Thiago Luiz Ticchetti

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2 Thiago Luiz Ticchetti

3 Ficha técnica da obra: Editor: A. J. Gevaerd Gerente: Marinez Nishimoto Revisão de textos: Danielle R. Oliveira e Laura Maria Elias Ilustração de capa: Rafael Amorim Ilustrações do encarte: Rafael Amorim Projeto gráfico: A. J. Gevaerd Caixa Postal 2182 Campo Grande (MS) Fone: (67) Fax: (67) Site: [email protected] Coleção Biblioteca UFO 2017 Nenhuma parte desta obra, incluindo suas artes e fotos, poderá ser reproduzida ou transmitida através de quaisquer meios eletrônicos, mecânicos, digitais ou outros que venham ainda a ser criados, sem a permissão expressa e conjunta do autor e do editor.

4 O que é a Biblioteca UFO RAFAEL AMORIM Biblioteca UFO é uma série de livros já consagrada pela Ufologia Brasileira. Foi lançada pela Revista UFO em 1998 com o objetivo de reunir textos de qualidade, atuais e consistentes sobre a presença alienígena na Terra, produzidos por autores ativos e que realmente ajudaram a construir a história atual da Ufologia. A Biblioteca pretende abastecer os estudiosos e entusiastas do assunto com obras ricas em informação de qualidade sobre nossos visitantes extraterrestres. O critério de seleção de autores leva em consideração o significado, a utilidade e a repercussão de seu trabalho. Assim como são escolhidos temas que ofereçam verdadeira contribuição ao entendimento da questão ufológica em todas as suas vertentes. Ao serem consideradas novas obras para comporem este acervo, observa-se também um critério muito presente no Fenômeno UFO, ou seja, sua manifestação em múltiplos níveis físicos e não físicos. Para tanto, um estudo de tão complexo cenário deve ter em conta a transdiciplinariedade como ferramenta de trabalho, ou seja, um conceito que mescle diferentes formas de pensamento e inter-relacione várias disciplinas, estimulando novas maneiras de se compreender e assimilar a realidade dos fatos por meio da articulação dos elementos que os compõem, sob todos os seus ângulos. Assim, refletindo o esforço da Revista UFO há 35 anos, a Biblioteca UFO busca encontrar aonde quer que estejam as respostas para a questão que envolve a ação na Terra de outras espécies cósmicas e suas consequências para o presente e o futuro da humanidade, respeitando a pluralidade do tema e entendendo que apenas uma abordagem adogmática, profunda, responsável e pluralista poderá oferecer entendimento a seu respeito e, quem sabe, também as respostas para o enigma do milênio. Coleção Biblioteca UFO

5 Quem é Thiago Luiz Ticchetti ARQUIVO UFO Thiago Luiz Ticchetti nasceu em 05 de fevereiro de 1975 em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Como filho de oficial aviador da Aeronáutica, teve a oportunidade de morar em Natal, Santa Maria e Rio de Janeiro. Após o falecimento de seus pais, viveu pelo período de seis meses na cidade de Addlestone, Inglaterra, em Ao retornar mudou-se para Brasília, onde vive até hoje. Em 1997 assistiu ao I Fórum Mundial de Ufologia, realizado em Brasília, e foi convidado por Roberto Affonso Beck, ali presente e conferencista, a ingressar na Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres (EBE-ET). Por mais de 10 anos participou ativamente da agremiação, chegando a ser vice-presidente. É membro da Revista UFO desde 1997, como tradutor, consultor, coordenador internacional e coeditor, além de responsável pela coluna mensal Mundo Ufológico. Faz parte da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU). Já escreveu dezenas de textos para a citada publicação, além dos livros Quedas de UFOs: Casos Confirmados de Acidentes com Discos Voadores e Resgates de Seus Tripulantes em Todo o Mundo [2002], Guia da Tipologia Extraterrestre [2014] e Quedas de UFOs II: Casos Confirmados de Acidentes com Discos Voadores e Resgate de Seus Tripulantes [2015], todos publicados pela Biblioteca UFO. Além de Arquivos UFO: Casos Ufológicos Volume I [2013], Arquivos UFO: Casos Ufológicos Volume II [2015] e Universo Insólito: Livro de Bordo Volumes I e II [2015]. Thiago também teve a oportunidade de entrevistar os maiores pesquisadores da Comunidade Ufológica Mundial, como Nick Redfern, John Alexander, Don Schmitt, David H. Childress, Don Ledger, Coleção Biblioteca UFO

6 Thiago Luiz Ticchetti Phillip Mantle, David Jacobs, Kevin Randle, Stanton Friedman, Nick Pope, Jerome Clark, Graham Birdsall, Wendelle Stevens, entre outros. Foi o primeiro e único pesquisador brasileiro a ter artigos publicados pela revista inglesa UFO Matrix. Atualmente é colunista da revista inglesa UFO Truth Magazine. É formado em administração de empresas pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF) e tem MBA Executivo no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC-DF) Contatos do autor: 1: [email protected] 2: [email protected] 3: [email protected] Blog: Facebook: Youtube: Coleção Biblioteca UFO

7 Sumário PREFÁCIO: Uma nova contribuição 15 INTRODUÇÃO: Apresentando uma nova classificação 19 CAPÍTULO 1: Artefatos em forma de luz 31 CAPÍTULO 2: Artefatos de formato esférico 39 CAPÍTULO 3: Artefatos de formato discoide 49 CAPÍTULO 4: Artefatos de formato elíptico 67 CAPÍTULO 5: Artefatos de formato cilíndrico 79 CAPÍTULO 6: Artefatos de formato retangular 93 CAPÍTULO 7: Artefatos de formato triangular 99 CAPÍTULO 8: Artefatos metamórficos 111 CONCLUSÃO: O que os fatos nos ensinam? 117 TABELA 1: Demonstrativo global 141 TABELA 2: Incidência mensal 145 Coleção Biblioteca UFO

8 Thiago Luiz Ticchetti TABELA 3: Incidência anual 147 TABELA 4: Incidência por período 149 TABELA 5: Número de testemunhas 151 TABELA 6: Distribuição da tipologia 153 BIBLIOGRAFIA: Fontes de referência Coleção Biblioteca UFO

9 Introdução Apresentando uma nova classificação O já falecido doutor J. Allen Hynek, consultor de astronomia da Força Aérea Norte-Americana (USAF) para o Projeto Blue Book e fundador do Center for UFO Studies (CUFOS), declarou certa vez que o número de avistamentos ufológicos beirava o impossível. Uma pesquisa de opinião feita pelo Instituto Gallup, nos Estados Unidos, revelou que 9% da população adulta daquele país, ou seja, mais de 11 milhões de pessoas na época, afirmaram já terem visto um objeto voador não identificado. Extrapolando, o número de testemunhas de avistamentos ultrapassa facilmente os milhões considerando-se todas as fronteiras entre países e séculos incluindo militares, cientistas, policiais e civis. Entretanto, o que mais desencoraja as pessoas a virem a público relatar seus avistamentos é o medo de serem ridicularizadas pelos amigos, vizinhos, família ou sociedade. Junto com o grande número de avistamentos, vem também a enorme quantidade de diferentes formas dos objetos. Enquanto o público em geral vê os discos voadores e os objetos voadores não identificados como uma só e a mesma coisa, os relatos indicam uma realidade bem diferente. Certamente, o clássico disco voador um objeto em forma de disco girando sobre seu eixo e com uma cúpula na parte de cima virou um estereótipo graças aos filmes de Hollywood. Na verdade, os chamados discos diurnos, como são referenciados os objetos pelos ufólogos, representam apenas uma Coleção Biblioteca UFO

10 Thiago Luiz Ticchetti pequena porcentagem de todos os relatados. A maioria é composta pelos artefatos chamados por Hynek de luzes noturnas, de várias cores e vistas sozinhas ou em formação no céu. Obviamente, se nós tivéssemos, por exemplo, 37 milhões de relatos do mesmo objeto observado por Arnold em 1947, a maioria concordaria que estaríamos sendo invadidos por seres alienígenas, mas a verdade é que as formas dos UFOs avistados são muito diversificadas. Podemos concluir que estamos sendo visitados quase que diariamente por seres de outros planetas, mas ao mesmo tempo podemos ter a impressão de que a Terra é apenas um pit stop, um ponto de passagem. Outro fator nesse estudo é que muitos dos relatos podem ser explicados de maneira convencional, ou seja, há uma resposta natural para eles. Aviões, balões, aves, cometas, satélites, meteoros e fenômenos climáticos são alguns exemplos de respostas à grande maioria dos relatos de avistamentos. Isso sem contar o fato de que a ciência a cada dia descobre um evento novo em nosso planeta que não conhecíamos e que pode estar por trás de algumas dezenas de casos. O primeiro disco voador No dia 24 de junho de 1947, o piloto Kenneth Arnold, natural de Boise, no estado norte-americano de Idaho, voava em seu avião, um Callair, próximo ao Monte Rainier quando viu nove objetos prateados voando à grande velocidade e refletindo a luz do Sol. Depois de pousar em Yakima, Washington, Arnold relatou o que tinha visto. Quando foi entrevistado pelo repórter Bill Bequette, da Associated Press, ele comparou o movimento dos objetos como os de pires deslizando pela superfície da água. O artigo de Bequette foi enviado para a redação por telefone e alguém escreveu a palavra discos voadores, e o resto, bem, o resto é história. Agora, a história do que eram aquelas coisas é um assunto inteiramente diferente. Quase que da noite para o dia os discos voadores passaram para o imaginário público crianças e adultos desde o início do século XX sabem como um disco voador se parece. A imagem de uma espaçonave perfeitamente circular, giratória e elegante indubitavelmente está dese Coleção Biblioteca UFO

11 nhada em nossas mentes. Mas existe um problema com essa imagem. Embora o que Arnold tenha visto naquele dia histórico permaneça inexplicável, e seu nome continue como o símbolo da palavra disco voador, o que ele relatou não se parece nem um pouco com o clássico disco voador. Os detalhes, em outras palavras, perderam-se nas manchetes. O desenho de Arnold, anexado ao relatório feito três semanas depois do evento e endereçado ao Comando Geral da USAF, na Base Aérea de Wright Patterson, em Ohio, mostra os objetos parecidos com discos, mas por outro lado também se assemelham a um cilindro voador. Entretanto, Arnold também incluiu uma visão de cima dos seus discos voadores e em nada eles parecem perfeitamente circulares. A melhor maneira de descrevê-los é como um arco, arredondado na frente, indicando a direção do voo. O seu tamanho foi estimado como sendo o de um avião DC-4. Outras testemunhas também viram estranhos objetos nos céus de Washington naquele fatídico dia. Um empresário chamado Fred Johnson observou seis silenciosos discos a alguns quilômetros do Monte Rainier. Ele os descreveu como redondos, mas com caudas. Horas depois do avistamento de Arnold, dezenas de testemunhas viram uma luz azul e bolas de luz roxas perfazendo manobras acrobáticas sobre a cidade de Seattle. Discos voadores? Não exatamente... O problema da observação humana Como espécie, somos uma maravilha da evolução com nossos enormes cérebros, visões binoculares coloridas e outros órgãos de percepção sofisticados. Mas Aldous Huxley, escritor inglês, estava metade certo quando se referiu a isso como portas da percepção. Contudo, não somos tudo isso. Nós somente reconhecemos uma pouca variável de odores, ouvimos algumas poucas frequências e vemos uma limitada janela da vibração espectral de luz. Enquanto a verdade está lá fora, pode ser que ela não seja verdadeiramente percebida. Sendo mais claro, os seres humanos são observadores imperfeitos por definição, e ao mesmo tempo a observação humana constitui a maior evidência em favor do fenômeno ufológico. O que isso significa? Que nem tudo que reluz é ouro. Coleção Biblioteca UFO

12 Thiago Luiz Ticchetti Quando focalizamos, por exemplo, um ponto distante de luz, um planeta ou estrela, ele parece pular para frente e para trás, quando na verdade está parado no mesmo lugar. Nossos olhos também nos pregam outros truques. Um objeto brilhante visto contra o céu escuro inevitavelmente parece maior do que é, e quando um objeto escuro é avistado em plena luz do dia, parece menor do que realmente é. Vamos considerar algo bem familiar, como a Lua. A Lua cheia próxima ao horizonte parece ficar duas vezes maior do que quando está no meio do céu a diferença aparente no tamanho é devido à cor e aos pontos de referência. Quando próxima ao horizonte, a luz parece ser mais alaranjada e mais próxima em relação aos edifícios, torres, casas ou outras referências. Olhando acima dela, parece mais isolada e mais branca. Perspectiva também causa estragos na percepção. Vamos pegar um exemplo simples: um avião comercial visto no céu, a um ângulo de 90º do observador, pareceria com uma cruz ou sinal de soma. Visto de um ângulo diferente, pode se parecer mais com a letra X. Qual é a forma verdadeira? A resposta é: ambas. Depende da posição do observador e sua perspectiva do avião. Similarmente, é fácil ver como um clássico disco voador pode ser descrito como tendo a forma cilíndrica para algumas testemunhas e oval para outras, assim como uma esfera perfeitamente redonda para um terceiro grupo de pessoas. Tudo depende da perspectiva. Mais uma vez, todas as formas são verdadeiras para a testemunha original. Infelizmente para o ufólogo que tenta entender o fenômeno, o mesmo objeto poderá ter o formato triangular ou ser na verdade mais de um objeto. Obviamente, é a perspectiva do observador que muda e não o UFO em si, como temos visto na enorme variedade de formas desses objetos. Outro fator importante que determina a forma de um UFO é o seu comportamento. Existem relatos de objetos fazendo manobras incríveis. A velocidade é tão grande que eles tomam outra forma aos olhos das testemunhas. Ao mesmo tempo, ainda temos os relatos em que um objeto, a princípio de formato triangular, altera sua forma para quadrada ou até mesmo cilíndrica. Ponto de vista ou realmente uma tecnologia ultra avançada? Coleção Biblioteca UFO

13 À parte de tudo isso temos o aspecto humano, a individualidade de cada testemunha. Como outsiders, olhando de longe, não temos como afirmar com absoluta certeza quando uma testemunha está dizendo a verdade sobre o que viu, se ela está exagerando nos efeitos (inconscientemente) ou se está realmente fabricando uma farsa. Classificação e reclassificação A maioria das tentativas de classificar a fenomenologia ufológica tem sido baseada em aspectos gerais, tornando-se infrutífera quando direcionada a casos individuais e à habilidade de fazer predições sobre o próprio fenômeno. Tipicamente, essas publicações tendem a dividir os formatos dos UFOs em duas categorias. Os objetos voadores não identificados são rotulados quanto à sua forma ou seus apetrechos, tais como antenas, lemes, trens de pouso, janelas, domo etc. Raramente essas duas classificações estão em um mesmo estudo. Tentativas anteriores para classificar os relatos dos UFOs baseadas no seu formato simplesmente deixa muito a desejar. Por exemplo, a primeira análise oficial profunda sobre o assunto dividiu o fenômeno em meras quatro categorias. No início da enxurrada de relatos após o avistamento de Kenneth Arnold, a Força Aérea Norte-Americana (USAF) criou o Projeto Sign para estudar alguns desses casos. Um ano após a sua concepção, o programa publicou um relatório com dados oriundos de 243 relatos domésticos e 30 estrangeiros. O projeto agrupou os objetos vistos em quatro classificações, segundo sua configuração: 1. Discos voadores, isto é, algo bem diferente das aeronaves da época. 2. Corpos em forma de torpedo ou cilíndrico, sem asas ou lemes visíveis durante o voo. 3. Objetos esféricos ou em forma de balão. 4. Esferas de luz. Coleção Biblioteca UFO

14 Thiago Luiz Ticchetti Essa tentativa da Força Aérea na classificação mais parece uma divisão entre todas as aves ou mamíferos, ou outra classe de animais, em apenas quatro formas invariáveis, ignorando quaisquer alterações na forma que poderiam ser resultantes de uma situação de percepção, iluminação, ângulo, duração de observação, proximidade, e assim por diante. Sem dúvida, os militares perceberam o erro de seus estudos, tendo em vista que em 1952 o projeto, renomeado Blue Book, expandiu para cinco itens e ainda um sexto para classificar todas as formas de objetos voadores não identificados: (1) elípticos, (2) foguetes e aeronaves, (3) meteoros ou cometas, (4) lenticulares, cônicos ou em formato de lágrima, (5) em forma de chamas e (6) outras formatos. Mas essa classificação jogou tudo em um mesmo saco e misturou as formas e explicações em uma grande confusão. Duas décadas depois, a situação não havia mudado muito. Em 1966, o segundo dos dois clássicos estudos científicos do fenômeno, Challenge to Science: The UFO Enigma [Desafio para a Ciência: O Enigma UFO, Ballantine Books, 1977], de Jacques Vallée e sua esposa Janine, ainda dividia os avistamentos ufológicos em quatro categorias básicas: 1. Observação de um objeto incomum esférico, discoide ou de forma mais complexa ou próxima ao chão (tipo I). 2. Observação de um objeto incomum de forma cilíndrica vertical, no céu, associado a uma nuvem difusa (tipo II). 3. Observação de um objeto incomum esférico, discoide ou elíptico parado no céu (tipo III). 4. Observação de um objeto incomum movendo-se constantemente no céu, com acelerações, variações de cor ou rotação (tipo IV). Vallée posteriormente refinou algumas de suas divisões. O tipo II, por exemplo, ele dividiu em tipos II-A e II-B. O tipo II-A Coleção Biblioteca UFO

15 são objetos cilíndricos verticais que se movem erraticamente no céu, enquanto o tipo II-B, segundo ele, se dá quando o artefato permanece parado no céu e dá início a um segundo fenômeno. Infelizmente, esse tipo de categorização mistura gêneros. Enquanto os tipos I, II, III se referem à forma, e em alguns casos ao comportamento, o tipo IV se refere somente ao comportamento. E se um avistamento ufológico categorizado como tipo IV apresentar um movimento constante, por que não ser um tipo V, que poderia comportar todos com essas atitudes? Além do mais, quase todos os casos que foram catalogados no tipo II, de objeto cilíndrico vertical no céu, são associados à onda ufológica francesa de Uma tentativa anterior de classificação ocorreu em 1972 com a publicação do livro The UFO Experience: A Scientific Inquiry [A Experiência UFO: Uma Investigação Científica, Ballantine Books, 1974], do citado astrônomo J. Allen Hynek, que envolvia seis categorias que davam em duas classes distintas. Esta ganhou notoriedade à época devido à sua associação com o filme de Steven Spielberg, Contatos Imediatos do Terceiro Grau [1977]. Os casos ufológicos chamados de primeira classe por Hynek são compostos por luzes noturnas, discos diurnos e ocorrências com detecção ao mesmo tempo por radar e visual. O problema com este sistema já fica aparente aqui os UFOs foram definidos pelas circunstâncias individuais dos relatos ao invés da referência do fenômeno em si. Não existe uma forte razão para associar uma luz noturna a um caso de avistamento visual ou pelo radar. Além disso, a classificação de Hynek não abrange os objetos cilíndricos diurnos, esféricos, ovais, que são relatados em abundância. Já a segunda classe foca nos contatos imediatos, e aí temos os contatos imediatos de primeiro, segundo e terceiro graus, respectivamente CI-1, CI-2 e CI-3, que são distinguidos entre si apenas pela interação do objeto com o meio ambiente. Dessa forma, Hynek dizia sobre o CI-1 que o fenômeno não apresentava interação do UFO com o meio ambiente ou seus observadores. O CI-2 ocorre quando o UFO deixou evidências tangíveis. E o CI-3 se dá quando são vistas criaturas animadas próximo ao UFO. Coleção Biblioteca UFO

16 Thiago Luiz Ticchetti Misturando não os dois gêneros, mas três aparência, circunstância e proximidade, o sistema de classificação de Hynek resulta em contradições profundas. Por exemplo, ele considera o Caso Papua, que veremos mais adiante neste livro, um dos grandes contatos imediatos porque figuras animadas foram vistas acenando de uma plataforma circular que sobrevoou Papua Nova Guiné por horas a fio. Devido à falta de uma evidência fotográfica, por exemplo, muitos não levam a sério o caso. Anos depois outro sistema de classificação dos UFOs foi apresentado novamente por Jacques Vallée em seu trabalho Confrontations: A Scientist s Search for Alien Contact [Confrontações: A Procura de um Cientista pelo Contato Alienígena, Anomalist Books, 2008]. Nele, Vallée publicou uma versão muito mais refinada e revisada de seu sistema anterior. Suas novas categorias consistiam em avistamentos anômalos (AN), contatos imediatos (CI), manobras (M) e sobrevoos (SV), cada uma com cinco níveis de gravidade, sendo o nível 5 o mais grave. Mas os problemas persistiam. Por exemplo, na nova classificação de Vallée é possível que uma testemunha seja morta por uma bola de luz, que ele classificaria em AN, de nível 5, mas que nos daria muito pouca informação sobre o fenômeno ufológico. A nova classificação Assim como no livro Guia da Tipologia Extraterrestre, que publiquei pela Biblioteca UFO em 2014, lancei mão de uma pesquisa que durou cerca de dois anos para escrever Guia da Tipologia dos UFOs. Minhas referências foram livros, boletins, publicações, documentos, relatos, fotografias e filmagens. Deparei-me com casos ufológicos de todo o mundo. Minha metodologia buscava identificar nestes casos as informações que eu precisava para conseguir criar um sistema de classificação. Para evitar os problemas que assolavam os sistemas anteriores de categorização da fenomenologia ufológica, decidi adicionar um único critério: forma. Como o UFO é visto em sua forma, ele a muda ou a mantém. Um critério mais básico, amplo e ao mesmo tempo certeiro. Com o critério já definido, parti para as demais informações que deveriam constar Coleção Biblioteca UFO

17 nos casos que pesquisei, tais como data completa do relato, localização e testemunhas, e incluí uma variante diferente, ou seja, a solução dos céticos para aquele caso. Por que isso? Para que o próprio leitor possa ter sua opinião embasada pelas duas versões, pelos dois lados. Pois bem, dos casos que pesquisei, 771 tinham todas as informações que eu precisava para dar vida ao meu livro. São esses eventos que foram a base do meu estudo científico e estatístico. Uma vez explicado isso, vamos passar para os tipos de UFOs da minha classificação. O meu primeiro tipo são os UFOs como formas de luz. Essa categoria não apenas engloba as luzes noturnas da classificação de Hynek, como também as bolas de luz, raios, colunas e cones, assim como formações ou matrizes de luz especialmente quando o UFO não está associado a nenhum corpo onde deveria estar afixado ou de onde sua luz estaria sendo emitida. Assim, um disco ou outro objeto visto à noite e descrito como um feixe de luz ou como raios de luzes individuais não entra nessa categoria. A maioria dos avistamentos é relatada como sendo nada mais do que uma luz brilhante. Vamos a ela. 1. Formas de luz: São aqueles de luzes noturnas da classificação de Hynek, como também as bolas de luz, raios, colunas e cones, assim como formações ou matrizes de luz, conforme descrito acima. 2. Esféricos: São aqueles que têm a forma perfeitamente redonda. Alguns não chegam ao tamanho de uma bola de futebol, enquanto outros são maiores do que uma casa. Em alguns casos, as esferas formaram a base para algo parecido com anéis de saturno. 3. Discoides: São os clássicos discos voadores, com domos ou não, finos ou em formato de pratos. Esse tipo é um dos mais relatados pelas testemunhas em todos os tempos. 4. Elípticos: São aqueles que não têm a forma discoide (achatados) nem cilíndricos, mas sim estão entre as Coleção Biblioteca UFO

18 Thiago Luiz Ticchetti duas formas. Eles são normalmente descritos como alongados ou ovais e são vistos com mais frequência próximos ao solo ou pousados. Esses objetos ovais ou em forma de bola de futebol norte-americano normalmente não apresentam características externas, como asas ou janelas. 5. Cilíndricos: Este tipo é essencialmente o UFO em forma de charuto. Esses objetos são mais longos do que compridos. Geralmente apresentam extremidades cônicas ou retas, mas em alguns casos têm uma extremidade reta e outra parecendo um míssil. Em poucos relatos os objetos têm dois finais retos. 6. Retangulares: São exatamente isso, ou seja, objetos que têm o formato de geladeira, máquina de lavar ou fogão, que eram raros no início da Ufologia. Já hoje são cada vez mais relatados. Seus registros têm amplitude mundial e não são exclusividade do Brasil ou da América do Sul. Eles podem ser pequenos, como um tapete voador, ou gigantescos como um campo de futebol. 7. Triangulares: Observação com esta característica parecem ser o que há hoje em dia. Relativamente raros no início da Era Moderna dos Discos Voadores, atualmente têm um número de registros enorme. Aqui se enquadram os de forma de diamante e cone, assim como os bumerangues. Raramente eles são vistos pousados. 8. Metamórficos: Por fim, estes são aqueles UFOs que alteram a sua forma durante o avistamento. A sua importância se deve ao fato de que o seu registro coloca em dúvida a própria origem do fenômeno, deixando aberta uma janela para teorias alternativas Coleção Biblioteca UFO

19 Abrem-se as cortinas Assim como meu livro Guia da Tipologia Extraterrestre, este sistema de classificação tem como objetivo principal servir como guia geral e um catálogo no auxílio de pesquisas para os ufólogos e pessoas que gostam desse fascinante assunto. Para a elaboração da obra contei com a arte do pesquisador e desenhista Rafael Amorim, consultor e capista da Revista UFO. O nosso artista usou tanto as fontes que lhe passei como sua própria interpretação visual dos fenômenos relatados. E, para finalizar, este guia não é definitivo, pois ainda há muito mais para se descobrir e investigar. A classificação foi criada de forma ampla e para que abranja quaisquer formas que porventura surjam no futuro ou que sejam identificadas no decorrer da história do Fenômeno UFO. Coleção Biblioteca UFO

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21 Imagem 04. Frodsham, Cheshire, Inglaterra Coleção Biblioteca UFO

22 Imagem 08. Norfolk, Virgínia, Estados Unidos Coleção Biblioteca UFO

23 Imagem 14. Mount Pudi, Papua Nova Guiné Coleção Biblioteca UFO

24 Imagem 20. Tronstad, Noruega Coleção Biblioteca UFO

25 Imagem 28. Newton, Illinois, Estados Unidos Coleção Biblioteca UFO

26 Imagem 36. Vendée, Pays de la Loire, França Coleção Biblioteca UFO

27 Thiago Luiz Ticchetti Imagem 53. Sudeste da França Coleção Biblioteca UFO

28 Thiago Luiz Ticchetti Imagem 55. Central Valley, Califórnia, Estados Unidos Coleção Biblioteca UFO

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