GÊNESE DA FILOSOFIA I: Mitologia grega
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- Mario Santana Aquino
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1 GÊNESE DA FILOSOFIA I: Mitologia grega Coleção ensino de filosofia por meio da literatura de cordel João Uilson e Ronilson Lopes IFAM CÁMPUS LÁBREA 2017
2 Texto: João Uilson Vieira Filho e Ronilson de Sousa Lopes Correções ortográficas: Vanuza Xavier Amorim Imagem da capa: João Uilson Vieira Filho Introdução: Vanessa Araújo Galvão
3 SUMÁRIO 1. Introdução Experiência literária Experiência literária Propostas didáticas Mitologia grega Biografia de João Uilson Biografia de Ronilson Lopes...17
4 4 INTRODUÇÃO A literatura de cordel é bastante antiga. Há relatos de que teve inicio no século XII, através da narração oral da peregrinação à Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Os textos foram propriamente escritos somente em meados do século XV, nesta época a referida literatura espalhou-se por diversas regiões como: França, onde era conhecida como literature de Colportage, Inglaterra com o termo Chapbook, na Espanha como Pliegos Sueltos e em Portugal como as Folhas Volantes, ou como são chamadas hoje, literatura de cordel. Mas afinal o que é literatura de cordel? Trata-se de canção popular construída em versos, impressa e divulgada em folhetos. As imagens contidas neste tipo de literatura são confeccionadas através da técnica de xilogravura, também são utilizados desenhos e clichês zincografados. Ganhou o nome de Cordel pela forma como os folhetos eram expostos para divulgação e comercialização, geralmente pendurados em cordas ou barbantes nas ruas, praças e feiras culturais. Sua chegada ao Brasil está intimamente relacionada ao processo de colonização do Brasil pelos portugueses, estes trouxeram a literatura, primeiramente para o estado da Bahia, e aos poucos, com a advinda do êxodo rural espalhou-se por outras regiões do país, firmando-se como expressão literária nordestina. Influenciou muitos escritores importantes como Patativa do Assaré, João Guimarães Rosa e Ariano Suassuna. No início de sua floração no Brasil, o cordel por ser de fácil produção e circulação de ideias, cumpria a função de socializar temas do cotidiano do povo simples do interior, uma vez que não se tinha acesso a jornais impressos, aparelhos televisivos ou outros meios de comunicação. Atualmente a literatura de Cordel tem ganhado novas roupagens a partir das novas tecnologias, bem como ampliado seu uso, perpassando vários espaços, como é o caso da utilização de textos em cordel nos ambientes educativos. Cito como exemplo esta coleção de textos, onde os autores, João Uilson e Ronilson Lopes, desenvolvem textos utilizando este formato para discutir filosofia na sala de aula com os discentes do Ensino Médio. São textos simples e de fácil compreensão. Desta forma acredita-se que seus escritos podem ser utilizados na sala de aula com os alunos, principalmente os dos primeiros anos do Ensino Médio, os quais estão tendo, na maioria das vezes, o primeiro encontro com a disciplina de filosofia.
5 5 Os autores não tem a pretensão de fazer com que os professores desta disciplina substituam os textos dos filósofos, mas estão apenas sugerindo uma opção a mais com o objetivo de ampliar a possibilidade de reflexão sobre temas, muitas vezes áridos, de forma prazerosa e descontraída. Acredita-se que a leitura deste gênero pode contribuir para o gosto pela literatura e para incentivar os alunos a fazerem outras experiências literárias, bem como de produção de textos, embora caiba lembrar que nem todo mundo tem habilidades artísticas, evidentemente que existe a necessidade dos discentes produzirem alguns trabalhos, estes não devem ser, necessariamente em cordel, o mais importante, neste caso é conseguir refletir e discutir os conceitos filosóficos, pois adquirindo estas habilidades, com toda certeza passar as ideias para o papel será bem mais fácil. Os textos fazem parte de uma coleção e iniciam discutindo a mitologia grega e amazônica, perpassa pelos filósofos pré-socráticos e pelos conceitos de filosofia e, finalizam refletindo sobre o papel da educação e do homem enquanto ser que busca o conhecimento. Assim desejo uma boa e prazerosa leitura Vanessa Araújo Galvão Lábrea 26 de Agosto de 2017.
6 6 EXPERIÊNCIA LITERÁRIA O grande amor que tenho pela Literatura de Cordel teve início ainda na infância quando minha mãe reunia a filharada para ler ao redor do leito. Foram muitos livros, entre eles alguns de cordel como: A chegada de Lampião ao inferno, João das questões, Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho, João Grilo e tanto outros. Portanto a minha memória do cordel é cheia de afeto. Foi lendo o cordel que aprendi a juntar as primeiras palavras e ouvindo as narrativas que pude pensar em contar minhas primeiras histórias. Quando me tornei adolescente comecei a escrever poesias e, em seguida contos, porém não conseguia escrever cordéis, embora tivesse muita vontade de fazê-lo. Pensava comigo, um dia ainda escrevo um cordel. O que aconteceu em 2016 quando escrevi o cordel O Fofoqueiro. Após esse fato não conseguir mais parar de escrever, principalmente aqueles que estão relacionados a algum tema que trabalho na sala de aula de filosofia no Instituto Federal. Ultimamente, duas coisas me deixaram surpresos, a primeira foi o fato de descobrir alguns livros antigos de cordéis de escritores aqui de Lábrea, cidadezinha do interior do Amazonas; a segunda, foi ver alguns dos meus alunos produzindo livros de cordéis para discutir temas importantes entre os colegas de classe. Essas coisas só provam que a literatura de cordel continua viva e ao mesmo tempo encanta uma gama de novos leitores do século XXI. Lábrea, 25 de Agosto de Ronilson de Sousa Lopes
7 7 EXPERIÊNCIA LITERÁRIA Antes de conhecer a Literatura de Cordel, já tinha a poesia como encanto. Tentava juntar as letras e compor palavras, mas quando ouvi pela primeira vez o cordel apaixoneime, foi amor a primeira vista. Tudo começou nas proximidades da casa de minha mãe, na Região do Cariri, Sul do Estado do Ceará. Precisamente, na primeira escola que estudei, entre o primeiro e quarto ano do Ensino Fundamental. Quando o sino da escola tocava anunciando o recreio, alguns alunos dentre eles, eu, sentávamos no portão de entrada da escola e, na época, o vigia de pé, declamava os cordéis para a meninada. Se não me falha a memória, alguns folhetos que ele lia eram escritos pelo pai daquele nobre vigia. Naquele período de criança e adolescência o meu passatempo era escrever paródias de músicas da época, ao mesmo tempo arriscava escrever poesia, mas não a de cordel. Não comecei cedo a escrever cordel. O meu grande desafio era conhecer a estrutura da poesia popular e unir as estrofes com uma única estória. Na faculdade optei por pesquisar Literatura de Cordel e somar com a minha formação filosófica. Posteriormente descobri em sala de aula, que essa literatura é um importante caminho de acesso e de despertar a curiosidade filosófica dos alunos. Passei então a escrever cordéis com assuntos filosóficos. Dentre os escritos, tenho Mitologia Grega. Hoje, no Nordeste do Estado de Minas Gerais, percebo que a Literatura de cordel entrou em minha vida, mostrando-me um mundo de possibilidades, despertando meu universo imaginário e permanecendo como forma viva, das minhas raízes. Araçuaí MG, 27 de agosto de 2017 João Uilson Vieira Filho
8 8 PROPOSTAS DIDÁTICAS João Uilson Vieira Filho O ensino de Filosofia por meio da Literatura de Cordel é um convite para que o aluno mergulhe no universo poético e encontre pensadores e conceitos filosóficos. Além disso, perceber e compreender a própria história da filosofia. No contexto atual de multidisciplinaridade, o momento é propício para o diálogo entre filosofia e cordel. Embasados na necessidade de unir forças para o ensino e aprendizagem dos alunos, pensamos e atuamos com a presente proposta didática. Certos de que a sua aplicabilidade não é uma imposição, mas flexível a demanda dos alunos e a criatividade do professor. Sendo assim, o uso em sala de aula desse material didático pode ocorrer, sugestivamente, da seguinte forma: Primeiro: O cordel filosófico pode ser lido, pelo professor ou por um aluno e discutido para a melhor compreensão da temática filosófica presente no cordel. Segundo: Dois ou mais cordéis podem ser distribuídos entre os alunos para que eles leiam e apresentem o resultado de suas compreensões. Terceiro: A turma pode ser dividida em grupos e cada grupo trabalharia com um cordel de assunto diferente. Em um próximo passo, os grupos expunham o conteúdo lido e estudado para que toda a turma tenha conhecimento. Quarto: Os alunos podem fazer a leitura do cordel e transformá-lo em música, semelhante ao que fazem os repentistas, que sem o texto escrito, dialogam entre si sobre determinado assunto ou a partir da leitura criar ilustrações, novos poemas, contos e outros cordéis. Quinto: Após a leitura e estudo da filosofia em cordel, os alunos podem fazer um portfólio da história da filosofia. Isso a partir da criatividade dos alunos. Estes são apenas alguns exemplos do que pode ser feito com os cordéis filosóficos em sala de aula. Todavia, conforme a dinâmica de ensino e aprendizagem do professor e dos alunos outras possibilidades podem surgir. O importante é ter claro que, esse material não é uma tentativa de substituir o livro didático, mas de fornecer novas ferramentas de ensino de filosofia, pensando sempre na aprendizagem dos alunos.
9 9 MITOLOGIA GREGA Numa época bem distante, Lá na antiguidade Surgiu a filosofia Outra mentalidade. Rompendo com a mitologia Focava a racionalidade. Agora a mentalidade Anterior à filosofia Defendia a crença Nada de cosmologia O divino é quem inventa Tudo é cosmogonia. Fique atento, a diferença Segundo a cosmologia A origem de tudo é racional Já para a cosmogonia Essa origem é sobrenatural E o sobrenatural é a mitologia. Eis a origem dos deuses Sem o raciocínio lógico Uma verdadeira teogonia Tudo é mitológico Agora uma teologia É pensamento filosófico. Vou me ater agora A mitologia grega Como tudo começou
10 10 Preste atenção e veja Do Caos tudo se originou A desordem e a grandeza. Do Caos surgiu Gaia O nosso planeta Terra De Gaia surgiu Urano O Céu que encobre as serras Os dois se uniram tanto Que nasceram as grandes feras. Urano pegava as feras E prendia no ventre materno Gaia inchada e cansada Ajudou um filho eterno Em plena madrugada A castrar o mal paterno. As feras de quem falei Tinham força e poder Também eram imortais Os Titãs pra se saber Dois deles foram casais E filhos puderam ter. Cronos castrou o pai O tempo melhor dizer Depois se uniu a Reia Para outra geração nascer Como a Terra também Reia Viu os filhos perecer. Cronos engoliu os filhos A deusa do casamento Hera
11 11 Do submundo Hades Lugar que ninguém espera Poseidon o deus dos mares E no lugar de Zeus uma pedra. Agora há quem diga Que Héstia deusa do lar E Deméter, da agricultura Cronos se pôs a devorar E ainda não por brandura Outros três puderam escapar. Outros dizem que foi Hera, Poseidon deus do mar E Zeus, divindades poupadas Cronos engoliu para terminar Uma pedra num pano enrolada Para ninguém lhe destronar. Pensando que era Zeus Cronos engoliu a pedra E Zeus escondido Crescia numa espera Reia mentiu pro marido Assim como fez a Terra. Depois de um longo tempo Zeus libertou seus irmãos Juntos venceram Cronos Zeus já tinha em mãos Agora o grande trono Com o pai na prisão. Zeus o deus do raio
12 12 Dominando a natureza Dividiu o reinado Mas não perdeu a grandeza Também foi casado E continuou a realeza. Dos muitos filhos de Zeus E também dos casamentos Das muitas traições Causador de tormentos Teve muitas relações Pense num deus turbulento. Zeus se uniu a Métis Da astúcia veio Atenas A deusa da sabedoria Com a deusa ciumenta Hera sua irmã, seria Muitas traições apenas. Com Hera veio Ares, o deus da guerra Também veio Hefesto O deus do fogo, uma fera De Hera um manifesto De Zeus tudo se espera. Da união de Zeus e Leto nasceu Ártemis linda Lua também Apolo seu irmão sendo o Sol a formosura unidos na gestação são gêmeos de bravura.
13 13 Os deuses tinham o costume De assumir formas estranhas Às vezes eram insanos Mentiam para barganhas Deitavam-se com os humanos Se divertiam nessas façanhas. Foram dessas uniões Entre deuses e mortais Com atitudes esquisitas Muitas vezes imorais Causando sempre brigas Entre todos os animais. Vieram os semideuses Dessa estranha união Os deuses seduziam Até com enganação Os mortais se rendiam A arte da encantação. Dentre os semideuses Estão Hércules e Perseu Aquiles filho do mar De Tétis e do mortal Peleu Era frágil no calcanhar Com uma flecha ele morreu. Não podemos esquecer Da linda natureza Das artes e das ciências Da divina realeza Da feliz complacência E da pura beleza.
14 14 Falo de outros seres Das Ninfas e das Musas As Ninfas são mortais Não como são as Músicas Para as Musas imortais Todas tem formosura. Não sei se foram os deuses Que criaram o ser humano Esses deuses eram perversos Se foi houve um engano Eles tinham os gestos De muitos seres insanos. Eram seres furiosos Com ódio, inveja e rancor Traziam consigo o intento De adentrar no amor Eram seres ciumentos Causavam no mundo dor. Por isso eu assim brinco Será quem é pior Os deuses mitológicos Ou o homem que está só É um assunto teológico Ninguém sabe o que é melhor. Os registros dessa história Estão na literatura Registrados no passado Mas e propaga na cultura Vem do século oitavo Antes de Cristo a aventura.
15 15 Hesíodo escritor Escreve a Teogonia Nos mostra na sua obra A famosa mitologia E com muita manobra Escreve com maestria. Outro grande escritor É Homero o poeta Com Ilíada e Odisseia Na história ele injeta Feito mel na colmeia Essa história linda e direta. Todas as mitologias Tem em si a sua riqueza Perpetua se na história Todas tem sua beleza Mantém viva a memória Não existe somente a grega. Quis trazer a tona Em cordel essa aventura A mitologia grega Filosofia e literatura Não foi com a destreza Mas sou dessa cultura.
16 16 JOÃO UILSON VIEIRA FILHO Nascido em Barbalha CE, graduado em filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino ISTA em Belo Horizonte MG (2010). É especialista em Educação profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triangulo Mineiro IFTM, Patrocínio MG (2014). Foi professor na rede Estadual de Educação de Minas Gerais. Atualmente é professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais IFNMG, Campus Araçuaí. É o autor do livro Desencontro pela Editora O Lutador. Joao.uilson.vieira.com
17 17 RONILSON DE SOUSA LOPES Nascido em Carolina MA, passou sua infância na cidade de Goiatins no Estado do Tocantins. Licenciado em Filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino ISTA. Possui Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Atualmente é professor de Filosofia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM Campus Lábrea. É o autor do Livro Contos do meu sertão pela Editora o Lutador e de livro de cordel O Fofoqueiro e de vários outros folhetins de cordel. [email protected]
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