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Transcrição:

CONHECIMENTOS BANCÁRIOS Crime de Lavagem de Dinheiro Conceito, Etapas e Prevenção Prof. Karina Jaques

A lavagem de dinheiro consiste em conjunto de operações comerciais ou financeiras que têm como objetivo a incorporação, na economia, de bens, direitos ou valores originados direta ou indiretamente de qualquer infração penal. É por meio da lavagem que o dinheiro sujo (dinheiro com origem em atividades ilícitas) é transformado em dinheiro limpo (dinheiro com aparência lícita).

Para disfarçar os lucros ilícitos sem comprometer os envolvidos, a lavagem de dinheiro realiza-se por meio de um processo dinâmico que requer:

1º) o distanciamento dos fundos de sua origem, evitando uma associação direta deles com o crime; 2º) o disfarce de suas várias movimentações para dificultar o rastreamento desses recursos; 3º) a disponibilização do dinheiro novamente para os criminosos depois de ter sido suficientemente movimentado no ciclo de lavagem e poder ser considerado "limpo".

Os mecanismos mais utilizados no processo de lavagem de dinheiro envolvem teoricamente três etapas independentes que, com frequência, ocorrem simultaneamente.

Colocação a primeira etapa do processo é a colocação do dinheiro no sistema econômico. Objetivando ocultar sua origem, o criminoso procura movimentar o dinheiro em países com regras mais permissivas e naqueles que possuem um sistema financeiro liberal. A colocação se efetua por meio de depósitos, compra de instrumentos negociáveis ou compra de bens.

Para dificultar a identificação da procedência do dinheiro, os criminosos aplicam técnicas sofisticadas e cada vez mais dinâmicas, tais como o fracionamento dos valores que transitam pelo sistema financeiro e a utilização de estabelecimentos comerciais que usualmente trabalham com dinheiro em espécie.

Ocultação a segunda etapa do processo consiste em dificultar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos. O objetivo é quebrar a cadeia de evidências ante a possibilidade da realização de investigações sobre a origem do dinheiro. Os criminosos buscam movimentá-lo de forma eletrônica, transferindo os ativos para contas anônimas preferencialmente, em países amparados por lei de sigilo bancário ou realizando depósitos em contas "fantasmas".

Integração nesta última etapa, os ativos são incorporados formalmente ao sistema econômico. As organizações criminosas buscam investir em empreendimentos que facilitem suas atividades podendo tais sociedades prestarem serviços entre si. Uma vez formada a cadeia, torna-se cada vez mais fácil legitimar o dinheiro ilegal.

O Brasil tem uma rede de mecanismos, órgãos, normas para evitar o crime de lavagem de dinheiro, inclusive condicionando às instituições financeiras a colaborarem com as medidas preventivas através da autorregulação bancária. Entre as normas de prevenção contra a lavagem de dinheiro podemos citar: a Lei nº 9.613/98 e suas alterações, a Circular Bacen 3.461/2009 e suas alterações e a Carta- Circular Bacen 3.542/12.

A Lei 9613/98 dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF, e dá outras providências. Foi alterada em 2012 pela Lei 12.683 para ampliar a sua atuação. As duas Circulares do Bacen complementam as medidas preventivas.

A Circular Bacen 3.461/2009 consolida as regras sobre os procedimentos a serem adotados na prevenção e combate às atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998.

A Carta-Circular Bacen 3.542/12 divulga uma relação de operações e situações que podem configurar indícios de ocorrência dos crimes previstos na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, passíveis de comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A autorregulação bancária é um sistema de normas, criado pelo próprio setor, com o propósito básico de criar um ambiente ainda mais favorável à realização dos 4 grandes princípios que o orientam: (I) ética e legalidade; (II) respeito ao consumidor; (III) comunicação eficiente; (IV) melhoria contínua.

Nesse Sistema, os bancos estabelecem uma série de compromissos de conduta que, em conjunto com as diversas outras normas aplicáveis às suas atividades, contribuirão para que o mercado funcione de forma ainda mais eficaz, clara e transparente, em benefício de todos os envolvidos nesse processo: o próprio setor, seus consumidores e a sociedade, como um todo.