Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos

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Transcrição:

TÓPICOS LINGUÍSTICOS: SINTAXE NA LIBRAS Magno Pinheiro de Almeida (UEMS/UFMS) mpa_magno@hotmail.com Miguél Eugenio Almeida (UEMS) mealmeida_99@yahoo.com.br A língua já não é agora livre, porque o tempo permitirá às forças sociais que atuam sobre ela desenvolver seus efeitos, e chega-se assim ao princípio de continuidade, porém, implica necessariamente a alteração, o deslocamento mais ou menos considerável das relações. (Ferdinand de Saussure) 1. Considerações iniciais O Brasil vive desde meados do século passado e início do século XXI grandes transformações pela garantia dos direitos das pessoas Surdas. Apesar disso, as minorias linguísticas sofrem por não terem sucessos no grande cenário chamado Brasil, por isso, é necessário que as pessoas que estão envolvidas com a educação dos surdos, façam pesquisas para difundir e anunciar que a libras é a língua oficial dos surdos brasileiros e que a mesma tem sua própria estrutura. Pensando nessa questão, trouxemos nesse artigo o tema Tópicos Linguísticos: Sintaxe na Libras, que é parte da minha dissertação do mestrado em letras, é através desta que as pessoas irão compreender tal estrutura. Portanto, estarei elencando Brito (1995) e Quadros & Karnopp (2004), pois são pesquisadoras importantes no mundo da libras e entre outros. 2. Sintaxe: conceito geral Conforme com o Dicionário Michaelis (1998), a palavra sintaxe (x soa com ss), do grego syntaxis (prefixo grego syn (que corresponde ao nosso prefixo com e indica simultaneidade, junção) + o substantivo táxys (ordem, ordenação)), é a parte da gramática que ensina a dispor as palavras para formar as orações, as orações para formar os períodos e parágrafos, e estes para formar o discurso. A sintaxe é a parte da gramática que se preocupa com os padrões estruturais, com as relações recíprocas dos termos nas frases e das frases entre si, enfim, de todas as relações que ocorrerem entre as unidades linguísticas no eixo 626 Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr. 2013 Suplemento.

sintagmático (aquela linha horizontal imaginária). (SATUTCHUK, 2004, p. 35). Então, as frases não são apenas um amontoado de palavras sem nexo, e sim, um conjunto articulado de frases que se relacionam e se organizam numa sequência lógica para se tornarem coesas e compreensíveis. Mas na libras, como funcionam? Pensando nisso, focaremos a estrutura da frase e o uso de marcadores não manuais (expressões faciais, movimentos dos olhos, corpo) que é a chave importante para a construção de sentido nas frases em libras. Quadros e Karnopp (2004), pontuam que a comunicação humana pode ocorrer de diversas maneiras, sem que recorremos à linguagem verbal (falada ou sinalizada). Entretanto, são as leis sintáticas que elegem certas construções em uma determinada língua a serem aceitas ou não. As leis sintáticas de uma língua funcionam como uma espécie de guardião da inteligibilidade da superfície linguística de um texto, pois são o elemento gerador e disciplinador das unidades linguísticas que compõem as frases desse texto. É a sintaxe, sem dúvida, o princípio construtivo e mantenedor da identidade da língua e, como tal, tem sua importância alçada a de assegurar a própria capacidade comunicativa dos textos. (SAUTCHUK, p. 36) Portanto, no próximo tópico, analisaremos como funcionam todos os processos e explicações elencados até aqui. O que são essas expressões não manuais e como ela é empregada nas frases da libras. 3. Libras: forma gramatical As expressões faciais desempenham papel importante, por sua vez, estas também fazem parte da expressão humana, com elas podemos revelar emoções, sentimentos e intenções. É importante notar que tanto os parâmetros primários, como os secundários e os componentes não-manuais podem estar presentes simultaneamente na organização do sinal. O sinal se realiza multidimensionalmente e não linearmente, como acontece, em geral, com as palavras orais, e a sua realização necessita da presença simultânea de seus parâmetros. (BRITO, 1995) As expressões faciais são divididas em: Expressões afetivas Expressam sentimentos. Expressões gramaticais relacionam-se a certa estrutura, são específicas, tanto no nível morfológico quanto na sintaxe. Também, acompanham determinadas estruturas, possuindo um Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2013 Suplemento. 627

escopo bem definido. No nível da sintaxe, essas marcações não-manuais, indicam determinados tipos de construção, são elas: Formas negativas; Formas interrogativas; Formas Afirmativas; Formas Exclamativas. Logo, observaremos as na prática as formas negativas, interrogativas, afirmativas e exclamativas. 3.1. Formas negativas No movimento da cabeça (negando), as expressões faciais, são obrigatórias para marcar sentenças negativas, pois está diretamente ligada às questões sintáticas, caso contrário, a sentença tornará agramatical. A seguir, apresentamos algumas ilustrações, quadros, os processos das formas negativas, conforme a gramática da LIBRAS: a) Com o acréscimo do sinal NÃO à frase afirmativa: Exemplo: Fonte: Libras em contexto, por Tanya A. Felipe, (2007, p. 65). 628 Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr. 2013 Suplemento.

b) Com a incorporação de um movimento contrário ao sinal negado: Fonte: Libras em contexto, por Tanya A. Felipe, (2007, p. 66). c) Com um aceno de cabeça que pode ser feito simultaneamente com a ação que está sendo negado ou juntado com os processos acima: Fonte: Libras em contexto, por Tanya A. Felipe, (2007, p. 66). 3.2. Formas interrogativas Apresenta uma pequena elevação da cabeça, acompanhada do franzir da testa. São relativas a argumentos usando expressões interrogativas, tais como: O QUE? O que? COMO? Como acidente acontecer? ONDE? Casa seu, onde? QUEM? Caneta meu sumir, quem pegar? Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2013 Suplemento. 629

POR QUE? Por que você sumir aula? QUANDO? Quando 1s poder encontrar 2s? QUANTO? Quanto custar carne mercado? QUAL? Nome qual? VOCÊ? Você casad@? Exemplo: Fonte: Libras em contexto, por Tanya A. Felipe, (2007, p. 64). 3.3. Formas afirmativas: Movimento da cabeça para cima e para baixo, indicando afirmação. Neste caso, a afirmação está relacionada a construções, ou seja, a expressão facial é neutra. Exemplo: Fonte: Libras em contexto, por Tanya A. Felipe, (2007, p. 64). 630 Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr. 2013 Suplemento.

4. Sintaxe espacial: ordem básica da frase Quadros e Karnopp (2004) dizem que Ordem das palavras é um conceito básico relacionado com a estrutura da frase de uma língua. O fato de que as línguas podem variar suas ordenações das palavras apresenta um papel significante nas análises linguísticas. Por exemplo, Greenberg (1966) observou que de seis combinações possíveis de sujeito (S), objeto (O) e verbo (V), algumas delas são mais comuns do que outras. Segundo Quadros e Karnopp (2004, p. 138-139), considerando os vários estudos apresentados, a ordem básica na ASL 89 parece ser SVO. No entanto, a interação entre diferentes mecanismos gramaticais deriva outras ordenações possíveis nesta língua, são elas: Ordem SVO- elevação do objeto devido à presença de verbos manuais (CHEN, 1998), verbos com aspecto (MATSUOKA, 1997; BRAZE, 1997) e concordância (FISCHER, 1975); há também uma proposta especial analisando como uma derivação falsa de SVO, uma vez que haveria três em vez de uma única derivação (PADDEN, 1990); Ordem OSV topicalização (FISCHER, 1975; LIDDELL, 1980; AARONS, 1994) elevação do objeto devido à presença de verbos manuais (CHEN, 1998) e de verbos com aspecto (MATSUOKA, 1997; BRAZE, 1997); (S)V(O) argumentos nulos possíveis, porque a ASL é uma língua que marca o parâmetro de argumentos nulos (LILLO-MAR- TIN, 1986). Portanto, introduz ao discurso uma informação nova, por vezes estabelece contraste. A ordem básica ou canônica das sentenças na maioria das línguas é SVO, porém na libras podemos constatar as seguintes: SVO, OSV, SOV e VOS. Vejamos alguns exemplos com as devidas estruturas frasais em libras; segundo o modelo da gramática da libras: 89 ASL Língua americana de sinais: <http://en.wikipedia.org/wiki/american_sign_language>. Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2013 Suplemento. 631

a) Construção com SVO: Temos a frase em SVO como segue a figura ao lado: EU PERDER LIVRO S V O Estrutura básica de uma frase (Sujeito, Verbo e Objeto). Fonte: Quadros e Karnopp (2004) b) Construção da ordem (S)V(O), possibilita omitir-se tanto o sujeito quanto o objeto: Temos então o Verbo DAR, nessa construção frasal houve a omissão do Sujeito (S) e do Objeto (O). Ex.: (s) DAR (o) V Fonte: Quadros e Karnopp (2004) Para a frase ter sentido é necessário que realizemos esse movimento de semicírculo de que alguém está dando algo a esse alguém. c) Construção com SOV: Fonte: Quadros e Karnopp (2004) Nesse exemplo temos a construção em SOV, ou seja, Sujeito (S); 632 Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr. 2013 Suplemento.

Objeto (O) e Verbo (V): Ex.: EU LIVRO PERDER S O V Entretanto, os dados apresentados segue a ordem básica da língua de brasileira de sinais é SVO e que as ordens mencionadas acima (OSV, SOB e VOS), são ordens derivadas de SVO. A possibilidade de articulação é um instrumento de criatividade linguística na medida em que permite às unidades, uma vez independentes, se recomporem em novas combinatórias, o que não deixa também de constituir economia, já que cada unidade pode ser reaproveitada num grande número de combinações. (BORBA, 1998, p. 12) 5. Considerações finais Concluímos que, assim como o português a libras também é uma língua rica, e conseguimos construir enunciados diversificados, utilizando as configurações de mãos, incorporadas com os movimentos e os pontos de articulações. Portanto, a língua brasileira de sinais, possui sintaxe e por meio de sinais que na língua portuguesa chamamos de signos, podemos produzir, compreender e enviar diversificadas mensagens. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORBA, F. da S. Introdução aos estudos linguísticos. 12. ed. Campinas: Pontes, 1998. BRITO, L. F. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, UFRJ, 1995. FELIPE, T. A. Libras em contexto de estudante. Brasília: MEC, 2007. MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramento, 1998. QUADROS, R. M. de. Aspectos da sintaxe e da aquisição da língua de Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2013 Suplemento. 633

sinais brasileira. Porto Alegre: Letras de Hoje, 1995. QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. 20. ed. São Paulo: Cultrix, 1995. SAUTCHUK, I. Prática de morfologia: como e por que aprender análise (morfo)sintática. Barueri: Manole, 2004. 634 Revista Philologus, Ano 19, N 55. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr. 2013 Suplemento.