Alfabetização e Letramento

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Transcrição:

Alfabetização e Letramento

Material Teórico A Escrita no Processo de Alfabetização Responsável pelo Conteúdo e Revisor Textual: Profª. Ms Denise Jarcovis Pianheri

Unidade A Escrita no Processo de Alfabetização A Escrita no Processo de Alfabetização Objetivo de aprendizado Nesta unidade estudaremos sobre A escrita no processo de alfabetização. Qual é papel da escrita e sua função. Também abordaremos o papel do aluno e do professor nesse processo e a importância de ter um ambiente alfabetizador. Atenção Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 5

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização Contextualização Explore Para iniciarmos a nossa conversa, assista o vídeo Educação e Vida, disponível no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=mnlgv5i7um4 O vídeo possibilita refletirmos sobre o processo de aprendizagem entre as pessoas. O que cada um pode fazer para ajudar o outro. Como o professor pode ajudar e qual o seu papel no processo de ensino na alfabetização? 6

A Escrita no Processo de Alfabetização Nesta unidade o foco central será sobre o papel da escrita no processo de alfabetização. A escrita é algo que tanto a criança como os jovens e adultos estão sempre envolvidos, seja de maneira direta ou indiretamente. Mas o que é interessante é que muitas vezes os professores estão mais preocupados de como as crianças escrevem do que exatamente com a escrita em si. Por exemplo, preocupa-se mais em ensinar com a letra cursiva que para muitos é o jeito correto, em vez de utilizar inicialmente a letra bastão em que a criança tem mais facilidade para realizar porque a coordenação motora não está tão desenvolvida. Mas nem todos pensam assim, causando um mal estar entre os alunos por algumas vezes não conseguirem realizar as atividades propostas pelo professor, ficando dessa forma frustrado com a escrita. Dessa maneira, perde o interesse, à vontade, o desejo de aprender a escrever. Estamos acostumados aos vários tipos de letras e não percebemos que a criança que está aprendendo a ler e a escrever desconhece esse mundo dos vários tipos de letras, ou seja, a primeira letra do alfabeto pode aparecer para o aluno de várias formas como: A, a, A, a, A, a É como Luiz Carlos Cagliari afirma: Para nós, adultos, qualquer A é A, seja ele escrito como for. Quando a criança começa a aprender a escrever ninguém lhe diz isso e, muitas vezes, ela fica admirada diante das coisas que a professora (e os adultos) fazem com as letras. Com o tempo acaba aprendendo indiretamente o que a escola pretende. O grande problema nesse caso é que a escola ensina a escrever sem ensinar o que é escrever, joga com a criança sem lhe dizer as regras do jogo. (CAGLIARI, L. C. Alfabetização & Linguística. São Paulo: Scipione, 2003, p. 97). Essa questão da letra cursiva ou bastão é apenas um ponto que leva a criança a ter o interesse pela escrita ou não. E não podemos deixar de pensar que a escrita é um dos objetivos mais importantes da alfabetização juntamente é claro com a leitura, não podemos desvincular uma da outra. Segundo Cagliari a escrita tem como objetivo principal permitir a leitura. E a leitura nada mais é do que a interpretação da escrita, ou seja, consiste na tradução dos símbolos escritos na fala. 7

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização Ninguém escreve ou lê sem motivo, sem motivação (Cagliari, 2003, p. 102), é preciso proporcionar para as crianças os variados tipos de materiais impressos, já falamos sobre isso na unidade anterior, quando o aluno tem acesso com a linguagem escrita de diversos tipos como: jornais, livros, revistas, placas de trânsito ou ruas, painéis, bilhetes etc., todo material que seja possível apresentar para as crianças é válido por dois pontos a serem levantados, o primeiro é de que muitas crianças não terão esse conhecimento, ou melhor, só terão esse contato com os materiais impressos por meio do que é dado para ele na escola. E o segundo ponto é mostrar para o aluno e fazer com que ele possa descobrir o aspecto funcional da comunicação escrita, fazendo com que ele tenha curiosidade e o leve a refletir sobre a escrita e assim, irá aprender sobre o significado da escrita. Agora, refletindo a respeito de como as crianças pensam sobre a escrita, precisamos retomar as questões das hipóteses da escrita. Lembrando! O que são hipóteses de escrita? De acordo com Emília Ferreiro e Ana Teberosky as crianças elaboram diversas hipóteses demonstrando o funcionamento do sistema de escrita. O professor poderá verificar por meio das hipóteses realizadas pelas crianças de como elas entendem a escrita ou de como vê esse processo. Então, vejamos as definições de cada fase: Pré-Silábico-A criança nessa fase registra as chamadas garatujas, desenhos que não tem uma definição tão clara. Aos poucos ela passa a fazer desenhos com traços mais definidos, mas não fáceis de decifrar. No nível pré-silábico temos a ausência de relação entre a escrita e os sons da fala. Doce Bala Silábico - Nesse nível a criança já consegue estabelecer as relações entre o som e as letras, então, quer representar cada letra por um símbolo e vão utilizar também de letras, pseudoletras e números. A criança define as partes das palavras, ou seja, a sílaba, mas nessa fase ela representa não a sílaba por completo, algumas vezes irá colocar mais letras do que necessário, pois acredita ser o correto. Silábico sem valor: Elefante Cachorro Sapo Rã 8

Silábico com valor: Elefante Cachorro Sapo Rã Silábico-alfabético - Nessa fase a criança utiliza dois níveis, o silábico e o alfabético ao mesmo tempo, esse momento é o que chamamos de transição. A criança nesse nível começa acrescentar letras em algumas sílabas, como por exemplo, ditar a palavra CAVALO, a criança poderá escrever da seguinte maneira: CAViO ou também KVALO, a escrita irá variar porque dependerá do conhecimento linguístico de cada criança. Elefante Cachorro Sapo Rã Nesse nível a escrita apresenta sílabas completas e sílabas representadas por uma só letra. Alfabético - É o nível que se pode dizer que a criança já está compreendendo o sistema linguístico e de como se organiza. Nessa fase já consegue ler e representa graficamente as palavras e pequenas frases. Nesse nível as escritas são construídas com base em uma correspondência entre fonemas (sons) e grafemas (letras). Elefante Cachorro Sapo Rã É importante salientar que conhecer o valor sonoro convencional é conhecer a letra, ou seja, o nome e perceber sua relação com o som. Fazer a correspondência entre o fonema (som) e o grafema (letra). Pode-se dizer que quando isso ocorre à criança está conseguindo entender o processo da escrita e está entendendo que há uma relação entre a fala e a escrita. Outro ponto importante é fazer questionamentos para a criança sobre o que ela escreve anotar as respostas para depois perceber o desenvolvimento da criança. E como podemos iniciar o processo de alfabetização? Ou é apropriado partir da aprendizagem por meio dos textos? A autora Maria Fernandes salienta que Isso leva a uma mudança na prática pedagógica. Iniciar a alfabetização pelas vogais ou sílabas simples, organizadas numa determinada sequência, em lugar de facilitar, pode dificultar a aprendizagem dos alunos, pois essa escolha desconsidera que, no início do processo de reflexão sobre a escrita, as crianças acreditam que palavras com poucas letras não podem ser lidas. É caminhar na contramão do processo dos alunos. Mais real é apresentar todo alfabeto e permitir que os alunos pensem, comparem, analisem textos e palavras para que percebam o funcionamento do sistema linguístico e possam compreender as partes (letras e palavras) no todo (texto) e o todo (texto) com suas partes (letras e palavras). (FERNANDES, M. Os segredos da alfabetização. São Paulo: Cortez, 2008, p. 129). 9

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização Há uma variedade de textos e os educadores precisam proporcionar para os alunos os diversos tipos, e, principalmente trabalhar com eles as funções que cada texto possui e isso deve acontecer na escola. Trocando Ideias Na maioria das vezes a preocupação maior é com a memorização e o que realmente precisa ser levado em consideração e o que é mais importante é a compreensão dos significados dos textos. Inicia-se com o contato com a leitura, com a interpretação e com a escrita espontânea dos alunos, se preocupando em proporcionar para eles situações reais de comunicação. A interação com os mais variados tipos de textos é importante, porque acredita-se que mesmo aquela criança que não saiba ler convencionalmente, por meio dessa interação ela aprenderá as características da linguagem. Ao disponibilizar os diversos tipos de materiais: livros de história, gibis, revistas, jornais, folhetos de propaganda, embalagens e outros materiais que sejam de interesse do aluno. É importante lembrar que as atividades preparadas pelo professor devem ser desafiadoras, aquelas que tragam situações problema, ou seja, devem ser atividades que os alunos precisam pensar, refletir, argumentar, usar todo o conhecimento que possui para assimilar aquilo que ainda não sabe. Sabemos que o aprendiz é o protagonista para a construção de seu conhecimento, ele irá utilizar todo o seu conhecimento para aprender os outros. O professor tem o papel de transmitir, mediar, orientar e fazer as intervenções necessárias no processo de aprendizagem, mas será o aluno que irá receber as diversas informações e transformá-las em conhecimento. Vamos contextualizar? Observe a seguinte sugestão de atividade com texto. CARTA ENIGMÁTICA CRIANÇAS CUIDEM DE SEU BRINQUE COM ELE DE. NÃO DEIXEM DE DAR E DAR E PRINCIPALMENTE DE DAR Trabalhar com carta enigmática é interessante porque a criança terá contato com as imagens e também com a escrita. Isso facilita para a criança as relações que fará para o entendimento do texto. 10

É claro que quando for dado esse tipo de texto para as crianças que não sabem ler, ou seja, no início da alfabetização, a intervenção do professor na interpretação do texto é fundamental. Outro tipo de atividade que pode ser feita com crianças que ainda não sabem escrever é contar histórias. Assim, podem pedir para as crianças contarem as histórias e o professor faz a transcrição. Além de fazer os registros podem armazenar as histórias para que as crianças possam observar e fazer as relações entre elas e, principalmente relacionar o texto oral com o escrito. Algo como produto final da atividade das crianças contarem histórias, pode propor para montarem um livro com as histórias produzidas por elas. Isso motiva, e dá um incentivo maior na aprendizagem delas, porque elas conseguem visualizar concretamente aquilo que construiu. É um estímulo para a produção de textos. O importante é incentivar as crianças a escreverem espontaneamente, como o autor Cagliari afirma: Elas precisam escrever o mais livremente possível. Podem-se programar as atividades, por exemplo, pedir que recortem alguma fotografia de revista e escrevam uma história a partir dela. O que não se deve fazer é pedir que contem uma história de cinco linhas, usando só palavras conhecidas, e respondam a perguntas do tipo: quem, quando, onde, como, por quê etc. Esse tipo de camisa-de-força é altamente inconveniente, pois quebra a iniciativa da própria criança e limita sua reflexão pessoal. Tende a padronizar a expressão individual literária, com prejuízo futuro para o aprendizado da escrita e da leitura. (CAGLIARI, L. C. Alfabetização & Linguística. São Paulo: Scipione, 2003, p. 129). Ideias Chave A escrita espontânea é essencial e não se deve deixar de lado que nessa fase de desenvolvimento da aprendizagem da escrita da criança precisa ser algo prazeroso, ou seja, a brincadeira precisa fazer parte do processo. Deve utilizar brincadeiras, atividades com música, jogos que possam utilizar letras e palavras. Assim, a aprendizagem torna-se algo bom, em que a criança irá ter cada vez mais o desejo de aprender e descobrir o mundo da escrita. O professor tem algo para acrescentar para seus alunos, ele é o parceiro no processo de aprendizagem. José Juvêncio Barbosa (1994) coloca que O papel do professor nos primeiros momentos da aprendizagem não se resume a transmitir conhecimento; seu papel é o de criar situações significativas que deem condições à criança de se apropriar de um conhecimento ou de uma prática. (BARBOSA, J. J. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1994, p. 128) 11

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização E como fazer para o professor realmente proporcionar situação de aprendizagem significativa? Um ponto fundamental para o trabalho do professor nesse processo é ter um ambiente alfabetizador. E o que é um ambiente Alfabetizador? É aquele em que há o letramento ou cultura letrada, como alguns teóricos preferem chamar, que tenha livros, revistas, painéis, uma variedade de textos escritos que circulam na sociedade, ou seja, textos que os alunos possam ter experiências com situações reais de uso da leitura e da escrita. O contato com esses materiais faz com que a criança aprenda mais rápido tanto a ler como escrever. Fazer com que a sala de aula se torne um ambiente alfabetizador dependerá muito do professor porque sem dúvida ele precisa de muita dedicação, criatividade e inovação na construção desse ambiente. Algo importante é que os materiais sempre estejam ao alcance das crianças. O educador tem um papel fundamental de tornar suas aulas desafiadoras e interessantes que promovam pesquisas e descobertas. Ao professor compete ajudá-la a conquistar esse comportamento. Essa ajuda concretiza-se através de um ambiente rico e variado, que favoreça o aparecimento ou o desenvolvimento daquela aprendizagem e através de momentos precisos de organização do conhecimento adquirido. (BARBOSA, J. J. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1994, p. 129). A aprendizagem acontece de maneira eficaz quanto mais à criança ter acesso a esses materiais e as situações de usos da leitura e da escrita e dessa maneira, ela será levada a construção de seu conhecimento. Nesse sentido Barbosa afirma: É desse modo que a escola proporciona uma experiência rica de situações de uso da escrita, favorecendo especialmente aquelas crianças que não tiveram a oportunidade de viver estas experiências em seu meio social e familiar. As crianças que provêm de ambientes povoados de livros e de leitores encontram maiores facilidades de êxito na aprendizagem da leitura e da escrita justamente por causa dessas experiências prévias com o mundo da escrita. (BARBOSA, J. J. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1994, p. 129). 12

Ideias Chave Portanto, o aluno tem um papel importante na construção de seu conhecimento, porque é ele que irá transformar as informações dadas em conhecimento. Mas, não deixa de ser fundamental a participação do professor no processo de aprendizagem da leitura e da escrita, isso porque é o educador que irá planejar, organizar, proporcionar e oferecer as diversas situações de usos da leitura e da escrita. 13

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização Material Complementar Explore Sobre Ambiente Alfabetizador: http://ambientealfabetizadorprofessor.blogspot.com.br/ 14

Referências BARBOSA, J. J. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1994. CAGLIARI, L. C. Alfabetização & Linguística. São Paulo: Scipione, 2003. FERNANDES, Maria. Os segredos da alfabetização. São Paulo: Cortez, 2008. FERREIRO, F. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. 15

Unidade: A Escrita no Processo de Alfabetização Anotações 16

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