Novos Programas: Outras Práticas Pedagógicas 1

Documentos relacionados
MATRIZ DA PROVA DE EXAME DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA SOCIOLOGIA (CÓDIGO 344 ) 12ºAno de Escolaridade (Dec.-Lei nº74/2004) (Duração: 90 minutos)

Relatório Final da Acção de Formação Sustentabilidade na Terra e Energia na Didáctica das Ciências (1 de Julho a 13 de Setembro de 2008)

SOCIOLOGIA OBJECTO E MÉTODO

AVALIAÇÃO DO MESTRADO EM EDUCAÇÃO MUSICAL NO ENSINO BÁSICO

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular PRÁTICA DE ENSINO SUPERVISIONADA I + II/RELATÓRIO Ano Lectivo 2011/2012

PROGRAMA DE METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA

NCE/10/00116 Relatório final da CAE - Novo ciclo de estudos

24 O uso dos manuais de Matemática pelos alunos de 9.º ano

Objectivos Proporcionar experiências musicais ricas e diversificadas e simultaneamente alargar possibilidades de comunicação entre Pais e bebés.

Sinopse das Unidades Curriculares Mestrado em Marketing e Comunicação. 1.º Ano / 1.º Semestre

AVALIAÇÃO EFECTUADA PELO COORDENADOR DE DEPARTAMENTO. A - Preparação e organização das actividades N A

GABINETE DA MINISTRA DESPACHO

ÍNDICE ENQUADRAMENTO CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO... 4

AVALIAÇÃO DO MESTRADO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL

Caracterização dos cursos de licenciatura

Edital de abertura de concurso. Curso de Especialização Tecnológica (Nível IV) Gestão da Qualidade e Ambiente

O Que São os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO)?

Formação Pedagógica Inicial de Formadores

Planificação Anual. Psicologia e Sociologia. 10º Ano de Escolaridade Curso Profissional de Técnico de Secretariado. Ano Letivo 2014/2015

1. DESIGNAÇÃO DA ACÇÃO DE FORMAÇÃO Oficina de Formação de Professores em Empreendedorismo

AVALIAÇÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO E DESIGN MULTIMÉDIA

Planificação Anual. Escola Secundária de Pombal - (400634) Referência ANO LECTIVO / 2011 COMPETÊNCIAS GERAIS

Projeto INQUIRE - Formação em Biodiversidade e Sustentabilidade OBJETIVOS

FORMAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL DE FORMADORES 96 HORAS

Escola Secundária de Valongo PROFESSORAS: DINORA MOURA ISABEL MACHADO PIMENTA

PLANIFICAÇÃO MODULAR ANO LECTIVO 2015 / 2016

PLANO ESTRATÉGICO DE ACÇÃO 2009/2013

Relatório de Actividades do Provedor do Estudante /2011 -

PROJECTO MAIS SUCESSO ESCOLAR A MATEMÁTICA

PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA

Departamento de Matemática e Ciências Experimentais Grupo de Biologia e Geologia. Escola Secundária de Valongo. As Professoras:

Anexo 1. Informação dos grupos disciplinares: Situação actual (1º Período) relativamente ao ano lectivo anterior Medidas/estratégias de melhoria

PROGRAMA DE PROMOÇÃO DA

AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS E DE PROJECTOS PEDAGÓGICOS

Matemática Aplicada às Ciências Sociais

Ficha Técnica. Título: Educação Pré-Escolar e Avaliação

Plano de Actividades 2010

REDE TEMÁTICA DE ACTIVIDADE FÍSICA ADAPTADA

FUNDAMENTOS DE UMA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA


ENERESCOLAS. Monitorizar, Experimentar e Aprender!

Um outro olhar sobre o Universo

Programa Educativo Individual

e - Learning > Introdução ao e-learning para Formadores 70 > Diagnóstico de Necessidades de Formação 71 > Coordenação da Formação 72

PLANIFICAÇÕES ATIVIDADES E ESTRATÉGIAS. Diálogo orientado;

Orientações para informação das turmas do Programa Mais Educação/Ensino Médio Inovador

FICHA TÉCNICA DO CURSO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE PROJECTOS NÍVEL 1 EDIÇÃO Nº 01/2013

Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento. ( ) ENED Plano de Acção

O Quadro Nacional de Qualificações e a sua articulação com o Quadro Europeu de Qualificações

XI Mestrado em Gestão do Desporto

Federação Nacional de Karaté Programa de Formação

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO Ano Lectivo 2011/2012

Escola Superior de Educação João de Deus

CEF/0910/26436 Relatório final da CAE (Univ) - Ciclo de estudos em funcionamento

CIRCULAR. Assunto: Avaliação na Educação Pré- Escolar

Avaliação do Projecto Curricular

PLANO TIC O Coordenador TIC Virgílio Freitas [1]

Empreendedorismo De uma Boa Ideia a um Bom Negócio

AVALIAÇÃO DO CURSO DE TURISMO

Ficha de Unidade Curricular 2009/2010

Curso de Formação Complementar. Apresentação

Relatório Final de Avaliação. Acção n.º 8A/2010. Quadros Interactivos Multimédia no Ensino/ Aprendizagem das Línguas Estrangeiras Francês/Inglês

Relatório sobre o funcionamento da Escola Básica Integrada da Charneca da Caparica

Gestão da Formação. > Formação Pedagógica Inicial de Formadores 101. > Formação Pedagógica Contínua de Formadores 102

Avaliação da Aprendizagem

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO. EDUCAÇÃO FÍSICA 2º e 3º Ciclos

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Critérios para a admissão e recondução de docentes de Educação Moral e Religiosa Católica na diocese de Leiria- Fátima

Plano Intermunicipal de Mobilidade e Transportes da Região de Aveiro

Plano de Atividades 2015

Plano de acção. Outubro 2011

Observação directa: ESCOLA SECUNDÁRIA DR. SOLANO DE ABREU ABRANTES PLANIFICAÇÃO ANUAL SECUNDÁRIO DISCIPLINA: PLNM (A1) ANO: 11º ANO LECTIVO 2010/2011

RELATÓRIO. Pedagogia para a Autonomia na Aprendizagem da Língua Inglesa Um Projecto de Intervenção nos Cursos Profissionais do Ensino Secundário

Normas de Funcionamento da Sala de Estudo da Escola Secundária de Alves Redol

SIMULADORES VIRTUAIS NO ENSINO EXPERIMENTAL DAS CIÊNCIAS

Metodologia e Prática de Ensino de Ciências Sociais

Agrupamento de Escolas de Rio Tinto AERT E. B. 2, 3 de Rio Tinto

INTRODUÇÃO ÍNDICE OBJECTIVOS DA EDUCAÇÂO PRÈ-ESCOLAR

E B I / J I d e T Á V O R A

NCE/10/01121 Relatório preliminar da CAE - Novo ciclo de estudos

Reflexão: Abordagem ao domínio da matemática, comunicação oral e escrita na Educação de Infância

ESCOLA SECUNDÁRIA DR. SOLANO DE ABREU PLANIFICAÇÃO ANUAL INGLÊS. MÓDULOS 1,2,3 e 4 ACTIVIDADES ESTRATÉGIAS. - Exercícios de:

11. ORGANIZAÇÃO DE UM PLANO DE FORMAÇÃO PARA

Orientação de Gestão nº 06/POFC/2008

As parcerias e suas dinâmicas: considerações a ter em conta para a promoção da mudança

MATRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA - MATEMÁTICA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA EM MOGI DAS CRUZES

Universidade Nova de Lisboa ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA

ACTIVIDADES DE ENRIQUECIMENTO CURRICULAR ANO LECTIVO 2011 / 2012 TIC@CIDADANIA. Proposta de planos anuais. 1.º Ciclo do Ensino Básico

FICHA TÉCNICA DO CURSO FOTOGRAFIA DIGITAL E PÓS-PRODUÇÃO DE IMAGEM EDIÇÃO Nº 01/2012

ELABORAÇÃO DE UM GUIÃO DE PESQUISA DE INFORMAÇÃO

PROGRAMA DE PSICOLOGIA DESPORTIVA 11ª Classe

PROGRAMA DE INFORMÁTICA

CURSO PROFISSIONAL DE TÉCNICO CONTABILIDADE

Relatório. Turística

RELATÓRIO DE ACTIVIDADES 2009

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular DIDÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO Ano Lectivo 2014/2015

Transcrição:

Novos Programas: Outras Práticas Pegógicas 1 Maria Conceição Antunes Num estudo sobre os professores de no Ensino Secundário, em que participei (e que foi apresentado neste mesmo local, em 1996, no I Encontro sobre A e o Ensino Secundário ), foram detectados alguns condicionalismos no processo de leccionação desta disciplina, uns relacionados com a carência de formação científica nesta área, outros com a prática pegógica. A questão formação científica já foi referencia em comunicações anteriores. Em relação à prática pegógica recordo que, nesse estudo, muitos professores referiram as dificuldes de gestão do programa, considerando-o extenso para o período lectivo que lhe é destinado, do que se pressupõe a necesside de pôr em prática pegogias mais activas, em particular de aprofunr casos práticos. O tema desta minha intervenção refere-se precisamente às práticas pegógicas e à necesside de inovação. Creio que, a ser instituí a revisão curricular nos moldes já aprovados, o aumento e a nova distribuição dos tempos lectivos destinados à contribuirão para solucionar este problema mas obrigarão, também, professores e alunos, a adquirir hábitos de trabalho diferentes. Devo dizer que esta previsão dá-me alguma tranquilide e creio que o mesmo acontecerá com todos os colegas que nunca abdicaram, apesar s contingências, de uma metodologia de trabalho que dá mais sentido aos novos conhecimentos que os alunos vão adquirindo. Passo a expor, através de uma síntese esquemática, a minha própria experiência de gestão do actual programa, no sentido de conciliar os objectivos deste, alguns princípios que tenho por funmentais, o tempo disponível e o sistema de avaliação em vigor. Figura 1. Alguns Princípios Orientadores Motivação dos alunos para a aprendizagem Diversificação de estratégias Apologia do trabalho prático e iniciação à metodologia do trabalho científico como processo condicionante de literacia Processo construtivo quer de ensino quer de aprendizagem 1 Esta comunicação foi apresenta com base na projecção s imagens que aqui se reproduzem. Encontra-se um comentário a ca uma s figuras no final do artigo. 37

De entre os princípios que procuro ter permanentemente presentes na prática pegógica, dou prioride à motivação dos alunos para a aprendizagem; se esta for consegui, muitos problemas ficarão ultrapassados. Na prática pegógica, a diversificação de estratégias e, em particular, o trabalho prático e a metodologia do trabalho científico aplica a pequenos projectos de investigação são as melhores vias que encontro para motivar os alunos. É também através do trabalho prático e do trabalho de projecto que os alunos compreendem melhor o sentido dos conteúdos programáticos e adquirem competências necessárias para lir com novas situações e com a realide social em que se encontram. Um último princípio orientador consiste em tomar o próprio processo de ensino e aprendizagem como um projecto que se vai construindo por etapas, avaliando e reconstruindo. Alguns exemplos Figura 2. Sensibilização Conceito de fenómeno social total A sociologia e as outras ciências Listagem de factos no quadro propostos pelos alunos Separação entre factos sociais e factos não sociais discussão e explicitação Os alunos descobrem por si próprios algumas s características dos factos sociais Escolha de um tema actual Selecção de documentação Trabalho de grupo ca um dos grupos faz a análise de uma s dimensões do fenómeno A apresentação do resultado do estudo de ca uma s dimensões e o debate que se segue permitem verificar simultaneamente a complexide do fenómeno social e as vantagens complementaride entre as ciências sociais 38

Figura 3. Obstáculos epistemológicos Metodologia Aplicação de uma escala de opiniões e atitudes aos alunos Finalide: detectar opiniões individualistas, naturalistas e etnocêntricas Transmitir os resultados aos alunos, confrontando-os com os seus próprios obstáculos Análise de textos relativos ao tema Projecção de um esquema s etapas do procedimento metodológico Análise abrevia de ca uma s etapas Exercício de aplicação s primeiras etapas O tema para o trabalho de pesquisa já deve estar definido nesta fase Assim, os alunos aplicarão simultaneamente, na prática, as aquisições teóricas relativas aos obstáculos epistemológicos e ao procedimento metodológico Figura 4. O funcionamento s sociedes Trabalhos de grupo Preparação e apresentação de uma aula Moderação de um debate Temas Diversos conteúdos desta parte do programa articulados com textos s sociologias especializas Coordenação dos trabalhos Selecção de documentos Esclarecimento de dúvis e correcção síntese escrita Sugestões de organização Apoio na condução do debate Socialização Formas de interacção Papéis e estatutos Instituições Estrutura e acção Reprodução e munça Cultura Ideologia Aculturação Reprodução e munça Família Educação Comunicação Estas figuras contêm alguns exemplos de estratégias de ensino/aprendizagem em que procuro aplicar os princípios anteriormente referidos: na sensibilização para a nova disciplina e para a especificide dos factos sociais; na leccionação de alguns conceitos funmentais ; na associação entre teoria e prática, procurando que os alunos desenvolvam um trabalho de pesquisa ao mesmo tempo que adquirem algumas bases teóricas acerca do procedimento metodológico e dos principais obstáculos que se levantam a uma investigação em ciências sociais; e ain na realização de trabalhos de grupo, com apresentação de uma aula pelos alunos, segui de debate, em que se cruzam diversas aprendizagens, conhecimentos e competências, com apoio em textos s s Especializas, nomeamente baseados em estudos sobre a sociede portuguesa. 39

Gestão do tempo SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN OUTRAS ESTRATÉGIAS: FICHAS DE TRABALHO; TRABALHO INDIVIDUAL E TRABALHO DE GRUPO NA AULA; AULAS EXPOSITIVAS; VISIONAMENTO DE FILMES COM COMENTÁRIO E DEBATE; DISCUSSÃO DE CASOS DO QUOTIDIANO SENSIBILIZAÇÃO INTRODUÇÃO A INVESTIGAÇÃO EM SOCIOLOGIA QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS METODOLOGIA MÉTODOS TÉCNICAS PRODUÇÃO REPRODUÇÃO MUDANÇA SOCIAL A SOCIOLOGIA E AS OUTRAS CiÊNCIAS SOCIAIS TRABALHO DE PESQUISA ESCOLHA DO TEMA FASE EXPLORATÓRIA CONSTRUÇÃO DO MODELO DE ANÁLISE E DOS INSTRUMENTOS DE OBSERVAÇÃO RECOLHA E ANÁLISE DOS DADOS VERIFICAÇÃO DAS HIPÓTESES RELATÓRIO APRESENTAÇÃO ORAL DISCUSSÃO AVALIAÇÃO EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS A PRÁTICA DA SOCIOLOGIA O FUNCIONAMENTO DAS SOCIEDADES TRABALHOS DE GRUPO APRESENTAÇÃO DE AULA SÍNTESE ESCRITA MODERAÇÃO DE DEBATE CONTEÚDOS ARTICULADOS O FUNCIONAMENTO DAS SOCIEDADES REPRODUÇÃO E MUDANÇA SOCIAL TEMAS NO ÂMBITO DAS SOCIOLOGIAS ESPECIALIZADAS Temas do Programa Metodologia aplica Neste esquema, procuro transmitir a forma de gestão do tempo ao longo do ano lectivo, adequando a todo um dos grandes temas do actual programa de uma diferente metodologia, de modo a conjugar o mais possível a teoria com uma forte componente prática. 40

Figura 6. Condições Uma planificação cui Motivar os alunos para os projectos Dar conhecimento aos alunos dos critérios e parâmetros de avaliação Construir e actualizar diversos instrumentos de trabalho e de avaliação Assumir o papel de professor orientador Apresento, nesta figura, algumas s condições que considero mais importantes para concretizar quer as estratégias quer os objectivos que apresentei inicialmente. Devo ain acrescentar que as diferentes metodologias e o plano de gestão do tempo apresentados foram construídos ao longo do tempo, por sucessivas aptações, assim como não os tenho por definitivos. 41