Associação Comercial de Campo Limpo Paulista Atividade de Mediação O Uso da Psicologia na Mediação TELMA RIBEIRO SALLES Novembro 2010
Associação Comercial de Campo Limpo Paulista Atividade de Mediação O Uso da Psicologia na Mediação Atividade apresentada ao curso de Mediação e Arbitragem ministrado pela CBMAE junto à Associação Comercial de Campo Limpo Paulista sob a orientação do professor Sidney Fernandes filho Novembro de 2010 TELMA RIBEIRO SALLES Novembro 2010
Sumário Introdução 4 Conteúdo 4 Conclusão 8 Bibliografia 9
4 Introdução O papel do mediador tem, cada vez mais,destaque no Direito moderno. A morosidade inerente à assistência jurídica, muitas vezes gera insatisfação em um processo. Tal fato torna a figura do mediador de suma importância na resolução de um conflito. Medição é uma forma mais rápida e econômica de resolução de um conflito e muitas vezes torna-se mais satisfatória pelo fato das pessoas pactuarem suas próprias soluções. Após leitura de vários textos sobre o assunto, vislumbro a extrema importância da psicologia atrelada a todo este processo de solução de conflitos. É necessário que a figura do mediador propicie um bem estar entre as partes, assim como ser ele uma pessoa dotada de sensibilidade para perceber e compreender o universo subjetivo que se encontra por trás dos envolvidos. Portanto, conhecimentos de psicologia, para o desenvolvimento do papel de mediação se fazem fundamentais, pois, tanto a percepção do mediador como sua habilidade na interpretação da subjetividade das partes, são primordiais em sua prática. O propósito deste texto é delinear as nuances psicológicas encontradas por trás de um conflito, e a necessária capacidade que deve ter o mediador em sua interpretação. Conteúdo Sabemos que o mediador não atua somente na mediação de um conflito entre as partes. Em tese ele orienta as partes a chegarem a um mútuo acordo dentro de uma situação onde há um conflito. A satisfação e insatisfação são realidades existentes no conflito. Não há conflito se houver satisfação, portanto estamos falando da satisfação de uma pessoa ou de sua subjetividade. Temos necessariamente que falar de aspectos psicológicos quando falamos de subjetividade. Por trás de um conflito, existe na maior parte das vezes, um conflito oculto que cabe ao mediador saber identificar. Para a solução de um conflito, torna-se necessário que o mediador propicie bem estar entre as partes e também esperamos que ele tenha bom senso e sensibilidade suficientes para perceber e
5 compreender o conflito oculto e direcioná-lo a uma solução satisfatória. Entra aí a psicologia. A capacidade de interpretação do mediador é uma ferramenta útil neste processo, ou seja, sua capacidade de leitura da subjetividade é tão importante quanto a análise objetiva do conflito. Medo, sentimentos de ameaça e dificuldades com o que é novo, diferente; fatos que se relacionarmos à hábitos locais podem denotar desrespeito, fazem parte de situações com a qual o mediador pode se deparar. Cabe a ele mostrar os passos a serem seguidos, sem concluir antecipadamente o novo passo a seguir. Através de perguntas dirigidas, que conduzam à reflexão, o mediador freia os bloqueios emocionais, desarma os pensamentos, rompe as limitações das partes, os medos e com isto consegue anular o conflito oculto e facilitar a solução do conflito real. É uma tática psicológica que visa corrigir os aspectos subjetivos negativos que estão influenciando na solução do conflito, melhorando assim a comunicação e permitindo uma discussão razoável. É a necessidade de construir pontes e entender a importância das emoções e da psicologia na resolução do conflito. Vemos, por aí, a importância de existir um profissional, independente de sua formação, bem preparado psicologicamente para ser mediador de conflitos. Todos nós somos emocionais, porém é importante que descubramos o significado de nossas emoções para não ficarmos subjugados a elas. A importância de um treinamento psicológico associado ao treinamento de mediação se faz presente. Pelo que podemos perceber, não faz parte do processo de formação do mediador o treinamento psicológico. Todo ser humano é mutável e as relações humanas são complexas e por vezes difíceis, surgindo daí os conflitos que muitas vezes ficam fora do consciente. A capacidade das pessoas de estabelecerem uma comunicação honesta ( muitas vezes até consigo mesmo ) nas suas relações, tem um impacto importante sobre seus conflitos e suas conseqüentes resoluções. Mediadores possuem seus próprios conflitos, portanto para melhorar seu desempenho na mediação, torna-se necessário ferramentas que os auxiliem na resolução dos mesmos. Seria interessante, a incorporação ao processo de treinamento do mediador, práticas que facilitassem a visualização de suas próprias questões pessoais, pois a idéia é que os mediadores sejam o caminho para a resolução de conflitos de terceiros e para melhorar seu desempenho
8 nesta atividade, nada mais interessante do que serem impelidos a ser melhores seres humanos o que por conseqüência os tornaria melhores mediadores. Conclusão Após a leitura de alguns artigos e livros sobre a assunto mediação e psicologia, percebo a importância de um ser humano equilibrado, na prática da mediação. Como dito anteriormente, somos carregados de emoções e torna-se imperioso o conhecimento profundo das mesmas para que possamos mediar conflitos alheios. Lidar com medos, frustações e insatisfações camuflados dentro de conflitos, é prática que exige sabedoria e equilíbrio. Defendo aqui, neste pequeno texto que com certeza necessita de aprofundamento bibliográfico, a inserção de algumas ferramentas de conhecimentos psicológicos na formação do mediador para que surjam profissionais mais seguros e hábeis na prática.
9 Bibliografia 1) GRUNSPUN, Haim. Mediação Familiar. São Paulo : LTr,2000. 2) www.psicologia10.com.br/artigos/mediacao-de-conflitos 3) www.psicologia.com.pt / Claudio da Silva Ribeiro 4) www.opinionsur.org.ar / publicacion virtual. Construindo pontes entre a psicologia e a resolução de conflitos. Keneth Clock. Nº 64, dezembro de 2008