Em 14 de dezembro de 2011. Processo: 48500.000819/2011-23



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Transcrição:

Nota Técnica nº 172/2011-SEM/ANEEL Em 14 de dezembro de 2011. Processo: 48500.000819/2011-23 Assunto: Complementação da proposta para aperfeiçoar a regulamentação relativa à contratação de energia elétrica por consumidores no Ambiente de Contratação Livre - ACL I. DO OBJETIVO Complementar a instrução do processo sobre a contratação de energia elétrica por consumidores no Ambiente de Contratação Livre ACL, em razão da solicitação feita pelo Diretor-Relator, por meio do Memorando 175/2011-DR/ANEEL, de 03/08/2011. II. DOS FATOS 2. A Nota Técnica nº 037/2011-SEM/ANEEL 1, de 14/04/2011, recomendou a submissão à diretoria da ANEEL, com vistas à instauração de audiência pública para a apreciação de minuta de Resolução referente à contratação por consumidores no ACL, cujo escopo principal é o estabelecimento de regulamento único para os consumidores livres e especiais, tendo por base as determinações constantes da Resolução nº 376/2009. 3. O regulamento proposto apresenta, ainda, o tratamento das questões específicas de cada um desses consumidores, quais sejam: (i) os requisitos para a aquisição de energia tanto pelo consumidor livre quanto para o especial; e (ii) a concessão dos descontos à geração incentivada. 4. Por intermédio do Memorando já mencionado, o Diretor-Relator manifestou o seu entendimento no sentido de que seria oportuno aproveitar a audiência publica para propor alguns temas cujo encaminhamento poderia contribuir para o incentivo ao ingresso de consumidores no ACL, destacando-se: (i) o critério para a agregação de consumidores especiais; e (ii) as restrições estabelecidas para o acesso de consumidores ao ACL. 1 SIC 48530.000889/2011-00

Fl. 2 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 5. No primeiro caso, entende o Relator que a exigência de mesmo CNPJ para os consumidores situados em áreas não adjacentes, para a caracterização da comunhão de direito, é muito restritiva, bastando, em sua opinião, a comprovação da existência de um condomínio voluntário para a aquisição conjunta de energia elétrica. 6. Quanto às restrições impostas para o acesso desses consumidores ao ACL, sugere que sejam mantidos apenas os requisitos legais, tais como carga e tensão mínimas, natureza da fonte supridora e potencia máxima injetada na rede. Assim, solicita a supressão dos critérios adicionais previstos na Resolução Normativa nº 247/2006, ou seja, a obrigatoriedade de que os consumidores pertençam ao Grupo A e de que as unidades consumidoras reunidas em comunhão de fato ou de direito estejam localizadas em um mesmo submercado. 7. Mediante o Memorando 243/2011-SEM/ANEEL, de 09/08/2011, a SEM solicitou à Procuradoria-Geral da ANEEL - PGE, a análise do normativo proposto, já com as alterações sugeridas pelo Diretor-Relator, com ênfase na questão relativa à eventual impedimento legal em se caracterizar a comunhão de direito apenas pela comprovação da existência de condomínio voluntário para a aquisição de energia elétrica, independentemente da localização geográfica dos comungantes. 8. Em seu Parecer 529/2011/PGE-ANEEL/PGF/AGU, de 22/08/2011, a PGE, após analisar a questão conclui que não há ilegalidade na alteração proposta pelo Diretor, uma vez que entende dispor a ANEEL de competência regulamentar nos termos do artigo 26, 5º, da Lei 9.427/96. 9. Também se considerou oportuno incluir no objeto desta análise complementar, as solicitações feitas pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia ABRACEEL e pela Associação Nacional dos Consumidores de Energia - ANACE, por intermédio das correspondências CT- 0303/2011, de 05/08/2011, e CT-ANACE-046/2011, de 19/08/2011, respectivamente. 10. As duas Associações solicitam, entre outras propostas, a inclusão de dispositivo no novo regulamento estabelecendo sanções à distribuidora para os casos onde a migração não se conclua por motivos imputados a concessionária, em especial por descumprimento dos prazos para a conclusão da instalação/adequação do Sistema de Medição para Faturamento SMF. 11. Finalmente, serão apresentadas nesta Nota Técnica as considerações acerca da determinação constante do Despacho 3.046, da Diretoria da ANEEL, de 13/10/2010, para que a SEM apresente nova análise sobre o disposto no art. 6º da REN 376/2009, que trata do prejuízo da distribuidora, presumido na REN, no caso da desistência do consumidor de retornar ao Ambiente de Contratação Regulada ACR. III. DA ANÁLISE III.1. Da caracterização do consumidor especial 12. Conforme entendimento constante do Parecer 529/2011, da PGE, compete à ANEEL delimitar a comunhão de direito, não havendo qualquer ilegalidade, portanto, na ampliação desses limites conforme proposto pelo Diretor-Relator. 13. Assim, cabe analisar a factibilidade e razoabilidade da exclusão da exigência de um CNPJ único para a caracterização da comunhão de direito, em que bastaria comprovação da existência de

Fl. 3 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 condomínio voluntário para a aquisição de energia elétrica, independentemente até da localização geográfica dos comungantes. 14. Para tanto, julgou-se conveniente levantar alguns pontos, de forma a incluir, na discussão, alguns aspectos aparentemente relevados, mas que devem estar presentes na decisão final da Agência. 15. De pronto, merece destaque que a aparente pretensão da proposta seria a de estimular o mercado livre, mediante ampliação do quantitativo de consumidores aptos a operar em tal ambiente. Nesse sentido, pontua-se: a) o escopo da proposta é demasiado abrangente, posto que possibilita incluir, na forma de um único consumidor especial (até o limite de 3 MW, quando se enquadraria na condição de consumidor livre, na qual não é permitida a comunhão) uma extensa relação de unidades consumidores - dos grupos A e B -, o que não parece razoável, como se verá adiante; b) o requisito basilar da aquisição de energia incentivada é possuir carga maior ou igual a 500 kw, sendo a possibilidade de comunhão, entende-se, uma flexibilização à regra. Como tal, se a intenção é a ampliação do mercado, isso não deveria ocorrer pela ampliação indistinta da exceção, mas sim da regra. 16. Nesse ponto é importante lembrar que em vários países não há restrições à compra de energia por unidades consumidoras (Inglaterra, EUA, Portugal, para citar alguns). No entanto, nesses países, não se exige de unidades consumidoras com pequenas cargas que desejem aderir ao mercado livre, a obrigatoriedade de fazer parte do quadro de agentes do operador do mercado local, com suas consequentes obrigações. 17. No caso em análise, a redução de carga mínima, embora desejável e recomendável, ensejaria o aumento do número de consumidores que deverão ser agentes da CCEE, o que não é desejável, tampouco recomendável, e provavelmente elevará o custo de transação no mercado. 18. Em outras palavras, se o desejo é possibilitar o acesso ao mercado livre a um maior número de consumidores, considera-se que isso deveria ser feito de forma direta, sem lhes impor a obrigação de associarem-se para atingir uma carga mínima de 500 kw. Para os pequenos consumidores, enfatiza-se, não parece apropriado que haja a obrigatoriedade de filiação à CCEE. 19. Abordando a questão do ponto de vista técnico, pretende-se que um grupo de unidades consumidores dos grupos A e B, sem restrições de carga, com CNPJs distintos, conectados a diferentes concessionárias ou permissionárias, reúnam-se e ingressem no mercado livre na forma de um único consumidor especial. 20. Para tanto, cada unidade consumidora individualmente que integre comunhão de interesses de fato ou de direito, deverá celebrar: i. Contrato de Conexão às Instalações de Distribuição - CCD ou Contrato de Conexão às Instalações de Transmissão - CCT; e ii. Contrato de Uso do Sistema de Distribuição - CUSD ou Contrato de Uso do Sistema de Transmissão CUST.

Fl. 4 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 21. O consumidor especial que for representante da comunhão junto à CCEE deverá: a) obter modelagem na CCEE em nome de Consumidor Especial; e b) celebrar Contrato de Compra de Energia no Ambiente de Contratação Livre - CCEAL. 22. Ante tais exigências, cabe examinar os efeitos advindos das alterações pretendidas, algumas das quais merecem destaque, a saber: a) hoje, o mesmo consumidor especial que é representante de comunhão junto à CCEE o é, também, junto à distribuidora local, para fins da celebração dos contratos cabíveis. Na situação que se vislumbra haverá a celebração de vários CUSDs e CCDs com diferentes distribuidoras, sendo que a soma dos Montantes de Uso do Sistema MUSD de cada grupo de consumidores reunidos em comunhão de direito não poderá ser inferior a 500 kw; Para tanto, as distribuidoras deverão ser comunicadas que unidades consumidoras localizadas em sua área de concessão, com níveis de carga inferiores aos exigidos, estarão reunidos em comunhão a outras unidades consumidoras conectadas a diferentes distribuidoras. Presume-se que tal comunhão só estará registrada na CCEE. Assim, haverá necessidade de estabelecer-se uma rotina para esse fim, visando assegurar que a soma dos MUSDs dos comungantes seja sempre igual ou superior a 500 kw, e inferior a 3 MW, ao menos em um dos postos horários; O controle dos requisitos de carga, como se constata, fica extremamente prejudicado em razão da existência de CUSDs celebrados por pessoas jurídicas distintas, ainda mais pela não delimitação por área de concessão. b) o mesmo raciocínio vale para a medição elétrica. Como o responsável pela medição de consumidores especiais é a concessionária ou permissionária ao qual esses estão conectados, em caso de divergência do consumo total agrupado por consumidor especial (que seria um grupo de unidades consumidores dos grupos A e B) haverá necessidade de instituir-se um procedimento de verificação junto aos diferentes responsáveis pelas medições; c) hoje é possível o atendimento parcial de consumidor especial sob condições reguladas, ou seja, o Consumidor Especial pode optar por contratar com a distribuidora local parte das necessidades de energia e potência de unidades consumidoras de sua responsabilidade, mediante a celebração de Contrato de Compra de Energia Regulada CCER (ver REN 414). Nesse caso, apurado o consumo, a energia utilizada por esse consumidor é contabilizada como carga da distribuidora até o montante constante do CCER. Em outras palavras, o CCER fica na base, ou seja, é o primeiro contrato a conferir cobertura contratual para a carga do Consumidor Parcialmente Especial. Se o consumo for superior ao CCER, a diferença vai para o CEAL, e/ou ao spot. É fácil constatar que isso significa, no caso em análise, mais um complicador para a gestão dos contratos, pois o grupo de unidades consumidores dos grupos A e B que constituem o Consumidor Especial poderiam, individualmente, contratar com a distribuidora local parte das suas necessidades, mediante um CCER para cada. Percebe-

Fl. 5 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 se que o faturamento de cada unidade consumidora, por parte da distribuidora local demanda, pois, a consideração da medição, do CCER e do CEAL. De outro lado, a CCEE precisa, para realizar a contabilização e liquidação mensal, que sejam registrados todos os CCERs celebrados individualmente por cada unidade consumidora dos grupos A e B que constituem o Consumidor Especial, para apurar se o CCEAL cobre o consumo total do agente, ou se parte é valorado ao PLD e debitado do agente; d) a questão do retorno de unidade consumidora participante de comunhão ao ACR também é problemática. Se efetivada, poderá implicar na impossibilidade de a comunhão continuar adquirindo energia no ACL, vez que o MUSD agrupado poderia ser reduzido a nível inferior ao exigido. e) a inadimplência na CCEE do Consumidor Especial, por descumprimento de obrigações legais ou regulamentares, ensejará seu desligamento dessa Câmara, e, por consequência, das diferentes unidades consumidoras modeladas em seu nome. Hoje, o desligamento de consumidor inadimplente da CCEE é extremamente difícil, vez que, antes, é preciso que a distribuidora local efetive a suspensão do fornecimento (se assim não o fosse, o agente desligado da CCEE viraria perda do sistema, recebendo energia sem contrato). Pode-se antever, com razoável grau de certeza, que a implementação da suspensão do fornecimento, em decorrência do desligamento de agente titular da comunhão, considerando-se que cada comungante tem seu CUSD com a concessionária local, fica praticamente inviabilizada. 23. É forçoso constatar, ao final, que a ampliação do escopo, sem a restrição do CNPJ, possibilitaria a consumidores que atendam ou não individualmente o requisito de carga, a comercialização de energia elétrica com outros consumidores, bastando para tal, utilizarem seu próprio CNPJ para representar outros comungantes. Ou seja, tornar-se-iam comercializadores de energia, atividade que é vedada aos consumidores. Como se sabe, a atividade de comercialização tem requisitos próprios para ser exercida, por agentes devidamente autorizados. 24. No que toca à proposição de flexibilizar a exigência às unidades consumidoras pertencentes ao grupo "A", importa ressaltar, também, que não se coaduna com a legislação setorial passada ou presente. Não há (e nunca houve) contratação de potência (uso) para unidades consumidoras enquadradas no grupo "B". Também não parece necessário que se possibilite ou se exija tal contratação. 25. Consoante todas as ponderações apresentadas, entende-se que a caracterização da comunhão de direito deva se dar, no mínimo, por unidades consumidores do grupo A, pelo mesmo CNPJ, e na mesma área de concessão. Esta última, inclusive, se não levada a termo, acabará por derrogar o disposto no 5º do art. 61 da REN 414/2010, uma vez que será impossível para qualquer distribuidora manter controle sobre a contratação do uso por todos os comungantes. 26. Adicionalmente, tendo em vista a análise feita para a comunhão de direito, conclui-se que, também no caso de conjuntos de consumidores reunidos da comunhão de fato (áreas contiguas) é necessário que haja uma única medição e um único CUSD/CCD.

Fl. 6 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 III.2. Das propostas apresentadas pela ABRACEEL e pela ANACE III.2.1. Do atraso na adequação do SMF 27. Em sua correspondência, a ABRACEEL aponta problemas percebidos pelos consumidores em processo de migração para o ACL, no tocante aos atrasos ocorridos por motivos não imputáveis aos consumidores. 28. Relata que em muitos casos o processo de migração não se conclui por motivo de responsabilidade da distribuidora, geralmente devido a atrasos no cronograma de adequação do SMF, impedindo a adesão do consumidor à CCEE, com consequente prejuízo para esse consumidor. 29. Ressalta que a REN 376/2009 estabelece penalidades ao consumidor para os casos em que o processo não se conclua por motivo não imputável à distribuidora. Porém, não estabelece penalidades para os casos em que a responsabilidade é da distribuidora, especialmente em relação ao descumprimento dos prazos estabelecidos. 30. Nesse sentido, sugere que, quando o atraso ou o descumprimento de algum item, na adequação do sistema de medição, for comprovadamente de responsabilidade da distribuidora, seja assegurada ao consumidor a sua adesão à CCEE no prazo estabelecido, além de uma penalização à distribuidora. 31. A proposta não pode ser aceita, porque isso significaria permitir que um agente sem o SMF adequado pudesse operar na Câmara, com evidente fragilização do processo de medição. 32. Por sua vez, a ANACE sugere que sejam estabelecidos prazos para a distribuidora encaminhar as minutas de CUSD e CCD aos consumidores, e apresentar o cronograma para a adequação do SMF. Ainda, sugere que caso a migração seja retardada por motivos imputáveis à distribuidora, o consumidor seja faturado apenas pelo uso do fio até que seja concretizada a migração. 33. A REN 414/2010 já estabelece cronograma para a substituição dos contratos de fornecimento para consumidores potencialmente livres. Aos demais que pretendam adquirir de fontes incentivadas, há previsão para sua substituição por iniciativa do consumidor, subentendido que esse o faria com antecedência em relação à migração. Julgando-se adequado exigir que, no momento em que o consumidor manifeste formalmente à distribuidora sua intenção em migrar para o ACL, que também seja formalizado pela distribuidora, o cronograma para a adequação do SMF. Nesse caso, o descumprimento do cronograma por motivos imputáveis à distribuidora deve ensejar a imposição de multa e, se o consumidor entender devido, o ressarcimento de seus prejuízos efetivos pela via judicial. 34. Em relação ao processo de adesão à CCEE, a ANACE sugere: (i) acréscimo no prazo dado para a migração do consumidor quando houver descumprimento de prazo pela CCEE ou ONS na análise da documentação; (ii) seja estabelecido prazo para a atualização do status do processo e preenchimento por parte da CCEE; e (iii) avisos automáticos aos consumidores para todos os passos do processo de adesão. 35. Nesse sentido, cabe ressaltar que os prazos solicitados já estão previstos nos Procedimentos de Comercialização de Adesão, não havendo justificativa, portanto, para ampliá-los. Quanto aos avisos automáticos, entende-se que cabe ao agente o acompanhamento do processo. Não obstante, há previsão de

Fl. 7 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 melhorias no sistema da CCEE que possibilitarão, entre outras coisas, o envio das informações aos agentes, sobre o seu processo de adesão. III.2.2. Do custo do SMF 36. Na referida correspondência, a ABRACEEL alega que os requisitos técnicos exigidos para o SMF representam um custo elevado para os consumidores, tornando-se uma barreira econômica à entrada dos pequenos consumidores. 37. Dessa forma, propõe tratamento isonômico para os consumidores cativos e livres, no tocante aos requisitos técnicos do SMF ou, ainda, que sejam flexibilizados tais requisitos para os consumidores de pequeno porte, de forma a reduzir custos e simplificar a migração dessas unidades. 38. A primeira questão é incompreensível, vez já há tratamento isonômico para os consumidores cativos e livres, no tocante aos requisitos técnicos do SMF. Quanto à flexibilização do SMF para os consumidores de pequeno porte, entende-se que é uma questão que ultrapassa o escopo deste regulamento, haja vista todo o exposto anteriormente nesta Nota Técnica. III.2.3. Dos custos com O&M do Sistema de Comunicação de Dados SCD 39. Sobre esse quesito, a ABRACEEL propõe que sejam estabelecidos valores máximos para a cobrança do serviço de envio de dados, realizado pelas distribuidoras. Justifica que a regulamentação atual estabelece que os custos incorridos pelas distribuidoras com esse serviço, devidamente comprovados, poderão ser repassados aos consumidores. 40. Dessa forma, alega a Associação que não há comprovação por parte das distribuidoras em relação aos custos realizados e, além disso, haveria uma grande disparidade nos valores cobrados entre distribuidoras e, em alguns casos, dentro da mesma distribuidora. 41. Considera-se que não há razão para que a proposta seja aceita, visto que a regulamentação já prevê a comprovação dos custos, cabendo aos consumidores exigir tal comprovação. III.2.4. Da abertura dos contratos de fornecimento 42. A ABRACEEL alerta que, apesar do prazo estabelecido na REN nº 414/2010, já ter se esgotado, existem ainda muitos contratos de fornecimento de consumidores potencialmente livres cuja abertura não foi realizada pelas distribuidoras. 43. No caso dos consumidores potencialmente especiais, a referida Resolução estabelece que a abertura dos contratos seja feita mediante solicitação do consumidor, não fixando prazo para a distribuidora atender à solicitação, o que, segundo a Associação permite à distribuidora protelar o atendimento. 44. Sugere, portanto, que seja estabelecido um prazo para a distribuidora realizar a abertura dos contratos após a solicitação do consumidor potencialmente especial. Ocorre que o comando regulamentar vigente subentende que o consumidor o faça com antecedência em relação à migração. A procrastinação injustificada por uma distribuidora deve ser levada ao conhecimento desta Agência, a fim de serem tomadas as providências cabíveis.

Fl. 8 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 45. Finalmente, a ABRACEEL manifesta o seu apoio à extensão do conceito de comunhão de cargas aos consumidores do mesmo grupo econômico, ressaltando que diversos consumidores, como redes de lojas e agências, são impedidos de migrar para o ACL, pois, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, possuem CNPJ distintos. III.3. Do atendimento à determinação do Despacho 3.046/10 46. Em relação à determinação de nova análise sobre a questão do possível prejuízo atribuído à distribuidora em razão da desistência do consumidor de retornar ao ACR e consequente reparação pelo consumidor, são pertinentes os argumentos apresentados pelo Diretor-Relator, de que a energia adquirida pela distribuidora para atender o consumidor não significaria, necessariamente, um prejuízo para a distribuidora. 47. No entanto, considerando que os mercados das distribuidoras são dinâmicos, com entrada e saída de consumidores, aumento ou redução de carga, sazonalidades, e outros fatores que afetam o nível de consumo das concessionárias, considera-se difícil, senão impossível, avaliar a extensão do efetivo prejuízo incorrido por distribuidoras nessas ocasiões. 48. Portanto, entende-se que a previsão do disposto na REN nº 376, de 2009, está correta, ao definir concretamente, para o consumidor as implicações de suas ações associadas à saída ou retorno ao ACR. IV. DO FUNDAMENTO LEGAL 49. As argumentações expressas nesta Nota Técnica são fundamentadas nos seguintes instrumentos legais e regulatórios: Leis 9.074, de 1995; 9.427, de 1996; 10.848, de 2004; 11.488, de 2007; 11.943, de 2009; Decreto 5.163, de 2004; e Resoluções Normativas 247, de 2006, e 376, de 2009. V. DA CONCLUSÃO 50. Diante do exposto, conclui-se que: a) a supressão dos critérios adicionais previstos na REN 247/2006, ou seja, a obrigatoriedade de que os consumidores pertençam ao Grupo A e de que as unidades consumidoras reunidas em comunhão de fato ou de direito estejam localizadas em um mesmo submercado, bem como a exclusão da exigência de um CNPJ único para a caracterização da comunhão de direito, ainda que não contrariem explicitamente as disposições legais vigentes, produzem outros efeitos, que a SEM considera indesejáveis, a saber: i. a proposta, no limite, permitiria a comunhão de quaisquer consumidores com carga inferior àquela estabelecida na legislação; ii. poderiam ser agrupados na forma de um único consumidor especial unidades consumidores dos grupos A e B; iii. enseja o aumento do número de consumidores que deverão ser agentes da CCEE, o que, provavelmente elevará o custo de transação no mercado;

Fl. 9 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 iv. o controle dos requisitos de carga mínima fica extremamente prejudicado em razão da existência de CUSDs celebrados por pessoas jurídicas distintas; v. o responsável pela medição de consumidores especiais é a concessionária ou permissionária às quais esses estão conectados. Assim, em caso de divergência do consumo total agrupado por consumidor especial haverá necessidade de instituir-se um procedimento de verificação junto aos diferentes responsáveis pelas medições; vi. fica operacionalmente difícil o atendimento parcial de consumidor especial sob condições reguladas; vii. o retorno de unidade consumidora participante de comunhão ao ACR poderá implicar na impossibilidade de a comunhão adquirir energia no ACL, vez que o MUSD agrupado poderia ser reduzido a nível inferior ao exigido; viii. a inadimplência na CCEE do Consumidor Especial, por descumprimento de obrigações legais ou regulamentares, ensejará seu desligamento dessa Câmara, e, por consequência, das diferentes unidades consumidoras modeladas em seu nome; ix. a implementação da suspensão do fornecimento, em decorrência do desligamento de agente titular da comunhão, considerando-se que cada comungante tem seu CUSD com a concessionária local, fica praticamente inviabilizada. b) portanto, entende-se que a caracterização da comunhão de direito deva se dar, no mínimo, por unidades consumidores do grupo A, pelo mesmo CNPJ, e na mesma área de concessão; c) tendo em vista a análise feita para a comunhão de direito, no caso de conjuntos de consumidores reunidos da comunhão de fato (áreas contiguas) entende-se necessário que haja apenas uma medição e um único CUSD/CCD; d) algumas das sugestões apresentadas pela ABRACEEL e pela ANACE poderão ser incorporadas ao texto da minuta da Resolução proposta.

Fl. 10 da Nota Técnica nº 172/2011- SEM /ANEEL, de 14/12/2011 VI. DA RECOMENDAÇÃO 51. Recomenda-se o encaminhamento da minuta de Resolução Normativa em anexo para apreciação da Diretoria da ANEEL, e que essa seja submetida a processo de audiência pública pelo período de trinta dias, objetivando colher subsídios para seu aprimoramento. 52. Consoante todas as ponderações apresentadas, recomenda-se que a caracterização da comunhão de direito deva se dar, no mínimo, por unidades consumidores do grupo A, pelo mesmo CNPJ, e na mesma área de concessão. 53. Para conjuntos de consumidores reunidos em comunhão de fato (áreas contiguas), sugere-se que haja exigência de uma única medição e um único CUSD/CCD. MARIA STELLA FRANÇOLIN MACHADO DA SILVA Especialista em Regulação De acordo: FREDERICO RODRIGUES Superintendente de Estudos Econômicos do Mercado