RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO



Documentos relacionados
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA

DIREITO ADMINISTRATIVO

Conceito. Responsabilidade Civil do Estado. Teorias. Risco Integral. Risco Integral. Responsabilidade Objetiva do Estado

RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

Desapropriação. Não se confunde com competência para desapropriar (declarar a utilidade pública ou interesse social): U, E, DF, M e Territórios.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

RESPONSABILIDADE DO SERVIDOR E DEVERES DO ADMINISTRADOR

DA RESPOSABILIDADE CIVIL DO ESTADO (PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS)

DOS FATOS JURÍDICOS. FATO JURÍDICO = é todo acontecimento da vida relevante para o direito, mesmo que seja fato ilícito.

OAB 1ª Fase Direito Civil Responsabilidade Civil Duarte Júnior

CONTRATUAL Obrigação de meio X Obrigação de Resultado. EXTRACONTRATUAL (ex. direito de vizinhança, passagem, águas, etc)

Responsabilidade Civil dos Administradores das Sociedades. Profª. MSc. Maria Bernadete Miranda

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DOS ALIMENTOS

Aula 5 Pressupostos da responsabilidade civil (Culpa).

EMENDA AO PROJETO DE QUALIDADE/AGILIDADE DO CONTROLE EXTERNO

ASPECTOS DA DESAPROPRIAÇÃO POR NECESSIDADE OU UTILIDADE PÚBLICA E POR INTERESSE SOCIAL.

DIREITO ADMINISTRATIVO

Maratona Fiscal ISS Direito tributário

Sumário NOTA À TERCEIRA EDIÇÃO NOTA PRÉVIA PREFÁCIO APRESENTAÇÃO... 23

Excludentes de Responsabilidade Civil e sua aplicação no fornecimento de energia elétrica.

7. Tópicos Especiais em Responsabilidade Civil. Tópicos Especiais em Direito Civil

Características das Autarquias


FRAUDE PRATICADA PELA PARTE NO MOMENTO DA IDENTIFICAÇÃO E REPRESENTAÇÃO NA REALIZAÇÃO DOS ATOS NOTARIAIS

Direito Processual Civil III

RESPONSABILIDADE CIVIL NO PERIGO AVIÁRIO

ROTEIRO DE ESTUDOS DIREITO DO TRABALHO TERCEIRIZAÇÃO

Um programa de compliance eficiente para atender a lei anticorrupção Lei /2013

1. REGISTRO RESTRIÇÕES PARA ATUAR COMO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. Falido:... Estrangeiro:... Médico:... Advogado:... Membros do legislativo:...

RESPONSABILIDADE CIVIL DOS ADMINISTRADORES:

Paula Freire Faculdade Estácio de Sá Ourinhos 2012

Elementos de Direito Aduaneiro

Contrato de Prestação de Serviços. Profª. MSc. Maria Bernadete Miranda

RESPONSABILIDADE CIVIL NO DIREITO AMBIENTAL

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

Desafios Estratégicos para a Indústria de Fundos de Investimento. Marcelo Trindade mtrindade@trindadeadv.com.br Rio de Janeiro,

A RESPONSABILIDADE OBJETIVA NO NOVO CÓDIGO CIVIL

Desse modo, esse adquirente

A EFETIVIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NA PROTEÇÃO AMBIENTAL

ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL

Marco Civil da Internet

SEQÜESTRO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS E SUA APLICAÇÃO NO BRASIL. Autoridade Central Administrativa Federal/SDH

CAPÍTULO V FUNDO DE GARANTIA

NORMA DE PROCEDIMENTOS. Locação de imóveis

Atos administrativos Parte 1

SOCIEDADE LIMITADA. Sociedade Limitada. I - responsável integralmente e ilimitadamente pelas dívidas assumidas em seu próprio nome

Provimentos derivados de reingresso Art. 41, 2º e 3º, CF reintegração, recondução e aproveitamento.

RESUMO. Um problema que esse enfrenta nesta modalidade de obrigação é a escolha do objeto.

AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL RESOLUÇÃO Nº 113, DE 22 DE SETEMBRO DE 2009.

Art rol de legitimados. Partilha Provisória dos bens do ausente. Com procurador - 3 anos contados do desaparecimento

Conflitos entre o Processo Penal E o Processo Administrativo sob O ponto de vista do médico. Dr. Eduardo Luiz Bin Conselheiro do CREMESP

Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO C

Novas formas de prestação do serviço público: Gestão Associada Convênios e Consórcios Regime de parceria- OS e OSCIPS

Responsabilidade Civil

O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO P NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE

LEGISLAÇÃO APLICADA A AQUICULTURA

Tropa de Elite - Polícia Militar Legislação da Polícia Militar Parte 05 Wagner Gomes

AULA 10: CONTRATOS ADMINISTRATIVOS. Professor Thiago Gomes

CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL - ATUALIZAÇÕES

Regulação municipal para o uso de espaços públicos por particulares e pelo próprio Poder Público. Mariana Moreira

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

TERCEIRIZAÇÃO. Autor: Ivaldo Kuczkowski, Advogado Especialista em Direito Administrativo e Conselheiro de Tributos da Empresa AUDICONT Multisoluções.

O Dano Moral no Direito do Trabalho

PONTO 1: ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA PONTO 4: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA. 1. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA Administração Direta e Indireta

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ASSEMBLEIA LEGISLATIVA Gabinete de Consultoria Legislativa

PODER JUDICIÁRIO. PORTARIA Nº CF-POR-2012/00116 de 11 de maio de 2012

ROTEIRO DE ESTUDOS DIREITO DO TRABALHO SUJEITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO

II Jornadas de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho


RESUMO. A responsabilidade da sociedade é sempre ilimitada, mas a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.

PROJETO DE LEI Nº DE 2011

PORTARIA CAU/SP Nº 063, DE 31 DE AGOSTO DE 2015.

Direito Administrativo

Direito Administrativo Aulão_Responsabilidade Civil João Lasmar

AUTORIZAÇÃO DE USO DE BEM PERMANENTE EM AMBIENTE EXTERNO A UFRB

MEDIDA: RESPONSABILIZAÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS E CRIMINALIZAÇÃO DO CAIXA 2

RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA

INSTRUÇÃO NORMATIVA - TCU Nº 56, DE 5 DEZEMBRO DE 2007

Responsabilidade Civil nas Atividades Empresariais. Profª. MSc. Maria Bernadete Miranda

Direito Societário. Centro de Informática UFPE Disciplina: Gestão de Negócios Bruno Suassuna Carvalho Monteiro

Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital

29 a 30 de maio de 2008 RESPONSABILIDADE CIVIL E RELAÇÕES TRABALHISTAS. Fraiburgo Santa Catarina

Efeitos da sucessão no Direito Tributário. Os efeitos da sucessão estão regulados no art. 133 do CTN nos seguintes termos:

Direito Administrativo Prof. Gustavo Mello Knoplock Fl. 1

O EXERCÍCIO OBRIGATÓRIO DO DIREITO DE REGRESSO

Doing Business in Brazil

DIREITO EMPRESARIAL PROFESSORA ELISABETE VIDO

RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL NA ÁREA DA SEGURANÇA DO TRABALHO

A p s e p c e t c os o s Ju J r u ídi d co c s o s n a n V n e t n ilaç a ã ç o ã o M ec e â c n â i n ca

IRRESPONSABILIDADE DO ESTADO

- Crédito trabalhista: obrigação solidária do adquirente e alienante;

RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR O DANO MORAL

Controladoria MANUAL DO Estratégica

O artigo 5º, inciso XXIV da Constituição Federal assim dispõe:

CONCURSO PÚBLICO FICHA DE RESPOSTA AO RECURSO CARGO: TÉCNICO DA FAZENDA MUNICIPAL

PRIMEIRA PARTE DA PROVA DISCURSIVA (P 2 )

Transcrição:

Curso Online Intensivo OAB/FGV - V Exame Unificado Direito Administrativo Aula 7 Professora Giovana Garcia RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO CONTRATUAL: quando decorrente de avença contratual; EXTRACONTRATUAL: decorrente de ação ou omissão, lícita ou ilícita RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 1

EXTRACONTRATUAL TEORIAS PUBLICISTAS (OU DE DIREITO PÚBLICO) Afirmam a responsabilidade civil do Estado independentemente da culpa do agente ou do próprio Estado, bastando a comprovação da falha na prestação do serviço público ou o reconhecimento de que algumas atividades não são dissociadas da possibilidade de causar dano. 1- TEORIA DA CULPA ADMINISTRATIVA (OU CULPA NO SERVIÇO OU CULPA ANÔNIMA DO SERVIÇO ) A "falta do serviço" (faute du service) passa a ser suficiente para a responsabilidade, ainda que não identificado o agente responsável pela ação. Por falta do serviço entenda-se: a) a inexistência propriamente dita do serviço; b) o mau funcionamento do serviço; c) o retardamento do serviço. Ainda que possa ser presumida a "falta do serviço" pela impossibilidade de comprovação, a responsabilidade ainda é subjetiva, já que o lesado terá de demonstrar a inadequação do serviço devido ou prestado pelo Estado; 2 - TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO Para a responsabilização basta a ocorrência do dano causado por ato "lesivo e injusto", não importando a culpa do Estado ou de seus agentes. Funda-se no risco que a atividade administrativa gera necessariamente. 2

PRESSUPOSTOS: a) a existência de um ato ou fato administrativo; b) a existência de dano; c) a ausência de culpa da vítima; d) o nexo de causalidade. OBSERVAÇÃO Demonstrada a culpa da vítima, ou a ausência de nexo de causalidade, exclui-se a responsabilidade civil do Estado. O risco administrativo não autoriza o reconhecimento inexorável da responsabilidade civil do Estado, admitindo formas de exclusão (culpa da vítima, ausência de nexo de causalidade, força maior), ao contrário da teoria do risco integral. A justificar a adoção da teoria do risco administrativo tem-se a "solidariedade social", na medida em que todos devem contribuir para a reparação dos danos causados pela atividade administrativa; EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE danos causados por terceiros. Ex.: furto de veículo estacionado em via pública, mesmo em área reservada, desde que não concorra ação ou omissão do Estado; danos causados pela natureza. Ex.: chuva em proporções imprevisíveis, mas desde que não concorra ação ou omissão do Estado; danos causados pela atividade exercida por pessoas jurídicas de direito privado que explorem atividade econômica, respondendo as próprias entidades e na forma da legislação civil (NCC, art. 927, único). 3

3 - TEORIA DO RISCO INTEGRAL não admite qualquer forma de exclusão, sempre que verificado prejuízo causado a terceiros por atos ou fatos administrativos. Não há aceitação dessa teoria no direito brasileiro, prevalecendo a tese de que seria inaplicável, porquanto sempre será admissível a exclusão da responsabilidade civil. Há quem sustente a incidência dessa teoria em matéria ambiental, porém a regra seria aplicável a todo e qualquer causador do dano ambiental e não apenas ao Estado. Os danos por atentados terroristas ou atos de guerra levam à responsabilização civil do Estado (a União responderá, assumindo a responsabilidade perante terceiros - Lei 10309/01). 1- TEORIA DA CULPA ADMINISTRATIVA (OU CULPA NO SERVIÇO OU CULPA ANÔNIMA DO SERVIÇO ) A "falta do serviço" (faute du service) passa a ser suficiente para a responsabilidade, ainda que não identificado o agente responsável pela ação. Por falta do serviço entenda-se: a) a inexistência propriamente dita do serviço; b) o mau funcionamento do serviço; c) o retardamento do serviço. Ainda que possa ser presumida a "falta do serviço" pela impossibilidade de comprovação, a responsabilidade ainda é subjetiva, já que o lesado terá de demonstrar a inadequação do serviço devido ou prestado pelo Estado; 1- TEORIA DA CULPA ADMINISTRATIVA (OU CULPA NO SERVIÇO OU CULPA ANÔNIMA DO SERVIÇO ) A "falta do serviço" (faute du service) passa a ser suficiente para a responsabilidade, ainda que não identificado o agente responsável pela ação. Por falta do serviço entenda-se: a) a inexistência propriamente dita do serviço; b) o mau funcionamento do serviço; c) o retardamento do serviço. Ainda que possa ser presumida a "falta do serviço" pela impossibilidade de comprovação, a responsabilidade ainda é subjetiva, já que o lesado terá de demonstrar a inadequação do serviço devido ou prestado pelo Estado; 4

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO POR OMISSÃO A doutrina não é unânime em afirmar a responsabilidade subjetiva para a hipótese de omissão do Estado, havendo os que a compreendem como objetiva. O STF já decidiu nos dois sentidos. A corrente majoritária afirma ser objetiva a responsabilidade decorrente de atos omissivos específicos, onde a Administração Pública entra como garantidor da não ocorrência do fato. RESPONSABILIDADE POR ATOS LEGISLATIVOS O Estado não responde, em princípio, por atos legislativos que venham a causar danos a terceiros. Fa-lo-á, todavia, se restar comprovado que "a lei inconstitucional causou dano ao particular", como tem decidido o STF. Há crescente oposição aos que sustentam a irresponsabilidade do Estado por atos legislativos, não encontrando guarida os fundamentos daquela posição (dizem que a natureza soberana da função legiferante e a impessoalidade como características dos atos normativos etc. afastam a responsabilidade). RESPONSABILIDADE POR ATOS LEGISLATIVOS Em verdade, apenas a lei em tese dificilmente permitirá a apuração da responsabilidade do Estado; leis de efeitos concretos, por outro lado, sempre admitem cogitar da responsabilidade do Estado, como ocorre nas desapropriações. O Poder Legislativo responde objetivamente por atos administrativos, não se confundindo com o exercício de sua função precípua; 5

RESPONSABILIDADE POR ATOS JURISDICIONAIS O Poder Judiciário não responde, em princípio, por atos jurisdicionais dos quais decorra prejuízo a terceiro. Hipótese de erro judiciário, a regra constante do art. 5º, LXXV da Constituição: "o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença". Em matéria criminal, diga-se, o Código de Processo Penal já previa: Art. 630. O Tribunal, se o interessado o requerer, poderá reconhecer o direito a uma justa indenização pelos prejuízos sofridos". AÇÃO REGRESSIVA Fixada a responsabilidade do Estado e efetivada a indenização devida ao particular que sofreu lesão, decorrerá a possibilidade de regresso em face daquele que causou o dano, agente público ou não. Trata-se de "direito de regresso" submisso aos rigores do regime jurídico-administrativo, não assistindo ao administrador nenhuma possibilidade de deixar de buscar a responsabilização, salvo se inexistente a culpa do servidor. O direito tem a característica de dever (vige a indisponibilidade do interesse público) e não está sujeito a prazo prescricional (CF, art. 37, 5º). AÇÃO REGRESSIVA O Estado, assim, ajuizará a ação regressiva sempre que reunidas provas da culpa do agente público, buscando reaver tudo quanto tenha sido efetivamente pago pelo dano suportado por outrem. O falecimento, a demissão, a exoneração, a disponibilidade ou a aposentadoria do agente não obstam a ação regressiva, que pode ser ajuizada em face de herdeiros ou sucessores; 6

Definição: é direito real público que autoriza à Administração usar da propriedade imóvel, particular ou pública, limita o direito de usar e fruir do bem, para permitir a execução de obras e serviços de interesse público. Características: São obrigações de caráter concreto, positivas, negativas e permissivas, de caráter permanente. Podem ser instituídas: 1) por ato administrativo de conteúdo declaratório editado pelo Poder Público (União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios), podendo ser formalizada por acordo (voluntária ou amigável) ou sentença judicial (compulsória aplicase o procedimento da lei de desapropriação - DL 3365/41, art. 40). Estas servidões devem ser levadas ao registro no Cartório de Registro de Imóveis (lei 6015/73); 2) impostas por lei (ex lege), como as que se destinam a permitir o transporte e distribuição de energia elétrica, realização de obras hidráulicas, instalação e funcionamento de aquedutos e passagem nas margens de rios (Dec. nº. 24.643/34 - Código de Águas) Exemplos: servidão sobre terrenos marginais (D. 24643/34, art. 12, lei 1507/67, art. 39 e Dec. 4105/68); servidão nas fontes de água mineral (D. 7841/45 recursos hídricos); servidão de prédios vizinhos ao patrimônio histórico e artístico (DL 25/37, art. 18); servidão em torno de aeródromos e heliportos (D. 3437/41); servidão de aqueduto (D. 24643/34, art. 117 e 138); servidão de energia elétrica (CF, 21, XII, b; D. 24643/34, 151; Dec. 35851/54); servidão militar (DL 3437/41 área militar ). 7

DESAPROPRIAÇÃO Conceito corresponde à transferência compulsória da propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior) de determinado bem para o Poder Público, seus delegados ou terceiros, para fins de interesse público. TIPOS COMUM ESPECIAL ou SANÇÃO CONFISCO INDIRETA MOTIVO e FUNDA MENTO LEGAL Por necessidade ou utilidade pública DL3365/41 Por interesse social Lei4132/62 Por mau uso do solo urbano CF art 182, parágrafo 4º,III (Competência exclusiva do Município) Para fins de Reforma Agrária Competência exclusiva da União) CF art 184 Lei 8629/93 LC 76/93 Glebas com cultivo plantas psicotrópic as Art 243, CF Lei 8257/91 Por apossamento de administrativo Por ato lícito que excedeu seus efeitos 8

TIPOS COMUM ESPECIAL ou SANÇÃO CONFISC O INDIRETA Indeniz ação Prévia, justa e em dinheiro CF art 5º, XXIV Em títulos da Dívida Pública ou da Dívida Agrária Não indeniza Pleiteada pelo expropriad o em ação indenizató ria DL 3365/41 Art. 2 Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. 1 A desapropriação do espaço aéreo ou do subsolo só se tornará necessária, quando de sua utilização resultar prejuízo patrimonial do proprietário do solo. 2 Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. O QUE NÃO PODE SER DESAPROPRIADO? bens da União; bens tombados (matéria de divergência); direitos personalíssimos; moeda corrente do país; bens encontráveis no mercado e pessoas. 9

RETROCESSÃO Código Civil/02, art. 519 "Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. TREDESTINAÇÃO a) Lícita É aquela que ocorre quando, persistindo o interesse público, o expropriante dispense ao bem desapropriado destino diverso do que planejara no início. O Estado desejava construir um Hospital e decidiu fazer uma Escola Pública. O motivo (fato) expropriatório continua revestido do interesse público. b) Ilícita É aquela pela qual o Estado, desistindo dos fins da desapropriação, transfere para terceiro o bem desapropriado ou pratica desvio de finalidade, permitindo que alguém se beneficie de sua utilização (inclusive aspectos que denotam a desistência da desapropriação). Consequências: 1ª. Corrente - Ação de Nulidade cumulada com Reivindicatória para decretar a nulidade do ato de desapropriação, reintegrar os autores na posse do imóvel e condenar o réu a indenizar lucros cessantes. 2ª. Corrente - Ação de Perdas e Danos em face do Art. 35 do Decreto Lei 3.365/41. 10

Informativo STF Nº 540 Brasília, 23 a 27 de março de 2009 Culturas Ilegais de Plantas Psicotrópicas e Expropriação de Gleba A expropriação de glebas a que se refere o art. 243 da CF há de abranger toda a propriedade e não apenas a área efetivamente cultivada (CF: "Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei."). 11