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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO EMENTA

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DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO - QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA - EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO - ART. 557, DO CPC.

Decisão. Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Gabinete da Desembargadora Denise Levy Tredler

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

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EMBARGOS DECLARATÓRIOS - EDCL.

Ministério da Previdência Social Conselho de Recursos da Previdência Social Conselho Pleno

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VIGÉSIMA PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL

Ação Ordinária nº

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QUINTA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 22290/ CLASSE CNJ COMARCA CAPITAL WANIA APARECIDA OLIVEIRA BRAGA - ME APELADO: BANCO ITAÚ S. A.

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 10985/ CLASSE CNJ COMARCA DE POXORÉO

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Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Vigésima Primeira Câmara Cível

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

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Supremo Tribunal Federal

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA PRESIDÊNCIA

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D E C I S Ã O. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 4ª CÂMARA CÍVEL Relator: Desembargador SIDNEY HARTUNG

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Transcrição:

RECURSO ESPECIAL Nº 470.675 - SP (2002/0117711-2) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE : COMPANHIA PAULISTA DE TRENS METROPOLITANOS - CPTM ADVOGADO : PEDRO DA SILVA DINAMARCO E OUTRO(S) RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator): Cuidam os autos de recurso especial interposto, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, pela COMPANHIA PAULISTA DE TRENS METROPOLITANOS - CPTM em face do acórdão do TJSP que, em sede de embargos infringentes, entendeu presentes a possibilidade jurídica e o interesse de agir. (fls. 915) Na origem, cuida-se de ação civil pública ajuizada pelo MPSP em face da CPTM, concessionária do serviço público, para adequar o serviço de transporte de passageiros, que, no entender do autor, estava sendo deficientemente prestado. A sentença julgou parcialmente o pedido, condenando a concessionária a adequar-se, nos termos da sentença, aos serviços que devem ser prestados aos cidadãos. Em grau de apelação, o Tribunal a quo, por maioria, negou provimento ao apelo (fls. 789/802), com base no seguinte entendimento: a) em relação ao interesse processual: 2. Inexistem os vícios processuais pontuados. A adequação e a utilidade da demanda estão presentes, pois a concessionária de serviço público tem o dever jurídico de prestar o serviço adequado, cômodo, eficiente e seguro do usuário. Comprovou-se, às escâncaras, que a prestadora fornece utilidade material fruível aos administrados de maneira precária e deficiente, colocando em risco a saúde e a integridade dos consumidores; b) em relação à impossibilidade jurídica do pedido: 3. Impossibilidade jurídica do pedido não há. A pretensão não se presta a postular injunção judicial na atividade administrativa, mas, sim, determinar linhas de atuação no campo econômico-social e da prestação de utilidade fruível aos cidadãos. A alegada discricionariedade administrativa também não tem qualquer espeque jurídico, pois de discrição aqui não se trata, primeiro porque inexiste margem de liberdade negativa no campo de serviço público em razão da sua essencialidade; e segundo Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 1 de 6

porque o Poder Público e o consumidor, calcado no interesse público primário, pode exigir da Administração a restrição a seu interesse público secundário; e, c) quanto à retroatividade da Lei n. 8.987/95: A matéria pertinente à irretroatividade da Lei n. 8.987/95, foi bem espancada pela digna autoridade judicial. Norma regulamentadora da prestação do serviço, não desnatura o regime jurídico da concessão ou permissão do serviço público existente no plano constitucional. Aí se encontra as verdadeiras disposições públicas para a prestação do serviço. Além de se tratar de tradição do nosso direito a rigidez do contrato de concessão no plano das cláusulas de serviço, as econômicas disciplinam o balanço eqüitativo dos valores para a prestação fruível necessária aos usuários. Os fatos tipificados na incoação se encaixam no decantado regime jurídico vigente no Brasil desde a criação do primeiro modelo de concessão instalado no país. A referida decisão restou mantida em sede de infringentes, como também após o julgamento dos embargos declaratórios opostos. Em seu recurso especial (fls. 952 e seguintes), sustenta a recorrente: (I) negativa de vigência aos arts. 3º e 267, VI, do CPC; (II) art. 6º da LICC e (III) dissídio jurisprudencial. Contra-razões apresentadas às fls. 999/1006. Parecer da Subprocuradoria-Geral da República pelo conhecimento parcial e improvimento do recurso. (fls. 1022/1034) É, no essencial, o relatório. Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 2 de 6

RECURSO ESPECIAL Nº 470.675 - SP (2002/0117711-2) EMENTA ADMINISTRATIVO - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO - TRANSPORTE - PEDIDO DE ADEQUAÇÃO DO SERVIÇO ESSENCIAL - INTERESSE DE AGIR, LEGITIMIDADE E POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. 1. O caso trata de ação civil pública ajuizada pelo MPSP em face da CPTM, concessionária do serviço público, para adequar o serviço de transporte de passageiros, que, no entender do autor, vinha sendo deficientemente prestado. A sentença julgou parcialmente o pedido, condenando a concessionária a adequar-se, nos termos da sentença, aos serviços que devem ser prestados aos cidadãos. 2. É dever do Poder Público e de seus concessionários e permissionários prestar serviço adequado e eficiente, atendendo aos requisitos necessários para segurança, integridade física, e saúde dos usuários, tudo conforme os arts. 6º, I e X, do CDC c/c 6º da Lei n. 8.987/95. 3. Deste modo, uma vez constatada a não-observância de tais regras básicas, surge o interesse-necessidade para a tutela pleiteada. Vale observar, ainda, que as condições da ação são vistas in satu assertionis ("Teoria da Asserção"), ou seja, conforme a narrativa feita pelo demandante, na petição inicial. Desse modo, o interesse processual exsurge da alegação do autor, realizada na inicial, o que, ademais, foi constatado posteriormente na instância ordinária. Tudo isso implica reconhecer a não-violação dos arts. 3º e 267, VI, do CPC. 4. No caso dos autos, não ocorre a impossibilidade jurídica do pedido, porque o Parquet, além de ter legitimidade para a defesa do interesse público (aliás, do interesse social), encontra-se no ordenamento jurídico, tanto na "Lei da Ação Civil Pública" (Lei n.7.347/85), quanto na "Lei Orgânica Nacional do Ministério Público e Normas Gerais para os Ministérios Públicos dos Estados" (Lei n. 8.625/93) e outras, ou mesmo nos arts. 127 e 129 da CF, respaldo para pedir a adequação dos serviços de utilidade pública essenciais. 5. Quanto à alínea "c", impossível o conhecimento do especial, pois inexiste dissídio jurisprudencial demonstrado, uma vez que os substratos fáticos dos acórdãos apontados como paradigma são diferentes do enfrentado no acórdão recorrido. Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 3 de 6

Recurso especial conhecido em parte e improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator): Conheço do recurso especial apenas no tocante à alínea "a" do permissivo constitucional. Quanto à alínea "c", impossível o conhecimento do especial, pois inexiste dissídio jurisprudencial demonstrado, uma vez que os substratos fáticos dos acórdãos apontados como paradigma são diferentes do enfrentado no acórdão recorrido. Sobre esta questão, assim já me manifestei: Sob o fundamento da alínea 'c' do permissivo constitucional, o recurso especial outrora interposto não logrou êxito porquanto não realizou a parte recorrente o necessário cotejo analítico. A simples colação das ementas, sem a respectiva juntada dos acórdãos tidos como divergentes, bem como ausente o confronto da discrepância, não demonstra suficientemente as circunstâncias identificadoras da divergência com o caso confrontado, conforme dispõem os artigos 541 do Código de Processo Civil e 255, 1º e 2º do RISTJ. (REsp 850.509 - SP, DJ 18.8.2006.) Analiso, por conseguinte, as questões federais atinentes à alegada negativa de vigência da lei federal. ARTS. 3º E 267, VI, DO CPC - INTERESSE DE AGIR E LEGITIMIDADE: Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido negou vigência à norma constante do art. 267, VI, do CPC, uma vez que o Ministério Público não necessitava ingressar em juízo para promover a satisfação da sua pretensão, porquanto vinham sendo regularmente implementadas as medidas necessárias para prestação do serviço adequado. Também alegou a negativa de vigência do art. 3º do CPC, em razão da falta suposta falta de interesse e legitimidade processual. Quanto a esta questão, qual seja, ausência de interesse de agir, tenho para mim que, em primeiro lugar, impossível analisar, na via estreita do especial, se as medidas necessárias vinham ou não sendo implementadas para a prestação do serviço adequado, por óbvio óbice encontrado no enunciado 07 da Súmula STJ. De todo modo, isto é irrelevante para o deslinde da causa. Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 4 de 6

Sabe-se que é dever do Poder Público e de seus concessionários e permissionários prestar serviço adequado e eficiente, atendendo aos requisitos necessários para segurança, integridade física, e saúde dos usuários, tudo conforme os arts. 6º, I e X, do CDC c/c 6º da Lei n. 8.987/95. Deste modo, uma vez constatada a não-observância de tais regras básicas, surge o interesse-necessidade para a tutela pleiteada. Vale observar ainda que as condições da ação são vistas in satu assertionis ("Teoria da Asserção"), ou seja, conforme a narrativa feita pelo demandante na petição inicial. É também o que ensina Barbosa Moreira, com fundamento em doutrina de Ugo Rocco, Betti, Fazzalari e Loreto. No Brasil, temos ainda Kazuo Watanabe, em sua obra "Da Cognição no Processo Civil". Confira-se: O exame da legitimidade, pois como o de qualquer das condições da ação -, tem de ser feito com abstração das possibilidades que, no juízo de mérito, vão deparar-se ao julgador: a de proclamar existente ou a de declarar inexistente a relação jurídica que constitui a res in iudicium deducta. Significa isso que o órgão judicial, ao apreciar a legitimidade das partes, considera tal relação jurídica in statu assertionis, ou seja, à vista do que se afirmou (...). (O Novo Processo Civil Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense: 2001). Desse modo, o interesse processual exsurge da alegação do autor, realizada na inicial, o que, ademais, foi constatado posteriormente na instância ordinária. Tudo isso implica reconhecer a não-violação dos arts. 3º e 267, VI, do CPC. PEDIDO: ART. 267, VI, DO CPC - IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO Cumpre asseverar que não existe a impossibilidade jurídica do pedido. Em primeiro lugar porque, como reiterado pela jurisprudência desta Corte e pela doutrina, inclusive, formada pelos patronos da recorrente, só se constata verdadeira impossibilidade jurídica do pedido quando este já está excluído, a priori, do ordenamento jurídico. No casos dos autos, isto obviamente não ocorre, porque o Parquet, além de ter legitimidade para a defesa do interesse público (aliás, do interesse social), encontra no ordenamento jurídico, tanto na "Lei da Ação Civil Pública" (Lei n.7.347/85), quanto na "Lei Orgânica Nacional do Ministério Público e Normas Gerais para os Ministérios Públicos dos Estados" (Lei n. 8.625/93) e outras, ou mesmo nos arts. 127 e 129 da CF, respaldo para pedir a adequação dos serviços de utilidade pública essenciais. Nos dizeres de ANTONIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA, ADA Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 5 de 6

PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO (Teoria Geral do Processo... 23ª ed., p. 275), "constitui tendência contemporânea, inerente aos movimentos pelo acesso à justiça, a redução dos casos de impossibilidade jurídica do pedido (tendência à universalização da jurisdição). Assim, p. ex., constituindo dogma a incensurabilidade judiciária dos atos administrativos pelo mérito, a jurisprudência caminha no sentido de ampliar a extensão do que considera aspectos de legalidade desses atos, com a conseqüência de que os tribunais os examinam... De mais a mais, ir além para analisar se o pedido é impossível porque contrasta com a harmonia dos Poderes (art. 2º da CF), é, a bem da verdade, julgar matéria constitucional, o que não é cabível na via do recurso especial, até porque já existe impugnação específica com relação a este tema no recurso especial interposto. provimento. Ante o exposto, conheço em parte do recurso especial e lhe nego É como penso. É como voto. MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator Documento: 3414776 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 6 de 6