CAPÍTULO 1 Avaliação: conceitos iniciais
AFINAL, O QUE É AVALIAR? Quando se pensa em avaliação, várias ideias vêm à mente: prova, trabalho, nota, média, boletim, aprovação, reprovação, classificação. Por trás dessas palavras, estão diferentes conceitos e estratégias avaliativas usadas para acompanhar a aprendizagem dos alunos e também o trabalho de professores e gestores. Entenda como alguns estudiosos do assunto distinguem alguns desses conceitos: AVALIAR Acompanhar e reorientar a aprendizagem de forma permanente. Para um verdadeiro processo de avaliação, não interessa a aprovação ou reprovação do educando, mas sim seu crescimento. Daí a avaliação ser diagnóstica, permitindo a tomada de decisões para a melhoria. Envolve não só o desempenho dos alunos, mas de todo o sistema educacional. A aprendizagem melhora se todo o sistema melhora. EXAMINAR Uma forma de medir a aprendizagem pautada em performances pontuais (para a nota, só vale a resposta no momento da prova, não em qualquer outro momento) e em desempenhos finais (só importa a resposta, não o caminho até ela). Exames, muitas vezes, são usados de forma classificatória (hierarquizam os alunos) e servem como recursos de controle disciplinar. Fonte: Cipriano Carlos Luckesi, Avaliação da aprendizagem; visão geral. Disponível em: http://migre.me/vzo5h. 6
MEDIR Atribuir um número de acordo com uma regra logicamente aceitável. Na avaliação da aprendizagem, a maioria dos professores utiliza como medida o número de acertos em questões de teste. Toda avaliação deveria incluir uma medida, mas nem toda medida inclui, necessariamente, uma avaliação. Medir sem aliar à medida uma função formativa seria o mesmo que medir a febre de alguém, descobrir suas causas, mas não administrar nenhum remédio para a cura. CERTIFICAR Atestar, afirmar, passar a certidão. Essa tomada de decisão envolve necessariamente um processo de julgamento, o que inclui medida e avaliação. Uma função importante da certificação, numa perspectiva formativa, é estimular um processo de autoavaliação por parte de quem é avaliado, buscando permanentemente a melhoria. Fonte: Léa Depresbiteris, Certificação de competências: a necessidade de avançar numa perspectiva formativa. Disponível em: http://migre.me/w4i3u. 7
AVALIAÇÃO: UM PROCESSO CONSTRUTIVO, CONJUNTO E SISTEMATIZADO Na escola, a avaliação do aluno deve ser um suporte para orientar sua aprendizagem e seu desenvolvimento assim, nada mais natural do que ele participar ativamente do processo. Para que seja eficiente, além de envolver o estudante, é essencial que haja a sistematização consistente das evidências que se mostram: afinal um teste não é a avaliação em si, mas oferece dados que, qualificados, amparam a análise, a reflexão e a tomada de decisões de forma embasada. 8
Os processos de sistematização do conhecimento e de avaliação deveriam ser sempre realizados em conjunto com os estudantes. É muito importante que ele o estudante saiba o que sabe/aprendeu e aquilo que ainda não sabe/ aprendeu. Ainda que possa parecer semântica, há uma grande diferença entre dizer que não se sabe algo ou que ainda não se sabe algo. A avaliação deveria mostrar o que CÉLIA o estudante ainda não sabe e ser um ponto de partida (e não de chegada) no processo educacional SENNA, especialista em educação revisora do presente estudo. 9
A avaliação é um ponto de partida para a aprendizagem e para o desenvolvimento constantes! 10
AVALIAÇÃO PARA CLAREAR METAS EDUCACIONAIS E PARA AMPARAR A EXPERIMENTAÇÃO DE NOVAS PRÁTICAS Segundo B.S. Bloom, J. T. Hastings e G.F. Madaus, autores do livro Evaluación del aprendizaje (em tradução livre, Avaliação da Aprendizagem), além de a avaliação ser um método de adquirir e processar evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem incluindo uma grande variedade de evidências que vão além do exame usual de papel e lápis, é um auxílio para clarear os objetivos significativos e as metas educacionais, um sistema de controle qualidade pelo qual pode ser determinada, etapa por etapa do processo ensino-aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso negativo, que mudanças devem ser feitas para garanti-la. Segundo eles, pode ser considerada, ainda, um instrumental da prática educacional para verficar se procedimentos alternativos são ou não igualmente efetivos ao alcance de um conjunto de fins educacionais. Fonte: Gerson Pastre de Oliveira, Avaliação Formativa nos Cursos Superiores: Verificações Qualitativas no Processo de Ensino-Aprendizagem e a Autonomia dos Educandos. Disponível em: http://bit.ly/avaliacao-gersonpastre. 11