ICMS sobre Operações Relativas Genérico à de Mercadorias e Prestações de Transportes Interestaduais e ipais e Comunicações, o ICMS, rmas fixadas pela Constituição elas Leis Complementares 87/96 ão pela qual as legislações
Dermeval Frossard teoria e questões comentadas aplicáveis a todos os estados e ao Distrito Federal 5ª edição Inclui Convênio ICMS 38/2013, resumo do Simples Nacional, Nota Fiscal Eletrônica, Resolução 13/2012, EC 85/2015 e a LC 160/2017. Rio de Janeiro 2018 plexa legislação do IC O Imposto sobre Ope ção de Mercadorias e Transportes Interesta Comunicações, o ICM pela Constituição Fed mentares 87/96 e 24/7 lações estaduais que i esse tributo nos seus t lhantes. Quem compr tuição e na Lei Compl a fazer uma boa prov estadual em qualquer ICMS sobre Operações Relativas Genérico à de Mercadorias e Prestações de Nesta quinta edição, at Transportes Interestaduais e estudos referentes ao ipais e Comunicações, o ICMS, os incisos e parágrafo rmas fixadas pela Constituição que se referem a esse tr elas Leis Complementares 87/96 sitivos da Lei Complem ão pela qual as legislações da Lei 24/75 (dos bene apresentamos um res (Lei Complementar 12 promovidas pela LC 1 2008. Também acresc Senado 13/2012, que ções interestaduais co das, a Emenda Const refere ao diferencial d e prestações interesta tar 160/2017, que visa fiscais concedidos em alínea g do inciso X Constituição Federal. com a resolução dos 1 ao final dos capítulos. Utilizamos uma ling valemo-nos de exempl teoria, facilitando, des das leis secas e dos re estados e do Distrito plementar o estudo d concursos públicos. Deixamos nossos vot
Copyright Editora Ferreira Ltda., 2007 2018. 5ª edição, 2018. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS É proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto nº 1.825, de 20 de dezembro de 1907. Impresso no Brasil/Printed in Brazil Projeto da capa: Bruno Barrozo Luciano Revisão Andrea Regina Oliveira Almeida Diagramação Thaís Xavier Ferreira CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ F959i 5. ed. Frossard, Dermeval, 1953- ICMS genérico : teoria e questões comentadas aplicáveis a todos os estados e ao Distrito Federal / Dermeval Frossard. - 5. ed. - Rio de Janeiro : Ferreira, 2018. 392 p. (Concursos) ISBN 978-85-7842-399-5 Série. 1. Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços - Legislação. I. Título. II. 18-50438 Leandra Felix da Cruz - Bibliotecária - CRB-7/6135 CDU: 34:351.713(81) Editora Ferreira contato@editoraferreira.com.br www.editoraferreira.com.br
Apresentação Este livro visa a facilitar o entendimento da complexa legislação do ICMS. O Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transportes Interestaduais e Intermunicipais e Comunicações, o ICMS, segue as normas fixadas pela Constituição Federal e pelas Leis Complementares 87/96 e 24/75, razão pela qual as legislações estaduais que instituem e regulamentam esse tributo nos seus territórios são muito semelhantes. Quem compreender o ICMS na Constituição e na Lei Complementar 87/96 estará apto a fazer uma boa prova de legislação no âmbito estadual em qualquer concurso da área fiscal. Nesta quinta edição, atualizamos e ampliamos os estudos referentes ao ICMS, comentamos todos os incisos e parágrafos da Constituição Federal que se referem a esse tributo, bem como os dispositivos da Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir) e da Lei 24/75 (dos benefícios fiscais). Além disso, apresentamos um resumo do Simples Nacional (Lei Complementar 123/06) com as atualizações promovidas pela LC 128, de 19 de dezembro de 2008. Também acrescentamos a Resolução do Senado 13/2012, que visa disciplinar as operações interestaduais com mercadorias importadas, a Emenda Constitucional 87/2015, que se refere ao diferencial de alíquotas nas operações e prestações interestaduais, a Lei Complementar 160/2017, que visa disciplinar os benefícios fiscais concedidos em desconformidade com a alínea g do inciso XII do 2º do art. 155 da Constituição Federal. Enriquecemos o material com a resolução dos 113 exercícios apresentados ao final dos capítulos. Utilizamos uma linguagem objetiva e direta e valemo-nos de exemplos práticos da aplicação da teoria, facilitando, desse modo, o entendimento das leis secas e dos regulamentos do ICMS dos estados e do Distrito Federal, que devem complementar o estudo de quem se prepara para concursos públicos. Deixamos nossos votos de sucesso e agradecimentos aos que dispensaram atenção a esta obra. Dermeval Frossard V
Sumário Capítulo 1 Fundamentação legal do ICMS 1 1.1 ICMS 1 1.2 Generalidades sobre o ICMS 1 1.3 ICMS na Constituição Federal 1988 2 1.4 Lei Complementar 87/96 A matriz do ICMS 13 1.5 ICMS e o Imposto Municipal ISSQN 61 1.6 Benefícios fiscais 66 1.6.1 Lei Complementar Federal 24, de 7 de janeiro de 1975 67 1.6.2 Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017 73 1.6.3 Convênio ICMS 190/17, de 15 de dezembro de 2017 79 Exercícios 89 Exercícios de revisão 110 Gabarito 113 Gabarito dos exercícios de revisão 134 Capítulo 2 Incidência e não incidência 139 2.1 Não incidência 139 2.2 Incidência 141 2.3 Outras definições importantes das legislações do ICMS 145 Capítulo 3 Fato gerador em seus cinco aspectos 147 3.1 Sujeição passiva 147 3.1.1 Responsável 148 3.2 Base de cálculo 153 3.2.1 Outras considerações sobre a base de cálculo do ICMS 156 3.2.1.1 Pauta fiscal 157 3.2.2 Base de cálculo da Substituição Tributária LC 87 158 VII
ICMS Genérico 3.2.3 Operações interestaduais entre estabelecimentos de mesmo titular 159 3.2.4 Na falta do valor da operação ou prestação 160 3.2.5 O IPI na base de cálculo do ICMS 160 3.2.6 Montagem e instalação 161 3.2.7 Reajuste após a remessa na operação interestadual 161 3.2.8 Frete cobrado por empresa de mesmo titular ou por empresas interdependentes 162 3.2.9 Base de cálculo na importação 162 3.2.10 Arbitramento da base de cálculo 163 3.2.11 O ICMS na sua base de cálculo 164 3.2.12 Base de cálculo reduzida 164 3.3 Alíquotas do ICMS 165 3.3.1 Alíquotas internas 165 3.3.2 Alíquotas interestaduais 167 3.3.2.1 Alíquota interestadual para importados (Resolução SF 13/2012) 168 3.3.3 Adicional de alíquotas 172 3.3.4 Diferencial de alíquotas (DIFAL) 173 3.4 Local e momento da ocorrência do fato gerador 177 3.5 Estabelecimento 180 Exercícios 182 Gabarito 195 Capítulo 4 Da não cumulatividade 211 4.1 Regras gerais 211 4.2 Proibição de crédito 212 4.3 Estorno de crédito 213 4.4 Crédito relativo à garantia, troca e desistência do serviço 214 4.5 Passo a passo para exercer o direito ao crédito 215 4.6 Débito x crédito 216 4.7 Créditos outorgados 218 4.8 Créditos presumidos 219 4.9 Outros créditos 219 Dermeval Frossard VIII
Sumário Capítulo 5 Outras maneiras de apuração do imposto 221 5.1 Estimativa 221 5.2 Centralização da apuração e do recolhimento 222 5.3 Outras formas de apuração 222 5.4 Pagamento por Guia de Recolhimentos Especiais 222 Capítulo 6 Crédito acumulado do imposto 225 6.1 Definição 225 6.2 Geração, apropriação e utilização do crédito acumulado 226 Exercícios 228 Gabarito 232 Capítulo 7 Substituição Tributária (ST) Art. 5º ao 10 da LC 87/96 239 7.1 Introdução 239 7.2 Diferimento 241 7.2.1 Outras maneiras de calcular o imposto devido por diferimento 243 7.3 Operações sujeitas ao diferimento 244 7.4 Encerramento do diferimento 244 7.5 Substituição Tributária antecipada ou das operações subsequentes ou Substituição Tributária para frente 245 7.6 Operações concomitantes 248 7.7 Definitividade das operações e prestações de Substituição Tributária 248 7.8 Não recolhimento do ICMS/ST pelo sujeito passivo por ST 248 7.9 Do ressarcimento da ST 249 7.10 Base de cálculo da ST e cálculo do imposto por ST 251 7.11 Cálculo do imposto retido por ST 252 7.12 Operações e prestações de Substituição Tributária interna 254 Exercícios 255 Gabarito 258 Capítulo 8 Prestação de serviços de transporte 263 8.1 Introdução 263 8.2 Jargão do transporte 264 8.3 Documentação relativa ao transporte 265 8.4 Local e ocorrência do fato gerador do transporte 265 IX
ICMS Genérico 8.5 Crédito outorgado no transporte 268 8.6 Contratantes ou tomadores dos serviços de transporte 268 8.7 Redespacho e subcontratação 269 Capítulo 9 Operações especiais no ICMS 271 9.1 Suspensão do lançamento do imposto 271 9.2 Operações com armazéns gerais 274 9.3 Venda para entrega futura 276 9.4 Vendas em consignação 276 9.5 Zona Franca de Manaus 277 9.5.1 Decreto-Lei 288, de 28/2/1967 278 Capítulo 10 Decisões dos Tribunais Superiores em relação ao ICMS 281 STF 281 STJ 283 Capítulo 11 Resumo do Simples Nacional 291 11.1 Disposições preliminares 291 11.2 Definição de Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP) 293 11.3 Exclusão do Simples Nacional 294 11.4 Das alíquotas e base de cálculo 297 11.5 Sociedade de propósito específico 301 11.6 Das vedações ao ingresso no Simples Nacional 304 11.7 Recolhimento feito pelo Simples Nacional 307 11.8 Opção pelo Simples Nacional 311 11.9 Dos créditos 311 11.10 Das obrigações fiscais acessórias 314 11.11 Da exclusão do Simples Nacional 316 11.12 Da fiscalização 322 11.13 Da omissão de receita 324 11.14 Dos acréscimos legais penalidades 324 11.15 Do processo administrativo-fiscal 326 11.16 Do processo judicial 327 11.17 Resoluções do CGSN com normas relativas aos tributos estaduais 329 11.18 Não se aplica à ME e EPP do Simples Nacional a seguinte norma 343 11.19 Sinopse do Simples Nacional 343 Dermeval Frossard X
Sumário Capítulo 12 Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) 349 12.1 Institui a Nota Fiscal Eletrônica e o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica 349 12.2 Instituição do DANFE 354 12.3 Problemas técnicos para emissão da NF-e 356 12.4 Cancelamento de NF-e 358 12.5 Carta de Correção Eletrônica (CC-e) 359 12.6 Consulta da NF-e 360 12.7 Exigência de prestação de informação pelo ente tributante 360 12.8 Utilização de formulário de segurança 361 12.9 Perguntas e respostas sobre a NF-e de interesse para concurso (fonte portal fiscal RF) 363 Exercícios 367 Gabarito 373 XI
Capítulo 1 Fundamentação legal do ICMS 1.1 ICMS É o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação. 1.2 Generalidades sobre o ICMS O ICMS, a partir da promulgação da Constituição de 1988, incorporou os impostos federais únicos sobre: a) combustíveis e lubrificantes líquidos e gasosos; b) energia elétrica; c) minerais, do país; d) transportes; e e) comunicações. A energia elétrica, para efeitos tributários, é considerada mercadoria e, no âmbito do Direito Penal, é considerada bem móvel. A Constituição Federal de 1988 transferiu para a competência dos estados a incidência do ICMS sobre as prestações de serviços de comunicações e transportes interestaduais e intermunicipais. O ICMS é um imposto cuja incidência é bem mais ampla que a do imposto que o antecedeu, o ICM, e ainda incorporou, nessa nova concepção, dois importantes princípios constitucionais: 1. princípio da não cumulatividade; 2. princípio da seletividade. 1
ICMS Genérico O ICMS é um imposto de competência estadual e distrital, no que se refere a legislar, instituir e cobrar. Sua receita é distribuída em 75% para o estado e 25% para seus municípios. Desses 25%, 3/4 serão distribuídos na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços realizadas no âmbito de sua área, e 1/4 de acordo com lei estadual ou, no caso dos territórios, 1 lei federal. Para os estados mais desenvolvidos, o ICMS representa mais de 90% de sua receita total. Pela sua importância, complexidade e interferência na economia dos estados, é o imposto mais normatizado pela Constituição, a qual não se limitou a apenas delimitar seu campo de incidência, como fez a outros tributos, mas também delegou a outros diplomas legais a competência para normatizá-lo, como as leis complementares, os convênios entre as unidades da Federação e as resoluções do Senado. As reformas tributárias em proposição no Congresso têm como objetivo federalizar o poder de legislar sobre o ICMS. Entre as propostas, estão as de homogeneizar as alíquotas e os benefícios fiscais, com o objetivo de estancar a guerra fiscal. Isso seria desnecessário se as Unidades da Federação (UF) respeitassem os convênios, via Conselho Nacional Fazendário (CONFAZ), previstos na Constituição e regulamentados por lei complementar, cuja finalidade é só conceder benefício fiscal se houver unanimidade entre os estados e o Distrito Federal. A seguir, falaremos sobre o ICMS na Constituição Federal e a Lei Complementar 87/96, conhecida como Lei Kandir, matriz de todas as legislações estaduais e distrital sobre o ICMS, com a qual devem estar em harmonia, em razão da competência da lei complementar de disciplinar esse imposto por imposição constitucional. 1.3 ICMS na Constituição Federal 1988 Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; III (...) 1º (...) 1 Atualmente, não temos território como unidade federativa. Dermeval Frossard 2
Fundamentação legal do ICMS 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Não cumulatividade, o princípio mais característico do ICMS, aplicado na sua apuração, significa a compensação do imposto (ICMS) incidente nas vendas de mercadorias ou nos serviços prestados, com o ICMS destacado em notas fiscais relativas às mercadorias para revenda, às matérias-primas, à energia elétrica utilizada no processo industrial e aos serviços tomados nas operações anteriores. Sintetizando: não cumulatividade é a compensação do ICMS apurado pelo contribuinte, em suas vendas e prestações de serviços, com o ICMS relativo às operações e prestações anteriores pagas a terceiros necessárias à sua produção industrial, à sua revenda de mercadorias e à sua prestação de serviços. II a isenção ou não incidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores; Para a aplicação da não cumulatividade, é necessário ter tributação nas duas pontas, ou seja, na entrada e na saída. Logo, se houver operação de entrada não tributada ou isenta, não será possível o crédito. Ao contrário, se ocorrer uma saída isenta ou não tributada, ter-se-á, obrigatoriamente, de anular o crédito relativo àquela mercadoria comprada para revenda ou matéria-prima utilizada para confecção do produto isento. A Constituição faz uma ressalva a essas vedações ao crédito, que é a determinação de legislação em contrário. Como exemplo, pode-se citar a imunidade para as exportações, ou seja, as mercadorias destinadas ao exterior não pagam o ICMS e, por determinação constitucional, não é necessário estornar os créditos a elas relativos. Estornar significa lançar em conta de débito aquilo que tinha sido lançado em crédito, ou vice-versa, vale dizer, anular uma operação, por sua inversão. III poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços; 3 Capítulo 1
ICMS Genérico O princípio da seletividade significa que, de acordo com a essencialidade, um produto é mais ou menos tributado. Exemplo: produtos da cesta básica são menos tributados do que bebida alcoólica. Então, cabe a seguinte pergunta: como pode a energia elétrica ser tão tributada pelos estados? Ao contrário do IPI, que é um imposto seletivo por imposição constitucional, o ICMS nem sempre o é, pois, dependendo dos interesses estaduais, das peculiaridades regionais e das circunstâncias econômicas, um produto essencial pode ser mais gravado pelo imposto do que outro que não seja essencial. Logo, há de se fazer distinção entre a faculdade ( poderá ) do ICMS, tendo em vista a utilização do verbo poder, e a obrigatoriedade de aplicação do IPI, pelo emprego do verbo ser. IV resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação; Como o ICMS é um imposto de competência de todas as Unidades da Federação, no âmbito dos seus territórios, como ficariam as operações interestaduais e de exportação no aspecto de competência para legislar? A Constituição delegou ao Senado a competência de fixar tais alíquotas. O presidente da República ou um terço dos senadores têm a competência de, por sua iniciativa e por meio de resolução do Senado, estabelecer essas alíquotas interestaduais e de exportação, porém nunca as internas nas UFs, pois seria uma invasão de competência no Poder Legislativo dessas unidades. V é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros; Dermeval Frossard 4
Fundamentação legal do ICMS A Constituição facultou ao Senado intervir nos estados para estabelecer as alíquotas máximas e mínimas, mas este ainda não o fez. Todavia, a própria Constituição estabelece um piso para as mínimas, que são as alíquotas interestaduais. VI salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, g, as alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais; Esse inciso determina um piso para a alíquota interestadual nas operações internas de cada UF. Caso se queira estabelecer alíquota inferior a esse piso, terá de ser por meio de convênios entre as UFs. VII nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final, contribuinte ou não do imposto, localizado em outro Estado, adotar-se-á a alíquota interestadual e caberá ao Estado de localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual; (Redação dada pela Emenda Constitucional 87, de 2015) Mais à frente será estudada a definição de contribuinte, mas em resumo contribuinte é aquela pessoa que pratica o fato gerador do ICMS com habitualidade. Atenção Recente mudança na Constituição, provável questão das próximas provas. Atualmente, as operações e prestações interestaduais são sempre tributadas pelas alíquotas interestaduais, quer seja o destinatário em outra UF contribuinte ou pessoa física consumidor final. O diferencial de alíquotas para contribuinte só será devido se destinar ao consumo ou ao ativo fixo. VIII a responsabilidade pelo recolhimento do imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual de que trata o inciso VII será atribuída: (Redação dada pela Emenda Constitucional 87, de 2015) (Produção de efeito) a) ao destinatário, quando este for contribuinte do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional 87, de 2015) 5 Capítulo 1
ICMS Genérico b) ao remetente, quando o destinatário não for contribuinte do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional 87, de 2015) Competência de o Senado estabelecer por resolução alíquotas: Faculdade de o Senado estabelecer por resolução alíquotas Piso constitucional Operação interestadual Alíquotas na Constituição: resumo Interestadual e de Exportação Mínimas Máximas Alíquota interestadual 7% Para contribuinte Para não contribuinte Iniciativa Aprovação Iniciativa Aprovação Iniciativa Aprovação 1/3 senadores ou presidente da República Maioria absoluta dos senadores 1/3 dos senadores Maioria absoluta Maioria absoluta 2/3 dos senadores Pode ser menor como benefício via convênios entre as UFs Alíquota interestadual Alíquota interna da UF remetente Diferencial de alíquotas para contribuinte somente se destinado ao ativo fixo e consumo e será pago pelo destinatário. Para consumidor final não contribuinte, será pago pelo remetente IX incidirá também: a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço; Na importação, o pagamento do ICMS, conforme determina a Constituição, é devido ao estado ou ao Distrito Federal onde está estabelecido ou domiciliado (no caso de pessoa física) o destinatário da mercadoria. Atente-se que não interessa onde está estabelecido o importador, mas para onde será destinada a mercadoria. Não interessa se a pessoa é jurídica, se é habitual ou, ainda, a finalidade do bem. Dermeval Frossard 6
Fundamentação legal do ICMS b) sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios; O Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) incide sobre os serviços previstos na lista da Lei Complementar 116/2003. Caso exista algum tipo de serviço que não se encontre em tal lista e haja mercadoria nessa prestação, ocorrerá a incidência do ICMS, que será sobre o valor total, ou seja, valor da mercadoria mais o valor da prestação do serviço. X não incidirá: As não incidências constitucionais são as imunidades do ICMS. a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; Atualmente, a exoneração do ICMS nas exportações é completa para as prestações e operações. Há também benefício relativo à manutenção dos créditos das operações e prestações que antecedem as exportações. b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; Os constituintes quiseram que o imposto relativo aos combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo ficasse para a UF onde ocorresse o consumo, assim como o imposto relativo à energia elétrica. A energia gerada pela usina Itaipu no Paraná e consumida em Santa Catarina, o ICMS pago relativo a essa operação fica integralmente ao estado consumidor. Da mesma maneira, o ICMS sobre o petróleo extraído em Campos (RJ), beneficiado em São José dos Campos (SP) e consumido em Minas Gerais, será pago integralmente a essa UF; os estados fornecedores e beneficiadores ficam com zero de ICMS nessas operações. c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, 5º; 7 Capítulo 1
ICMS Genérico A referência ao art. 153 é relativa às operações com o ouro como instrumento cambial ou como ativo financeiro. d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; A Constituição imunizou as prestações de comunicação de recepção livre e gratuita para o usuário final. Não significa, entretanto, que a prestadora nada cobre de seus patrocinadores. Para decorar: Imunidades específicas para o ICMS 1 Exportações de mercadorias e de serviços 2 Operações interestaduais com petróleo e seus derivados e energia elétrica 3 Com ouro definido como ativo financeiro ou instrumento cambial 4 Comunicação de radiodifusão sonora e imagens de recepção gratuita Outras imunidades que são genéricas e atingem o ICMS: I. patrimônio, renda ou serviços entre a União, estados, municípios e Distrito Federal; II. templos de qualquer culto; III. patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; IV. livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos; Em nove dentre dez provas, cai uma questão sobre o citado inciso. É uma imunidade que visa a beneficiar as indústrias, pois o estado pode recuperar a parte do ICMS que ficou fora dessa base de cálculo quando a mercadoria for destinada ao consumo final. Dermeval Frossard 8
Fundamentação legal do ICMS Para decorar: São três as condições para essa determinação: 1. Que a operação seja fato gerador do ICMS e do IPI; 2. Que seja destinada a comercialização ou a industrialização; 3. Que seja entre contribuintes. XII cabe à lei complementar: Aqui, a Constituição delega à lei complementar competência para disciplinar as normas restantes do ICMS. a) definir seus contribuintes; b) dispor sobre Substituição Tributária; c) disciplinar o regime de compensação do imposto; d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços; e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X, a ; Hoje, o ICMS não incide nas operações ou prestações para o exterior. Após a Lei Complementar 87/96 exonerá-las por completo, uma emenda constitucional as tornou imunes. f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exterior, de serviços e de mercadorias; Como exemplo de manutenção de crédito para operações interestaduais, tem-se a venda pela indústria de lubrificantes derivados de petróleo. Essa operação é imune quando interestadual e, por determinação de lei complementar, não se estorna o crédito relativo a ela. g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. 9 Capítulo 1
ICMS Genérico Atenção Cabe à lei complementar regular a forma dos convênios, e não dar isenções ou benefícios fiscais, competência dos convênios entre estados e o Distrito Federal. Esse é um caso atípico da forma de concessão de benefícios fiscais. Como regra do Código Tributário Nacional, o ente competente para instituir o tributo é competente para conceder benefícios; a exceção está no ICMS. A razão é que um benefício dado a um segmento econômico em uma UF pode refletir em outras UFs. Exemplo: O estado de São Paulo, maior mercado consumidor do Brasil, resolve isentar o setor calçadista de fabricação paulista. O reflexo seria uma concorrência desleal com as indústrias de outros estados, com as consequentes mudanças destas para o estado paulista. Por essa razão, os benefícios fiscais relativos ao ICMS só podem ser concedidos via convênios entre todas as UFs e com 100% de unanimidade de aprovação entre elas. O desrespeito a essas normas é a conhecida guerra fiscal. Esses convênios são regulados pela Lei Complementar 24/75. h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, b; A Constituição delega competência à lei complementar para que ela discipline a tributação sobre combustíveis e lubrificantes, derivados ou não de petróleo, definindo sobre quais deles o imposto incidirá uma só vez. Não se aplicará a imunidade nas operações interestaduais com petróleo, combustíveis e lubrificantes derivados dele (inciso X, b ). Para os combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo, a incidência só ocorrerá na venda ao consumidor final, mas será paga antecipadamente à distribuidora pelo varejista, usando para isso o instituto da Substituição Tributária, que mais à frente será estudada. A retenção pode ser feita em qualquer UF, mas deverá ser repassada ao estado ou DF em que ocorrer o consumo final. i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço. Dermeval Frossard 10