadas. Definindo a governança de TI como uma especificação para tomada de decisões corretas e um conjunto de responsáveis que encorajem um comportamento desejável 2

para o uso da TI. Governança de TI não define como as decisões são tomadas e sim quem toma as decisões e como elas devem ser tomadas (VITALE apud WEILL e BROADBENT 2002, BROADBENT 2003). Em um estudo realizado no período de 1999 a 2003 em mais de trezentas empresas em vinte paises realizado no Center for Information Systems Research, liderado por Weill e Ross (2006) sobre o modo como as empresas governam a TI. Dentre os mais diversos resultados destaca-se sete características identificadas naquelas que possuíam melhor desempenho de governança: quantidade maior de líderes gerenciais com capacidade de descrever governança de TI, quanto maior a quantidade de líderes com capacidade de escrever acuradamente o processo de governança de TI, maior será a probabilidade de se tornar parte da cultura administrativa da organização. As pessoas a seguem, contestam e aprimoram o processo; envolvimento, as organizações de maior desempenho procuram envolver os gestores com maior freqüência e eficácia sobre governança de TI, utilizando portanto vários mecanismos de comunicação: comunicação por parte da alta gerência, comitês formais, existência de um escritório de governança, trabalho de educação aos líderes que não seguem as regras estabelecidas pela governança de TI e os portais disponibilizados nas intranets; envolvimento direto com a alta direção da organização, os estudos demonstraram que quanto maior o envolvimento dos executivos seniores melhor o desempenho da governança de TI; clareza nos objetivos do negócio com vistas no investimento de TI, quanto maior for enfocado o objetivo mais fácil a concepção de uma governança de TI, as organizações com um número maior de objetivos e, por conseguinte, mais comportamentos desejáveis resulta em mensagens e processos confusos e algumas vezes conflitantes; compor estratégias de negócios diferenciadas, as organizações de melhor desempenho apresentavam estratégias de negócios diferenciadas, baseadas em disciplinas de valor como a intimidade com o cliente ou a inovação de produtos e serviços; estabilidade na governança, o processo de mudança da governança requer um tempo adicional até que as novas regras possa ser assimiladas em todos os níveis de liderança administrativa. As organizações de maior desempenho procuram estabelecer um equilíbrio, pois mudanças excessivas podem causar uma queda no processo de governança. Isto não quer dizer que uma má governança não deva passar por um processo de reestruturação e desta forma elevar o desempenho organizacional. Segundo D Andreia (2003) um dos grandes desafios da Governança de TI é o estabelecimento de indicadores, de medições e de escalas de comparação que permitam a definição e o acompanhamento das diretrizes estabelecidas. 2.1.1 Melhores práticas de governança de TI 2.1.1.1 COBIT- Control Objectives for Information and related Technology O CobiT é um guia para a gestão de TI recomendado pelo ISACF (Information Systems Audit and Control Foundation), inclui recursos tais como um sumário executivo, um framework, controle de objetivos, mapas de auditoria, um conjunto de ferramentas de implementação e um guia com técnicas de gerenciamento. As práticas de gestão do CobiT são recomendadas pelos peritos em gestão de TI que ajudam a otimizar os investimentos de TI e fornecem métricas para avaliação dos resultados. O CobiT independe das plataformas de TI adotadas nas empresas (ISACF, 2000a). O CobiT é orientado ao negócio. Fornece informações detalhadas para gerenciar processos baseados em objetivos de negócios. É projetado para auxiliar três audiências distintas: gerentes que necessitam avaliar o risco e controlar os investimentos de TI em uma organização; usuários que precisam ter garantias de que os serviços de TI que dependem os seus produtos e serviços para os clientes internos e externos estão sendo bem gerenciados e auditores que podem se apoiar nas recomendações do CobiT para avaliar o nível da gestão de TI e aconselhar o controle interno da organização (ISACAF, 2000a). O CobiT está dividido em quatro domínios: (ISACAF, 2000a) planejamento e organização, este domínio abrange estratégias e táticas, e foca a identificação dos caminhos que TI pode melhor contribuir para a obtenção dos objetivos de negócio; aquisição e implementação, este domínio visa realizar a estratégia de TI através da identificação de soluções necessárias utilizando o desenvolvimento ou aquisição e tê-las implementadas e integradas ao processo de negócio; entrega e suporte, este domínio foca os produtos reais dos serviços requeridos desde operações tradicionais de segurança e aspectos de continuidade; monitoração, este é o domínio que controla os processos de TI que devem ser avaliados regularmente nos aspectos de sua qualidade e conformidade as necessidades de controle. Cada domínio cobre um conjunto de processos para garantir a completa gestão de TI, somando 34 processos (ISACAF, 2000a). A estrutura do CobiT está ligado aos processos de negócio da organização. Os mapas de controle fornecidos pelo CobiT auxiliam os auditores e gerentes a manter controles suficientes para garantir o acompanhamento das 3

iniciativas de TI e recomendar a implementação de novas práticas, se necessário. O ponto central é o gerenciamento da informação com os recursos de TI para garantir o negócio da organização. Os modelos de maturidade de governança são usados para o controle dos processos de TI e fornecem um método eficiente para classificar o estágio da organização de TI. A governança de TI e seus processos com o objetivo de adicionar valor ao negócio através do balanceamento do risco e returno do investimento podem ser classificados da seguinte forma: (ISACAF, 2000b). 0 - Inexistente 1 - Inicial / Ad Hoc: 2 - Repetitivo mas intuitivo 3 - Processos 4 - Processos gerenciáveis e medidos 5 Processos otimizados Essa abordagem é derivada do modelo de maturidade para desenvolvimento de software, Capability Maturity Model for Software (SW-CMM), proposto pelo Software Engineering Institute (SEI). A partir destes níveis, foi desenvolvido para cada um dos 34 processos do CobiT um roteiro: onde a organização está hoje; o atual estágio de desenvolvimento da indústria (best-in-class); o atual estágio dos padrões internacionais; aonde a organização quer chegar. 2.2.2 ITIL - IT Infrastructure Library ITIL é a abreviação para Information Technology Infrastructure Library, uma metodologia de gestão de TI que surgiu nos anos 80 da necessidade de se ter processos organizados e claros. Percebeu-se que as organizações estão cada vez mais dependentes da área de TI e que era necessário organizar os fluxos de processos neste departamento (PINK, 2001). A metodologia foi formulada pela secretaria de comércio do governo Inglês (OGC Office of Government Commerce), a partir de pesquisas realizadas com especialistas em gestão de TI (ITIL). Embora já exista há mais de uma década o ITIL passou a ser mais amplamente divulgado apenas recentemente devido à necessidade das organizações de redução de custos, garantia da produtividade continua e fazer com que a TI agregue valor ao negócio e para tanto se faz necessário à aplicação das melhores práticas (PINK, 2001). As normas ITIL estão documentadas em aproximadamente 40 livros, onde os principais processos e as recomendações das melhores práticas de TI estão descritos. O foco primário da metodologia ITIL é possibilitar que área de TI seja mais efetiva e pró-ativa, satisfazendo assim clientes e usuários. Dentre as principais características destacam-se: adequado para todas as áreas de atividade; independente de tecnologia e fornecedor; baseado nas melhores práticas; padronização de terminologias; interdependência de processos; o que fazer e o que não fazer (ITIL). A entrega de serviços (service delivery) é composta pelos seguintes processos: gerenciamento do nível de serviço (Service Level management), gerenciamento financeiro (financial managmenet), gerenciamento de capacidade (capacity management), gerenciamento de disponibilidade (avaliability managemenet) e gerenciamento de continuidade dos serviços de TI (IT service continuity). O suporte à serviço (servce suport) é composto dos seguintes processos: gerenciamento de incidentes (incident management), gerenciamento de problemas (problem management), gerenciamento de mudanças (change management), gerenciamento de liberação (release management) e gerenciamento de configuração (configuration management) (OGC). 3. METODOLOGIA DA PESQUISA O estudo de caso foi realizado através de questionários aplicados no período de março à junho de 2005, na cidade de Fortaleza, respondidos pelos gestores das micro e pequenas empresas mediante um prévio contato telefônico e agendamento da entrevista. Foram contactados 25 organizações pertencentes ao segmento de micro e pequenas empresas do setor de comércio/serviços, destas, 10 compuseram a amostra selecionada, as demais organizações não demonstraram interesse em participar da pesquisa. Na amostra selecionada 80% das empresas enquadram-se no segmento de pequena empresa e 20 % como micro empresas. Quanto o perfil dos entrevistados, 60 % são do sexo masculino e 40 % são do sexo feminino. Quanto a faixa etária 70 % dos entrevistados encontram-se na faixa de 26 a 30 anos, 20% na faixa dos 31 a 40 anos e 10% 4

da faixa de 41 a 50 anos. A escolaridade dos entrevistados é distribuída da seguinte forma: 9.1 % com o 2º grau incompleto, 27.3 % com o 2º grau completo, 27.3% com superior incompleto (cursando nível superior), 27.3 % com curso superior completo e 9.1 % com curso de especialização. O questionário foi agrupado em questões envolvendo os seguintes temas: perfil do entrevistado, prática profissional, plano estratégico, cultura organizacional, estímulo a inovação, problemas de TI, tratamento dado aos problemas de TI, práticas de governança de TI, governança de TI, infra-estrutura tecnológica, uso da TI em gestão e terceirização da TI. A escolha do segmento de micro e pequenas empresas MPE s deve-se a importância deste segmento na economia. Segundo IBGE (2001), as MPEs são, atualmente, o grande fator gerador de ocupação. As MPEs têm grande importância no cenário brasileiro. Um indicador disso é a alta porcentagem deste segmento no Brasil, com relação ao total de organizações existentes. Segundo dados do IBGE(2001) existem no Brasil cerca de 3,5 milhões de organizações, das quais 98% são de micro e pequeno porte. Outro indicador é o fato de as MPEs têm contribuído com a geração de empregos, a falta destes tem constituído hoje um dos maiores problemas brasileiros e mundiais. Com base nos dados disponíveis IBGE (2001), é possível afirmar que as atividades típicas de micro e pequenas empresas mantêm cerca de 35 milhões de pessoas ocupadas em todo o país. A pesquisa de campo realizada no início de 2004 pelo SEBRAE e a Fundação Universitária de Brasília FUBRA, levantou a taxa de mortalidade das empresas constituídas em 2000, 2001 e 2002, identificando os fatores condicionantes da mortalidade. Dentre estes fatores destacam-se: questões relacionada a falhas gerenciais na condução dos negócios, expressas nas razões: falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxo de caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), ponto inadequado (falhas no planejamento inicial) e falta de conhecimentos gerenciais. 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS A análise dos resultados obtidos propicia um entendimento e uma avaliação do nível de governança de TI nas micros e pequenas empresas. A avaliação levou em consideração uma escala de concordância com a afirmativa sendo que 5 corresponde a concordância absoluta, 4 corresponde a concordância, 3 corresponde discordância, 2 corresponde discordância absoluta e 1 sem opinião Tabela 1. Afirmativas 5 4 3 2 1 Total Sua empresa depende da TI para crescer 50,0 30,0 10,0 0 10,0 100,0 A tecnologia reduz o custo dos processos e diminui o retrabalho. 44,4 33,3 11,1 0 11,1 100,0 TI participa em toda a mudança organizacional e direção estratégica 0 40,0 20,0 10,0 30,0 100,0 Sei quais projetos e processos estão envolvidos com TI 10,0 50,0 0 0 40,0 100,0 Recursos suficientes de TI e infra-estrutura estão disponíveis para atingir os objetivos estratégicos 0 70,0 10,0 0 20,0 100,0 necessários da empresa É conhecido o tempo para a tomada de decisões de TI (por exemplo: contratos para desenvolvimento de 0 50,0 30,0 0 20,0 100,0 sistema) Tenho consciência do valor dos recursos gastos em TI com a resolução dos problemas corriqueiros em 10,0 40,0 30,0 0 20,0 100,0 comparação a possibilitar melhorias nos negócios É sabido a porcentagem da receita gasta em TI comparado com a média do mercado 0 20,0 50,0 0 30,0 100,0 O volume gasto em TI comparado com o lucro da empresa é conhecido por mim 0 30,0 50,0 10,0 10,0 100,0 Sei exatamente quais são os recursos de TI e seus gerenciamentos 10,0 30,0 30,0 0 30,0 100,0 Práticas e cultura de TI apóiam e encorajam mudanças dentro da empresa 0 40,0 40,0 0 20,0 100,0 Há inventário atualizado dos riscos operacionais da TI relevantes para a empresa 0 22,2 22,2 0 55,6 100,0 5

Sabe-se até que ponto a empresa deve investir para reduzir riscos operacionais da TI e o custo é justificado 0 33,3 11,1 11,1 44,4 100,0 pelo custo/benefício Sabe-se qual é a melhor prática de mercado e como a empresa se compara, em relação ao valor, risco 11,1 11,1 11,1 0 66,7 100,0 operacional da TI e gerência dos recursos Afirmativas 5 4 3 2 1 Total TI é um assunto freqüente na agenda da gerência, sendo tratada de forma estruturada 0 44,4 33,3 11,1 11,1 100,0 A gerência articula e comunica a direção do negócio com o qual TI deve estar alinhada 0 33,3 0 11,1 55,6 100,0 O uso do computador na empresa melhora a realização dos processos internos 44,4 33,3 11,1 11,1 0 100,0 A gestão de TI aumentará o retorno do investimento 11,1 44,4 11,1 0 33,3 100,0 Os funcionários estão conscientes do significado e importância da gestão de TI 0 11,1 33,3 11,1 44,4 100,0 Tabela 1 Questões relacionadas a Governança de TI. Resultados em percentual. Fonte: Pesquisa do autor. Com base nos resultados obtidos percebe-se que a maioria dos gestores entrevistados das micros e pequenas empresas consideram o negócio como dependente da TI para o seu crescimento, com 50 % de concordância absoluta e 30 % de concordância apenas 10 % discordam da afirmativa. A influência da TI nos processos de mudanças organizacionais e da direção estratégica é concordada por 40 % dos entrevistados entretanto a discordância desta influência é compartilhada por 30 % dos entrevistados sendo que 10 % discordam absolutamente e 30 % dos entrevistados não possuem opinião sobre a afirmação. Quanto aos benefícios advindos, na opinião dos entrevistados a afirmação, TI contribui para redução dos custos dos processos e diminuição do retrabalho, obteve uma concordância absoluta de 44.4 % e 33.3 % de concordância; melhoria na realização dos processos internos com 44.4 % de concordância absoluta e 33.3 % de concordância com relação a este item foi identificado que 11.1 % discordam absolutamente e 11.1 % discordam; a gestão da TI aumentará o retorno do investimento com 11.1 % de concordância absoluta e 44.4 % de concordância. Com relação aos recursos investidos em TI: apenas 20 % dos entrevistados declararam saber o percentual da receita gasta em TI quando comparada com a média de mercado enquanto 50 % desconhecem esse valor; o comparativo do gasto com TI com o lucro obtido é conhecido por 30 % dos entrevistados enquanto 50 % desconhecem e 10 % desconhecem de forma absoluta. Baseado nas metodologias do COBIT e ITIL entende-se como riscos operacionais: perfil de pessoas, o que as pessoas podem e devem fazer; infra-estrutura, hardware, software e telecomunicações e conteúdos, quem administra e quais os conteúdos são administrados. Apenas 22.2 % dos entrevistados possuem um inventário atualizado dos riscos operacionais relevantes para a empresa e 33.3 % dos entrevistados sabem o quanto deve investir para reduzir os riscos operacionais. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS No experimento, os gerentes das micro e pequenas empresas não evidenciaram um efetivo grau de dependência dos negócios em relação a TI. A contraposição baseia-se no resultado da pesquisa, em que 40% discordaram que a TI tem encorajado mudanças dentro da organização. Outro fator que reforça a percepção é que a TI é considerada responsável pela redução dos custos dos processos, diminuição do retrabalho e na melhoria na realização dos processos internos, indicando um uso essencialmente operacional dos recursos da TI ao invés de um uso estratégico. Baseado nas análises obtidas com o estudo, as questões relacionadas com os recursos de TI e seus gerenciamentos, as práticas e cultura de TI apóiam e encorajam mudanças dentro da empresa, existência de inventário atualizado dos riscos operacionais da TI relevantes para a empresa e até que ponto a empresa deve investir para reduzir riscos operacionais da TI demonstraram que a governança de TI está, de certa forma, ainda em um estágio incipiente nas micro e pequenas empresas que compuseram a amostra, resultado já esperado pelos autores. 6

WEILL e ROSS citam alguns sintomas de um processo de governança ineficaz ou inexistente que corroboram com os resultados obtidos em nossa análise: a alta gerência vê pouco valor nos investimentos de TI. Como trabalhos futuros recomenda-se estudar uma customização de um modelo de governança de TI para as micro e pequenas empresas baseando-se nas melhores práticas de mercado e tendo como modelos de referência o COBIT e o ITIL. Levando em consideração as características comportamentais deste grupo de organização de forma que possa ser realmente cabível a sua utilização e que venha contribuir com a efetividade da gestão dos recursos de TI aplicados. É esperado que a implantação de um modelo de governança de TI possa garantir a excelência na entrega de produtos e serviços aos seus clientes, através da: excelência operacional, na qual as organizações enfatizam a eficiência e a confiabilidade em termos de preços e conveniência, minimizando os custos indiretos e alinhando a cadeia de suprimento. Referências D ANDREIA, E. O desafio de governanar. Disponível em: <http://www.ietec.com.br/ietec/techoje/dtml_materia?id=http://www.ietec.com.br/ietec/techoje/techoje/tecnologi adainformacao/2003/09/12/2003_09_12_0001.2xt>. Acesso em: 05/08/2005. FAGUNDES, F. M. COBIT Um kit de ferramentas para a excelência na gestão de TI. Disponível em: < http://www.efagundes.com/artigos/cobit.htm>. Acesso em:21/06/2005 GRAEML, R. A. O Valor da Tecnologia da Informação considerações sobre a avaliação de investimentos estratégicos em TI e sobre o processo de análise e tomada de decisão. 1999, Dissertação de Administração. Escolas de Administradores de Empresas de São Paulo, São Paulo. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, As Micro e pequenas empresas comerciais e de serviços no Brasil: 2001 / IBGE, Coordenação de Serviços e Comércio. Rio de Janeiro : IBGE, 2003. INFORMATION SYSTEMS AUDIT AND CONTROL FOUNDATION. ISACAF, Control Objectives julho 2000a 3ª edição. INFORMATION SYSTEMS AUDIT AND CONTROL FOUNDATION. ISACAF, Executive Summary julho 2000b 3ª edição. INFORMATION TECHNOLOGY INFRASTRUCTURE LIBRARY. ITIL, <http://www.itil.co.uk/> KAPLAN R. S. e NORTON, D. P. A Estratégia em Ação balance scorecard. Rio de Janeiro, Campus, 1997. KOSHINO, L. Serpro apresenta no Congresso Nacional de Informática Pública, em Brasília, suas soluções em governança de TI. Revista Tema Ano XXVIII - Edição 175, p. 23-25, setembro/outubro 2004 LOBATO, D. M. Administração Estratégica uma visão orientada para a busca de vantagens competitivas. Rio de Janeiro: Editoração, 2000. McGEE, J.; PRUSAK, L. Gerenciamento Estratégico da Informação aumente a competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a informação como uma ferramenta estratégica. 11. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1994. MORAES, G. D. A. A et al Tecnologia da Informação como Suporte à Gestão Estratégica da Informação na Pequena Empresa. Revista de Gestão da Tecnologia e Sistemas de Informação, v.1, p.28-44, 2004. OFFICE OF GOVERNMENT COMMERCE. OGC, Successful Delivery Toolkit. Disponível em: <http://www.ogc.gov.uk/sdtoolkit/deliveryteam/briefings/itil/>. Acesso em: 10/09/2005. PARREIRAS, F. Governança de TI e Gestão do Conhecimento. Disponível em: <http://www.fernando.parreiras.com.br/content/view/34/42/>. Acesso em: 21/06/2005. PINK, The ITIL History, Pink Elephant North America. 2001. TERRAZAN, C. As bandeiras da governança. Disponível em: <http://www.aesetorial.com.br/tecnologia/artigos/2004/jul/16/383.htm#>. Acesso em: 22/06/2005. VIDAL, R. G. A. SOUZA, A. C. e ZWICKER, R. idigital Pesquisa do Perfil da Empresa Digital. Disponível em: <http://www.idigital.fea.usp.br/idigital/default.aspx?idpagina=1615>. Acesso em: 01/12/2005. 7

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