ATA DE JULGAMENTO DOS RECURSOS REFERENTE AO PRESENCIAL PARA REGISTRO DE PREÇOS N.º 1119/2013 CPL 04, pelo regime de menor preço por lote. Cujo objeto é Contratação de empresa para prestação de serviços de locação de banheiros químicos, incluindo instalação e manutenção, a fim de atender as necessidades da Secretaria de Estado de Saúde, por um período previsto de 12 (doze) meses, solicitado através do OFICIO/GAB/DC/Nº0021461-5/2013. 1. DAS FORMALIDADES LEGAIS Cumpridas as formalidades legais, registra-se que os demais licitantes foram cientificados da interposição e trâmite dos presentes RECURSOS ADMINISTRATIVOS, conforme registro em Ata dos trabalhos do Processo de Licitação em epígrafe, como também, a apresentação de contrarrazões de suas concorrentes. 2. DO RECURSO ADMINISTRATIVO Interpostos manifestação de recurso pela empresa: LOCA-MÁQUINAS LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA contra a habilitação da empresa S. DA SILVA FROTA ME, por apresentar na documentação sem autenticação, tais como: Balanço Patrimonial e Procuração (credenciamento), por não apresentar termo de abertura e fechamento do Balanço patrimonial, por apresentar Balanço Patrimonial sem autenticação/registro na JUCEAC, por apresentar cópia de nota fiscal de outro contratante que não era o solicitado para comprovar o atestado de capacidade técnica. 2.1. DAS ALEGAÇÕES DAS RECORRENTES A empresa LOCA-MÁQUINAS LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA pessoa jurídica de direito privado em seus memoriais de recurso alega que: A empresa S. DA SILVA FROTA ME fora intimada para apresentar as notas fiscais que comprovassem a origen do atestado de capacidade técnica apresentado na licitação, sob pena de inalibilitação e abertura de procedimento para aplicação de multa prevista no Decreto Estadual n. 5.965 de 30 de dezembro de 2010. Que a recorrida não comprovou a veracidade do atestado de capacidade técnica através de notas fiscais, sendo que a exigencia ao ser descumprinda culminaría na inabilitação da empresa e abertura de procedimento, conforme consta na ata. 1
Que a Secretaria de Estado da Fazenda Retificou o atestado que continha o objeto de locação de banheiros químicos, afirmando que esse contrato é para prestação de Serviços de dedetização, limpeza e desobstrução de fossas, desratização e descupinização, como a empresa ora recorrida conseguiu esse Atestado de Capacidade Técnica com o objeto não Executado? Que a Secretaria em comento não enviou o contrato solicitado pela recorrente, enviando apenas a Retificação do atestado, deixando claro que o contrato que deu origem ao atestado não poderia ter sido emitido, já que o contrato não contempla nenhum dos objetos descritos na relação dos Serviços do atestado de capacidade técnica. Que na ata está claro que o saneamento era para aferir a veracidade dos atestados com a apresentação de notas, e não simplesmente porque a empresa deixou de apresentar atestado com nova oportunidade para apresentá-lo posteriormente. Por fim, pede que a empresa S. DA SILVA FROTA ME seja penalizada e inabilitada, e o certame debe voltar à fase de negociação, conduzindo o procedimento licitatório com a lisura que requer, homenajeando os principios norteadores da administração pública, principalmente o da moralidade, probidade administrativa e legalidade agindo assim com a mais pura justiça. Os memoriais encontram-se acostado no processo nas paginas n. 183 a 201. 3. DAS CONTRARRAZÕES RECURSAIS A empresa EMOPS S. DA SILVA FROTA ME, empresa privada, apresenta sua contrarrazões ao Recurso Administrativo, conforme segue: Que sem razão a recorrente, pois a ora recorrida, apresentou a sua documentação de acordo com os dispostos no Edital, pois o inconformismo da recorrente esbarra no alto valor de sua proposta (...). Que o atestado de Capacidade Técnica apresentado pela recorrente, atestando que a mesma prestou serviços equivalentes à FUNDAÇÃO DE CULTURA E COMUNICAÇÃO ELIAS MANSUR, conforme cópias do Atestado e de Nota Fiscal anexas, que comprovam a veracidade das informações. Que o contrato celebrado com a Secretaria de Finanças do Governo do Estado apresentado juntamente com esse recurso, não deixa margem de dúvida que a licitante, ora recorrida presta ou prestou serviços, para o Estado (Sefa z) pertinentes e compatíveis com o objeto desta licitação. Que não há que se falar em falsificação de documento em relação ao Atestado emitido pela 2
SEFAZ, pois o documento foi confirmado pela Administração daquela Secretaria, assim como retificado posteriormente a informação prestada. Que houve foi tão-somente um erro material quando da elaboração do Atestado, pois o funcionário, ao emitir o documento, o fez aproveitando o modelo já existente. Que ao acatar o novo documento da recorrida, esta amparada no princípio da razoabilidade que é comumente invocado para deixar de inabilitar ou de desclassificar recorrentes em certames licitatórios, ainda quando presentes motivos reais e suficientes para as suas exclusões das licitações. Os memoriais encontram-se acostado no processo nas paginas n. 203 a 214. 4. DA ANALISE DOS RECURSOS Inicialmente, revendo o processo licitatório, verifica-se que o Edital e a legislação pertinente foram devidamente observados pela Pregoeira, quando da realização da sessão pública do pregão do dia 14/10/2013, que culminou com a classificação da proposta de preços da empresa S. DA SILVA FROTA ME para os lotes 01 e 02. No dia 18/10/2013 a Pregoeira decide habilitar a referida empresa, em estrita observação e atendimento às exigências editalícias. A lei de licitação, em seu Art. 3º dispõe que o objetivo primordial da licitação é observar o princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa. Para tanto, o agente público deve atentar ao que estabelece o instrumento convocatório em sua plenitude, e não a especificidades elencadas pelos concorrentes, relevar erros ou omissões formais que não venham a prejudicar o futuro contrato e que o resultado final da licitação, efetivamente, seja selecionado a proposta que traga mais vantagens para a administração em qualidade e preço. Seguindo o mestre do Direito Administrativo Hely Lopes Meirelles, em Licitação e Contrato Administrativo, entende que: é inadmissível que se prejudique um licitante por meras omissões ou irregularidades na documentação ou sua proposta (...) por um rigorismo formal e inconsentâneo com o caráter competitivo da licitação. O princípio do procedimento formal não significa que a Administração deve ser formalista a ponto de fazer exigências inúteis ou desnecessárias à licitação, como também não quer dizer que se deva anular o procedimento ou o julgamento, ou inabilitar licitantes, ou desclassificar proposta diante de simples omissões ou irregularidade na documentação ou na proposta, desde que tais 3
omissões ou irregularidades sejam irrelevantes e não causem prejuízos à Administração ou aos concorrentes. (Grifado) Consta no instrumento convocatório que a Qualificação Técnica da empresa classificada se processará com a apresentação de Atestados de capacidade técnica fornecidos por pessoa jurídica, de direito publico ou privado, para quem as atividades foram desempenhadas com pontualidade e qualidade. É nesse documento que o licitante deve certificar detalhadamente que forneceu determinado bem, executou determinada obra ou prestou determinado serviço satisfatoriamente. A empresa S. DA SILVA FROTA, apresentou Atestado de Capacidade Técnica (fl. n. 157) informando que a empresa ainda vem fornecendo o objeto da licitação, estando assim, em desconformidade com o previsto no subitem 12.7 do edital, sendo concedido o prazo de acordo com o subitem 11.29 do edital, para apresentação de novo atestado de Qualificação técnica, juntamente com a nota fiscal que deu origem a nota fiscal. Durante o prazo de saneamento, a empresa apresentou um novo documento emitido pela Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, com objeto idêntico ao solicitado no instrumento convocatório, acompanhado da nota fiscal de deu origem ao atestado datada de 27/09/2013 (fls. n. 175 e 176). Sendo o mesmo aceito por esta Pregoeira tendo em vista a referida empresa ter comprovado possuir qualificação técnica semelhante ao edital. Em respeito ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório (arts. 3º e 41 da Lei nº 8.666/93), a regra é que os licitantes apresentem documentação capaz de refletir, desde logo, o atendimento das condições estabelecidas pela Administração no edital. No entanto, tendo como finalidade privilegiar a competição mediante a manutenção na disputa de licitantes que tenham entregue documentação omissa/incompleta, a Lei de Licitações legitima a realização de diligências. É o que estabelece o seu art. 43, 3º, pelo qual é facultada à Comissão ou autoridade superior, em qualquer fase da licitação, a promoção de diligência destinada a esclarecer ou a complementar a instrução do processo, vedada a inclusão posterior de documento ou informação que deveria constar originariamente da proposta. (grifado) 4
À luz desse dispositivo, caberá à Administração solicitar maiores informações a respeito do documento apresentado, quando este, por si só, não for suficiente para comprovar o atendimento das condições fixadas no edital. Inclusive, nada obsta que, nesta etapa de diligência, sejam juntados outros documentos que esclareçam ou complementem as informações constantes daqueles apresentados originariamente pelo licitante. O saneamento aplicado à empresa recorrida buscou a correção das informações apresentadas de modo a corrigir falhas na documentação habilitatória, desde que esta retrate situação fática ou jurídica já existente na data estipulada da abertura da licitação, e principalmente, a manutenção da proposta mais vantajosa para a administração pública. Portanto, a Doutrina e a Jurisprudência têm repugnado de forma veemente o excesso de formalismo no julgamento nas licitações públicas. É entendimento pacífico, que antes de aplicar o rigor do edital, deverá ser verificado inicialmente se a proposta analisada atende ao edital e se os vícios ou erros formais verificados não tragam prejuízos à administração pública e aos demais licitantes presentes. Portanto, não há justificativa plausível para alijar a proposta da recorrida alegando que não atendeu o objeto da licitação. Ficou provado através do Atestado de Qualificação técnica emitido pela Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour que a empresa tem capacidade técnica para executar os serviços requeridos, como já o fez, conforme atestado apresentado. Ao Administrador cabe a avaliação da conveniência e da necessidade da exigência editalícia dos requisitos da capacitação técnico-operacional compatível com o objeto da licitação, porém, sem perder de vista uma das muitas e memoráveis lições do judicioso magistério de Hely Lopes Meirelles no sentido de que "o administrador público deve ter sempre presente que o formalismo inútil e as exigências de uma documentação custosa afastam muitos licitantes e levam a Administração a contratar com uns poucos, em piores condições para o Governo". 5. DA DECISÃO Ante ao exposto, reconheço o recurso administrativo da empresa LOCA-MÁQUINAS LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA que foram apresentados tempestivamente, para no mérito NEGAR provimento, mantendo inalterada a decisão tomada na sessão do dia 18/10/2013 referente ao Pregão Presencial para Registro de Preços n. 1119/2013. 5
Igualmente, submeto o presente processo licitatório ao Secretário Adjunto de Compras e Licitações Públicas, em atenção ao cumprimento do Art. 11, inciso XXXIV do Decreto Estadual 5.972/2010, para julgamento final das manifestações apresentadas. Caso essa autoridade superior entenda pela manutenção da decisão ora apresenta, para que seja adjudicados os lotes 01 e 02 a empresa vencedora. Rio Branco, 03 de janeiro de 2014. Edilene Dulcila Soares Pregoeira 6