MEMÓRIA, EMOÇÃO E APRENDIZAGEM



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Transcrição:

MEMÓRIA, EMOÇÃO E APRENDIZAGEM ADÃO, Anabel do Nascimento Secretaria do Estado da Educação/SEED bebel_pr@seed.pr.gov.br PALUDO, Karina Inês Universidade Federal do Paraná/ UFPR karina_paludo@hotmail.com Resumo Considerando a importância de apresentar ao público em geral questões relevantes para o período em que estamos postos na sociedade, este artigo resenha uma revisão de autores que dedicaram ou dedicam seus estudos na compreensão da memória, emoção e aprendizagem. O estudo destes constructos tem contribuído em diversas áreas do conhecimento com atenção especial à educação. O presente trabalho objetiva apresentar a presença da emoção na fixação da memória e a influência na aprendizagem, a partir da pesquisa bibliográfica. Faz-se oportuno ressaltar que se empreendemos um primeiro esforço na análise correlacional entre memória, emoção e aprendizagem, o que faz necessário futuros estudos. Palavra Chave: Memória; Emoção; Aprendizagem. ABSTRACT: Considering the importance of presenting to the general public relevant questions for the present days in our society, this article summarizes a review of authors who have dedicated or who still dedicate their studies in the comprehension of the human memory, emotion and learning. The study of these constructs has contributed in several areas of knowledge, especially in the education field. This article aims at showing the presence of the emotion in the memory consolidation process and its influence in the learning tasks from the bibliographic research. It is important to mention that this study is a first effort in the correlational analysis between memory, emotion and the learning process and it makes necessary future studies for a broader knowledge. Key-words: Memory; Emotion, The learning process. 1

Introdução Quem somos? Todos nós em algum momento da vida fez essa pergunta e nem sempre encontrou resposta. Ao buscarmos a resposta na Psicologia, por ser a ciência que explica o desenvolvimento humano, averiguamos que a explicação centra-se em dois grandes polos, a saber: o biológico e o ambiental. Acreditamos que estes não são dissonantes, mas antes, correlacionados e interdependentes. Nesse sentido, pensamos que a construção do ser se dá a partir dos fatores inter e intrapsíquicos. Contudo, nossa atenção será dispendida, nesta oportunidade, para análise do mecanismo neurológico chamado de memória, por conta do importante papel que desempenha na construção da pessoa e também, pretendemos dissertar acerca do papel das emoções e/ou sentimentos na consolidação das memórias, formação do caráter, comportamentos e lembranças, enfim, para construirmos o sujeito que somos. Izquierdo (2009) complementa essa ideia ao afirmar que somos o que lembramos, e destaca que somos aquilo que nosso cérebro faz de nós e muito mais do que isso, somos aquilo que ele armazena em seu interior ao longo de nossa vida. Entender como se dá esse processo de armazenamento de informações não é tão simples, o cérebro é o órgão mais complexo e misterioso de todo organismo. Nessa estrutura complexa, armazenam-se as informações mais importantes da vida, conhecida como memória, podendo ser subdivida em memória imediata, memória de curto prazo e memória de longo prazo. Faz-se oportuno ressaltar que, ao longo do texto, nos reportaremos ao termo memórias, advindo de Cammarota et al (2009) Nossas memórias, assim como as dos outros animais, provém da experiência. Por isso é mais sensato falar de memórias e não de Memória, já que existem tantas memórias quantas experiências possíveis. É evidente que a memória de ter colocado o dedo na tomada não é igual à da primeira namorada, à da casa da nossa infância, à de andar de bicicleta, à de como nadar, à do perfume de uma flor, ou à de exercer a Psicologia (CAMMAROTA, 2009, p. 244, 2008) 2

A escolha do termo memórias atende mais amplamente ao estudo que propomos no texto, pois acreditamos que amplia o conceito geral de memória, visto que ao longo de nossa existência acumulamos diversos tipos de memórias. Eric Kandel (2009), cientista renomado nos estudos das neurociências, dedicou parte de seus estudos nas questões sobre memória. Ele afirma que por meio do que fica registrado na memória de longo prazo, somos levados a passeios que nos permitem recordar acontecimentos a hora que quisermos e sentir as mesmas sensações como se estivéssemos vivendo novamente aquele momento. Isto é possível porque ao recordar, nosso cérebro faz uma viagem mental e ativa as mesmas áreas cerebrais que estiveram envolvidas no episódio. Contudo, Kandel (2009, p. 74) ressalta que a memória humana está sempre se reinventando. Toda vez que lembramos de alguma coisa, essa lembrança se modifica um pouco. Ainda que sintamos as mesmas sensações, não nos lembramos exatamente como foi a informação vivenciada. Kandel (2009) defende que nem todas as memórias são possíveis de serem lembradas. Há algumas em que aparecem quando menos esperamos, sendo chamadas de memória inconsciente. Elas existem, mas conscientemente não lembramos. Entretanto, se algum episódio de nossa vida fizer o mesmo caminho neurológico e reativar as conexões necessárias para a produção e armazenamento de determinada memória, elas são reativadas. Devido a um sistema extremamente organizado como nosso cérebro, a maioria de nossas vivências não fica registrada na memória, pois se ficassem, não conseguiríamos ter uma vida socialmente e emocionalmente equilibrada. Deste modo, nosso cérebro tem mecanismos próprios que organizam nossa vida social e emocional, dentro de suas funções. Kandel (2009) destaca ainda, que a carga emocional, seja positiva ou negativa, tem influência direta na fixação da memória. A intensidade que vivemos determinados episódios ou o interesse que dedicamos a determinadas tarefas, contribuirá para que o episódio permaneça na memória de longo prazo. 3

Neste sentido, a memória nos permite ter acesso a conteúdos aprendidos e faz de nós a pessoa que somos, lembramos pra esquecer, esquecemos pra lembrar, observamos, aprendemos, recordamos e vivemos. Diante do explanado, podemos inferir sobre a importância das emoções para a formação e fixação da memória bem como a importância desta no processo de aprendizagem. A construção da memória Os estudos sobre como se dá o processo de memorização são recentes. Em seu livro Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente, Kandel (2009) traz a perspectiva histórica de pesquisas acerca do funcionamento cerebral e constata que há muito tempo, estudos têm sido empregados para entender como se dá o processo de construção das memórias. A formação das memórias é bastante complexa e exige cada vez mais estudos. No entanto, o que se sabe até o momento é que existem mecanismos básicos para sua formação, que são chamados também de estágio espontâneo. Esse estágio compreende desde a seleção inicial, a consolidação até a recordação e algumas vezes a mudança ou a perda de memória (esquecimento) (CARTER et al, 2009). Sobre a seleção, Carter et al (2009) afirma que o cérebro tem mecanismos próprios para o armazenamento de informações que poderão ser úteis no futuro e passar em branco aquelas informações desnecessárias. Porém nesse processo, pode acontecer que informações importantes sejam negligenciadas e as irrelevantes sejam armazenadas. Na consolidação, as experiências são selecionadas para a memorização a partir de memórias já existentes e essas experiências são retidas por um período apropriado. Há possibilidade de a informação ser mal classificada e ocorrer falhas na consolidação (CARTER et al, 2009). A recordação acontece a partir do acontecimento em questão, pois ele estimula a lembrança de memórias adequadas e que já estão armazenadas e 4

toda vez que essa memória é recordada ela também sofre uma leve alteração para acomodar uma nova informação, porém essa alteração, ainda que leve, pode criar memórias falsas (CARTER et al, 2009). Quanto ao esquecimento, acontece com a maioria das informações que recebemos, pois são esquecidas tão logo registradas, a menos que sejam atualizadas regularmente (CARTER et al, 2009). Destacamos neste trabalho, que a construção das memórias ocorre a partir de uma rede de neurônios, que está distribuída por todo o cérebro, por isso, se uma parte do cérebro é danificada, perdemos parte das lembranças, mas não todas. Outro ponto a ser considerado na formação da memória é a repetição. Sobre isso Izquierdo (2009, p. 37) afirma que a repetição reforça as memórias, provavelmente recrutando cada vez mais circuitos nervosos para reforçar o armazenamento. Assim, o que faz com que as memórias se fixem é a atenção que damos a determinada situação e o valor emocional depositado. Na estrutura cerebral, as memórias recebem algumas classificações, a saber: memória de trabalho; memória de curto prazo e memória de longo prazo. A memória de trabalho é a memória relâmpago, isto porque persiste por poucos minutos no córtex pré-frontal e integração com córtex entorrinal, hipocampo e a amígdala (CAMMAROTA et al, 2008). Esse tipo de memória é aquela que utilizamos para registrar rapidamente um número de telefone, até que anotemos em algum lugar, então ela se perde e não fica armazenada em nenhum outro espaço do cérebro. A memória de curto prazo, dura de 30 minutos a 6 horas, enquanto que a de longo prazo permanece horas, alguns dias e anos. Tanto a memória de curto quanto a de longo prazo faz o mesmo percurso cerebral, entretanto são armazenadas em lugares diferentes (CAMMAROTA et al, 2008). Interessante que alterações extremas no lobo temporal medial, mais especificamente no hipocampo, destroem a capacidade de converter uma memória de curto prazo em memória de longo prazo. Kandel (2009) afirma isso com base no resultado da pesquisa realizada por William Scoville e Brenda 5

Milner, por aproximadamente 30 anos, com o paciente H. M que foi atropelado por uma bicicleta aos 9 anos e sofreu um ferimento na cabeça que resultou em epilepsia. H. M. passou por várias cirurgias sem muitos resultados, mas por fim, Scoville propôs como última tentativa, remover a face interna do lobo temporal em ambos os lados do paciente, assim como o hipocampo. A cirurgia teve êxito em diminuir as crises de H. M., mas deixou-o com uma perda de memória devastadora, da qual ele jamais recuperou. Depois dessa cirurgia, ele permaneceu o mesmo homem inteligente e gentil, mas tornou-se incapaz de converter quaisquer novas memórias em memórias permanentes. Porém, a memória de longo prazo, armazenada antes do acidente, permanecia intacta, e ele se lembrava perfeitamente, inclusive muitos episódios da infância. A conclusão foi que a região do hipocampo é fundamental para a formação da memória de longo prazo, no entanto, não é nessa região que a memória se fixa. Kandel (2009, p. 149) ressalta ainda que hoje, temos razões para acreditar que a memória de longo prazo é armazenada no córtex cerebral. Além disso, seu armazenamento ocorre na mesma área do córtex cerebral que processou a informação originalmente ou seja, as memórias das imagens visuais são armazenadas em diferentes áreas do córtex visual e a memórias das experiências táteis são armazenadas no córtex somatossensorial. O processo de formação de memória de longa duração é lento e frágil, pois consiste em uma série de etapas concatenadas que se uma delas falhar, toda informação se perde (CAMMAROTA et al, 2008). A memória de longa duração subdivide-se em memória explícita ou declarativa e memória implícita ou procedimental. Kandel (2009) apresenta que a memória explícita e a memória implícita são processadas e armazenadas em áreas diferentes do cérebro. Explica que a memória explícita é direcionada a pessoas, objetos e lugares. Fica guardada no córtex pré-frontal, em curto prazo e após esse estágio é convertida em memória de longo prazo, passando para o hipocampo e na sequência é armazenada nas áreas do córtex que correspondem aos sentidos envolvidos ou seja, nas mesmas áreas que processam inicialmente a informação. Já a 6

memória implícita de habilidades, hábitos e aquelas resultantes de condicionamento é armazenada no cerebelo, no estriado e na amígdala. A memória explícita ainda subdivide-se em duas: memória semântica e memória episódica. A memória semântica contém informações de fatos e eventos que fazem parte do nosso cotidiano que somos capazes de lembrar, mas não sabemos como foi armazenado. Já a memória episódica, diferente da semântica, reserva informações de fatos ou eventos que lembramos e sabemos o momento em que foi armazenada, como por exemplo, a festa do nosso casamento, o primeiro beijo, a aprovação no vestibular, etc. A memória implícita reserva informações das quais não temos acesso consciente, tal como um procedimento automático (dirigir um automóvel, dirigir um documento) (CAMMAROTA et al, 2008, p 246). Ainda discorrendo sobre a formação das memórias de longo prazo, Pergher et al (2008) afirma que há um subsídio importantíssimo que dá suporte para os acontecimentos se fixarem na memória, a emoção. Defendemos que para tudo ocorrer perfeitamente na consolidação das memórias, precisamos além de processos neurológicos bem estruturados, o fator emocional, que tem forte influência na fixação das memórias. Sobre isso iremos dissertar no próximo tópico. Memória e emoção Iniciamos com a questão: O que leva nosso cérebro a armazenar certas informações e descartar outras? Como foi explanado no tópico anterior, a consolidação das memórias é possível por conta dos processos neurológicos organizados. Para, além disso, acreditamos que isto é possível graças ao envolvimento emocional. Argumentamos que o ambiente social influencia a aprendizagem, assim é certo que o ambiente emocional também tem papel importante na fixação da mesma. Mas por que fatores emocionais tem papel fundamental? Onde encontramos explicação para isso? Desde Charles Darwin (1809-1882) até Walter Cannon (1871-1945), importantes trabalhos e estudos foram 7

desenvolvidos. Um dos mais recentes dos estudos é o de Cannon que reconhece um papel importante ao sistema nervoso central, considerando-o como produtor das experiências subjetivas e emocionais, em especial o hipotálamo, região de grande influência nas emoções (SARMIENTO et al, 2007, p. 25). Sobre as emoções, há algumas delas que podemos chamar de emoções primárias e que nos diferenciam de outros seres, são elas: alegria, tristeza, medo, nojo, raiva e surpresa. Essas emoções podem ser consideradas inatas a toda espécie humana e são também, mecanismo de sobrevivência (PERGHER et al, 2008). Entendendo que vivemos sob descarga emocional ao longo do dia, seja ela expressiva ou não, quando chegamos ao final deste, o que nos resta na memória são as experiências de maior carga emocional e essas acabam fixando-se na memória, já as de menos carga emocional (praticamente imperceptível), perde-se no decorrer das horas. Sobre isso, Sarmiento et al (2007) explica que fatores emocionais estão intimamente relacionados com memória de longo prazo e consequentemente, com a aprendizagem. O atrelamento das emoções com a fixação das memórias é tido porque as áreas cerebrais envolvidas na memória também fazem parte do sistema límbico, que está diretamente relacionado com nossas emoções. Sobre as áreas cerebrais envolvidas na memória, há uma região em que ficam armazenadas as memórias emocionais. Essas memórias são armazenadas juntamente com a emoção vivenciada no momento. Esse fato explica porque costumamos lembrar episódios passados que foram marcantes em nossa vida (KANDEL, 2009). Sobre a relação emoção/memória, com base em Pergher et al (2008) destacamos ainda que se o indivíduo estiver num estado de humor como a alegria, ele se recordará com facilidade das memórias relativas a esse estado de humor, isso acontece em qualquer estado de humor para qual ele se encontrar. 8

Se relacionarmos essa argumentação com o trabalho em sala de aula, fica mais fácil entendermos porque os alunos não se recordam na hora da prova, pois estão em estado de pressão emocional e fica difícil nesse estado, recuperar informações que foram armazenadas num estado de humor diferente do que se passa no momento. Enfim, conforme Sarmiento et al (2007) a emoção é fundamental no processo de fixação das memórias. Ressaltamos ainda, que emoção e memória também são fundamentais na aprendizagem e sobre isso, discutiremos no próximo tópico, pois os entrelaçamentos desses constructos são a base da nossa construção social. Memória e aprendizagem A aprendizagem é um processo contínuo, que acontece a partir da interação sujeito/sujeito ou sujeito/objeto ao longo da nossa existência. Nossas primeiras interações são com nossos pais ou cuidadores, e a partir dessas interações, formamos a base do nosso caráter e carregamos fortes marcas daqueles com quem passamos nossos primeiros anos de vida. Aprendemos a partir de muitas outras fontes, recebendo a educação informal (não sistematizada) e a educação formal (sistematizada). Desta última, vem nosso primeiro contato com o conhecimento científico, tão cobrado na sociedade que vivemos. Todo conhecimento que temos, advindo da educação formal ou não, necessita permanecer em nossa memória para que seja considerado aprendizado, pois se não lembramos é sinal que não aprendemos. Deste modo, aprendizagem tem uma íntima relação com a memória e se não fosse por esse mecanismo, passaríamos cada minuto da nossa vida tendo de aprender. Entendemos que a consolidação das memórias também é aprendizagem, visto que, sem memória, não conseguimos aprender e ao adentrarmos na questão da formação da memória e do aprendizado, alguns pontos são comuns. Rocha (2001, p. s/n ) afirma que 9

Os diversos neurônios, das diversas áreas cerebrais, se especializam em tarefas definidas. Assim, uns são especializados para o processamento de informação visual, outros para processamento de estímulos verbais, outros coordenam a motricidade, outros definem apetites etc.os processamentos cerebrais dependem de como esses neurônios podem ser associados. Isto é, dependem da eficácia da transmissão sináptica entre eles. O aprender, por exemplo, de uma resposta motora a uma informação verbal, depende de aumentar a eficácia da transmissão sináptica entre neurônios encarregados da análise do som verbal e aqueles encarregados de controlar a resposta motora. A memória e a aprendizagem dependem, portanto, do relacionamento entre neurônios, relacionamento este que é governado por moléculas (2001, p. s/n). Entendemos que nossas ações são motivadas por aquilo que chamamos de sinapses (CAJAL apud KANDEL, 2009). A sinapse é o modo como uma célula nervosa se comunica com outra (neurônios). A aprendizagem e a memória dependem de milhões de sinapses e elas só acontecem conforme o estímulo externo que recebem. Kandel (2009) afirma que conforme a estimulação que recebemos, as sinapses são alteradas e quanto mais estimulamos, mais conexões são realizadas e mais aprendemos. Isto leva-nos a inferir que a aprendizagem depende diretamente do estímulo. Neste sentido, Piaget (1964) contribui ao ressaltar que o conhecimento surge num processo de organização das interações entre um sujeito e o objeto do conhecimento. Entendemos ainda que a aprendizagem corresponde a reorganizações sucessivas, significando que a elaboração do conhecimento acontece em etapas e atreladas ao contexto social. Apesar de parecer um processo natural, inerente a todo ser humano, a aprendizagem, como vimos anteriormente, depende de todo o mecanismo neurológico e também da influência emocional. Considerando esse mecanismo, Kandel (2009) ressalta que para as informações fixarem-se na memória de longo prazo é necessário um treinamento contínuo seguido de períodos de descanso. Isto nos instrui quanto podemos aprender e ainda, de como podemos ensinar. 10

Por fim, tentamos expor em poucas linhas o quanto os constructos memória, emoção e aprendizagem estão entrelaçados e dependem um do outro para a construção do todo. Considerações finais Ao longo desse trabalho, procuramos expor algumas ideias sobre o desenvolvimento da memória bem como o papel da emoção na fixação da mesma e o quanto esse conhecimento nos permite empregar um novo olhar para o processo de ensino e aprendizagem. A compreensão de como se formam nossas memórias e ainda entender que somos o que armazenamos no nosso cérebro, permite ressignificar as concepções e práticas educativas. Se paramos para analisar que o cérebro dos alunos (assim como o nosso) está mergulhado numa sociedade tão colorida e cheia de atrativos, e que fica difícil focar atenção em metodologias desatualizadas, entendemos o quanto é importante mudarmos o foco tradicionalista tão presente na práxis pedagógica. Deste modo, mudar o foco, significa estarmos atentos ao quanto os alunos estão cansados das mesmices escolares e o quanto a sociedade exige que nossa prática seja revista. Sendo assim, o texto procurou apresentar de forma facilitada o processo da construção das memórias e consequentemente da aprendizagem, com destaque no papel da emoção na fixação das memórias de longo prazo e a partir disso, entendemos que é possível trabalhar com a atenção e a emoção do aluno para se chegar ao objetivo proposto. Para concluir, destacamos a necessidade de futuros estudos, visto que o presente trabalho é apenas uma breve escrita do que se tem estudado sobre memória e aprendizagem. Em certa medida, esse conhecimento contribuirá para entendermos melhor a importância das interações sociais e como essas interações corroboraram na formação do sujeito que somos. 11

REFERÊNCIA CAMMAROTA, M.; BEVILAQUA, L. R. M.; IZQUIERDO, I. Aprendizagem e memória. LENT, R. Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. CANTERAS, N.S.; BITTENCOURT, J. C. Comportamentos motivados e emoções. LENT, R. Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. CARTER, R.; ALDRIGE, S.; PAGE, M.; PARKER, S. O livro do cérebro: funções e anatomia. Trad: Peter Frances. São Paulo: Duetto, 2009a. V 1. CARTER, R.; ALDRIGE, S.; PAGE, M.; PARKER, S. O livro do cérebro: memória, pensamento e consciência. Trad: Peter Frances São Paulo: Duetto, 2009b. V 3. COLL, C.; MARTÍ, E. Aprendizagem e desenvolvimento: a concepção genético cognitiva da aprendizagem. COLL, C.(org); MARCHESI, A. (org); PALACIOS, J. (org). Desenvolvimento psicológico e educação. Trad: Fátima Murad. Porto Alegre: Autores associados, 2004. IZQUIERDO, I. Questões sobre memória. São Leopoldo: Unissinos, 2009. KANDEL, E. R. Em busca da memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. Trad: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. KANDEL, E. R. Sob a superfície das coisas. [Editorial]. Mente e Cérebro, n. 191, p. 72-75, dez., 2008. PERGHER, G. K.; OLIVEIRA, R. G.; ÁVILA, L. M.; STEIN, L. M. Memória, humor e emoção. Revista Psiquiatra, Rio Grande do Sul, v. 28, p. 61-68, jan/abr 2006. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Trad. Alvaro Cabral e Christiano Monteiro. Rio de Janeiro: Zahar, 3 ed., 1964 ROCHA, A. F. Neurobiologia e cognição. Revista Interface: Comunicação Saúde e Educação. Botucatu, v.5 n. 8, 2001. Disponível em: <<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1414-32832001000100015>> acesso em: 10 mar. 2012 SARMIENTO, E. L. P.; GARRIDO, L. M. M.; CONDE, C.; TOMAZ, C. Emoção e Memória: inter-relações psicobiológicas. Brasília médica, Brasília, v. 44, p. 24-39. 2007. 12