CASA VARANDA Local Itanhangá, Rio de Janeiro Ano 2008 Escritório Carla Juaçaba Arquitetura Autoras: Cristina Piccoli e Natasha Oltramari Implantação e Partido Formal A Casa Varanda é um refúgio de 140,40 m², localizado em Itanhangá (RJ), em um terreno de 1153 m². Construída em 2008 para a neta do arquiteto de Sérgio Bernardes, a casa teve como diretriz de projeto o desejo dos proprietários de esta ser uma referência à Casa Lota, projetada pelo avô em 1950. Desta referência, se observa a horizontalidade, o uso de materiais leves e o emprego de varandas, reinterpretada no projeto de um modo diverso a casa é a própria varanda que se abre toda para o exterior, por meio de painéis de vidro. A arquiteta adota um partido compacto, de volume único e linear. A disposição transversal do edifício no lote de geometria irregular define rigidamente dois recuos - frontal e posterior, ficando os recuos laterais bastante exíguos. Esta implantação pode ser justificada como uma tentativa de preservar a vegetação existente, como explica Delaqua (2013), ou de explorar a orientação norte-sul nas maiores fachadas do volume edificado. De qualquer modo, a permeabilidade visual da casa ameniza o impacto da segmentação física do lote e a vegetação garante alguma privacidade em relação à rua (Figuras 1, 2 e 3). Figura 2: Vista da fachada norte. Fonte:http://www.archdaily.com.br/br/01-161067/casavaranda-carla-juacaba Figura 1: Implantação, partido linear. Figura 3: Esquema do partido compacto horizontal.
O caráter planar é evidenciado por diferentes estratégias: pela estrutura metálica de pilares e vigas aparentes; pelo deslizamento dos planos horizontais em relação aos planos verticais, configurando os beirais da cobertura e a laje de piso levemente suspensa do chão; pela fragmentação do plano da cobertura por uma iluminação zenital que atravessa longitudinalmente a casa, configurando duas pequenas águas; e ainda, pela contraposição dos planos opacos transversais isolados em relação aos planos translúcidos longitudinais. Como princípio de organização, a grelha também aparece, evidenciada pelas três modulações do esqueleto estrutural, que fica todo aparente (Figura 4 e 5). Figura 4: Planta baixa e esquema de composição linear, grelha, acesso e indicação de visuais. Figura 5:Esquema de composição planar. Configuração funcional A casa explora o arranjo térreo, estando o zoneamento organizado por faixas não rígidas, visto que o setor íntimo se fragmenta, ficando os quartos e os banheiros em cada um dos extremos longitudinais do volume. Assim, o setor social e de serviços ganha uma posição central, assumindo uma maior importância como ambiente articulador dos demais. (Figura 6).
Figura 6:Planta baixa com indicação do zoneamento funcional. São definidos dois acessos, aparentemente, de igual hierarquia - um na fachada norte e outro na fachada sul, evidenciados pelas pequenas escadas que ligam o grande estar ao terreno. No entanto, a implantação e o arranjo interno da casa sugerem que a que o acesso e a circulação periférica a norte são os mais importantes, já que, a partir deles, se tem acesso a quase todos os ambientes da casa. As circulações são sugeridas e não especializadas e, entre os quartos e banheiro, a circulação se dá em suíte (Martinez, 2000), (Figura 7). Figura 7:Planta baixa com esquema de circulação. Os elementos de composição irregulares, banheiros e cozinha, encontram-se nas extremidades do volume linear. Os banheiros compõem os extremos da circulação, permitindo um maior isolamento destes ambientes, mesmo que não configurem núcleos hidráulicos concentrados. (Figura 8).
Figura 8:Planta baixa com esquema de configuração de alas posição dos elementos irregulares de composição. Espacialidade Em qualquer que seja o ponto de vista do usuário dentro da Casa Varanda, o observador poderá ampliar a visual para o exterior seja o céu revelado pela zenital, seja a vegetação revelada pelas duas superfícies paralelas em vidro. A casa é a própria varanda, definindo de modo muito sutil os limites entre interior e exterior. Tem-se assim, um espaço mutidirecional, sem pontos focais preestabelecidos. No deslocamento interno, a disposições dos planos verticais opacos soltos em relação ao planos longitudinais sugerem os percursos a ser traçados, mas pouco deixam antever o ambiente a ser vivenciado na sequência espacial, o que pode proporcionar alguma surpresa no deslocamento. (Figuras 9, 10 e 11). Figura 9: Visual da estação 1.. Figura 8: Planta baixa com marcação das estações Figura 10: Visual da estação 2..
Referência bibliográfica: Victor Delaqua. "Casa Varanda / Carla Juaçaba" 17 Dec 2013. ArchDaily Brasil. Acessado 26 Nov 2014. http://www.archdaily.com.br/161067/casa-varanda-carla-juacaba