Dados Básicos Fonte: 1.0024.05.707278-7/001(1) Tipo: Acórdão TJMG Data de Julgamento: 27/04/2011 Data de Aprovação Data não disponível Data de Publicação:13/05/2011 Estado: Minas Gerais Cidade: Belo Horizonte Relator: Wagner Wilson Legislação Legislação: Art. 288 do Código Civil; art. 366 do Código de Processo Civil; entre outras. Ementa EMBARGOS DE TERCEIRO. IMÓVEL OBJETO DE CESSÃO DE DIREITO ENTRE EMBARGANTE E EXECUTADO. INSTRUMENTO NÃO LEVADO À REGISTRO. INEFICÁCIA PERANTE TERCEIROS. 1. Compete ao embargante o ônus de provar as suas alegações, sob pena de improcedência dos embargos. 2. Para fins de comprovação da propriedade do imóvel, não deve ser levado em conta o instrumento de cessão de direitos não averbado em registro público. Íntegra TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Número do processo: 1.0024.05.707278-7/001(1) Numeração Única: 7072787-23.2005.8.13.0024 Relator: Des.(a) WAGNER WILSON
Relator do Acórdão: Des.(a) WAGNER WILSON Data do Julgamento: 27/04/2011 Data da Publicação: 13/05/2011 Inteiro Teor: EMENTA: EMBARGOS DE TERCEIRO. IMÓVEL OBJETO DE CESSÃO DE DIREITO ENTRE EMBARGANTE E EXECUTADO. INSTRUMENTO NÃO LEVADO À REGISTRO. INEFICÁCIA PERANTE TERCEIROS. 1. Compete ao embargante o ônus de provar as suas alegações, sob pena de improcedência dos embargos. 2. Para fins de comprovação da propriedade do imóvel, não deve ser levado em conta o instrumento de cessão de direitos não averbado em registro público. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.05.707278-7/001 - COMARCA BELO HORIZONTE APELANTE: ANDERSON DE OLIVEIRA TIMÓTEO APELADO: CACIO MARTINS DE SOUZA ACÓRDÃO Vistos etc., acorda, em Turma, a 16ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, à unanimidade, em <>. Belo Horizonte, 27 de abril de 2011. DES. WAGNER WILSON FERREIRA, RELATOR. DES. WAGNER WILSON FERREIRA (RELATOR) VOTO Recurso de apelação interposto por Anderson de Oliveira Timóteo, contra sentença proferida pelo MM. Juiz da 27ª Vara Cível da comarca de Belo Horizonte, que julgou improcedente o pedido inicial dos presentes embargos de terceiro.
Informou o apelante que foi proposta uma ação de execução em desfavor de seu irmão, Éderson de Oliveira Timóteo, em que houve a penhora de um imóvel. Afirmou que é o atual proprietário do mencionado bem, já que o mesmo foi objeto de uma cessão de direitos realizada pelas partes em 1985. No entanto, asseverou que até o momento a certidão do registro de imóveis não foi alterada razão pela qual seu irmão indevidamente ainda figura como proprietário. Alegou que apesar do MM. Juiz a quo ter julgado improcedente seu pedido sob o fundamento de que não houve êxito em demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, a cópia do instrumento firmado pelas partes se encontra nos autos, motivo pelo qual deve ser retirada a constrição do bem. Defendeu se tratar de um "contrato de gaveta" juridicamente válido e possível. Asseverou que seu bem não pode ser penhorado para pagamento de uma dívida que não lhe pertence. Pediu o provimento do recurso com a reforma da sentença atacada. Contrarrazões às fls. 251/256 pugnando pela manutenção da sentença. É o relatório. Passo a decidir. Afirmou o apelante que é o legitimo proprietário do imóvel em razão do contrato de cessão de direitos pactuado com o seu irmão, ora executado. Assim, pugnou pela não incidência do gravame da ação de execução sobre referido bem. Compulsando dos autos, entendo que em nada interfere o fato de ter sido firmado uma cessão de direitos entre as partes, já que referido documento não foi celebrado mediante instrumento público, sendo ineficaz perante terceiros nos moldes do artigo 288 do Código Civil. Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do 1º do art. 654.
Nos mesmos moldes, mencionado fato restou bem explicitado na sentença, às fls. 224: "(...) referido documento não pode servir de empecilho à tutela jurisdicional pleiteada na execução em apenso. Trata-se, como se vê, de um instrumento de cessão gratuita de direitos, firmado por instrumento particular e, além disso, não averbado junto ao CRI (Cartório de Registro de Imóveis)". Desta forma, não consta dos autos prova cabal no sentido de que é o apelante o legitimo proprietário do imóvel, já que o instrumento da cessão de direitos não possui eficácia perante terceiros em virtude de não ter sido levado a registro. Vale ressaltar também que o apelante não desconstituiu as alegações do apelado e das testemunhas, que afirmaram veementemente que o seu irmão declarava a propriedade do imóvel em questão em seu imposto de renda e que o locava para o apelante lá residir. Assim, resta claro que a tese do apelante carece de verossimilhança, razão pela qual não merece reforma a decisão atacada. Conclusão Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Custas recursais e honorários pelo apelante, suspensa a exigibilidade nos moldes do artigo 12 da Lie 1.060.50. DES. JOSÉ MARCOS RODRIGUES VIEIRA (REVISOR) VOTO Acompanho o Relator. Invoco, ainda, o art. 1.245, 1º, do Código Civil - que exige o registro do título translativo para o aperfeiçoamento da transferência de bens imóveis - bem como o art. 108 do Código Civil cumulado com art. 366 do CPC - acerca da indispensabilidade do instrumento público.
DES. FRANCISCO BATISTA DE ABREU (PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a). DES. FRANCISCO BATISTA DE ABREU SÚMULA: "NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO"