UM JEITO DE AMAR A VIDA Maria do Carmo Chaves CONSCIÊNCIA DO MUNDO
FICHA TÉCNICA EDIÇÃO: Vírgula (Chancela Sítio do Livro) TÍTULO: Um jeito de amar a vida AUTORA: Maria do Carmo Chaves (escreve de acordo com a antiga ortografia) CAPA E PAGINAÇÃO: Paulo Silva Resende 1.ª EDIÇÃO LISBOA, 2011 IMPRESSÃO E ACABAMENTO: Agapex ISBN: 978-989-8413-26-0 DEPÓSITO LEGAL: 326895/11 MARIA DO CARMO CHAVES PUBLICAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO Sítio do Livro, Lda. Lg. Machado de Assis, lote 2, porta C 1700-116 Lisboa www.sitiodolivro.pt
A UM GÉNIO QUE ME PROVOCA A ESCRITA. Este é um livro do sentimento de uma vida numa perspectiva de desenvolvimento pessoal.
Introdução A abordagem clínica e neurológica do cérebro e as impressionantes IRM com elas associadas, permitem hoje abordar o problema da vida e da morte como formas inevitáveis de feridas e de perdas que marcam para sempre a passagem de cada um de nós durante o tempo que passamos na terra. A divulgação do conhecimento cientifico em que me baseei ao escrever estes poemas, foi recolhida em livros e revistas da especialidade e, mesmo assim, há conceitos a actualizações quase todos os dias que vão dissipando muitos mitos à medida que se faz a evolução da Ciência. Os caminhos das aspirações e dos desejos, a tristeza contida num mundo cada vez mais frio e provido de uma absurda incoerência, leva as pessoas a desencontrarem-se para construir abraços de amar, cânticos à amizade, à arte, à beleza e à simplicidade com que devíamos encarar esse tempo que nos é dado como Vida. Há um esquecimento da ética, da moral, da ganância pelo poder, e uma opressão sobre os mais fracos, os desprovidos de direitos e da arte de saber viver.
8 Na minha idade já longa, tracei como objectivos, além de cuidar da minha saúde física, procurar no horizonte, a profundidade dos sonhos da minha infância ou dos que fui construindo, apelando à ciência, à intuição e à análise reflexiva, através do contacto com os da minha geração e com a linguagem que nos define. É uma forma de encarar a realidade actual, por vezes como uma droga, outras vezes como num interrogatório, a que respondo com os meus poemas. Escrevi pensando que seja entendida como um traço de união, uma expressão do pensamento de muitos que se encontram nesta fase da vida, partilhando metáforas, mitos e lendas de esperança que nos transmitiram, ou que nos tocam pelas imagens que recolhemos neste nosso mundo. É uma criação poética, talvez pouco prosaica, um breviário de ser e estar com os outros na esperança, para mim muito credível, no futuro do homem. Como Saint-Exupéry, segui o caminho das estrelas para tentar ver a luz na noite, ou no modular perpétuo do mar a afagar as dunas, que me ajudaram a compreender melhor a vida e o seu valor. É um breve espaço de tempo que nos é dado para nos conhecermos e conviver com os outros seres da natureza que surgem num infinito Universo do qual somos parte integrante. Descobrir a interioridade de cada um, o modo de relação com os outros, aperfeiçoar a nossa afectividade, são as ideias que aqui vos deixo.
A vulnerabilidade biológica e a afectividade O século XVI foi o século das descobertas. O homem alargou a visão que tinha do mundo como se, numa misteriosa relação de exploração, procurasse encontrar respostas para melhor conhecer o planeta descobrindo espaços, habitantes e outros seres. Questiona-se na noite íntima da sua mente, alargando e criando novos horizontes, com o estudo das várias ciências. A cristalização das descobertas científicas, literárias e artísticas atingiu um ponto de elevada actualização no último século. A exploração da noite do cosmos, com as consequentes questões, só foi possível pela evolução do pensamento, a fronteira entre o sonho e a realidade, o estudo do inconsciente, a ruptura com um universo do espaço/ tempo, onde ainda não se sabe bem como determinar as margens. O começo do século XXI vai certamente levar o homem a encontrar a importância do sono como parte preponderante daquilo a que chamamos, a Vida. Vai interrogar-se sobre as especulações filosóficas
10 e científicas das suas funções, dos pensamentos que não convidamos, mas que se infiltram no inconsciente e exigem a sua atenção, de propostas da neurociência, dos comportamentos, da ética, da revolução da validade das ideias, do conhecimento intuitivo, do progresso dum estado cíclico intercalando estados de vigília e de sono, até se encontrar com o nosso primeiro estádio de desenvolvimento fetal. A medicina, área do saber à qual entregamos a cura para as nossas enfermidades, a nossa vulnerabilidade biológica, procura encontrar resposta para um sofrimento, para uma reposição do equilíbrio na vulnerabilidade do nosso corpo. No entanto, durante toda a vida, passamos por fases que possuem forças e fraquezas próprias desse equilíbrio e que implicam a protecção da nossa existência. São factores de desenvolvimento genéticos, biológicos, afectivos e culturais que estão em permanente dinâmica desde o momento da concepção até à morte. Esta protecção consiste em evitar choques e ataques do ambiente interno e externo em que vivemos e onde a vida se torna numa pequena vereda que corre à beira dum abismo. Os médicos são os curadores do nosso corpo e que nos acompanham durante todo este tempo. Há, no entanto, um outro domínio da nossa vulnerabilidade, a que se dá o nome de resiliência, que hoje é uma das grandes áreas de estudo da neurociência. Resiliar-se é encontrar respostas na nossa alma para um mal passado com o qual fomos feridos, traumatizados, fracturados, destruídos, aquilo a que os gregos chamaram de titrôskô (traumatismo). É neste domínio que teremos de descobrir em nós, ou à nossa volta, meios de retomar o nosso desenvolvimento como pessoa,