Escola Secundária da Ramada



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Transcrição:

Escola Secundária da Ramada Nome: Margarida Isabel dos Santos Fonseca Turma: 11ºI Número: 7 Disciplina: História da Cultura e das Artes Professora: Maria do Céu Pascoal Data: 09 de Junho de 2006 1/11

Introdução pág.1 Enquadramento da Pintura No Renascimento pág.1 Características Gerais do Renascimento pág.2 Estrutura do Trabalho pág.3 Desenvolvimento pág.4 Obras Analisadas pág.4 Quadro de Eleição: Santa Ana e a Virgem pág.5 Barroco pág.6 Conclusão pág.8 Síntese do Que Foi Visto e o Seu Contributo Para a Evolução Artística pág.8 Análise Pessoal Sobre a Obra Principal pág.8 Bibliografia pág.9 2/11

Enquadramento da Pintura no Renascimento O Renascimento é o surgir do individualismo, é o despertar da aspiração à beleza ( ) e da felicidade de viver ( ). No Renascimento o Homem toma o lugar principal, o lugar no centro do Mundo. Torna-se o objecto de pesquisa e o artista passa de anónimo e simples estudante de artes a intelectual consagrado, assim como passa a ser o objecto de arte, o produto do seu próprio estudo e a obra-prima. Tomando este lugar, o Homem começa a ser representado na arte, tornando-se esta uma forma de o imortalizar. E em primeiro lugar, optou-se pela pintura para representar o Homem, através de retratos e quadros. Assim como representava o Homem, representava também a Natureza, tendo sido nesta época a descoberta da beleza desta. (A Virgem, o Menino e os Santos) Na pintura do Renascimento inovou-se, mas em muito se assemelhava à arte Clássica. Incluindo nas obras a representação de colunas, arcos e outros elementos que identificavam a presença desta época. Porém, toda a pintura do Renascimento era mais realista e mais minuciosa na sua representação, tanto dos elementos clássicos, como da natureza, que não era copiada a olho, mas imaginada e pintada como se fosse de tão perfeita que estava representada. Para esta perfeição foram tratadas as técnicas formais e estéticas, tratando melhor as cores que deram uma nova percepção da luminosidade, jogo de sombras, bem como um melhor tratamento dos panejamentos e expressividade das figuras representadas. Para isto, ajudou a nova técnica da pintura a óleo, através da qual era mais fácil conseguir outras cores, já que demorava mais a secar e possibilitava a colocação de outras camadas. 3/11

Assim se aplicaram também estudos matemáticos e geométricos, que até à época não haviam sido executados. Através deste estudo conseguiu-se uma das grandes inovações do Renascimento: a perspectiva. O auge da pintura foi atingido no séc. XV e XVI, quando ganhou uma maior emoção e sentimento. Características Gerais do Renascimento O Renascimento tem o seu início na época dos descobrimentos. Através de todas as viagens que se faziam, foi inevitável toda a troca de cultura e novos saberes que, no fim eram procurados pelos povos que partiram à descoberta. Foram muitas as mudanças, principalmente nas mentalidades. Daí provieram mudanças como o pensamento teocêntrico e simbólico ao pensamento antropocêntrico, que colocava o Homem no centro do Mundo, dando origem ao humanismo e, mais tarde, ao individualismo. Aí se compõem maior parte das mudanças na arte. Na qual o Homem era representado minuciosamente, não omitindo qualquer defeito e até evidenciando-o, não tornando a arte numa idealização da realidade e sim na própria realidade. Assim que se pode dizer, que o Renascimento é pleno de realismo. (As Tentações de Sto. Antão) Descobriu-se a verdadeira beleza da Natureza, e na pintura teve grande influência, já que esta era representada como pano de fundo no quadro, ao contrário do que acontecia na época Clássica, em que não existia qualquer paisagem de fundo, e sim um fundo unicolor. Além das influências clássicas, já antes mencionadas (arcos, colunas, etc.), a arte renascentista tem também influência flamenga pela representação de espaços interiores nas suas obras. No Renascimento surgem, então, uma nova concepção do espaço em profundidade, pela representação da natureza como pano de fundo, toda uma representação do quadro bastante realista, desde a percepção de movimento das figuras ao tratamento da luminosidade e sombras, assim surge também a exuberância nos vestidos destas. 4/11

Estrutura do Trabalho O trabalho será constituído por uma Introdução ao tema, abrangendo uma breve caracterização da pintura e das características gerais do Renascimento. Será composto de uma breve síntese de todos os quadros analisados durante a visita, e seguidamente da analisa aprofundada de um apenas, neste caso, de Santa Ana e a Virgem, de Arnau Bassa e Rámon Destorrents. Numa parte final do desenvolvimento do trabalho, estará uma referência ao movimento Barroco e ao que foi observado neste contexto. Será então seguido de uma conclusão onde farei a síntese de toda visita, uma referência ao seu contributo para a evolução artística e logo darei uma análise pessoal sobre o quadro aprofundadamente analisado. No fim, então colocarei a Bibliografia para a realização deste trabalho. 5/11

Obras Analisadas na Visita A primeira obra analisada foi a escultura de Santa Ana e a Virgem, uma escultura inglesa do séc. XV feita em alabastro, trata-se de uma escultura de tema religioso, na qual Santa Ana ensina a Virgem a ler a Bíblia. A segunda obra, e a obra a ser analisada neste trabalho, foi a pintura de Santa Ana e a Virgem, também de tema religioso, uma pintura espanhola por Rámon Destorrents e Arnau Bassa no séc. XIV em madeira de choupo. O terceiro quadro analisado foi A Virgem, o Menino e os Santos, pintado por Heins Holbein, pintor alemão, a óleo sobre madeira de carvalho, no séc. XVI. Este quadro possui grande parte das características do Renascimento. A quarta obra foi As Tentações de Stº Antão, uma pintura flamenga do pintor Keronymus Bosch nos séc.xv e XVI, a óleo sobre madeira de carvalho. Trata-se de uma obra também de tema religioso. O quinto quadro é S. Jerónimo, por Albrecht Durer, óleo sobre madeira, datado do séc. XV. A sexta e última obra analisada foram Os Painéis de S. Vicente, pintura portuguesa da autoria de Nuno Gonçalves, no séc. XV, com têmpera em madeira de carvalho. Este último quadro apresenta S. Vicente a pregar a mensagem da fé cristã a Afonso V para que este a transmita, e faça com que seja transmitida, a outros. (S. Jerónimo Alrecht Durer) 6/11

Santa Ana e a Virgem O quadro de Santa Ana e a Virgem, é da autoria de Arnau Bassa e Rámon Destorrents. Uma pintura espanhola, datada do séc. XIV, sobre madeira de choupo com a utilização de têmpera que dava um brilho, embora opaco com pouca luminosidade. Este quadro foi encomendado por D. Pedro III de Aragão, tendo nele referência a três mulheres com quem casou através da representação dos respectivos escudos, na obra. As três mulheres representadas são Mª de Navarra, Leonor de Portugal e Leonor de Sisília. Além destas três referências, no quadro são representadas quatro figuras: as imagens de Sta. Bárbara e Sta. Catarina, o Anjo da Anunciação e a Virgem. A obra trata o tema religioso, já que nele se representa Santa Ana a ensinar a leitura da Bíblia à Virgem. Pode-se dizer que o quadro se divide em três partes: o painel central e duas colunas laterais. Quanto à estrutura estética, embora já um pouco mais proporcional, é notória ainda a falta de realismo, daí a percepção de um rosto adulto na Virgem, existindo pouca preocupação em dar um rosto infantil a esta e aproximar-se de uma realidade. Assim como se nota a inexistência de perspectiva e volumetria que acabaria por tornar perceptível o corpo da Virgem, na qual os panejamentos evitam a definição do seu corpo. As cores utilizadas no quadro foram o azul, o dourado e o vermelho, que representavam este tema desde a Antiguidade Clássica. O azul, como o branco, representava a pureza, o vermelho, o poder da Igreja e o dourado representava o sagrado. O branco utilizado no vestido da Virgem, possibilita a sua evidência, contrastando com as cores fortes do vermelho e do azul. Assim como, por sua vez, esta vai pôr em evidência a Bíblia e os seus ensinamentos. Como plano de fundo, ainda existe a utilização de uma só cor sem qualquer paisagem ou representação. Este pano de fundo é, neste quadro, seguro por dois anjos. 7/11

Espaços Visitados Capela das Albertas U ma parte do Museu que visitámos fazia parte do Convento das Albertas, e aí viviam freiras das Carmelitas Descalças. Na capela existem uma espécie de janelas com espigões para que as freiras pudessem assistir às missas e/ou celebrações, já que lhes era interdita a passagem pelo altar enquanto estas decorriam. Estas janelas acabam por simbolizar o seu afastamento do Mundo. Quase toda a capela é composta de azulejo azul do séc. XVIII e talha dourada, que tentava transparecer uma falsa realidade de riqueza, assim estes azulejos eram uma forma barata de representar essa mesma realidade, em detrimento da tapeçaria que dava também essa ilusão. Tanto a principal como as capelas interiores eram assim revestidas, bem como o tecto das mesmas. No lado esquerdo da Capela, em direcção ao altar, existe um púlpito que servia para o frade que lia os livros sagrados para a população. No lado esquerdo da capela encontram-se as capelas interiores. A segunda capela é mais rica que a primeira, e nela, estaria, supostamente, guardada uma relíquia a mão esquerda de Santa Teresa de Ávila. O ponto mais importante da capela era o altar, cujo chão era de mármore e o próprio talhado a ouro intencionalmente para impressionar e captar a atenção. Dos dois lados do altar existe uma porta pequena por onde passavam as freiras. No lado contrário ao altar, existe um presépio, todo ele construído com barro pintado, no início do séc. XIX, elaborado por Joaquim Machado de Castro e José Joaquim de Barros. No outro canto encontrase a cadeira de braços de D. Afonso V. (Cadeira de D. Afonso V) 8/11

Sala de Estar Uma sala de estar da época barroca, que mais uma vez se apresenta riquíssima. Toda ela com vários espelhos que se estendiam do chão ao tecto, com objectos muito minuciosos e toda uma decoração rica e pormenorizada. Assim a mostram também os cortinados e toda a mobília na sala. Começando no enorme lustre e acabando nos sofás expostos. (Cómoda) Peças Baixela Baixela de German encomendada por D. José I, que devido ao terramoto havia perdido todas as suas louças. Todo um conjunto de tachos e talheres, incluindo também os centros de mesa esplendorosos que se costumavam (Centro de Mesa) apresentar no Barroco e os enfeites de mesa para pôr flores. Toda a baixela era feita de prata. Ourivesaria Passando ao andar de cima, encontramos uma colecção de ourivesaria, constituída por custódias, cálices, cruzes. Uma das que mais chamou a atenção, foi precisamente a Custódia de Belém, que foi mandada lavrar por D. Manuel I para ser colocada nos Jerónimos. Uma custódia bastante frágil mas muito pormenorizada. Para além desta custódia observámos também a Custódia de Bemposta, bastante valiosa, feita de prata e constituída por diamantes, rubis, topázios, esmeraldas, safiras, cristais de rocha e ametistas. (Custódia de Bemposta) Joalharia Continuando no andar de cima, tivemos acesso a uma colecção de joalharia da época barroca, na qual observámos todo o tipo de jóias: anéis, pulseiras, colares, gargantilhas, ganchos para o cabelo, etc. (gancho de cabelo) 9/11

Síntese do Que Foi Visto e Contributo Para a Evolução Artística N a visita ao Museu Nacional de Arte Antiga, foi-nos proporcionado um aprofundamento do conhecimento sobre dois movimentos artísticos: o Renascimento e o Barroco No que diz respeito ao Renascimento, foram-nos mostradas várias obras datadas dessa mesma época, nas quais podemos observar a evolução das técnicas e a, cada vez maior, aproximação da realidade tal como ela é. Quanto ao Barroco, ficou a ideia de uma época bastante rica, ou aparentemente rica. Pelos objectos das mulheres, pela Baixela, pela Capela das Albertas, bem como pela Sala de Estar e todas as jóias. Se no Renascimento a arte quase se limitava à pintura e à escultura, no Barroco, a arte quase tocou todos os pontos, avançando para a arte de ourivesaria, joalharia, mobiliário, etc. Nota-se, então, uma grande evolução artística, de um movimento para o outro. Análise Pessoal Sobre a Obra Principal O quadro de Santa Ana e a Virgem, trata-se de uma pintura ainda muito apegada à Antiguidade Clássica. Isto porque ainda não tem a real preocupação de chegar a pintura ao real, nem parecido, como acontece já em pleno Renascimento. As figuras representadas têm muito poucas feições e encontram-se sem qualquer sentido de movimento. Assim como, pelas cores, se nota ainda que Rámon Destorrents e Arnau Bassa se agarraram ainda a antigas técnicas, que tornam o quadro monótono e sem brilho, nem qualquer jogo de sombras e luz. 10/11

PINTO, Ana Lídia; MEIRELES, Fernanda; CAMBOTAS, Manuela Cernadas, História da Cultura e das Artes 11º ano 3ª parte, Porto Editora, 2005 http://www.mnarteantiga-ipmuseus.pt/ Apontamentos retirados no acto da visita 11/11